7 de julho de 2012

Grupos de Pesquisa do CCM/UFPB Certificados no CNPq


Números registrados na  página da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPG) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) revelam que em 14 de junho de 2012 (última atualização) havia 335 grupos de pesquisa das diversas áreas do conhecimento na UFPB,   certificados por esta instituição no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 
As informações exploradas ao longo desta postagem foram obtidas mediante consulta online à página da PRPG/UFPB (BRASIL, 2012a) e do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, CNPq (BRASIL, 2012b). 
No Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPB, figuram sete grupos certificados até esta última atualização (Tabela 1).

Tabela 1- Relação dos Grupos de Pesquisa e seus respectivos Líderes, datas de certificação e de atualização - Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) -junho de 2012. 

Fonte: PRPG/UFPB

A estes sete grupos certificados atualmente correspondem 29 linhas de pesquisa (Tabela 2). 

Tabela 1- Número de linhas de pesquisa, pesquisadores e estudantes registrados nos Grupos de Pesquisa do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em junho de 2012 (PRPG/UFPB)


Objetivos e Linhas de Pesquisa dos Grupos do CCM, conforme informações obtidas mediante consulta online à página da PRPB/UFPB (BRASIL, 2012a) e do Diretório dos Grupos no Brasil do CNPq (BRASIL, 2012b)

- Objetivos: O foco principal dos estudos estará dirigido para o binômio materno-infantil, no entanto a contextualização contemporânea exige uma abrangência que ultrapassa e transcende este binômio, haja vista os problemas relacionados com a gestação precoce, gestações tardias, reprodução assistida, morbidade e mortalidade maternas, etc. A meta principal é realizar estudos que resultem em informações científicas capazes de mudar ou aperfeiçoar conceitos e ações que visem a integralidade e universalidade de políticas públicas de saúde da criança, do adolescente e da mulher. As atividades do grupo terão um impacto direto na melhoria do planejamento de ações médico-preventivas na área e poderão contribuir para o desenvolvimento de novos procedimentos, ferramentas de intervenção e produtos no âmbito do SUS. A nível acadêmico essas atividades refletirão na preparação adequada e qualificada de recursos humanos na área. O trabalho desenvolvido contribuirá para o conhecimento das necessidades da atenção à Saúde da Criança, do Adolescente e da Mulher da região nordeste do Brasil, a nível primário, secundário e terciário.

- Objetivos: Contribuir na definição dos caminhos da Educação Popular em Saúde no atual contexto institucional do Sistema Único de Saúde. Contribuir na humanização do SUS através da identificação de entraves e estratégias de aperfeiçoamento de suas relações com a população e seus movimentos organizados. Contribuir na compreensão das dinâmicas subjetivas e culturais envolvidas no processo de adoecimento e de luta pela saúde. -enfatizar o estudo da espirtitualidade de forma a entender as dinâmicas subconscientes presentes no trabalho em saúde. Contribuir na construção de estratégias pedagógicas para o fortalecimento da organização popular e para o resgate da altivez dos grupos subalternos de forma a criar uma sociedade mais justa, igualitária e participativa. Identificar as contribuições da Educação Popular na formação dos trabalhadores em saúde numa perspectiva de envolvimento com as iniciativas populares de saúde.

-Objetivos: As repercussões dos estudos desse grupo está concentrado primeiramente no grupo alvo que certamente será beneficiado c/ as conclusões dos trabalhos que visará contribuir p/ melhoria prognostica através de propostas a partir dos resultados obtidos, que condicionem proveito p/ o grupo alvo. Por outro lado, essa linha de estudo focada em visão atualista e futurista,certamente vem preecher uma lacuna no nosso meio local e ao mesmo tempo, engrossar as vias diretamente interessadas no assunto proposto por grupo de trabalho de forma e visão interdisciplinar.

- Objetivos: Conhecer a distribuição, a prevalencia e o controle da hipertensão arterial nos pacientes atendidos no ambulatório de cardiologia do hospital universitário Lauro Wanderley.

- Objetivos: - Avaliação da semiologia clínica a partir do paradigma da medicina baseada em evidências; - Realização de estudos epidemiológicos, visando a contribuir para identificação de doenças na região predominantemente nos pacientes que são assistidos no Serviço de Clínica Médica Hospital Universitário Lauro Wanderley/UFPB; - Difusão de conhecimentos que possam contribuir para a complementação da formação acadêmica do aluno da área da saúde, em especial nas áreas de propedêutica clínica, observando-se o caráter informativo, assim como a abrangência do tema escolhido com foco de sua atenção perfeitamente relacionado com o campo de saberes da saúde para o graduando em medicina geral; - Incentivo e suporte à participação de seus membros em equipes de pesquisa, objetivando a iniciação ao método científico e à produção científica.
- Linhas de Pesquisa:
-- SEMIOLOGIA DAS NARRATIVAS DOS DOENTES
-- SEMIOLOGIA DO IDOSO
-- SEMIOLOGIA E DOENÇAS CRÔNICAS
-- SEMIOLOGIA E ENSINO
Link: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0083401T2AJV5C

- Objetivos: Não explicitados até 14/07/2012.
Link:

