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2 de setembro de 2025

AS RAÍZES DA PRÁTICA MÉDICA: Como Surgiram a Anamnese e o Exame Físico?

#históriadamedicina #anamnese #examefísico #semiologiamedica #ufpb #ccmufpb #hipócrates #vesalius 
Você já parou para pensar como nasceram dois dos pilares fundamentais da prática médica: a anamnese e o exame físico? Muito antes dos avanços tecnológicos e dos exames complementares, ouvir o paciente com atenção e observar cuidadosamente os sinais do corpo eram as principais ferramentas do médico. Neste vídeo, vamos viajar pela história, revisitando as origens dessas práticas que se consolidaram desde a medicina hipocrática até chegarem ao que conhecemos hoje. Afinal, compreender de onde viemos ajuda a valorizar ainda mais a essência do encontro clínico.

6 de fevereiro de 2025

O DECÚBITO DE ANDRAL

#decúbito #andral #pleurite #saude #educaçãomédica #semiologiamedica #derramepleural #dorpleurítica #examedotorax #pulmao #torax #clinicamedica #ccmufpb 
Neste vídeo, exploro um aspecto discutido hoje com meu grupo de práticas em Semiologia Médica: o chamado decúbito de Andral, descrito por Gabriel Andral no século XIX. Tivemos a oportunidade de revisitar alguns achados clássicos que, apesar de antigos, seguem sendo valiosos no raciocínio diagnóstico. 
Os sinais clássicos não são apenas parte da história da medicina, mas instrumentos essenciais para a prática médica atual, ajudando na formação de médicos mais preparados e atentos aos detalhes clínicos que podem fazer a diferença no cuidado ao paciente.

6 de fevereiro de 2021

RAÇA, SAÚDE PÚBLICA E PRÁTICA CLÍNICA NA ÁFRICA DO SUL, AMÉRICA CENTRAL ...

#reproconvo2021 #painel

Participação no Painel internacional do Instituto de História da Medicina da Universidade Johns Hopkins: "Raça, Saúde Pública e Prática Clínica na África do Sul, América Central e América do Sul" na Conferência “Diálogos Críticos sobre Saúde Reprodutiva: Passado, Presente e Futuro" com outras painelistas da Guatemala, Nicarágua e África do Sul - interpretação simultânea para o espanhol

Participation of the panel "Race, Public Health, and Clinical Practice in South Africa, Central America, and South America" - Simultaneous translation of panel to Spanish

Participación em el panel "Raza, salud pública y práctica clínica en Sudáfrica, Centroamérica y Sudamérica" - Interpretación simultanea al español

https://hopkinshistoryofmedicine.org/events/reproconvo2021/#day3

19 de janeiro de 2021

ATENCIÓN A LAS PARTURIENTAS EN ESTABLECIMIENTOS HOSPITALARIOS EN PARAÍBA

Esta apresentação foi feita originalmente em idioma espanhol (ou quase espanhol, com sotaque nordestino)

#parto #paraiba #violenciaobstetrica

En esta presentación respecto a la atención obstétrica a las parturientas en el estado de la Paraíba, presenté como apertura, a modo de introducción, breves apuntes de aspectos económicos y sociales a cerca de la Paraíba, Brasil; en el desarollo de la presentación, una aspectos de la historia del parto hasta llegar al actual modelo tecnocrático de nacimiento; a continuación, dispositivas con abordaje de políticas públicas de humanización en la asisténcia al parto en Brasil, además de la legislación implementada en el estado de Paraíba.

23 de novembro de 2020

HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA NAS ARTES VISUAIS

A história e a perspectiva histórica sobre os transtornos mentais em todo o mundo são diversas, instigantes e apavorantes. Em cada período histórico, a "loucura" foi vista de uma forma diferente. Ao longo da história, as explicações sobre a natureza da loucura variaram entre o psicológico e o físico, entre o espiritual e o material: isto é, entre ver a doença mental como uma desordem da psique ou da alma, ou vê-la como uma desordem do cérebro . Ao longo dos séculos, muitos tentaram reconciliar esse aparente conflito.

Portanto, os problemas dos doentes mentais desafiaram a sociedade e os médicos durante séculos. Em tempos passados, seu comportamento estranho frequentemente associado à insanidade era interpretado como resultado de possessão demoníaca.

Desse modo, podemos traçar a evolução das ideias sobre a loucura por meio das artes, que refletiram desenvolvimentos e também moldaram a forma como a loucura foi percebida e tratada.

Este nosso colóquio de hoje na nossa disciplina forneceu um breve levantamento histórico, usando exemplos das artes para ilustrar fatos, episódios e reflexões importantes.

#historiadapsiquiatria #estudopormeiodasartes #historiadamedicina #UFPB

16 de novembro de 2020

HISTÓRIA DA CIRURGIA: DO SUB-HUMANO AO SOBRE-HUMANO

A cirurgia como a conhecemos não começou, de verdade, até o final do século XIX e, mesmo então, a infecção era muito frequente e os resultados eram ruins.

A cirurgia percorreu um longo caminho desde os dias de Hipócrates, quando as operações eram frequentemente consideradas o último recurso, e os médicos preferiam praticar medidas conservadoras antes de cogitar qualquer procedimento cirúrgico heroico. Os últimos 2.000 anos testemunharam grandes mudanças de paradigma nas teorias da ciência e da medicina, e a cirurgia não foi diferente disso de forma alguma. Sem o advento da teoria microbiana, sem a descoberta da assepsia e dos antibióticos e sem o desenvolvimento da anestesia, a cirurgia como a conhecemos hoje simplesmente não existiria.

Este vídeo resultou do colóquio realizado hoje na Disciplina de História da Medicina e da Bioética (CCM/UFPB), cuja dinâmica foi baseada na sala de aula invertida, uma tempestade de ideias e um metaplan, adaptados para o meio virtual.

O título deste vídeo foi uma contribuição da nossa aluna Nadiadja Vaichally Cavalcanti: Do Sub-humano ao Sobre-humano. Esta assertiva parece representar bem a odisseia que representou a história da cirurgia ao longo de mais de 2.500 anos de evolução.

#historiadacirurgia #historiadamedicina #assepsia #anestesia #UFPB

11 de novembro de 2020

HISTÓRIA DA MEDICINA: CIRURGIA NA ANTIGUIDADE

Embora possa parecer intuitivo descrever a cirurgia como uma prática médica "moderna", suas origens podem, de fato, remontar a milhares de anos, na era pré-clássica e até na neolítica. A história da cirurgia remonta ao período Neolítico ou Idade da Pedra Polida -  estágio final da evolução cultural ou desenvolvimento tecnológico entre humanos pré-históricos (aproximadamente 10.000 a 5.000 a.C.). O fato de se utilizarem artefatos construídos a partir de pedras polidas dava maior precisão ao corte nos instrumentos de caça, pesca e também nos de utilização cotidiana. A maior parte dos artefatos era feita de sílica ou quartzo, mas também de ossos de animais e de marfim, chegando-se ao final do período ao desenvolvimento de artefatos também de metal. Em procedimentos invasivos como craniotomias e reduções de fraturas, sem nenhum conhecimento fisiopatológico e anatômico, ocorriam mutilações sangrentas.

Para colocar um cronograma como esse em perspectiva, a escrita não foi desenvolvida até 3.500 a.C., pois só surgiu entre os sumérios, na região da antiga Mesopotâmia. 

As primeiras cirurgias eram rudimentar antes de a própria história ser registrada!... 

Na época em que o homem trocou seu modo de conseguir alimentos, passando a cultivá-los. Foram encontrados, na Europa Mediterrânea vários casos de trepanação craniana, dessa época  apresentando alguns sinais de consolidação óssea, o que indica que as pessoas que foram submetidas a esse procedimento cirúrgico primitivo sobrevivetam.

Na Antiguidade, é preciso destacar que na Índia, há aspectos cirúrgicos de relevância histórica, no século IV a.C., quando houve desenvolvimento da cirurgia plástica, principalmente das rinoplastias. Os prisioneiros de guerra e os adúlteros, e outros transgressores, eram punidos com a amputação do nariz, cuja reconstrução era feita à custa de retalhos da região frontal. O costume de perfurar a orelha e alargar a sua abertura também os fizeram desenvolver técnicas de reparo. Foram criadas técnicas de reparo de lábio leporino, hérnias, cálculos vesicais, catarata e amputações, desenvolvendo-se assim a cirurgia independentemente da medicina grega. Havia muitos instrumentos cirúrgicos na Índia durante a Antiguidade, mas seus conhecimentos anatômicos eram precários devido à proibição da dissecção. O médico, nessa época, praticava tanto a medicina quanto a cirurgia, pois estas eram consideradas distintas, mas complementares.

A cirurgia plástica era feita com enxertos de pele na Índia antiga. Durante o século VI a.C., um médico indiano chamado Sushruta Samhita - amplamente considerado na Índia como o "pai da cirurgia" – e que viveu 150 anos antes de Hipócrates - escreveu um dos primeiros trabalhos do mundo em medicina e cirurgia.

Os médicos gregos também se envolveram em cirurgia, mas a maioria se voltou para tratamentos menos invasivos, como ervas ingeríveis e aplicações tópicas de pomadas e cataplasmas. Hipócrates pregou sobre os méritos de “dieta, descanso e exercício adequados”. Embora a cirurgia às vezes fosse necessária, principalmente na remoção de corpos estranhos, não era o foco da prática médica hipocrática. De fato, versões iniciais do Juramento de Hipócrates alertaram os médicos contra o uso da cirurgia.

A Antiga Escola de Alexandria ou Escola Neoplatônica de Alexandria,  na cidade de Alexandria, no Egito, foi a maior escola da Antiguidade Clássica e comportava bibliotecas e museus, e foi onde a Anatomia atingiu pela primeira vez o status de disciplina. Essa escola foi o berço dos saberes e conhecimento por cerca de 700 anos, principalmente, entre o III a.C. até o V a.C.

No Império Romano, muitos médicos eram pessoas que foram escravizadas pelos romanos, portanto sua posição social era baixa. Como as taxas de cura eram também reduzidas, muitas pessoas até os desprezavam.

Os hospitais, como são conhecidos hoje, não existiam em Roma antiga. Instalações hospitalares estavam disponíveis apenas em campos militares.

Muitos instrumentos cirúrgicos recuperados usados durante o Império Romano indicam que a arte da cirurgia progrediu e proliferou durante esse período. Tanto Cláudio Galeno quanto Cornélio Celso enfatizaram a importância da cirurgia no treinamento do médico. O exército romano possuía uma grande variedade de instrumentos cirúrgicos, que variavam de bisturis, pinças e  serras. Galeno foi médico dos gladiadores romanos e dos nobres do império.

#historiadacirurgia #antiguidade

9 de novembro de 2020

HISTÓRIA DA CIRURGIA: UMA BREVE INTRODUÇÃO

A história da cirurgia é fascinante, mas também apavorante... O conhecimento da história da cirurgia não é essencial para o cirurgião, para a sua prática, porém a sabedoria e a cultura que ela carrega são compensadoras e fornecem subsídios para uma melhor compreensão da própria cirurgia atual.

O que temos a aprender com a história da cirurgia? Aprender melhor sobre a própria medicina e cirurgia, o que, a propósito, pode ser muito novo e interessante porque, parafraseando o ex-presidente americano Harry Truman,  "a única coisa nova que existe é a história que não lemos ainda".

#historiadacirurgia #historiadamedicina

HISTÓRIA DA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE: COLÓQUIO COM A TURMA 110/MED/UFPB

Este vídeo contem a nossa telerreunião sobre a história da relação médico-paciente com a turma 110 do curso de graduação em medicina da UFPB. Narrativas visuais, como quadrinhos e animações, estão sendo cada vez mais usadas como uma ferramenta para a educação e comunicação nos estudos universitários. Combinando os benefícios da visualização com metáforas poderosas e narrativas baseadas em personagens, os quadrinhos têm o potencial de tornar os assuntos acadêmicos mais acessíveis e envolventes para os alunos e para um público mais amplo.

A relação médico-paciente passou por mudanças importantes ao longo dos tempos. Antes dos últimos 40 anos, a relação era predominantemente entre um paciente em busca de ajuda e um médico cujas decisões eram obedecidas de forma passiva pelo paciente. Mas nas últimas décadas, surgiu um grande número de publicações dedicadas à necessidade de mudança na relação médico-paciente. Hoje, estamos vivendo uma transição do paradigma a partir do modelo biomédico para um modelo clínico centrado na pessoa.

O modelo mais tradicional da relação médico-paciente tem sido chamado de relação "centralizada no médico" ou "centralizada na doença", caracterizando uma relação que tende a ser mais autoritária, na qual o paciente e suas necessidades têm papel passivo e o médico passa a ser o detentor de toda a expertise e conhecimento. Antigamente, o nível educacional das pessoas em geral era relativamente baixo e o conhecimento sobre saúde era muito limitado entre os pacientes, que dependiam da autoridade profissional dos médicos.

Mas houve uma mudança no que é considerado o modelo ideal de relação entre profissionais de saúde e pacientes. Modelos paternalistas tem sido substituídos por modelos nos quais mais ênfase é colocada no respeito à liberdade do paciente e no compartilhamento da tomada de decisões, os médicos devem se envolver no conhecimento da influência dos valores, objetivos e decisões do paciente.

#historiadamedicina #relaçãomedicopaciente #paternalismomedico #autonomiadopaciente #mudandoparadigma #modelobiomedico #modelobiopsicossocial #modeloclinicacentradonapessoa #historiasemquadrinhos #UFPB #medicinaccmufpb

26 de outubro de 2020

PANDEMIAS: LEITURA COLETIVA COM A TURMA 110/CCM/UFPB


A atividade de hoje no semestre suplementar da disciplina de História da Medicina e da Bioética foi a leitura coletiva de 10 capítulos do livro "Pandemias: A Humanidade em Risco", do infectologista brasileiro Stefan Cunha Ujvari. Cada capítulo foi sintetizado e apresentado por um dos grupos da turma 110 de graduação em medicina da UFPB.

Nas palavras de Ujvari (2011, p. 23), "Uma nova epidemia semelhante à SARS pode estourar a qualquer momento, com a mesma disseminação e letalidade". Esta nova epidemia eclodiu nove anos depois da publicação do seu livro, e 16 anos após a epidemia de SARS de 2003.

Referência bibliográfica: Ujvari SC. Pandemias: A Humanidade em Risco. São Paulo: Contexto, 2011.

#pandemias #SARS #humanidadeemrisco #Ujvari #livro #leituracoletiva #historiadamedicina #UFPB

19 de outubro de 2020

HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA: COLÓQUIO ACADÊMICO DA TURMA 110/CCM/UFPB

A história da saúde pública é uma história da busca de meios para garantir a saúde e prevenir doenças na população. As doenças infecciosas epidêmicas e endêmicas estimularam o pensamento no sentido da prevenção de forma pragmática e da tentativa e erro, muitas vezes antes que as causas fossem estabelecidas cientificamente. Nós podemos visualizar por meio dos "olhos do passado" como as sociedades conceituaram e lidaram com as doenças epidêmicas ao longo do tempo. A necessidade de proteção organizada da saúde cresceu como parte do desenvolvimento da vida comunitária e da promoção da saúde, em meio ao processo de urbanização, industrialização, controle do Estado e reformas sociais. As preocupações com a saúde pública tiveram origem iluminista e associaram-se ao valor econômico da força de trabalho e a classe operária foi meio e não fim de ações sanitaristas. 

Este é um resumo da sala de aula invertida com a turma 110 de graduação em medicina da UFPB, terceiro período.

#saudepublica #historiadamedicina #ufpb #coloquiacademico


4 de outubro de 2020

A CONTROVERSA ORIGEM DA SÍFILIS


De contagione et contagiosis morbis et curatione, de Girolamo Fracastoro. 3a. edição. Veneza: Giunta, 1584. Folha de rosto.

Primeira página de texto do poema Syphilis, sive Morbus gallicus - Biblioteca da Universidade de Glasgow

A origem da sífilis ainda é um tópico de debate e pesquisa. Historiadores e  estudiosos da História da Medicina consideravam até o início do século passado como uma infecção levada da América para a Europa pelos navegantes das naus de Cristóvão Colombo. Recentemente, entretanto, paleontólogos encontraram possíveis evidências de que a doença já existia no “Velho Mundo” antes do intercâmbio de Colombo. Isso tem sido contestado por outros pesquisadores, mas  parece que ainda ainda é mais provável que Colombo tenha levado a sífilis para o “Velho Mundo”.

O nome da doença, "sífilis", originou-se de um poema épico em latim “Syphilis, sive morbus gallicus” (“Sífilis, a doença francesa”), publicado em 1530 por Girolamo Fracastoro, médico, poeta e matemático de Verona, na República de Veneza, que em sua obra “De contagione et contagiosis morbis” (“Sobre o Contágio e as Doenças Contagiosas e sua Cura”) descreveu pela primeira vez o tifo e escreveu sobre o contágio, em que partículas contagiosas podiam se multiplicar no corpo humano e passar de pessoa a pessoa diretamente ou pela mediação de fômites, produzindo muitas doenças epidêmicas. Ele definiu o contágio como sendo um tipo de infecção, que passava de um indivíduo para outro, por intermédio de seres vivos que se reproduziam, denominando tais seres de seminaria contagionum (sementes de contágio), implicando-os nos modos de transmissão das doenças infecciosas (MARTINS, 1997).

Fracastoro estudou medicina, literatura, filosofia e outras disciplinas na Universidade de Pádua e recebeu seu diploma de médico em 1502. Ele então serviu como instrutor de lógica e anatomia na universidade por cerca de seis anos antes de retornar para sua casa em Verona, onde praticou medicina por duas décadas. Na história da epidemiologia, ele é reconhecido por seu De contagione et contagiosis morbis et curatione, publicado pela primeira vez em Veneza em 1546. Fracastoro parece ter fundido os escritos do historiador Gonzalo Hernandez de Oviedo y Valdez com uma fábula “Metamorfoses” do poeta romano Ovídio. Em seu poema “Syphilis, sive morbus gallicus”, Fracastoro conta a história de um pastor mítico chamado Syphilus (Sífilo) que mantinha os rebanhos do Rei Alcithous. Quando uma seca afetou o povo de Sífilo, ele teria blasfemado contra o deus Sol e culpando-o pela seca, recebendo como punição uma nova doença, a sífilis (IOMMI-ECHEVERRÍA, 2010). Lima (2003) afirma, no capítulo 6 de seu livro "História da Medicina: Um Guia Prático e Bem-Humorado" que o Syphilus do poema de Fracastoro era um pastor mítico "pervertido" e por isso fora castigado com a doença e a transmitiu a outras pessoas.

A publicação da primeira edição desse livro ocorreu em 1530, poucas décadas após o surgimento da doença na Europa, e foi nessa obra que Fracastoro introduziu o nome da enfermidade: Syphilis, sive Morbus Gallicus ("Sífilis, a doença francesa"). Este livro peculiar tem um estilo pouco comum em obras médicas: é escrito em versos, aparentemente inspirado na obra de Lucretius, "De rerum natura", também em versos.

Os versos do poema em que Fracastoro se refere a nomear a doença após Sífilo são (segundo tradução de Frith, 2012):

Um pastor uma vez (não desconfie da fama antiga)

Possua essas penas, e Sífilo é seu nome.

Ele primeiro se vestiu de bubões terríveis à vista.

Sentiu dores estranhas e sem dormir passou a noite.

Dele a doença recebeu seu nome.

Os pastores vizinhos pegaram a chama que se espalhava

Durante a década de 1520, ficou claro para historiadores e médicos da época que a doença foi contraída e disseminada por meio de contatos sexuais. Na Europa, as autoridades ficaram tão preocupadas com o aumento da doença que tentaram controlar a prostituição e as relações sexuais fora do casamento. Henrique VIII da Inglaterra (rei entre 1509 e 1547) tentou fechar os prostíbulos e os balneários de Londres. Em muitos outros lugares, regulamentações estritas foram emitidas para bordéis e casas de banhos, forçando as profissionais do sexo que tinham doenças ou infecções a deixarem de trabalhar, e banhos mistos foram proibidos.

Escritores e médicos dos séculos 16 e 17 estavam divididos sobre os aspectos morais da sífilis. Alguns pensaram que era um castigo divino pelo pecado e, como tal, apenas tratamentos mágico-religiosos o curariam, ou que as pessoas com sífilis não deveriam ser tratadas. O filósofo holandês Erasmo de Rotterdam (1465-1536) batizou-a de “a nova peste” (LIMA, 2003). Em 1673, Thomas Sydenham, um médico britânico, escreveu uma visão oposta de que o aspecto moral da sífilis não era da competência do médico, que deveria tratar todas as pessoas sem julgamento (FRITH, 2012).

A hipótese colombiana de que a sífilis foi trazida da América para a Europa em 1492 foi reafirmada nas décadas de 1950 e 1960 por vários historiadores e médicos, uma vez que Fernandez de Oviedo y Valdes e Bartolome de las Casas foram testemunhas oculares das condições em Hispaniola quando Colombo estava lá e ambos consideraram que foram os tripulantes dos navios de Colombo que levaram a doença quando voltaram das Antilhas para a Europa.

Por outro lado, a teoria pré-colombiana surgiu no início do século XX, e que a epidemia de Nápoles teria sido por febre tifoide ou paratifoide. A hipótese de que a sífilis estava presente na Europa antes do retorno de Colombo da Hispaniola foi apoiada pelos fatos de que muitas obras literárias e éditos religiosos se referiam à sífilis antes do cerco de Nápoles de 1495, e também que o tratamento com mercúrio tinha sido usado desde o século 12 para uma diversidade de doenças infecciosas que possivelmente eram sífilis.

Vários historiadores médicos no último século postularam outras razões para a sífilis ser uma doença do “Velho Mundo” pré-colombiana - um maior reconhecimento leigo e médico da sífilis desenvolvido em eras recentes, e que a sífilis evoluiu de outras doenças treponemais para uma forma mais virulenta devido a uma combinação de mudanças sociais, culturais e ambientais na época de Colombo. Nas últimas décadas, o desenvolvimento da paleopatologia permitiu uma avaliação cuidadosa dos esqueletos do Velho Mundo e muitos estudos publicaram seus achados de evidências de doença óssea sifilítica, porém estudos paleopatológicos recentes apontaram as dificuldades em distinguir a sífilis de outras doenças que tinham sintomas semelhantes e deixaram cicatrizes ósseas semelhantes, como hanseníase, osteomielite, osteoartropatia hipertrófica e histiocitose (FRITH, 2012).

Fracastoro não associou a sífilis ao contato sexual. Como a enfermidade viria pelo ar, ele sugeriu vários cuidados para se proteger dela, tais como exposição ao ar puro, fugir dos ventos quentes e dos lugares lamacentos ou pantanosos, viver no cambo aberto onde o ar é sempre renovado pelos ventos.

Logo após o aparecimento da sífilis, os médicos experimentaram muitos remédios e descobriram que o mercúrio, embora sendo uma substância venenosa, poderia curar essa doença. Fracastoro sugere várias explicações para a eficácia do mercúrio e  recomenda misturar o mercúrio com várias outras substâncias, quase todas elas de cheiro desagradável. A pessoa deveria cobrir todo o corpo com esse unguento e depois ficar coberto até transpirar intensamente. 

Fracastoro desenvolveu uma interpretação da sífilis que acomodava tanto os fatos observados quanto os elementos fundamentais da tradição médica da época, mas não se afastou dos princípios explicativos hipocráticos. É justamente a partir dessas características da explicação médica renascentista que se acredita que Fracastoro desenvolveu uma definição ampla da doença (FRITH, 2012; MARTINS 1997).