- Objetivos: Considera-se que a atual proposta é pioneira, meritória, contemporânea e de relevância social particularmente para a região Norte- Nordeste. Regiões com escassas investigações no âmbito dos Transtornos da Conduta Alimentar, principalmente da Obesidade Mórbida e Cirurgia Bariátrica. Por outro lado, também se entende que este núcleo é extremamente proeminente para o desenvolvimento científico e tecnológico no contexto universitário e da região por tentar produzir cientificamente e formar recursos humanos em uma área emergente, fundamental para as ciências médica. Ainda nesta perspectiva, convém salientar que devido à experiência prévia do Núcleo na área de estudos clínicos, avalia-se que as linhas de investigação são pertinentes, com os recursos humanos adequados para alcançar os objetivos e as metas propostas. É importante ressaltar a existência da equipe multidisciplinar e a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento do núcleo. Recentemente o Departamento de Medicina Interna da Universidade Federal da Paraíba está em pleno processo de crescimento científico no que se refere à tríade: ensino, pesquisa e extensão. Como também estimula a formação de recursos humanos demonstrada pela participação de docentes com titulação de mestre em programas de doutoramento para melhorar o suporte acadêmico. A importância do apoio desta proposta para este núcleo de pesquisa torna-se de considerável relevância para a formação de profissionais e estudantes na área de saúde, corroborando o conhecimento no contexto dos Transtornos da Conduta Alimentar e da Obesidade e Cirurgia Bariátrica.
-Linha de pesquisa:

Referências
BRASIL. Universidade Federal da Paraíba. Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Grupos de Pesquisa Certificados pela UFPB. 2012a. Disponível em: http://www.prpg.ufpb.br/portal/index.php/pesquisa/grupos-de-pesquisa. Acesso em: 07 jul. 2012.
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. 2012b. Diretório de Grupos de Pesquisa. Disponível em: http://www.cnpq.br/gpesq/saibamais.htm/. Acesso em: 07 jul. 2012.

--------- ATUALIZAÇÃO EM 2013 --------


Em 18/04/13: Houve nova atualização da lista de grupos de pesquisa certificados pela UFPB. Nesta atualização, feita em 2013, figuram cinco grupos no CCM certificados pelo CNPq  (BRASIL, 2013).

Discussão dos Dados Observados
A articulação entre ensino e pesquisa oportuniza a vivência em iniciação científica pelos graduandos de Medicina. A iniciação científica é um instrumento pedagógico, implementado no Centro de Ciências Médicas (CCM) da UFPB no Programa de Iniciação Científica, mas também pela realização dos trabalhos de conclusão de curso (recentemente implementada no curso de medicina) e pelos grupos de pesquisas ativos. 
A formação de grupos de pesquisa tem fomentado as especialidades do conhecimento e oportunizado a produção científica, bem como o diálogo interdisciplinar.
Em 2012, conforme mostrado no início desta postagem (iniciada em 07/07 2012), os grupos de pesquisa da UFPB possuíam de 1 a 8 linhas de pesquisa, eram compostos por 2 a 12 doutores (6, em média) e de 0 a 12 graduandos de Medicina (6, em média). Dois grupos figuraram como atípicos por não possuir estudante e ter mais de 12 pesquisadores. Esta classificação de grupos em atípicos e consolidados foi feita de acordo com o CNPq (BRASIL, 2012). 
Os grupos cadastrados em 2012 foram sete: Saúde da Criança e da Mulher, Educação Popular em Saúde, Distúrbios Respiratórios e Envelhecimento, Doenças Prevalentes do Sistema Cardiovascular, Semiologia Médica, Transtornos Alimentares. Em 2013, há cinco grupos cadastrados, três dos anteriores foram descredenciados e um novo foi criado (Imaginologia).  Em 2012, três estavam em consolidação e quatro em formação; em 2013, dois em consolidação, três em formação. Os grupos pertencem a áreas distintas da Medicina e não se verifica interdisciplinaridade, pelo menos no tocante às temáticas enfocadas nos grupos.
Não há grupos de pesquisa consolidados no CCM/UFPB, segundo os critérios do CNPq. As áreas do conhecimento são distantes entre si, não há interdisciplinaridade na maioria deles e dois são considerados atípicos. Há poucos estudantes de Medicina incluídos, embora a maioria dos pesquisadores tenha titulação de doutor. 
Há necessidade de consolidação dos grupos de pesquisa do CCM/UFPB e de inclusão de maior número de estudantes.

Referência
BRASIL. Universidade Federal da Paraíba. Grupos de Pesquisa Certificados pelo CNPq. 2013. Disponível em: http://www.prpg.ufpb.br/portal/index.php/grupos-de-pesquisa/74-grupos-de-pesquisa. Acesso em: 18 abr. 2013.
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. 2012. Diretório de Grupos de Pesquisa: Manual do Líder de Grupo. Disponível em: http://dgp.cnpq.br/diretorioc/html/lider/manual.html. Acesso em:  18 abr. 2013.