Existem duas teorias sobre as origens da sífilis venérea. Na primeira, conhecido como "hipótese colombiana" afirma-se que a doença originou-se na América e foi espalhado em 1493 por Cristóvão Colombo e sua tripulação, que a adquiriu dos nativos de Hispaniola (Ilha de São Domingos, nas Antilhas, a sudeste de Cuba, hoje pertencente à República Dominicana e ao Haiti) e a enfermidade seria transmitida por meio do contato sexual. Ao retornar à Espanha, alguns desses homens se juntaram à campanha militar de Carlos VIII da França, que sitiou Nápoles em 1495. Soldados acampados teriam exposto as populações locais de profissionais do sexo, o que ampliou a transmissão da doença. Mercenários infectados e em extinção espalharam a doença por toda a Europa quando eles voltaram para casa. Cinco anos depois de sua chegada, a doença se converteu em uma epidemia na Europa. Pela segunda teoria, ou "hipótese pré-colombiana", acredita-se que a doença sempre existiu na Europa, e o fato de que não havia casos relatados da doença anteriormente à década de 1490 seria porque antes dessa época não havia se diferenciado clinicamente. 

Frutuoso (2013) destaca que “a sífilis era a doença do outro, do estrangeiro”. Para os franceses, a sífilis era o “mal napolitano”, para os italianos, era o “mal dos franceses” ou “mal gálico”, os poloneses consideravam como a “doença dos alemães”. Os russos tinham temor da “doença dos poloneses” e os holandeses referiam como “doença espanhola”. Os turcos chamavam de “doença dos cristãos”. 

 

Referências

Frith J. Syphilis: Its early history and Treatment until Penicillin and the Debate on its Origins. Journal of Military and Veterans’ Health  2012; 20 (4): 49-58.

Frutuoso RAM. A História da Sífilis Na Marinha do Brasil. Arq. Bras. Med. Naval, Rio de Janeiro, 2013; 74 (1): 8 -14

Iommi-Echeverría V. Girolamo Fracastoro y la invención de la sífilis. História, Ciências, Saúde-Manguinhos 2010; 17(4), 877-884.

Lima DR. História da Medicina: Um Guia Prático e Bem-Humorado. Rio de Janeiro: Medsi, 2003.

Martins RA, Martins LAP, Ferreira RR, Toledo MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 6. Do Período das Grandes Descobertas ao Século XVIII [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap06.html 

28 de setembro de 2020

COLÓQUIO SOBRE HISTÓRIA DA MEDICINA NA IDADE MÉDIA COM A TURMA 110 DO CC...


A Idade Média ainda é geralmente conhecida como "Idade das Trevas", principalmente na área das Ciências da Saúde. Nas últimas décadas, essa visão da Idade Média vem mudando gradativamente com o avanço dos estudos historiográficos e da história da ciência.
Enquanto os antigos egípcios, gregos e romanos impulsionaram o conhecimento médico, após o desaparecimento dessas civilizações, o ímpeto iniciado na Antiguidade tendeu a estagnar e não se desenvolveu no mesmo ritmo até os séculos XVII/XVIII. A queda do Império Romano teve como uma da consequências que muitas de suas práticas de higiene pública logo foram perdidas. A Idade Média na Europa viu a maioria das pessoas sem acesso a água potável, banho regular ou sistemas de esgoto. Isso significava que as condições de saúde eram muitas vezes piores que durante a ocupação romana dos séculos anteriores. A maioria das pessoas era agricultora e a alimentação era escassa. A fome e as doenças estiveram presentes durante grande parte desses mil anos medievais.
O aparecimento e desenvolvimento da religião cristã é um fator extremamente relevante na História da Medicina, e sua posição era hegemônica influenciando a forma como se pensava que as doenças eram um castigo de Deus por comportamentos pecaminosos. A medicina medieval era muito limitada e os médicos não tinham uma ideia científica do que causava as enfermidades.

CONTRIBUIÇÕES DE OUTROS INTEGRANTES DA COMUNIDADE COLABORATIVA DE APRENDIZAGEM - TURMA 109/CCM/UFPB

Após a leitura dos textos muito enriquecedores pude perceber como o pensamento religioso acabou "atrasando" o progresso do conhecimento médico e também acabou culminando com a perda de muitos conhecimentos que foram acumulados ao longo da idade antiga. Uma grande representação de como a medicina era feita na época se dá através do filme "O Físico", em que no início do filme o protagonista atua como barbeiro na Inglaterra e notamos rapidamente que era um conhecimento empírico e que os barbeiros não possuíam noções básicas de anatomia, como por exemplo quais órgãos ocupavam a cavidade abdominal. Além disso, eles atuavam como nômades percorrendo várias cidades. Durante o filme ele decide ir a uma escola de medicina localizada no mundo árabe para obter o conhecimento médico de forma mais científica, no seu trajeto ele tem que se disfarçar por judeu pois o simples fato de ele ser cristão fazia com que os árabes o impedissem de ir ao seu território, mostrando também como as barreiras religiosas impediam a troca do conhecimento entre as culturas.

GABRIEL ANGELO

 

Entre as diversas contribuições fundamentais dos meus colegas à discussão, decidi falar um pouco sobre um dos pontos que me chamou a atenção. Ele diz respeito ao costume de se isolar da sociedade os indivíduos que apresentavam lepra na Idade Média, os quais ficavam em leprosários. Eles chegavam a ter que usar apetrechos que anunciassem a sua chegada aos lugares. Reproduzo o seguinte trecho: “Considerava-se, particularmente em relação aos leprosos, que a mera proximidade destes doentes podia despertar a fúria divina, trazendo este castigo também para o incauto? Na contemporaneidade, essas crenças podem ser usadas para estigmatizar as pessoas que apresentam algumas doenças específicas. Por exemplo, na disciplina de Epidemiologia, assistimos a um filme chamado “E a vida continua...”, em que uma das cenas corresponde a um indivíduo dizendo que o HIV seria como uma punição de Deus aos indivíduos que o contraíam, pelo seu comportamento profano. Esse tipo de atitude tem, portanto, raízes históricas.

MARIA EDUARDA G.

 

Representações da Idade Média na Arte - O Nome da Rosa (Umberto Eco, 1980): As contribuições da aula criaram um cenário amplo, contemplando diversos aspectos positivos e negativos quanto à prática da medicina na Idade Média, bem como quanto a outras áreas do conhecimento, como a filosofia. Venho aqui, portanto, em uma tentativa de conciliar grande parte do que foi dito por meio de uma contextualização com o livro de Umberto Eco, O Nome da Rosa (1980), e com o filme de mesmo nome. De antemão, alerto para o fato de o livro surgir como uma interpretação por parte do autor do que teria sido um contexto da Idade Média. Logo, não é um relato factual, e sim uma ficção com vieses históricos. A narrativa se passa em um mosteiro franciscano, no ano de 1327, que já corresponde à Baixa Idade Média. O mistério que a move - contado na perspectiva do noviço Adso - está nas inexplicáveis mortes dos monges que, apesar de não obviamente, estão relacionadas por um motivo único (spoilers): o desejo de um monge ancião de manter uma concepção que aceita o riso e a comédia como bons em segredo completo, guardando para si milhares de textos de grandes autores da antiguidade que contradizem sua visão de mundo em que o sofrimento leva à pureza de espírito e Deus, mas em especial um livro cujas páginas foram envenenadas de forma que todos que ousassem-no ler encontrariam um breve e trágico fim.  Apenas esse contexto já é gerador de uma discussão sobre um dos principais motivos pelos quais a Idade Média foi posteriormente interpretada como a Idade das Trevas: a detenção dos conhecimentos pelos letrados e pertencentes às ordens religiosas. Não mais eram discutidos tópicos como ética e política em praça pública (ágoras) como na antiguidade grega (que já era limitadora por permitir apenas a participação de cidadãos gregos), nem mesmo as missas eram rezadas em linguagem popular. A população servil e comum sobrevivia através da passagem geracional de conhecimentos e eventuais caridades, quando se trata da medicina. No entanto, vale mencionar que o trabalho de tradução de textos clássicos realizado pelos monges também foi ilustrado na trama, que foi um aspecto positivo na manutenção do conhecimento, apesar do grande problema de retenção, má-interpretação e perda de informações. Um outro momento que reflete o discutido pelos colegas, quanto à profunda associação entre o pecado e a doença, é observado quando um dos monges, ao interpretar seus pensamentos como pecaminosos, isola-se para se punir (automutilação) e em seguida se banha em ervas, de forma a limpar-se da influência de maus espíritos e evitar (e talvez antecipar de forma menos letal) o castigo divino. Esse tipo de atitude, em que feridas foram abertas em nome da purgação do pecado ou da loucura, abria mais uma rota para a disseminação de doenças. Mas não apenas nos atos vemos reflexos de um pensamento que tinha o doente como algo a ser evitado, pecaminoso, como também na arquitetura e organização do próprio mosteiro, uma vez que no mapa que é ilustrado no livro o hospital é colocado nas margens, isolado das áreas comuns de convivência.  Um outro aspecto comentado em aula está na condenação da personagem feminina que vivia próximo ao mosteiro, em condições de pobreza, como bruxa. Inclusive, o papel da mulher em sociedade é alvo de uma discussão no livro, que revela uma visão da mulher como recipiente de demônios, fruto de tentação, que se perpetua desde a história da expulsão de Adão e Eva do paraíso, ou mesmo de forma anterior a isso. Há uma grande contradição no período, uma vez que o uso de ervas por homens, sejam eles boticários, médicos, frades ou monges, era socialmente aceito, como visto em histórias como Romeu e Julieta ou mesmo quando na pandemia da peste bubônica médicos usavam ervas aromáticas em suas máscaras com formato de bico de corvo para prevenir o contato com os ares contaminados dos doentes, enquanto a mulher que fizesse uso de tais conhecimentos era rapidamente apontada, mesmo pelos membros da comunidade, como bruxa e condenada à fogueira. Por fim, cabe colocar um dos passos que contribuíram para a resolução do mistério na trama, que foi a inspeção dos cadáveres dos monges, que mesmo realizada de forma exterior - uma vez que a necropsia não era uma prática aceita no período, o que atrasou o desenvolvimento dos conhecimentos anatômicos - revelou a presença de marcas nos dedos e de língua negra pilosa, detalhes que apontaram para um envenenamento, em que a interação da substância com os tecidos deixou marcas, uma vez que os monges levavam os dedos à boca, molhando-os para passar as páginas dos livros. E com isso passeamos por diversos dos temas abordados, ficando registrada a indicação literária e cinematográfica. Deixo-os com o link do filme (disponível na mídia social YouTube por meio do link a seguir):

https://www.youtube.com/watch?v=s0cdAv4ZODE

NADIAJDA

 

Após a rica discussão iniciada na aula e estendida ao fórum, tentarei também trazer minha contribuição. Primeiramente, gostaria de retornar ao tópico da possibilidade do termo ''idade das trevas'' transmitir uma visão reducionista desse período da história, pois tal perspectiva renascentista, que também tem seu mérito, acaba encobrindo alguns avanços no medievo. Nesse contexto, é válido ressaltar a coexistência da medicina bizantina, árabe, além de outras sociedades espalhadas pelo mundo que não temos registros suficientes, com a  europeia ocidental. Nisso, podemos relatar avanços no mundo mulçumano, onde, segundo o material indicado para a leitura, possuía uma farmácia com medicamentos de todo os locais conhecidos, ambulatórios, enfermarias de internação e um sistema primitivo de berçários. Além disso, na própria Europa ocidental, é possível identificar alguns aspectos que contradizem a ideia de total retrocesso, como o desenvolvimento de universidades e a institucionalização da medicina. Ademais, é observável a influência do mundo antigo, a qual vai desde a crença em teorias hipocráticas, como a dos quatro humores, até ao pensamento de filósofos e teólogos importantes da época, como os patrísticos, escolásticos e a sua relação, respectivamente, com Platão e Aristóteles.  O segundo e último tópico de abordagem válida é que não só de avanços foi marcada a medicina medieval. Essa realidade pode ser ilustrada pela associação de doenças a castigos divinos presente na cultura cristã e muçulmana. Tal cenário também é exemplificado na Europa ocidental, onde existiam problemas sanitários contribuintes para a disseminação de doenças. Além dos problemas anteriormente explanados, é possível observar a limitação da disseminação do conhecimento médico, acessível basicamente aos mosteiros e comunidades da Igreja, que pode ser associada a diversos motivos, como a restrição determinada pela instituição católica ao contato com os escritos, o analfabetismo da população e a estruturação da sociedade em formato de feudos, a qual dificultava as trocas de saberes entre diferentes localidades.