6 de julho de 2012

Portal Dr. Teuto: Promovendo Interação com o Público Médico

O portal institucional Dr. Teuto é o site do conhecido Laboratório Teuto/Pfizer, considerado um dos maiores fabricantes de medicamentos do Brasil e o maior complexo farmacêutico da América Latina. Voltado para o público médico e de outros profissionais da saúde, o site Dr. Teuto proporciona acesso aberto, com o objetivo de disseminar informações importantes para a área médica,  criando um ambiente que atende às necessidades específicas de profissionais da saúde e promovendo comunicação efetiva com este público diferenciado.
O Laboratório Teuto/Pfizer possui mais de 500 apresentações de medicamentos, entre genéricos e similares, medicamentos da linha hospitalar, fitoterápicos e suplementos alimentares. Para divulgação desta sua produção, o site disponibiliza a lista completa de medicamentos e suas bulas, além de possuir uma série de vídeos 3D mostrando como esses fármacos atuam no organismo. Assim, pode-se ver, em alta definição, como cada fármaco atua, possibilitando que o médico proporcione essa explicação ilustrativa ao seu paciente. Esses conteúdos sobre as ações de medicamentos são protegidos e exigem cadastro do médico para ser acessado.
O site Dr. Teuto também destina um  espaço à farmacovigilância, para que os médicos possam relatar possíveis eventos adversos apresentados por seus pacientes. É um trabalho de acompanhamento do desempenho dos medicamentos que estão no mercado, uma vez que nenhum fármaco é inteiramente isento de riscos. Nessa perspectiva, o site Dr. Teuto também disponibiliza links para as resoluções recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além dos vídeos em 3D, o portal também oferece ferramentas úteis aos clínicos, como o conversor de medicamentos genéricos para medicamentos de referência. O site tem uma média de 10 mil acessos/mês, interações mensais com mais de mil médicos e um banco de dados com cinco mil cadastros.
O site possui um blog com informações sobre terapêutica medicamentosa e assuntos ligados à manutenção e promoção da saúde humana e a aspectos específicos da vida do profissional médico. Este blog recebe colaborações de parceiros que são blogueiros da área médica, como o Semioblog, o blog “TI Medicina”, “Não Dou Atestado” e “Médico Nerd”. O Semioblog participa mensalmente do blog Dr. Teuto com textos sobre temas relacionados à área de educação médica.
O Dr. Teuto  também tem promovido campanhas, como a #BlogSalvaVidas, uma ação coletiva para incentivar a doação de sangue entre os internautas, e a da Semana do Aplicativo Médico, visando  divulgar ferramentas e informações relevantes para facilitar a rotina da classe médica. Outra campanha foi a da semana de atividades relacionadas ao universo feminino, com conteúdos voltados para o dia a dia da mulher médica.
Conheça o portal Dr. Teuto e verifique o trabalho do laboratório Teuto na promoção de uma comunicação eficaz com os médicos e a preocupação constante com o seu cotidiano profissional:
http://www.drteuto.com.br.   

2 de julho de 2012

Semiologia da Insônia


Por Joyce Freire Gonçalves de Melo
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
A insônia é um sintoma muito prevalente na população. Pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença. Tanto pode ser um sintoma quanto transtorno do sono (doença); neste último caso, a insônia é o transtorno do sono mais frequente na população geral. O diagnóstico do transtorno (insônia primária e crônica) baseia-se na presença de quatro diferentes sintomas: dificuldade para iniciar o sono (insônia inicial), dificuldade em manter o sono (insônia intermediária), despertar muito cedo (insônia terminal), e do sono não reparador. A insônia pode ser secundária a vários transtornos psiquiátricos, principalmente ao transtorno depressivo. Apesar da alta prevalência e de seu impacto social e pessoal negativo, a insônia continua sem o devido reconhecimento tanto pela população em geral como pelos profissionais de saúde, ficando, desta forma, privada de um manejo adequado. 

Palavras-chave: Distúrbios do Início e da Manutenção do Sono. Sono. Anamnese.

A insônia é um sintoma que pode ocorrer isoladamente ou acompanhar uma doença. A insônia é um sintoma e também pode ser um dos tipos dos transtornos do sono; neste caso, é transtorno do sono mais frequente na população em geral. A última revisão da Classificação Internacional dos transtornos do sono realizada em 2005, passou a não mais utilizar o termo dissonia, no qual a insônia estava classificada e esta, passou a ser uma das oito categorias diagnósticas (MINHOTO, 2010).
A insônia é uma condição muito prevalente. A prevalência da insônia nos estudos epidemiológicos com questionário de autopreenchimento varia de 10% a 40% (SOCIEDADE BRASILEIRA DO SONO, 2003). Poucas pessoas procuram aconselhamento profissional para essa condição, quando não é um problema crônico. Enquanto que sofrem de insônia poucos procuram consultas profissionais, muitas pessoas iniciam tratamentos de auto-ajuda, particularmente quando deficiências, como a fadiga durante o dia se tornam mais visíveis (MORIN et al., 2006).
O diagnóstico de insônia baseia-se na presença de quatro diferentes sintomas: dificuldade para iniciar o sono (insônia inicial), dificuldade em manter o sono (insônia intermediária), despertar muito cedo (insônia terminal), e do sono não reparador. O “sono não reparador” refere-se à experiência subjetiva do sono como insuficientemente repousante, muitas vezes apesar da aparência de sono normal, conforme tradicionalmente avaliados parâmetros objetivos. Isso levou os pesquisadores a buscar alternativas de marcadores fisiológicos do sono não reparador, embora grande parte desta pesquisa permanece controversa e inconclusiva (WILKINSON; SHAPIRO, 2012). O sono não reparador é aquele insuficiente para manter uma boa qualidade de alerta e bem-estar físico e mental durante o dia, com o consequente comprometimento do desempenho nas atividades diurnas (POYARES et al., 2003).
Quando um transtorno crônico, a insônia representa um problema de saúde pública devido ao impacto negativo à saúde física e mental, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (ROBAINA et al., 2009). Estima-se que menos de 15% dos pacientes com insônia grave passam pelos cuidados de um profissional da saúde (EDINGER; MEANS, 2005).
A insônia deve ser clinicamente diagnosticada através de uma anamnese detalhada, englobando a história do sono e a história médica, psiquiátrica e de uso de substâncias psicoativas. A finalidade é de estabelecer o tipo e a evolução da insônia, identificar fatores predisponentes, comorbidades e a correlação da insônia com o uso de substâncias e condições psiquiátricas (SCHUTTE-RODIN et al., 2008). A insônia pode ser secundária a vários transtornos psiquiátricos, principalmente ao transtorno depressivo.
 Considerar também a história e a queixa do paciente, além de características pré-mórbidas, cronologia do problema, fatores que aliviam ou que pioram e a resposta a tratamentos prévios. O paciente deve ser avaliado em uma perspectiva de 24 horas, incluindo comportamentos, condições e fatores ambientais, como também a regularidade de horas de sono ao longo de vários dias. É importante também avaliar as atividades diurnas, incluindo a atividade física, o horário de trabalho e a presença de sonolência diurna (MINHOTO, 2010).  A história do sono deve enfocar as queixas específicas da insônia, condição pré-sono (ambiente de dormir, temperatura, uso de cigarro, atividade física), padrões do ciclo sono-vigília, outros sintomas relacionados ao sono (cefaléia, refluxo gastroesofágico, tosse, ronco) e as consequências diurnas dessa enfermidade (alteração do humor, sonolência diurna, dificuldade de concentração). 
Pacientes com insônia podem queixar-se de dificuldade para adormecer, despertares frequentes, dificuldade em voltar a dormir, acordar muito cedo pela manhã, sono conturbado e não reparador. É preciso caracterizar a duração da queixa, a frequência, a gravidade da angústia noturna e da sintomatologia diurna associada, o curso (progressiva, intermitente), os fatores que exacerbam ou diminuem os sintomas. Além disso, é importante identificar os fatores precipitantes passados e atuais, assim como os tratamentos que já foram instituídos e seus resultados (SCHUTE-RODIN et al., 2008).
      Recomenda-se que se avalie o paciente com um questionário médico/psiquiátrico com intuito de identificar comorbidades, como a Escala de Sonolência de Epworth (ESE) ou outro método de diagnóstico que identifique os pacientes sonolentos e, por último, um diário de sono de duas semanas, identificando os padrões de sono-vigília e sua variabilidade diária. A ESE serve para avaliação subjetiva da sonolência diurna. É uma escala de oito itens, com graduação de 0 a 3 pontos, a somatória define a graduação da sonolência em leve, moderada e acentuada (CARDOSO et al., 2009)
O diário do sono é útil tanto para o diagnóstico e para o acompanhamento do tratamento.  O preenchimento de um diário de sono por duas a três semanas avalia o padrão usual de sono. O paciente deve anotar os horários de dormir, o tempo que demora para adormecer, o número de despertares durante a noite, o horário de acordar e os cochilos diurnos (ALOÉ; TAVARES; HASAN, 2009). Outros instrumentos adicionais podem auxiliar na avaliação e seguimento dos pacientes, como questionários de qualidade de vida (SCHUTTE-RODIN et al., 2008). A polissonografia é considerada o padrão-ouro na avaliação diagnóstica da insônia e deve ser feita sempre que houver suspeita da presença de outros transtornos do sono ou quando o tratamento adequado falhar (MINHOTO, 2010).      
Transtornos do sono podem manifestar de forma diferente em homens e mulheres, e essas diferenças são particularmente notáveis ​​durante a gravidez, lactação e menopausa. A insônia pode ocorrer relativamente comum durante a gravidez e no pós-parto, e pode ser o resultado de um distúrbio do sono, uma primária, tais como apneia obstrutiva do sono (SAOS), distúrbios do movimento, como a síndrome das pernas inquietas, ou às vezes a depressão, especialmente em o período pós-parto. Apnéia obstrutiva do sono pode contribuir para um maior risco de hipertensão durante a gestação e duplica o risco de pré-eclâmpsia e parto prematuro. Ronco, um sintoma frequente da SAOS, é comum durante a gravidez. Síndrome das pernas inquietas é mais comum em mulheres grávidas, é mais frequente no terceiro trimestre da gravidez, e tende a melhorar drasticamente após o parto (PAVLOVA; SHEIKH, 2011). 
Por outro lado, é importante salientar que a diminuição, com o aumento da idade, do tempo de sono noturno e da habilidade para adormecer, antes de se diagnosticar a insônia, a sonolência excessiva diurna ou qualquer outro distúrbio do sono (SOUZA; REIMÃO, 2004). 
       A chamada "insônia primária" é um transtorno caracterizado pela dificuldade em iniciar e/ou manter o sono e pela sensação de não ter um sono reparador durante um período não inferior a um mês. Do ponto de vista polissonográfico, éacompanhada de alterações na indução, na continuidade e na estrutura do sono. Geralmente aparece no adulto jovem, é mais frequente na mulher e tem um desenvolvimento crônico. A insônia primária é observada de 12,5%a 22,2% dos pacientes portadores de insônia crônica, sendo precedida em frequência somente na insônia de depressão maior (MONTI, 2000).
Apesar da alta prevalência e de seu impacto social e pessoal negativo, a insônia continua sem o devido reconhecimento tanto pela população em geral como pelos profissionais de saúde, ficando, desta forma, privada de um manejo adequado. 
Os transtornos do sono estão entre os distúrbios clínicos com maior impacto de saúde e socioeconômico. Melhor conhecimento dos determinantes da ajudar os comportamentos de busca pode guiar o desenvolvimento da prevenção eficaz de saúde pública e programas de intervenção para promover sono saudável.