MILENA


15 de setembro de 2020

POR UMA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA NA MEDICINA: I DISCUSSÃO COM A TURMA 110/MED/UFPB

 

“A História me precede e antecipa-se à minha reflexão. Pertenço a história, antes de me pertencer” 
(Hans Georg Gadamer)

O que a experiência e a história ensinam é isto - que os povos e governos nunca aprenderam nada com a história, ou agiram de acordo com os princípios deduzidos dela ” 

(Georg Hegel)

Na primeira telerreunião da disciplina de História da Medicina e da Bioética com a nova turma de 62 alunos (comparecerem 58), a questão norteadora da discussão foi a seguinte: Por que estudar a história da medicina e da bioética? Tendo em conta que a turma é numerosa e não haveria tempo para participação individual de todos no intervalo de duas horas de encontro, a moderadora, Profa. Rilva Muñoz, avisou que os alunos que não pudessem participar desse fórum síncrono em tempo, poderiam postar sua contribuição ao debate no fórum assíncrono aberto no SIGA-A/UFPB.

Mathews Freire foi o primeiro a se inscrever, e considerou que é importante conhecer o passado  para compreender o presente, conhecendo o desenvolvimento que aconteceu durante a história para que no presente se possam compreender os métodos atuais de condutas médicas, assim como para evitar repetir os mesmos erros. A moderadora concordou com Freire, de que é possível aprender muito com as lições do passado, e que embora tenham ocorrido muitos erros, assim como  muitos acertos também, avanços e retrocessos, tudo serve como lição para o médico que atua hoje. Este é um dos aspectos proeminentes dos objetivos do estudo da História da Medicina e da Bioética para o estudante de medicina.

João Victor corroborou o comentário de Freire e acrescentou que a história, como processo dinâmico e dependente de fatores contextuais, como o conhecimento científico e a política, são variáveis relevantes na evolução dos fatos históricos. Ele exemplificou sua afirmação com a influência ainda forte da Igreja na época do Renascimento, moldando o processo histórico e, como decorrência, afetando também o desenvolvimento da medicina. Ele acrescentou ainda que o desenvolvimento tecnológico de cada época tem grande impacto sobre o que ocorre na medicina. A moderadora concordou com João, lembrando que antes do Renascimento, em plena Idade Média, o dogmatismo religioso era culturalmente hegemônico, e como o dogmático sempre se recusa a mudar de opinião, havia poucas oportunidades de mudança nas práticas médicas, o que propiciava que as inovações fossem fortemente rechaçadas. Os valores arcaicos retrógrados e dogmáticos prejudicaram o avanço do conhecimento no passado, o que ainda ocorre nos dias e hoje, embora de forma menos contundente. 

Duda Gomes também concordou com Freire sobre o fato de o conhecimento do passado contribuir para evitar a repetição dos mesmos erros. Por outro lado, ela lembrou que é preciso ver que os conhecimentos que se tem hoje não eram possíveis em outras épocas. A moderadora reforçou a contribuição de Duda, lembrando que muitas vezes ao se estudar a história da medicina, emitem-se juízos de valor, julgamentos e críticas negativas, mas é necessário ver o passado com a devida perspectiva histórica, assumindo uma consciência histórica. Ter uma perspectiva histórica significa compreender as configurações sociais, culturais, intelectuais e emocionais que moldaram a vida e as ações das pessoas no passado. Em qualquer ponto, diferentes atores históricos podem ter agido com base em crenças e ideologias conflitantes; portanto, compreender as diversas perspectivas também é uma chave para a tomada de perspectiva histórica. Ao invés de olhar criticamente o passado da medicina requer aprender a vê-lo com essa cultura histórica.

Romonilton lembrou que com o estudo da história da medicina também se pode projetar o futuro, ao se raciocinar sobre as mudanças ao longo do tempo para contemplar o que o futuro reserva. Segundo ele, com ética e profissionalismo é possível construir o presente e o futuro com mais confiança. A moderadora acrescentou que realmente se constrói história todos os dias e lembrou que a história é como o simbolismo de Janus, o deus romano representado por uma cabeça com duas faces olhando em direções opostas, para o passado e para o futuro. O sujeito cognoscente está no presente, construindo história e se pode produzir história de uma forma benéfica para a comunidade à qual se serve, construindo de forma altruísta e compassiva, deixando para o futuro um legado, como os médicos deixam para as pessoas que receberam sua ajuda e assistência, mesmo aqueles  médicos anônimos e comuns. Por outro lado, se pode também construir no outro sentido a história, de uma maneira negativa. Pessoas anônimas, que são desconhecidas, cada um exercendo sua atividade profissional e o fazendo bem, ajudando pessoas, famílias e comunidades, no seu microcosmo, pode representar uma obra importante. Contudo, é importante salientar que a história nunca se “repete” verdadeiramente, porque os contextos e as pessoas envolvidas estão sempre mudando. 

Glaudir afirmou que é preciso entender como a medicina foi construída e o contexto em que ocorreram os avanços tecnológicos, e vistos à luz da época em que ocorreram. Ele acrescentou que é importante ter uma postura humilde e ver as descobertas importantes que ocorreram na história até a atualidade. A moderadora lembrou que essa construção da medicina ao longo do tempo ocorreu com um passo de cada vez, com avanços e retrocessos, de uma época em que não sabia nem como era que ocorria o fluxo sanguíneo até a atualidade em que transplantes de órgãos são realizados, cirurgia robótica cirurgia minimamente invasiva e nanotecnologia, clonagem, terapias com células-tronco... E o surgimento do instrumento simples hoje e que permitiu ao médico ouvir os batimentos cardíacos foi uma descoberta revolucionária que não faz tanto tempo assim considerando toda a história da humanidade: foi no século 19. Como destacou Glaudir, essa construção da ciência médica sofreu um evolução extraordinária e principalmente do século 17, 18 e 19, com um ápice no século 20. Na disciplina de História da Medicina e da Bioética, serão estudados os principais avanços que tornaram possíveis as condições atuais de terapêutica médica, assim como que fatores favoreceram essas descobertas, algumas delas fascinantes.

Nádia salientou a contextualização política e social do desenvolvimento da medicina, e que o conhecimento que existe hoje não partiu do nada, mas vem sendo acumulado ao longo do tempo. Ela lembrou de conhecimentos sobre diabetes mellitus foram registrados cerca de 1500 anos antes, embora nem se soubesse que o problema estava no pâncreas. A moderadora considerou que a ciência é cumulativa e o conhecimento vai sendo construído refletindo o contexto econômico e político de cada época, e que a história ensina a transitoriedade das verdades de qualquer ciência não só da Medicina e também nos valores morais, políticos e culturais dos valores humanos. O que se conhece agora,  em termos de condutas diagnósticas é terapêuticas poderão ser vistas no futuro, daqui a cem anos, como obsoletos e ultrapassados, de forma bastante crítica. Assim, é preciso entender que as verdades históricas, incluindo as científicas, são transitórias, não são permanentes porque o conhecimento científico não é infalível, só o conhecimento religioso pode ser considerado infalível

Ana Luíza elogiou as contribuições dos colegas à discussão e destacou que realmente não se dá importância ao estudo da história da medicina, pois não é considerado um conhecimento de benefício tangível, embora haja benefícios nesse estudo. A moderadora complementou que essa ideia se refere à ideia utilitarista, do utilitarismo, uma corrente filosófica, de que a virtude se baseia na utilidade e que a conduta deve ser direcionada para promover efeitos úteis, revertendo-se em resultados práticos. Isso é natural, é da cultura, mas o estudo da história da medicina tem tmbém um objetivo pragmático também. Na verdade, como está no título do texto proposto para leitura, o objetivo desse estudo é pragmático, ético e  cultural. A consciência histórica contribui para que o estudante de medicina desenvolva o raciocínio crítico e reflexivo, um dos objetivos centrais das Diretrizes Curriculares nacionais de Graduação em Medicina.

Duda Silva afirmou que é natural pensar e maneira utilitária no sentido de estudar história da medicina, mas ela começou a perceber que há um sentido nesse estudo ao ler o material proposto para o módulo atual da disciplina. Ela considerou que é importante saber o passado da carreira que se escolheu exercer e fez uma analogia com a suposição de que se a pessoa acordasse um dia e não lembrasse do próprio passado pessoal. Há crenças antigas antiquadas e retrógradas que ainda podem ser observadas hoje, pois fazem parte da natureza humana em qualquer momento da história e as tradições são transmitidas de geração em geração. A moderadora ressaltou que, nesse sentido, conjuntos de imagens primordiais que dão sentido aos complexos mentais e às histórias passadas entre gerações, formam o conhecimento e o imaginário do inconsciente coletivo e permanecem na mente das pessoas ainda que estejam em épocas diferentes. O médico, de uma forma geral, tem uma visão tecnicista, reducionista, excetuando-se aqueles da área de saúde pública. Essa visão reducionista relaciona-se à sua formação.

Continuando, a moderadora lembrou que no estudo da história da medicina, quando se atribui um significado a um fato particular do passado, as pessoas estão fazendo escolhas, pois está subjacente um julgamento, uma relação com outros fatos, para o que se vive nos tempos de hoje; então a história é uma interpretação do presente também. O interesse no passado é contextualizar e compreender o presente por meio dos vestígios do passado e, assim, quando se estuda a história também se está valorizando o presente.

Sara enfatizou que “a história faz o que somos, pois se a nós não tivéssemos passado pelo que passamos não seríamos quem somos” e que o interesse na história não se dá por mera curiosidade, mas por uma construção de uma nova consciência, tanto no âmbito individual quando na sociedade. Ela ponderou que era muito interessante estar discutindo como a saúde e o cuidar foram construídos ao longo do tempo e como a medicina se encaixa nisso, assim como o que significa ser médico a partir dessa história. Sara continua discorrendo sobre o que significa ser médico e que papel cada um quer ter: “Eu quero ser aquela pessoa que comanda toda a equipe, como historicamente os médicos vêm sendo”, no sentido de uma relação de poder ou um componente dentro da equipe de saúde?” Prosseguindo, ela afirmou que o estudante se posiciona como tal em uma universidade onde o Centro de Ciências Médicas é totalmente diferente dos outros prédios do campus. A moderadora concordou com a contribuição ao debate, salientando a relevância e pertinência das colocações, porém considerando que essa questão já pode estar mudando, pois há cerca de 20 anos a hegemonia do médico na equipe de saúde vem sendo contestada, embora seja uma causa pela qual a maioria dos médicos lutam, ou seja pela manutenção do status quo. Os médicos parecem querer ser o centro da equipe, a despeito do reconhecimento atual da interdisciplinaridade na saúde. Porém há que reconhecer também que o médico é, ao mesmo tempo o representante mais empoderado da equipe de saúde, mas também pode ser o “bode expiatório” dos males do sistema. Há uma frase para Maria Cecília Minayo, uma socióloga brasileira dedicada à antropologia da saúde que afirmou que o médico é como se fosse um deus com pés de barro porque como figura centralizadora da equipe de saúde e representa a equipe de saúde de uma forma geral no sistema e na sociedade, então muitas vezes o que está errado no Sistema Único de Saúde é atribuído ao médico que, embora seja a figura de destaque na equipe, também é o mais criticado. Então são os reversos da medalha.

A moderadora finalizou a discussão afirmando que a disciplina em curso é sobre história da medicina e da bioética. Esta última, sendo uma disciplina relativamente nova, em comparação com a medicina, que sempre existiu desde a Pré-História – ainda que médicos como médicos propriamente ditos, nem sempre existiram, mas havia as figuras que faziam o papel do agente de cura – então, embora a medicina sempre tenha existido, a bioética surgiu na segunda metade do século 19. A própria ética surgiu na Antiguidade, e a ética médica, na Idade Moderna. Portanto, pode-se dizer que a Bioética é uma disciplina “recém-nascida” e tem apenas 50 anos, representando um campo de reflexão ética e uma tremenda história de sucesso. A Bioética é essencial à vida e à dignidade humana, em um diálogo nem sempre fácil com a biotecnologia e com o reducionismo epistemológico dos profissionais e pesquisadores da grande área da saúde.