Referências
ALOÉ, F.; TAVARES, S. M. A; HASAN, R. Transtornos do Sono In: Antonio Carlos Lopes. Tratado de Clínica Médica. São Paulo: Roca, 2009, v. 2, p. 2543-2570.
CARDOSO, H. C. et al. Avaliação da qualidade do sono em estudantes de Medicina. Rev. bras. educ. med. 33 (3): 349-355, 2009.
EDINGER, J. D.; MEANS, M. K. Overview of Insomnia: Definitions, Epidemiology, Differential Diagnosis, and Assessment. In: Kryger MH, Roth T, Dement WC (eds). Principles and Practice of Sleep Medicine. Elsevier Saunders, 4 ed., 2005, p. 702-710.
MINHOTO,  G. Distúrbios do Sono I: Insônia. 2010. Disponível em: http://www.sonolifesaude.com.br/manager/kcfinder-2.1/upload/files/Lamina_Sono02.pdf. Acesso em: 02 jun. 2012.
MONTI, J. M. Insônia primária: diagnóstico diferencial e tratamento. Rev Bras Psiquiatr 22(1):31-4, 2000.
MORIN, C. M.; LeBLANC, M.; DALEY, M. Epidemiology of insomnia: prevalence, self-help treatments, consultations, and determinants of help-seeking behaviors. Sleep Med, 7(2):123-30, 2006.
PAVLOVA, M.; SHEIKH, L. S. Sleep in women. Sleep Med. 31(4): 397-403, 2011.
POYARES, D. et al. I Consenso Brasileiro de Insônia, Sociedade Brasileira do Sono e Federação Latino Americana das Sociedades de Sono. Hypnos. 4(Supl 2), 2003.  
ROBAINA, J. R. et al. Eventos de vida produtores de estresse e queixas de insônia entre auxiliares de enfermagem de um hospital universitário no Rio de Janeiro: estudo Pró-Saúde. Rev. bras. epidemiol. 12 (3): 501-509, 2009.
SCHUTTE-RODIN, S., et al. Clinical guideline for the evaluation and management of chronic insomnia in adults. J Clin Sleep Med. 4(5): 487-504, 2008.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE SONO. I Consenso Brasileiro de Insônia. Hypnos: Journal of Clinical and Experimental Sleep Research 4 (Supl 2), 9/18, 2003.     
SOUZA, J. C.; REIMAO, R.. Epidemiologia da insônia. Psicol. Estud .9 (1):  3-7, 2004. 
WILKINSON, K.; SHAPIRO, C. Nonrestorative sleep: Symptom or unique diagnostic entity? Sleep Med. 13(6):561-9, 2012. 

Fonte da Imagem: shinitama.tumblr.com

27 de junho de 2012

Semio-Quiz: Lesão Ulcerativa de Perna

Paciente do sexo feminino, 37 anos de idade, obesa, com diabetes mellitus tipo I mal controlado, apresenta dor na perna direita, onde havia uma placa medindo 18 por 8 cm, com atrofia central e ulcerações. A placa já existia há mais de 17 anos, mas tornou-se dolorosa há pelo menos quatro semanas, quando começaram a aparecer as ulcerações. 

Diagnóstico e referência da fonte da imagem serão publicados posteriormente, após postagem de hipóteses diagnósticas.

17/07/2012
A biópsia foi realizada, e o exame da peça cirúrgica confirmou o diagnóstico de necrobiose ulcerativa lipóidica diabética, com agregados de células linfóides e granuloma necrobiótico na derme. Necrobiose lipoídica diabética é uma dermatite granulomatosa crônica de causa desconhecida que é mais frequentemente associada com diabetes mellitus. No entanto, em cerca de 25% dos pacientes com esta condição, as lesões desenvolvem antes do aparecimento do próprio diabetes. As lesões aparecem como placas telangiectásicas amareladas ou acastanhadas, com atrofia central e bordas elevadas violáceas. Elas ocorrem mais frequentemente nas pernas ou no dorso dos pés. Úlceras, que existem em cerca de 30% de lesões, são muitas vezes induzidas por trauma. Em casos raros, células escamosas carcinomatosas podem se desenvolver a partir de lesões ulceradas, geralmente em idosos.

Referência
DISSEMOND, J. Necrobiosis Lipoidica Diabeticorum. N Engl J Med 366: 2502, 2012.

19 de junho de 2012

Semiologia Médica do Idoso


A semiologia médica do idoso requer uma atenção diferenciada por vários motivos clinicamente relevantes. 
Em primeiro lugar, o envelhecimento representa um processo fisiológico complexo, no qual há uma gradual interação dos efeitos das várias modificações orgânicas e doenças que vão sendo adquiridas durante esse processo que, em geral, resulta em uma condição denominada atualmente de “síndrome de fragilidade”. Os idosos fragilizados apresentam alto risco de dependência, recuperação lenta de doenças, maior propensão a quedas e a doenças infecciosas.
Em segundo lugar, e ainda em associação a essa condição de fragilidade, pelo fato de os idosos serem portadores de múltiplos problemas coexistentes (o que se denomina de comorbidade), espera-se que evoluam de forma menos favorável. Segundo atesta Martins et al. (2008), quanto maior o número de condições de comorbidade na população idosa, maiores os resultados adversos sobre seu estado clínico de um modo geral. 
É também conhecido o fato de que o número de condições patológicas em uma pessoa está fortemente relacionado à sua idade, e que essa coexistência de diversas doenças tem uma influência profundamente negativa sobre o estado clínico e a independência funcional do idoso. No âmbito hospitalar, o problema é mais importante ainda, pois se para cada pessoa idosa que vive na comunidade, existe, em média, três importantes enfermidades simultaneamente, no idoso hospitalizado evidenciam-se geralmente seis condições patológicas concomitantes (PARAHYBA et al., 2005).
Em terceiro lugar, o idoso possui características clínicas particulares - ou aspectos incomuns -, em relação aos padrões estabelecidos para doenças em adultos jovens. Com o avançar da idade, o organismo do idoso sofre alterações que o diferenciam do adulto não-idoso, fazendo com que surjam manifestações atípicas na apresentação clínica de doenças consideradas comuns. Isso faz com que muitos problemas passem despercebidos na avaliação clínica do idoso, embora outros fatores devam contribuir também para a falta de relato de sintomas por parte dos idosos, como o prejuízo cognitivo, o medo da natureza da doença subjacente a preocupação com custos e outros aspectos negativos de uma avaliação diagnóstica ou tratamento desagradável.
Essa elevada frequência com que o reconhecimento de sintomas clinicamente significantes deixa de ser firmado na prática clínica geral deu origem ao termo “fenômeno do iceberg”, que sugere a presença de condições clínicas ocultas, ou “submersas” (CHAIMOVICZ, 1997), justificando-se, também, nesse caso, o emprego de outro termo correlato - “morbidade oculta” (GUIMARÃES; SIMÕES, 1999) para essa falta de reconhecimento de muitos achados clínicos no idoso. Mesmo o “idoso idoso” — como se denomina o geronte de 80 anos ou mais — as várias condições mórbidas são pouco referidas nos registros hospitalares. Menor ainda que a já reduzida menção (e reconhecimento) dessas várias condições mórbidas, é a detecção e registro das comorbidades que se instalam na esfera sensorial, motora e psicológica. Esses distúrbios impactam a qualidade funcional da vida, no que concerne às Atividades da Vida diária ou às Atividades Instrumentais da Vida Diária.
A escassez de relato de sintomas existentes por pessoas idosas é um fenômeno especialmente danoso quando conjugado à estrutura passiva dos serviços de saúde do nosso meio, que carecem de esforços no sentido da detecção precoce. Nesse contexto, Besdine (1982), citado por Rowe (1992: 46), afirma que não se pode esperar que as pessoas idosas, “(...) sobrecarregadas por visões gerônticas da sociedade, e suas próprias, com relação à perda funcional no envelhecimento”, tenham iniciativa de buscar tratamento adequado por iniciativa própria.
Assim, o desenvolvimento de abordagens adequadas para problemas que têm maior relevância no paciente idoso, seja pela sua alta prevalência, seja pelo seu significado clínico, bem como a observação da capacidade funcional desse paciente são aspectos que devem nortear o exame clínico do doente com mais de 60 anos. 

Referências
CHAIMOWICZ, F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. Rev. Saúde Pública, 31 (2): 184-2000, 1997.
GUIMARÃES, R. M., SIMÕES, M. A. T. Depressão no idoso. In: Petroianu, A.; Pimenta, L. G. Clínica e cirurgia geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999, p. 138-141.
MARRTINS, M; BLAIS, R.; MIRANDA, N. N. Evaluation of the Charlson comorbidity index among inpatients in Ribeirão Preto, São Paulo State, Brazil. Cad. Saúde Pública, 24 (3): 643-652, 2008.
PARAHYBA, M. I.; VERAS, R.; MELZER, D. Incapacidade funcional entre as mulheres idosas no Brasil. Rev. Saúde Pública 39 (3): 383-391, 2005.
ROWE, J. W., DEVONS, C. A. J. Considerações fisiológicas e clínicas sobre o paciente geriátrico. In: Busse, E. W., Blazer, D. G. Psiquiatria Geriátrica, Porto Alegre: Artes Médicas, 1999, p. 57.

Imagem: Foto de Kenrique Kallas, disponível em: hr.ufl.edu.

7 de junho de 2012

Artrite Reativa ou Síndrome de Reiter


Por Bruno Braz Garcia
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
A artrite reativa, ou síndrome de Reiter, é uma espondiloartropatia soronegativa (fator reumatóide negativo) e imunomediada, que cursa com a tríade clássica artrite, conjuntivite e uretrite. Manifestações cutâneas também podem ocorrer. A síndrome ocorre geralmente após infecção geniturinária ou gastroenterite. A artrite é do tipo assimétrica em membros inferiores. A conjuntivite costuma ser leve e bilateral, e a disúria é frequente. Não há teste confirmatório. O prognóstico costuma ser bom.

Palavras-chave: Artrite Reativa. Sinais e Sintomas. Síndrome de Reiter.