Bia pediu para contribuir também, ao final da discussão, pois teve especial interesse na discussão da história da Bioética. Ela destacou a relação da teologia com a biotecnologia e mencionou um documentário sobre aprimoramento genético, que ela lembrava vagamente do título e da tecnologia, que poderia ser CRISPR, uma tecnologia que pode ser usada para editar genes, que poderia ser classificado como um projeto de eugenia. A moderadora elogiou a participação de Bia, e relacionou o relato à ideia de que a História da Medicina deveria contribuir para aprender a não repetir erros do passado na prática médica. Esta assertiva não parece se cumprir sempre, pois ainda há exemplos de reincidência de infrações bioéticas na atualidade, mesmo após o reconhecimento dos ataques à humanidade perpetradas ao longo do tempo passado e sobretudo no século 20, e da criação da Bioética. A moderadora lembrou do Projeto MKULTRA (também conhecido como MK-ULTRA), alcunha de um programa de pesquisa de controle da mente, com coordenação da famosa agência do governo norte-americano e que começou na década de 1950, envolvendo não apenas o uso de drogas para manipular pessoas, mas também o uso de sinais eletrônicos para alterar o funcionamento do cérebro.

Encerrando a discussão, a moderadora avisou sobre a abertura de um fórum assíncrono para que os alunos que não tiveram oportunidade de contribuir com o debate possam postar suas considerações durante a semana.

Para concluir os trabalhos da telerreunião, a Profa Rilva citou a frase “A História me precede e antecipa-se à minha reflexão. Pertenço a história, antes de me pertencer”, atribuindo-a a Heródoto, historiador grego da Antiguidade e considerado o “Pai da História”, porém aqui nesta memória da reunião, percebo que a citação é atribuída, na realidade, ao filósofo alemão Hans-Georg Gadamer. Portanto, lapso corrigido.


Contribuições enviadas pela comunidade colaborativa de aprendizagem por meio do Fórum assíncrono do SIGA-A/UFPB:

A importância do estudo da história da medicina e da bioética pode ser demonstrada de diversas formas: da perspectiva cultural, o conhecimento dessa área é fundamental para a construção da memória da profissão, ressaltando descobertas revolucionárias e figuras importantes, que podem servir de exemplo para as novas gerações; da perspectiva científica, é justamente por reconhecer as crenças históricas ultrapassadas e exemplificar como foram descartadas que esse estudo se torna imprescindível, incitando a pesquisa científica. Autor: CRISTIANO HENRIQUE 

É imperativo em todas as áreas de conhecimento o respeito à história construída no passado e, que efetivamente traz suas marcas na história presente. A Medicina e a Bioética não fogem a esse princípio, ante o papel e os rastros históricos em que podem ser registrados erros que, consequentemente, irão se transformar em avanços na abordagem médica. Compreender a consolidação da medicina ao longo da história habilitará os alunos da disciplina a terem uma perspectiva mais completa sobre a sua área de atuação, uma vez que o papel do médico na sociedade se modifica ao longo da história, assim como seus valores e suas pretensões. Para alunos de Medicina, conhecer as questões éticas pertinentes à profissão a ser exercida é condição primeira para sua atuação, essas questões estão fortemente atreladas à importância de se estudar também aspectos culturais e políticos que, historicamente, provocam mudanças em diferentes cenários, entre outros o da Medicina. Estudar a história da Medicina e da Bioética nos permite lançar o olhar para o passado buscando atualizar no presente os aspectos exitosos ou ainda reparar ou modificar as fragilidades, se existentes, de modo que o profissional se muna de condutas no exercício da profissão, que lhe permitam não negar os avanços que emanam e refletem o contexto social de cada época. Autor: DAVI JOSE 

Assim que a questão acerca da importância da história da medicina e da bioética foi levantada, logo pensei na necessidade de conhecer o passado para não repetir os mesmos erros que atrasaram tantos avanços. Todavia, após a discussão, vi que os motivos para o estudo iam muito além disso. É notável a relevância de entendermos verdadeiramente, após o estudo da história, que a medicina é um conjunto de saberes e práticas que estão sujeitos, a qualquer momento, a alterações. Assim, cabe a nós estarmos dispostos a receber essas mudanças, caso sejam benéficas à sociedade, e não ficarmos presos a antigas condutas. O mesmo ocorre para a bioética; aos longos dos anos, muito do que se achava correto, na verdade, era errado e foi desbancado por princípios que realmente protegem os indivíduos. Por fim, estudar a história da medicina e da bioética não é essencial apenas para não repetir erros e entendermos a dinâmica da medicina enquanto ciência, mas também porque grande parte dos avanços ainda são usados na prática vigente. Ademais, ao lembrarmos do esforço dos médicos na procura de descobertas e das vidas que foram transformadas por estas, podemos achar inspiração para continuar nesta busca, como também respeito pela prática médica.  Autora: THALITA 

Antes da discussão desenvolvida na aula síncrona e da leitura dos materiais sugeridos, eu considerava que o estudo da história da medicina e da bioética servia apenas a título de curiosidade, não compreendendo a sua real importância. Agora, percebo que é um grande erro essa disciplina ser negligenciada pelos currículos de graduação e pelos próprios discentes, visto que, assim como qualquer ciência, a medicina passou por diversas evoluções ao longo do tempo e entender como essas ocorreram é imprescindível para conhecer as descobertas que fundamentaram a medicina atual e também o porquê das práticas médicas serem como são hoje. Assim, por meio do estudo da história é possível evitar erros que já foram cometidos por nossos antepassados e, além disso, tal aprendizado pode ser utilizado como base de inspiração para fomentar o interesse em gerar mais contribuições à medicina, a fim de proporcionar o máximo de bem-estar às pessoas. Ademais, é de conhecimento geral que muitas conquistas para a ciência médica se deram por meio da violação de direitos fundamentais do ser humano, como exemplo pode-se citar as experiências realizadas pelos nazistas. Com isso, a bioética surge para que possamos entender que o progresso da ciência jamais pode estar acima do respeito à dignidade humana. Desse modo, em síntese, essa disciplina é fundamental para os futuros profissionais que não desejam ser dedicados apenas à técnica, ou seja, para aqueles que almejam uma formação mais humanística. Autora: JOYCE 

Após tantas participações produtivas no fórum, sem contar com as contribuições durante o encontro síncrono, fica, de fato, difícil contribuir com algo mais no que tange a indagação do porquê é importante estudar a história da medicina e da bioética. No entanto, vale lembrar que, assim como qualquer outra área de conhecimento, a medicina é um fato cultural, isto é, algo produzido pelo homem, e, por essa razão carrega consigo todos os fatores sócio históricos da época e da localidade de onde é desenvolvida. Com isso quero dizer que o que entendemos por medicina varia de lugar para lugar e de tempos em tempos. Essa compreensão torna-se fundamental para entender a posição que o médico ocupa na sociedade, no hospital, na unidade básica de saúde. Esse entendimento também é útil para notar a mudança de pensamento ao longo das décadas e dos séculos. Como as doenças eram interpretadas, como as ideias de cura e tratamento evoluíram. Enfim, em outras palavras, a medicina, como praticamente tudo na vida, é mutável. Estudar a sua história facilita essa compreensão. E esse pensamento irá nos ajudar a entender as mudanças que estão por vir para que possamos nos preparar para o futuro. Autor: GUSTAVO 

Acho que estudar a história da medicina é importante não apenas a título de curiosidade, mas como uma forma de fomentar o pensamento crítico e de auxiliar o crescimento da medicina enquanto ciência. Ela disponibiliza ao aluno uma diversidade de modelos de atendimento e pesquisas, aos quais ele pode se espelhar. Nesse sentido, descobertas que hoje parecem óbvias e estão bem consolidadas já foram questionadas. Houveram momentos em que determinadas escolhas terapêuticas não estavam disponíveis e, através de muito estudo e da evolução cultural e tecnológica, foi possível desenvolvê-las. Dessa maneira, é primordial ponderar o processo que leva à mudança de condutas, à descoberta de certos medicamentos e ter um olhar de que hoje ,mesmo com tantos avanços, ainda não sabemos tudo sobre a medicina e de que ainda há muita coisa para ser aprimorado. Assim, saber como se deu o desenvolvimento dessa ciência é fundamental para ampliar o conhecimento acerca dela e para sua evolução. Além disso, acho que observando a história da medicina, vemos o impacto do contexto sociocultural na atuação dos profissionais da área. Um exemplo disso é a vulnerabilidade de certos grupos, como os pacientes psiquiátricos, os quais, ao longo da história, foram continuamente submetidos a procedimentos dolorosos até a Reforma psiquiátrica, no século XX. Entender o por quê da exclusão de populações vulneráveis, como essa dinâmica é influenciado pelas crenças vigentes da sociedade da época e como a bioética se consolidou ao longo dos séculos ajuda a proteger esses grupos, fazendo com que seja possível atingir um processo terapêutico eficaz. Nesse viés, pode-se citar também a importância do conceito de bioética e de como ele foi sendo moldado ao longo do tempo, pois esse valor deve nortear a conduta médico-paciente, bem como seu modelo de pesquisa. Diversas experiências foram feitas em contextos ditatoriais, como no caso da ciência nazista, a qual teve várias contribuições à medicina, mas com um alto custo moral e humano, ignorando o senso ético que temos hoje. Dessa forma, precisamos saber o que foi feito para não repetirmos os erros cometidos no passado. Por fim, como disse Goethe: “Nada sabe de sua arte aquele que lhe desconhece a história?”. Ou seja, compreender a cronologia da medicina e da bioética nos permite conhecer mais sobre a profissão que escolhemos seguir, possibilitando uma melhor atuação na área. Autora: LUANNA CYBELLE 

Acredito que é a importância do estudo da medicina estar em não só saber as principais descobertas da área, mas também entender quais foram as ideias por trás dessas invenções. Ademais, conhecer sobre a bioética é ter conhecimento sobre os limites do ato médico ou de  uma certa pesquisa, os quais são necessários para evitar uma possível infração dos direitos humanos.  Autora: YASMIN MARIA 

Antes da aula, eu entendia a história da medicina mais como objeto de curiosidade. Com as questões levantadas no momento síncrono, eu me lembrei da famosa frase do filósofo George Santayana: "Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo". No entanto, eu discordo parcialmente dessa ideia. Porque a intenção de extrair lições da história e aplica-las ao presente pode ser um problema caso não haja um entendimento completo das circunstâncias de seu surgimento (o que depende da credibilidade do documento histórico analisado, bem como de sua abrangência). O livro Historians Fallacies, do David Fischer, aborda alguns vieses que podem prejudicar o estudo da história. No capítulo 5 são abordados alguns vieses de narrativas. Dentre eles, o de que devemos transferir lições de outros momentos históricos para o presente. Isso não significa que a história não possui utilidade - como Hegel afirma: A única coisa que se aprende da história é que ninguém aprende nada da história -, significa que o estudo da história serve, entre outras coisas, para expandir o entendimento dos contextos nos quais os fatos históricos ocorrem e, com isso, refinar a capacidade de reflexão das pessoas sobre seu próprio contexto. Portanto, para mim estudar a história da medicina é importante para compreender que, assim como paradigmas do tratamento de saúde no passado foram substituídos por conceitos mais refinados e eficientes, nosso entendimento contemporâneo sobre diagnóstico, terapêutica e outras questões que orbitam a profissão médica também está sujeito a ser sobreposto por modelos explicativos mais apropriados. Autor: JOAO ALFREDO 