A expressão artrite reativa refere-se a uma artrite que se desenvolve durante ou logo após uma infecção bacteriana, geralmente geniturinária ou gastrointestinal, ou seja, desencadeada por patógenos que não acometeram as próprias articulações acometidas e, sim, órgãos à distância (PICON et al., 2010), sendo, portanto uma artrite reativa a uma infecção. 
Estima-se que ocorrem 3,5-5 casos para 100.000 habitantes. A primeira descrição da síndrome foi feita por Hans Reiter, em 1916, em um paciente com uretrite, conjuntivite e artrite (PILA-PEREZ et al., 2009), daí a denominação doença ou síndrome de Reiter. 
A denominação “doença de Reiter” passou a ser utilizada na literatura médica inglesa no início da década de 1940. Atualmente, esta expressão, doença de Reiter, tende a ser substituída por "artrite reativa". Esta é uma das espondiloartropatias soronegativas, grupo de doenças que afetam articulações periféricas e da coluna e que compartilham características clínicas, radiológicas e genéticas semelhantes. Neste grupo de espondiloartropatias, além da artrite reativa, existem espondilite anquilosante, artrite psoriásica, espondiloartropatia associada à doença inflamatória intestinal, além da espondiloartropatia indiferenciada. 
A artrite reativa, ou síndrome de Reiter (SR), é uma doença inflamatória imunomediada, do grupo das espondiloartropatias soronegativas, assim conhecidas pela ausência do fator reumatoide. A SR é composta pela seguinte tríade: artrite, conjuntivite e uretrite pós-infecciosas, apresentando importante morbidade (RATHOD et al., 2011; HANDULAY et al., 2006). Contudo, a tríade clássica ocorre apenas em um terço dos casos, e o quadro clínico acompanhado de sinais mucocutâneos é pouco frequente (PICON et al., 2010).
Trata-se de uma afecção pouco frequente, mas entre as espondiloartropatias, constitui a maioria dos casos, sendo uma das causas mais comuns de poliartrite aguda em homens jovens. Acomete principalmente indivíduos entre 20 e 40 anos, sendo mais comuns em homens, em uma taxa de 3:1 quando a infecção é geniturinária, se igualando, porém, a distribuição por sexo, quando a artrite reativa é pós-entérica. Sua etiopatogenia não está completamente compreendida, porém a consistente associação com o antígeno de histocompatibilidade HLA-B27 (presente em 70% dos casos) e a frequente ocorrência familiar justificam a hipótese de predisposição genética. A doença parece envolver uma resposta imune celular, envolvendo linfócitos T CD8+ (SOUSA et al., 2003).
A artrite reativa manifesta-se cerca de quatro semanas após infecção geniturinária, comum em adultos (Chlamydia trachomatis, Mycoplama hominis, Ureaplasma urealiticum), ou gastrointestinal em crianças (Shigella, Salmonella, Yersinia, Campylobacter).
A síndrome pode se manifestar de forma leve ou grave, sendo acompanhada de mal-estar, perda de peso e febre. Como mencionado antes, a artrite reativa é asséptica, iniciando após remissão da uretrite e conjuntivite, sendo uma oligoartrite assimétrica ou ascendente aguda de membros inferiores, principalmente em joelho e calcanhares, além de sacroileíte. A dor ocorre após repouso, melhorando ao exercício. É comum (28%) a existência de dactilite, chegando em alguns casos à apresentação chamada de "dedo em salsicha” (LEIRISALO-REPO et al., 2006). A entesite, ou seja, a inflamação das anteses, que são a parte final do tendão, ocorre principalmente nos membros inferiores (SZTAJNBOK et al., 2004). Na entesite, o tendão de Aquiles e a fáscia plantar são os locais de ocorrência mais comuns. Pode ocorrer ainda nos ilíacos, no púbis ou em caso de tuberosidade isquiática.
O envolvimento ocular ocorre em 50%, sendo a conjuntivite (30%) a manifestação mais comum, geralmente leve e bilateral. Pode ocorrer também uveíte anterior e queratite. A disúria é o sintoma geniturinário mais comum. Secreção e inflamação uretral podem ocorrer.
A doença mucocutânea apresenta incidência entre 8 a 31%. A balanite circinada (úlceras penianas e lesões floridas em torno da glande) é o achado mais comum. O queratoderma blenorrágico (lesões hiperceratóticas em mãos e pés, pápulas e escamas parecidas com as lesões da psoríase) é característico, porém pouco frequente (15%). Podem ocorrer úlceras orais assintomáticas.
Estabelecer o diagnóstico definitivo da síndrome é difícil, já que não há teste confirmatório. Deve-se realizar, inicialmente, cuidadosa anamnese e exame físico, pesquisando a ocorrência atual ou prévia de sintomas infecciosos bacterianos, relacionando-se com a epidemiologia local.
Devem-se realizar swabs oral, uretral e/ou cervical apesar de, muitas vezes, serem ineficazes devido à resolução da infecção. O hemograma é normal, ou então há leucocitose, e os reagentes da fase aguda em geral estão elevados, sendo o PCR mais sensível e específico de atividade do que a velocidade de hemossedimentação. Devem-se realizar testes sorológicos para HIV, devido à elevada associação entre elas (NASHEL et al.,1986).
No diagnóstico diferencial, devem-se considerar outras espondiloartropatias, artrite gonocócica, gota, artrite reumatoide, candidíase, psoríase e febre reumática.  
O prognóstico é bom, com recuperação em poucos meses. A maioria dos pacientes recupera-se da poliartrite em dois a quatro meses (PILLA-PEREZ et al., 2009). Entretanto, 66% permanecem com desconforto articular, dor lombar baixa e entesopatia após crise inicial. Além disso, 15-30% desenvolvem doença inflamatória articular crônica.
Este é um dos quadros em que o diagnóstico é feito através da historia clínica e exame físico do paciente, reunindo dados característicos como uma infecção recente, sendo que o exame laboratorial do antígeno HLA-B27, presente em 60% dos pacientes, tem papel mais prognóstico que diagnóstico. É importante que os pacientes sejam avaliados pelo reumatologista, mas também pelo  urologista ou ginecologista e pelo oftalmologista.

Referências
GELLER, M. et al. Como diagnosticar e tratar a Síndrome de Reiter. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=2149. Acesso em: 07 jun. 2012.
HANDULAY, S.S. et al. When is arthritis reative? Postgrad Med J. 82 (969): 446-53, 2006.
LEIRISALO-REPO, M. Reactive arthritis. Scand J Rheumatol. 34 (4): 251-9, 2005.
NASHEL, D.J. et al. C-reative protein: a marker for disease activity in ankylosing spondylitis and Reiter`s syndrome. J Rheumatol. 13 (2): 364-7, 1986.
PICON, P. D.; GADELHA, M. I. P.; BELTRAME, A. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Portaria SAS/MS. Artrite Reativa - Doença de Reiter. 2010. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_artrite_reativa_dca_reiter_livro_2010.pdf. Acesso em: 07 jun. 2012.
PILA PEREZ, R.; PILA PELAEZ, R; HOLGUIN PRIETO, V. et al. Síndrome de Reiter: una observación infrecuente. AMC 13 (3): 0-0, 2009. 
RATHOD, T.; CHANDANWALE, A.; CHAVAN, S. et al. Polyarthritic, symmetric arthropathy in reactive arthritis. Nat Sci Biol med, 2 (2): 216-8, 2011.
SOUSA, A. E. S. et al. Reiter's syndrome: a case report. An. Bras. Dermatol. 78 (3): 323-30, 2003.
SZTAJNBOK, F. R.; FONSECA, A.; CAMPOS, L. L. Espondiloatropatias juvenis. Adolescência & Saúde. 1 (2): 6-9, 2004.