Com a exposição dos materiais e debate durante a aula do dia 14/09, a nossa principal reflexão foi acerca de porque é importante o estudo da História da Medicina e da Bioética. Refletindo sobre os textos colocados pela professora, bem como as pontuações dos colegas durante a aula, é indiscutível que reconhecer a história da medicina como um fator que nos permite valorizar essa ciência, além de nos ensinar os erros já cometidos, para que os futuros médicos  não cometam os mesmos erros. Contudo, o ensino da História da Medicina e da Bioética não é uma realidade em diversas universidades do país. Debruçando sobre isso, fica evidente a valorização apenas do biologicismo e da perfeição da técnica na medicina que é feita no Brasil hoje, e daí pontuo uma reflexão, e convido vocês a refletirem comigo: se um médico nefrologista só sabe de rins, que teoricamente é apenas com o que ele trabalha, ele não vai ter a dimensão do tratamento de doenças que afetam os rins mas que são consequências de outro sistema. Ou seja, um médico, ainda que especialista, precisa ter uma visão do todo. Trazendo esse contexto para a nossa discussão, não seria mais esclarecedor a visão do futuro, se tivéssemos ideia do todo (passado e presente)? Visto que, diversos eventos e questionamentos atuais, ocorreram também anteriormente. Prolongando a nossa discussão, acredito que o momento que estamos passando é propício para a reflexão da importância da história da medicina, visto que outras pandemias já assolaram o mundo e conhecer a história desses eventos marcantes, nos permite saber como os médicos lidaram, quais foram os erros e acertos, para que possamos implicar hoje na COVID-19. O resultado disso, apesar de longe do ideal, é uma perspectiva do desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde, contudo buscando qualidade e respeitando padrões bioéticos. Assim, a história torna os processos mais céleres, porque o que já foi descoberto está na palma de nossas mãos, precisamos agora fazer nossa história, com erros, acertos e descobertas, para que os futuros médicos, sejam eles nossos sobrinhos, filhos ou netos, possam fazer uma medicina cada vez melhor. Autora: ANA KAROLINA 

A história de forma geral estuda o passado para prevenir os erros no futuro, o estudo da história da medicina e da bioética evita os mesmos erros cometido no passado e buscar novos conhecimentos para ser aplicado no presente. Por isso, o estudo da história da medicina é de grande importância para o desenvolvimento dos estudantes, métodos de abordagem aperfeiçoado para melhor tratar do doente e também é importante para o desenvolvimento do conhecimento, pois a ciência se faz observando o passado e aplicando as descobertas no presente. Portanto, o curso de medicina necessita ter em seu currículo a disciplina da história da medicina e bioética para o estudante conhecer o percurso do desenvolvimento da medicina e seus limites e  também para poder ajudar em nova descoberta. Autor: EDIBERTO 

A discussão na aula foi muito enriquecedora e os colegas enfatizaram pontos muito importantes. Então indo no sentido dos colegas e da professora, com o estudo da  história da medicina e bioética, o médico não vai ter ao longo da sua formação somente uma bagagem técnica como foi abordado na aula mas também noções de filosofia, ética, história, direito, humanística enriquecendo-o intelectualmente e proporcionando um caráter critico-reflexivo. Como foi enfatizado na aula com esse estudo é possível evitar inúmeros erros que foram cometidos no passado, mas esses erros não devem ser julgados pois estes erros refletem a evolução de hoje, com os erros o homem ganhou mais experiências e aprendeu mil formas de não repetir o erro, evoluindo cada vez mais. Um dia a medicina de hoje será a história do futuro. Autora: PATRICIA ROSSANA 

Enquanto futuros profissionais da área médica, o estudo da história da medicina se faz essencial para que possamos compreender o que se passou até então na evolução dessa atividade enquanto prática profissional, a fim de nos possibilitar um completo entendimento daquilo que vem dando certo ou não nesse processo. Sobretudo acerca das questões filosóficas e sociológicas que envolvem essa prática profissional, onde está inserida a bioética (ou a ética médica) que até hoje delimita de maneira importante os limites morais dessa profissão. Estudar História da Medicina e da Bioética é poder conhecer e se apropriar das bases fundamentais que norteiam o ofício, as técnicas e habilidades, e o limite moral da profissão médica. Autor: EMANUEL 

Considero fundamental o estudo da história da medicina e da bioética, primeiramente para entender tais conceitos partindo de suas origens e compreendendo a evolução gradual que foi incorporada a esses. Ademais, acredito que a bioética deva ser um dos pilares a reger a prática médica na atualidade, tendo em vista o mundo tão dinâmico em que vivemos, onde muitas vezes a busca incessante por conhecimento pode deturpar a dignidade humana. Por fim, nota-se que compreender a medicina e a bioética tem um papel fundamental na busca por melhorias de vida, tanto para pacientes como para profissionais da saúde. Autor: GELIELISON 

A discussão de hoje foi bastante rica, proveitosa e interativa. Fortaleceu, em mim, o ideal de que a história é imprescindível para que possamos nos tornar os melhores cidadãos possíveis; o que não poderia ser diferente no âmbito profissional, de modo que devemos estar cientes do percurso trilhado pela medicina na história. Assim como meus colegas, considero extremamente necessário saber os eventos passados, pois seus desdobramentos interagem com o presente, nos explicando diversos fenômenos, e, até, nos prevenindo de erros futuros. Além de que, conhecer a história da medicina e bioética é entender que nada aconteceu sem esforço, sem protagonistas, e sem inúmeras tentativas e erros. Em suma, creio que todas essas percepções fortalecem nossa mentalidade como estudantes e futuros profissionais; corroborando, também, para uma formação mais humanística. Autor: MATHEUS 

Como bem apresentado pelos meus colegas na aula pela manhã, em qualquer área de atuação é indispensável compreender quando, como e onde surgiu, para entender o contexto em que isso se deu e todas as mudanças que ocorreram até os dias atuais. Com a Medicina não é diferente. Entender todo o contexto por trás do nascimento e do desenvolvimento dessa ciência será fundamental para todos nós, futuros médicos. Além disso, é imprescindível que se faça a diferenciação da prática médica em uma determinada época para a prática médica atual, de acordo com os valores de cada uma dessas situações. Diante disso, o estudo da bioética se torna também importantíssimo, uma vez que nos faz observar em que situações ocorreram avanços na medicina. Um exemplo são os avanços científicos no período da Segunda Guerra Mundial, sobretudo pela Alemanha Nazista, que realizava experimentos humanos sem consentimento, o que infringe completamente os direitos humanos e, nos dias atuais, dificilmente seria realizado. Assim, estudar a história da medicina e da ética envolvida, sobretudo no que tange os limites da relação médico-paciente, é fundamental para nossa formação. Autor: GABRIEL 

O estudo dos materiais compartilhados e a rica discussão da aula síncrona de hoje me levaram a refletir sobre a importância da disciplina para minha formação. Conhecer a história de nossa profissão nos possibilita ter uma formação humanística e nos empodera na tomada de decisões, contribuindo para evitar repetir graves erros cometidos no passado, além de contribuir para o desenvolvimento da criticidade de pensamento, uma característica muito importante para o médico. Sobre o estudo da bioética, acredito que o principal objetivo seja zelar e resguardar o direito à vida e a dignidade humana, embora sejam muitos os dilemas sobre a temática. E já que o estudo histórico da medicina e da bioética é tão importante, me questionei sobre o porquê da frequente desvalorização. Acredito que um dos principais fatores para essa visão reducionista seja um senso de imediatismo que é crescente na sociedade contemporânea. Além disso, penso que algumas práticas médicas, que foram sendo executadas e aperfeiçoadas ao longo da história - muitas de forma desumana - até que se obtivessem os avanços científico que hoje podemos usufruir, acabaram provocando uma espécie de desconforto sobre o assunto. Por fim, quando estivermos “olhando” para o passado, é importante considerar o contexto histórico e o conhecimento que se tinha na época. Autora: CAMILLA VANESSA 

Conhecer a história da medicina é entender a fluidez da ciência, é compreender que tudo que enxergamos como atual tem suas raízes no passado. Dessa forma, aprendemos com a evolução da medicina, com as decisões que os antigos cientistas tomaram e nos tornamos mais sábios para tomar nossas próprias decisões no presente que moldaram o futuro. No que tange à bioética, temos um eixo que compõe as regras básicas do bem-estar humano. Com isso, se o dever do médico é sempre buscar a melhora da qualidade de vida de seus pacientes e da população, é imprescindível nós, como futuros profissionais, termos noções dessa área essencial. Autor: DAVI 

Aquele que não tem seu passado gravado na memória, não conhece sua identidade; pode sobreviver, mas estará sujeito a se encaixar em qualquer padrão que lhe convencerem. Uma medicina - ou um servidor dela - que não guarde bem toda sua história, suas revoluções e crescimentos, acabará, por fim, se deixando levar por quaisquer ondas políticas, filosóficas ou religiosas, sem se auto questionar se é por isso que tem lutado a tanto tempo. Conhecer a sua história possibilita à medicina a humildade de encarar processos, a coragem de buscar respostas e a lembrança que todo o seu esforço é para que a vida seja uma oportunidade comum.  Autora: ANNA TRYCIA 

Inicialmente eu não entendia a necessidade do estudo da história da medicina e da bioética para o nosso currículo, mas após a discussão com a turma e a leitura do texto pude perceber como essa disciplina é fundamental na nossa construção como médicos por diferentemente do conhecimento técnico nos mostrar como nossa profissão surgiu, como foi evoluindo para que dessa forma possamos atuar como agentes na construção de um futuro em que a qualidade do tratamento médico e humano evolua cada vez mais na construção de um mundo em que a população tenha uma melhor qualidade de vida. Além disso, é fundamental que obtenhamos conhecimento dos erros do passado como experimentos feitos tanto em animais quanto em humanos que eram totalmente desrespeitosos na visão da bioética para que hoje possamos conciliar o avanço da ciência e das novas tecnologias com o respeito a dignidade humana. Autor: GABRIEL ANGELO 

Após o debate e as contribuições dos meus colegas durante a aula de hoje, fica até difícil adicionar algum detalhe à discussão. Mas gostaria de ilustrar como aprender sobre a história da medicina e da bioética pode ser um tema muito rico de aprendizado porque coloca reflexões fascinantes e, ao mesmo tempo, espinhosas. Vejam a situação abaixo, ocorrida com a neurocirurgiã Susan Mackinnon:

"Então, Susan engoliu em seco e pediu para trazerem o atlas de Pernkopf. Ela encontrou o nervo em minutos por causa dessas ilustrações. [...] E eu disse a ela: se isso vai curar essa pessoa e dar a ela sua vida de volta, então não há dúvida de que o atlas pode ser usado".

O material em questão trata-se de um projeto de 20 anos escrito pelo médico Eduard Pernkopf que resultou no atlas de anatomia topográfica mais detalhado do mundo.  E qual o problema? A origem desse trabalho. São corpos de pessoas mortas pelo regime Nazista que ilustram o atlas de Pernkopf. Mesmo especialistas em bioética divergem quanto a utilização do livro, mesmo em casos cirúrgicos complexos. Outros enfatizam que a utilização deve vir acompanhada da explicação sobre as ilustrações, propondo uma certa dignidade às vítimas. Complexo. O link para a matéria completa - "O livro nazista de anatomia que ainda hoje é usado por cirurgiões" – segue o link: 

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49394288

Autor: LUCAS CAETANO 

Porque fazemos o que fazemos do jeito que fazemos? Por conveniência, por tradição, pois sabemos que este é o melhor método encontrado até o momento? Sem o conhecimento da história é difícil responder esta questão sem apelar para o ?sempre fizemos assim?, ou ?surgiu desse modo?. Como foi dito hoje, é importante que saibamos sobre o passado para que não repetirmos os seus erros, além disso, saber que passamos por um processo de evolução nos traz a humildade de reconhecer que o quê está vigente pode mudar. A história demonstra que nós como sociedade evoluímos e com ela a medicina e bioética, resta a nós adquirir esse conhecimento e aplicá-lo para criar melhores caminhos para o futuro. Autor: YANN NICHOLAS 

Durante a aula de hoje me senti muito contemplada pela fala dos colegas, de modo que acredito que é muito importante estudar sobre a história da nossa profissão para melhor compreendê-la e não repetir os mesmos erros do passado. É necessário conhecer um pouco mais sobre bioética para que a ciência não seja desenvolvida sem respeitar a dignidade humana. Sempre que penso sobre esse assunto me vem a mente o livro Anatomia Topográfica Humana, do alemão Eduard Pernkopf. Como alguns já sabem, esse livro foi produzido a partir de vitimas dos campos de extermínio da Alemanha nazista e, mesmo assim, é considerado um dos melhores livros de Anatomia já criados, com riqueza de conteúdo. Acredito que devemos discutir sobre até que ponto a produção de conhecimento por simples conhecimento é realmente boa e eficiente, considerando que pessoas precisaram ter suas vidas tiradas de forma injusta e cruel para que esse livro fosse produzido.  Autora: YASMIN GUIMARAES

Na minha opinião, estudar a história da medicina e da bioética é importante, uma vez que, permite conhecer um pouco mais sobre o contexto social da profissão, como se organizou, como evoluiu, quais erros foram cometidos, quais acertos, enfim é um tema bastante relevante para a formação médica. É demasiado interessante perceber que a medicina evoluiu desde uma concepção mágico-religiosa, racional, biomédica e biopsicossocial o que, por sua vez, reflete que, como a sociedade, a medicina passa por constante evolução. Creio que conhecer mais sobre sua história nos previne de cometer erros passados e nos dá perspectivas sobre o futuro. Autor: MANASSÉS

A discussão de hoje foi extremamente válida e pertinente, e me fez refletir um pouco mais sobre os assuntos abordados nos textos recomendados. Como já comentado por alguns colegas, acredito ser de suma importância conhecer o passado, para, então, entender melhor o presente e evitar a perpetuação de condutas inadequadas, não apenas na área médica, mas em todos os âmbitos. A Medicina tem raízes milenares e sofreu inúmeras alterações ao longo da história, sendo produto de um contexto que engloba fatores sociais, econômicos, culturais e tecnológicos na qual está inserida. Assim, tomando como exemplo o Diabetes Mellitus, citado por Nádia durante o encontro síncrono, através de uma análise histórica, é possível entender todo o processo desde os primeiros registros dessa patologia (por volta 1500 a.C.) até o surgimento, poucos anos atrás, da chamada bomba de infusão de insulina, importante ferramenta usada sobretudo no tratamento do DM tipo 1. Outro ponto relevante a ser abordado diz respeito ao estudo da Bioética, que apesar de ser uma área recente, faz-se cada vez mais necessária, principalmente devido ao desenvolvimento tecnológico acelerado das últimas décadas. A quantidade de questões polêmicas envolvendo a vida humana também cresce de maneira desenfreada e, portanto, é imprescindível ter a Bioética como norteadora da conduta médica, para evitar que casos semelhantes ao de Tuskegee e de Willowbrook voltem a se repetir.  Autora: LUIZA

De início, ressalto a dificuldade em fazer uma contribuição original, haja vista que foi muito bem dito pelos colegas na atividade síncrona do dia 14/09 tópicos como: "estudar e entender os erros do passado para não errar no presente" e outros. No entanto, vejo a importância de estudar a história da medicina pelo simples fato de "observar" as adversidades outrora enfrentadas, e superadas, pelos profissionais que, apenas com uma diferença temporal, tinham a mesma intenção que nós na condição de futuros médicos: curar e aliviar a dor. além disso, é uma ótima oportunidade de aumentar o repertório cultural, uma vez que a historia das profissões se liga bastante aos contextos político, econômico e religioso do período e do local em análise. No tocante ao estudo da história da bioética, vejo-o como imprescindível, para evitar que esbarremos em dilemas que outrora já foram resolvidos da melhor forma possível e regulamentados buscando um único fim: o avanço científico com consequente melhora da qualidade de vida. Autor: LEONARDO

Como comentei na nossa primeira aula, acredito que o estudo da história da medicina seja essencial para a construção do conhecimento e para a consolidação de certos conteúdos. Assim como foi dito pelos colegas, estudar o passado nos faz compreender o presente e projetar o futuro. Ao longo da formação médica, somos expostos a uma série de conhecimentos tangíveis e pragmáticos, de modo que esse tipo de conhecimento acaba sendo, inconscientemente, o que mais procuramos e valorizamos. Sendo assim, o estudo da história da medicina nos fará sair um pouco dessa lógica, agregando não só conhecimento teórico, mas possibilitando o estabelecimento de relações entre inúmeras áreas e a nossa construção como profissionais mais conscientes. Autora: ANNA LUISA

A priori, diria que o estudo da história da medicina seria algo desnecessário. Porém, pelas considerações realizadas na aula síncrona, assim como pela leitura dos textos disponibilizados pela professora, acredito que seja, sim, uma ferramenta interessante para a própria prática médica. Não diria que essencial, mas poderá contribuir. Nesse sentido, entendo que compreender a construção das práticas que, hoje, são realizadas pode, sim, ser uma ferramenta interessante. Além disso, entender como as pessoas lidaram com cuidado com a saúde, enfrentando os desafios de cada época, indubitavelmente poderá nos auxiliar na construção da saúde em nossa época. Entendendo o passado, podemos melhorar o presente. Autor: ARTHUR ANTÔNIO

A história da medicina é bastante significativa tanto como construção profissional, como construção social mesmo, acredito que conhecer de onde viemos, as escolhas que tomamos no decorrer da história da humanidade, nos dá a oportunidade de rever e interpretar o que estamos passando no presente e talvez até mudar uma realidade. É algo que sempre está inerente a nossa vida estudantil, conhecendo a história do mundo, a história do nosso país e agora a história da nossa profissão, nos tornando cada vez mais parte dessa história, como personagens que podem reescrever uma nova realidade. Autora: INGRIDY

A discussão de hoje foi muito relevante para mim, já que parte do que foi falado era o que eu sempre entendia de história e em outros momentos me fizeram pensar e refletir bastante sobre o assunto. Diante do que foi exposto na aula, posso entender história e a sua importância diante de todas as contribuições no momento síncrono, desde a história como forma de evitar erros futuros, história como uma grande ferramenta de humanização e assim por diante. Ao meu ver, a capacidade de entender a história reflete a capacidade de entender a si mesmo e aos outros que nos rodeiam, sendo um exemplo disso a migração do contexto histórico do modelo médico de lidar com o processo saúde-doença implementado ao longo do tempo na sociedade. Graças ao desenvolvimento da história da medicina e da bioética é que hoje podemos obter testes e manter a qualidade e a dignidade humana diante do desenvolvimento científico, desde pesquisas científicas que envolvam a interpessoalidade até o desenvolvimento de medicamentos e vacinas como o momento que estamos vivendo hoje na pandemia. Sendo assim, uma observação mais profunda sobre isso me ocorreu durante a reunião... Será que a forma de evolução história pode nos auxiliar a evoluir hoje? Será que hoje estamos retrocedendo ou avançado por pressões externas, como o que ocorreu na idade média? Acredito que devemos problematizar o passado para sermos capazes de problematizar o hoje e o nosso futuro, isto é, a história como forma de evitar erros no presente e futuro, bem como uma ferramenta importante para fornecer capacidade crítica para o que estamos vivendo no presente e voz ativa nas mudanças que envolvem o que é SER humano atualmente. Autor: ANDRE LUIZ

Primeiramente, gostaria de acrescentar a importância da discussão iniciada hoje pela amanhã, foi um debate realmente essencial e instigante, e a opinião de todos os que se submeteram à participação síncrona foi bastante válida e produtiva. O estudo da medicina, de modo geral, sempre foi bastante influenciado pelo modelo biomédico e marcado por aspectos utilitaristas que impactaram de alguma maneira sua concepção humanística primordial. Entretanto, não é coerente dispensar os contextos histórico-filosófico, social e político-econômico na constituição da medicina. Assim, vários erros já foram cometidos pela desconsideração do pilar humanístico, a exemplo das conhecidas atrocidades realizadas no contexto da Segunda Guerra Mundial, quando da realização de experimentações desumanas em prol do ?progresso? da medicina. Apesar das descobertas alcançadas nesse período, grandes foram as violações impostas a muitos seres humanos, e imensurável foi vilipêndio a direitos inalienáveis. E é justamente a perda dos valores humanísticos que provocam também a desvalorização dos indivíduos e da vida, componente essencial da prática médica e para o qual ela deveria estar voltada. Na atualidade, também, vários são os dilemas que envolvem a medicina: a engenharia genética, a reprodução assistida, o mapeamento genético e a clonagem, que são questões cujos impactos são multifacetados e que não são resolvidos através de respostas simples e corriqueiras. É necessário, então, o embasamento histórico e ético para alcançar o discernimento necessário e para evitar erros e danos irreparáveis.  Autora: IASMIM ALEXANDRE

Primeiramente, gostaria de dizer que achei muito interessante a discussão da aula síncrona de hoje e que concordo bastante com tudo o que foi falado acerca da História da Medicina e da Bioética. É importante sempre considerar a sua relevância para o entendimento do passado, que influencia na tomada de decisões do presente e na projeção do futuro, evitando a repetição de erros. Para colaborar com o tema, lembro que em um dos textos recomendados pela professora foi abordada a ascensão da ética enquanto norteadora de pesquisas e intervenções científicas, a qual foi exemplificada pelo olhar crítico diante de um teste realizado em idosos (por meio da introdução de células hepáticas cancerígenas, para estudos sobre a interferência no sistema imunitário). A partir de então, pude refletir um pouco mais sobre como a bioética é importante para a nossa profissão, pois podemos fazer uma comparação entre esse fato histórico e um tema bastante atual: testes em animais de laboratório. Assim, acredito que a disciplina será grande colaboradora para o debate de ideias e para a elucidação de opiniões, por nos permitir, como disse Anna, ter um “olhar mais filosófico” para questões tão recorrentes, mas necessárias na graduação. Autora: MARIA PAULA

A História da Medicina é importante, dentre outros inúmeros motivos, pela relevância da compreensão e da valorização dos esforços dos nossos antepassados para o atual patamar de desenvolvimento da Medicina. Outro ponto que considero pertinente na discussão refere-se à contribuição da História para a construção de um pensamento crítico-reflexivo e de uma visão ampla a respeito do processo saúde-doença. Como a área médica ainda é marcada pela predominância do biologismo e pela ênfase da técnica, os aspectos de caráter mais humanísticos, infelizmente, são muitas vezes desprezados e considerados pouco úteis ao exercício profissional. Um exemplo disso, como citado nos materiais de referência, consiste na baixa porcentagem de faculdades brasileiras que incluem a História da Medicina na grade curricular. Essa ?hierarquização? de disciplinas resulta na formação incompleta de profissionais, o que prejudica a promoção de um cuidado integral ao paciente. Inevitavelmente, o conhecimento dos aspectos biológicos é essencial para a prática médica. Contudo, faz-se necessário enaltecer também o valor da aplicação das ciências humanas na Medicina, já que o indivíduo possui vivências (pessoais, históricas, políticas, sociais, culturais...) que exercem influência em seu estado de saúde. Com relação à Bioética, observa-se que o seu estudo é indispensável para o fortalecimento do respeito à dignidade humana na ciência/tecnologia. Sua história demonstra os impactos negativos de concepções errôneas e evidencia a trajetória da busca pelas melhores alternativas para os dilemas éticos da coletividade. Por fim, penso que a Bioética e a Medicina compartilham de um mesmo objetivo: evitar ou aliviar o sofrimento humano.  Autora: CÂNDIDA

Acredito que entender  como se deu a história da Medicina é um conhecimento muito valoroso para assimilar e compreender como a prática médica acontece. Desse modo, possuir esse entendimento é fundamental para o exercício de uma Medicina crítica e comprometida com a transformação da realidade atual, porque adquirir esse saber é não cometer os mesmos erros do passado e ser consciente que, através da história, é possível contribuir com novas formas de se fazer Medicina. Portanto, é dar continuidade ao "legado" que essa ciência pode oferecer à humanidade. Autor: TIAGO CESAR