Imagem: netterimages.com

6 de junho de 2012

A Desvalorização do Professor Universitário

Por Isabel Barroso Augusto Silva
Professora de Semiologia Médica da Universidade Federal da Paraíba

Os professores universitários das universidades federais e dos centros federais de formação tecnológica estão em greve desde 17 de maio.  Estamos lutando pelo plano da carreira, melhores salários, incorporação da gratificação ao salário, entre outras.
Por quê o governo não escuta os professores, já que transmitem o conhecimento para a população e consequentemente melhoram o país? Um dos motivos é que uma parcela da população não valoriza a educação e nem os professores (os políticos são o espelho do povo). Outro é que o governo acha que já remunera muito bem.
O reconhecimento do Ministério da Educação quanto ao poder da educação e, consequentemente, do valor do professor, neste contexto, é essencial. A Presidente Dilma, quando foi aos EUA, visitou centros de excelência em ensino e ficou admirada.
A imprensa fica muda diante da greve dos professores. Não fazem reportagens, não entrevistam presidentes das associações docentes. Nada, nada. É como não existíssemos. A educação e o papel do professor na formação do povo "não dão ibope". 
Muitos não sabem que um professor universitário que trabalha 40 horas por semana (de segunda a sexta, manhã e tarde), tem uma remuneração básica de aproximadamente R$ 1.500,00. Se tiver mestrado e doutorado são acrescidos R$ 1.200,00. Recebem também uma gratificação de R$ 1.500,00 (que não entra na aposentadoria), totalizando R$ 4.200,00. Se o professor for dedicação exclusiva, recebe um pouco mais. E esse salário é pago depois de anos de trabalho (20 anos). O professor iniciante recebe muito menos. E ainda fui generosa com os valores que citei.
Será que os professores dos centros de excelência dos EUA ganham isso? 
O curso de medicina requer uma responsabilidade muito grande por parte dos professores. Ensinamos os alunos a serem médicos, os quais vão atender a população. Para isso atendemos os pacientes para demonstrar as várias etapas de uma consulta.  Devemos passar a ética no trato com o indivíduo, a importância da relação médico-paciente, diagnosticar e tratar. Temos responsabilidade com o paciente e com o aluno. Preparamos aulas. Temos que nos atualizar constantemente, pois os avanços da medicina são quase que diários. 
Há tanto tempo que o trabalho do professor é desvalorizado, que até esquecemos da sua importância e cansamos de lutar. A maioria trabalha por gostar de ser professor. Alguns para dizer que são professores universitários, como status. Mas isso é o de menos. Na verdade, os professores estão lutando por dignidade e reconhecimento do seu valor através do seu trabalho!

A Professora Isabel Barroso Augusto Silva é docente de ensino superior há 29 anos.

2 de junho de 2012

Greve dos Professores Federais: Marcha na Esplanada dos Ministérios

A greve dos professores das Instituições Federais de Ensino completou 15 dias ontem, 01/06/2012. 
Desde a deflagração da paralisação nacional por tempo indeterminado em 17 de maio, docentes de 48 instituições federais de ensino já suspenderam as atividades.
Na próxima terça-feira (05/06/2012), os professores em greve participarão de uma grande marcha organizada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais em Brasília. Caravanas de todo o país participarão do ato na Esplanada dos Ministérios.

Fonte: Portal do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES - SN. 

1 de junho de 2012

O Governo Dilma e os Professores: Um Discurso Diferente da Ação


Esse discurso foi feito durante a última campanha para Presidente da República. O discurso demagógico de uma candidata que queria se eleger. Agora, eleita, ela age de maneira completamente diferente do que pregou no seu discurso de campanha. Percebe-se que a Educação só é prioridade para o governo Dilma nas propagandas eleitorais.
Embora não muito noticiado pela mídia, no dia 17/05/12 os professores federais entraram em greve pela reestruturação da carreira e por melhores salários, além de melhoria na infraestrutura das escolas. O ônus por essa greve deve ser atribuído ao misto de descaso e arrogância com que o governo vem tratando os docentes federais e suas demandas.
A postura da mídia nessa história de descaso é muito estranha: geralmente não perde uma oportunidade de atacar o governo Dilma, mas mantém silêncio quanto à questão da atual greve dos professores federais, "escondendo" a gravidade do estado de coisas no ensino federal.
O governo federal suspendeu a reunião que estava marcada com o sindicato nacional dos professores federais na semana passada, em uma atitude clara de que não está disposto a negociar.
Para um governo do PT, que parecia sempre defender a luta dos trabalhadores é, no mínimo, contraditória esta postura, e mostra total incoerência com seu discurso ideológico. Isso levará, ao que parece, a uma greve longa, prejudicando os alunos e a sociedade civil. Mas nitidamente o governo não parece estar preocupado com este impacto extremamente negativo, pois não se importa com a Educação, diferentemente do discurso demagógico mostrado no vídeo acima. Este revela desonestidade, engodo e mentira.