Como amante de História sou suspeita pra falar sobre a importância de estudá-la... Ao meu ver, tanto a história da Medicina como da Bioética são temas extremamente ricos e necessários de se discutir e analisar na nossa graduação - que, inclusive, carece dessa disciplina em várias instituições de ensino superior pelo Brasil. Como foi bastante comentado durante a aula, não há como um profissional exercer plenamente uma atividade sem conhecer o mínimo de sua história, sem saber de onde tal profissão veio e para onde está se encaminhando. Os conhecimentos médicos não surgiram ao acaso, vieram de um contexto e de necessidades específicas das populações de cada época e cabe a nós, futuros médicos e agentes da história, honrar e aprender com os que nos antecederam. Gostaria inclusive de ressaltar e de recomendar o texto maravilhoso que minha colega Dayanne disponibilizou no fórum! Acabei de ler e de refletir sobre quem consideramos os verdadeiros contribuidores da história médica, apenas os grandes profissionais que protagonizaram as maiores descobertas? Costumamos esquecer que por trás dessas personalidades houveram outras vidas que foram tão ou mais importantes para a evolução da Medicina e de suas técnicas que os médicos cujos nomes famosos lembramos... Autora: BEATRIZ IANNI

Concordo com o que foi dito anteriormente pelos demais colegas e para reforçar os comentários feitos durante a aula síncrona e no fórum de hoje, trago um trecho de um dos textos do blog da professora Rilva Muñoz indicado para leitura, o qual, para mim, ajudou a compreender melhor o motivo de estudar a história da medicina:  “A reconstituição do passado é fundamental para a formação humanística do médico, que precisa aprender a desmistificar conceitos errôneos do passado.” Tal pensamento nos faz refletir em como uma formação exclusivamente tecnicista pode, conforme debatido sobre a manipulação genética durante a aula, gerar profissionais incompletos, por exemplo, com debilidades éticas. Autora: MILENA 

O debate inicial da disciplina e os conteúdos indicados pelo Siga-A nos levam a seguinte questão norteadora: Por que estudar História da Medicina e da Bioética? Inicialmente, é necessário reconhecer a importância do estudo desse conteúdo na formação médica que, apesar de negligenciado nas universidades brasileiras, faz-se bastante presente no ensino médico em países europeus, como enfatizado no texto da professora Rilva. No entanto, mesmo com sua importância, a disciplina desperta o questionamento dos estudantes sobre a necessidade ? ou a ausência dessa ? de aprender tais conteúdos. De um modo geral, esse questionamento reflete um pensamento de valorização do biologicismo, ainda prevalente entre os médicos. No que tange à valorização do biologicismo, é válido resgatar as ideias presentes no Relatório Flexner, discutidas ainda no primeiro período, no qual os contextos sociais e psicológicos da medicina tinham pouco ou nenhum espaço, restando à formação profissional apenas o conhecimento técnico e biológico da medicina. Dessa forma, o ensino centrado na doença e não no indivíduo foi predominante no início século XX. Hoje, por outro lado, espera-se que as universidades ofereçam uma formação humanística centrada no indivíduo e não somente na doença. Nesse contexto, disciplinas focadas na história da medicina e da bioética representam bem essa busca por uma formação médica humanística. Com efeito, a compreensão da história da medicina tem os seus benefícios, como aprimorar o futuro médico culturalmente e despertar o potencial questionador do aluno. Segundo a máxima de Abel Salazar, ?médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe?. Tal pensamento reflete sobre a importância do conhecimento do profissional não ser limitado ao domínio da técnica, ideal que predominou no século passado e ainda se faz presente na mentalidade de muitos profissionais. 

Outrossim, a necessidade de compreender a história da medicina está intrínseca na importância de conhecer a história de um modo geral, visto que por meio desse conhecimento pode-se aprender sobre como a sociedade avançou, por seus acertos e erros, e como esse percurso reflete no atual exercício da medicina. No campo da Bioética, por sua vez, é interessante entender, por meio da história, que nem sempre a dignidade humana esteve em primeiro lugar para a realização de pesquisas. De fato, a Declaração de Helsinque, redigida em 1964 e posteriormente atualizada em diversas assembleias, nos evidencia de como essas discussões são recentes. Sendo assim, compreender sobre o exercício da medicina antes e depois dessas discussões serem levantadas desperta no estudante uma reflexão mais profunda sobre o profissional que almeja ser. Ademais, a história da bioética é essencial para compreender as questões da mesma, muitas vezes polêmicas, presentes na atualidade. A exemplo, podemos mencionar temáticas como a eutanásia e o aborto que levantam a reflexão se a dignidade humana é considerada em primeiro lugar e o quanto outros valores, sejam eles históricos, sociais ou religiosos, acabam se sobrepondo não só sobre a dignidade, mas também sobre a liberdade individual. Logo, discussões sobre a bioética e sua história, ainda na graduação, auxiliam na compreensão da configuração atual desse campo de estudo e diversas legislações pautadas nele, além de despertar o questionamento do que deve ser repensado para efetivamente primar pela dignidade humana. Destarte, a História da Medicina e da Bioética representa a própria carreira médica e os questionamentos presentes no cotidiano de seu exercício, sendo essa essencial na formação médica. Autora: DANYELLE

Como o pessoal já falou na sala é fundamental conhecer a história, pois é necessário conhecer a profissão que vamos exercer, é necessário compreender como se deu a evolução da ciência, a evolução da tecnologia. Saber história da medicina é ter a certeza que a ciência é algo mutável e que com o avanço das gerações a ciência avança, além disso, muito do que aprendemos e muito do que representamos têm como base a história, por isso é fundamental conhecer o passado para saber como lidar com o presente, saber o porque que as acontecem  e com certeza nos ensina a escrever uma nova história. Pra mim, esse íltimo que citei é um dos mais importantes, pois o que escrevemos hoje virará história amanhã e é nossa responsabilidade deixar para o futuro um bom legado, para isso olhar para o passado e refleti tudo o que aconteceu, o quanto evoluímos, o quanto de coisas que foram deixados para trás, tantas verdades inquestionáveis que cairam e tantas mentiras absurdas que foram comprovadas como verdades. Portanto, estudar história da medicina é aprender com os grandes do passado que mesmo sem tanto conhecimento, sem tanta tecnologia conseguiam fazer o possível pela saúde, o lindo  de estudar história é buscar pessoas em quem se inspirar e usar como referência, tudo que sabemos hoje foi descoberto por alguém e por mais simples que pareça ser quando foi descoberto foi algo inovador, saber história é carregar conhecimentos construídos ao longo dos séculos, de culturas diferentes, com jeitos diferentes, conceitos e teorias diferentes, saber história é compreender os fatos dentro de um contexto social e aplicar para nossa realidade, estudar história nos faz observar que aquilo que sabemos hoje lá no futuro será um conhecimento básico, ma que todos irão necessitar dele, não há nada mais atual que a história que mesmo retratando o passado nos permite compreender coisas que sem ela nao compreenderíamos e para finalizar, comhecer história é sempre ter a perspectiva de um futuro melhor, de um futuro mais interessante, mais respeitoso, mais científico e mais humano. Autor: LUIS EDUARDO

Particularmente acredito que investigar o que os homens fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais na medicina deve ser feito para uma melhor compreensão do que é a medicina hoje. Não apenas no quesito de evolução de técnicas e equipamentos de saúde, mas também de modelos de saúde doença, diagnósticos e relação médico-paciente. O livro "Todo paciente tem uma história pra contar" apesar de não ser focada na história da medicina oferece breves comentários sobre como processo de diagnóstico, tratamento e relação médico paciente foram afetadas com o surgimento de novas tecnologias e principalmente como hoje reproduzimos praticas médicas sem entender para que e porque elas foram moldadas. Então para entender o que a medicina é e o que poderá se tornar é preciso entender como ela surgiu e quais foram os desafios encontrados. Autora: MARIA ISABEL

No início da quarentena li um livro chamado “Medicina dos Horrores” que aborda a história da cirurgia. Em alguns momentos durante a leitura, pensei no quanto somos sortudos por vivermos em uma era onde há antibióticos e anestésicos. É muito interessante acompanhar os processos envolvidos até as descobertas científicas e, logo depois, a onda de críticas que os pesquisadores recebiam da comunidade mais conservadora. Então, acredito que o estudo da história da medicina seja importante para que valorizemos as conquistas obtidas e também nos motivemos a buscar conhecimento para aprender novas técnicas e aperfeiçoar outras e, dessa forma, fazer a diferença na vida das futuras gerações por mínima que seja. Autor: ALMIR

Acredito que a importância de conhecer a história da medicina estar em conhecer os processos e entender como as coisas ocorrem e por que ocorrem da maneira como ocorrem. Assim como qualquer avanço a história é um registro de como a vida, as pessoas, as coisas acontecem e a reflexão crítica desses aspectos nos proporciona construir um futuro melhor. Mesmo sabendo que isso não acontece em todos os aspectos, que os retrocessos existem, entendo com o conhecimento da história limitado tenho que é algo que  continua em evolução beneficiando milhares de pessoas e gerando várias perguntas para, ademais, beneficiar o conhecimento científico. Autora: EVELLYN

Concordo bastante com os colegas quanto à importância da História da Medicina: precisamos entender como chegamos até aqui e nos situarmos no presente, a partir do que foi construído no passado. Não devemos pensar na Medicina de forma dogmática, como ?é assim porque é?, mas sim entendê-la como uma construção ao longo do tempo e reflexo da evolução do pensamento humano. Dessa forma, podemos respeitar a história da nossa profissão e percebermo-nos também como agentes históricos ? acho isso muito importante, porque permite nos apropriarmos do que fazemos parte e atribuirmos mais valor e responsabilidade ao nosso ofício, já que nós também construímos história. Como foi dito, não temos apenas uma herança técnica da prática médica (o que é de grande valia), mas também podemos estudar como os profissionais de saúde pensaram e se comportaram conforme o seu recorte socioeconômico, político e cultural. Isso nos possibilita fazer analogias com o presente e entendê-lo de forma mais crítica e reflexiva. Esses foram alguns pontos que me chamaram atenção no debate de hoje, e tentando acrescentar, queria consolidar algo que refleti nas leituras indicadas pela professora. Até aqui, falamos bastante sobre como podemos aprender analisando o caminhar médico ao longo da história, ou seja, estudando as formas de praticar a Medicina. Contudo, também conseguimos aprender estudando como a sociedade recebeu a Medicina, ou seja, como ela pensou e reagiu a seu respeito conforme o contexto vigente. Isso é muito importante, pois, como foi dito, trabalhamos com pessoas e precisamos entendê-las para prestar a melhor assistência possível. Estava pensando nisso quando li sobre a Revolta da Vacina em um dos textos. Podemos fazer alguns questionamentos, entendendo o seu contexto histórico, como: O que fez as pessoas pensarem e reagirem daquela forma? O que deveria ter sido feito diferente? Será que algumas daquelas perspectivas podem se repetir ou já se repetem na atualidade? Assim, acredito que a história nos disponibiliza conhecimentos valiosos sobre o ser humano, seja agente, seja usuário da saúde, e, a partir disso, podemos amadurecer nossos pensar e agir médicos. Autora: KAMILLA

Durante a discussão sobre o olhar que lançamos sobre a História da Medicina e da Bioética, lembrei de uma matéria que li mês passado e fui buscar o texto (link abaixo). Ela fala sobre uma campanha criada no Reino Unido para honrar as mulheres negras que foram usadas como cobaias em experimentos que desenvolveram boa parte dos métodos e instrumentos que utilizamos hoje na ginecologia, inclusive o espéculo. O texto também conta parte dessa história, a história das mulheres e do médico que realizou os testes, que é conhecido como o pai da ginecologia. A partir disso, pensei que um motivo para se estudar a História da Medicina e da Bioética é justamente refletir sobre alguns procedimentos que utilizamos hoje e que foram desenvolvidos em contextos com valores morais e éticos diferentes do que temos hoje, muitas vezes através de pesquisas que degradam a dignidade humana e que hoje enxergamos como violentas. Nesse caso, o avanço da ginecologia se deu em um sistema escravista, portanto, sem o consentimento das mulheres negras envolvidas. Achei interessante essa campanha por trazer esses nomes desconhecidos para a discussão e reconhecer o papel desses seres humanos na história da ginecologia e obstetrícia. Autora: DAYANNE

Página indicada por Dayanne: https://www.huffpostbrasil.com/entry/mulheres-negras-ginecologia_br_5f35a6e8c5b6959911e1a33f