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17 de novembro de 2024

QUAL É A DIFERENÇA SEMIOLÓGICA ENTRE SINTOMAS, SINAIS E ACHADOS FÍSICOS?

#pacientes #sintomas #sinais #achadosfísicos #entrevistaclínica  #consultamedica #raciocinioclinico #semiologiamedica #ccmufpb #medicina #diagnostico #nomenclatura #terminologíamédica  

Neste vídeo, exploro um tema essencial para quem está iniciando-se no estudo do exame clínico: a distinção entre sinais, sintomas e achados físicos. Entender essa diferença não é apenas uma questão técnica, mas um passo crucial para construir uma anamnese e um exame físico preciso, que são a base do diagnóstico médico.
Você sabe por que os sinais são considerados objetivos, enquanto os sintomas são subjetivos? E como essa distinção orienta a abordagem ao paciente? 
Opine. Comente.

13 de novembro de 2024

O PRONTUÁRIO ELETRÔNICO E SEU IMPACTO NO CUIDADO EM SAÚDE

 #prontuarioeletronico #semiologia #cuidadoemsaude
#prontuarioeletronico #semiologia #cuidadoemsaude #medicina #ufpb #relaçãomedicopaciente #sistemadesaude 

Será que o prontuário eletrônico realmente transforma o cuidado em saúde? Deixe sua opinião!...

6 de novembro de 2024

II ENCONTRO TELEPRESENCIAL/TURMA 5/PROFSAUDE/UFPB: Habilidades Comunicat...

#comunicação #preceptoria #medicinaufpb #narrativas #habilidadescomunicativas #mestradoprofissional #ccmufpb 
Este vídeo é o registro do II Encontro Telepresencial da turma 5 do #profsaude polo #ufpb, Centro de Ciências Médicas.
Agradeço a cada um(a) dos(as) mestrandos(as) do ProfSaude/UFPB por compartilharem suas experiências e reflexões sobre a comunicação no ambiente de trabalho na atenção primária à saúde e no seu papel de preceptores de futuros profissionais. Eles (nós) refletiram (refletimos) sobre como a comunicação vai além das palavras, constituindo  uma ferramenta de cuidado, de ensino e de construção de relacionamentos baseados em confiança e compreensão mútua.

Os mestrandos da turma 5 que aparecem neste vídeo consentiram com a publicação do registro audiovisual do nosso encontro.

18 de outubro de 2024

#RPD10: FEEDBACK DISCENTE SOBRE A DISCIPLINA DE DIVERSIDADE EM MED/UFPB

#reflexãodocente #didática #medicinaUFPB #ufpb #feedback 

Neste vídeo #RPD número 10, apresento o feedback de 11 estudantes que cursaram a disciplina Diversidade Étnica e Cultural na Medicina (Med-UFPB) em 2024. As respostas sugerem um nível alto de satisfação com a disciplina, com várias declarações de que o curso está bem estruturado e eficaz. No entanto, algumas sugestões de melhorias envolvem a introdução de novos recursos (como vídeos e palestrantes externos), a reorganização dos temas e a flexibilização de reposições de aula, que poderiam trazer um dinamismo adicional e responder às necessidades de diferentes perfis de estudantes. A disciplina parece estar em uma posição muito favorável, com pequenos ajustes sugeridos para aprimorar ainda mais a experiência no próximo semestre. 

10 de setembro de 2024

CAPACITISMO NA ATENÇÃO À SAÚDE

 
Durante a apresentação e  discussão do projeto baseado em equipes sobre capacitismo na disciplina de Diversidade Étnica e Cultural na Medicina, os alunos José Natanael, João Vitor, Caio, Carlos e João Vítor Estrela abordaram o tema de forma abrangente. Eles apresentaram a conceituação do capacitismo, e este como problema de saúde pública, além da questão da deficiência oculta. O grupo apresentou também os diferentes modelos de deficiência e os vários tipos de capacitismo: sistêmico, institucional, interpessoal e internalizado. Além disso, os integrantes do grupo trouxeram dados do canal de denúncias Disque 100, destacando as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência, e mencionaram a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF).
Os alunos também destacaram exemplos de atletas das Paralimpíadas em Paris, com ênfase no sucesso dos atletas brasileiros, que até o momento conquistaram 89 medalhas, incluindo cinco de ouro. Mencionaram especificamente o paraibano Petrúcio, atleta paralímpico que treinava na Universidade Federal da Paraíba. 
Para engajar os colegas, eles conduziram um quiz sobre capacitismo e atenção à saúde. Após o quiz, iniciei a discussão e abri espaço para os alunos participarem do debate. Comentei positivamente sobre a inclusão do conceito de diversidade funcional, destacando a visão mais ampla e inclusiva do grupo em relação às questões de deficiência, o que reflete um entendimento mais profundo das múltiplas dimensões da diversidade humana. Por fim, sugeri que, na apresentação dos trabalhos futuros, além das dinâmicas de grupo e debates, os próximos projetos fossem incluídos estudos de caso para enriquecer ainda mais a discussão e contextualizar o problema na prática.
A discussão começou com Ruth abordando o capacitismo estrutural e as barreiras de acessibilidade presentes em diversos contextos, como trabalho, estudo e, especialmente, em instituições de educação e saúde. Felizardo trouxe à tona exemplos de capacitismo observados na própria universidade. Ronielle comentou sobre a rotulação de pessoas ou instituições consideradas capacitistas, mas destacou que, em algumas escolas, alunos com deficiência intelectual acabam sendo nivelados por baixo, pois não conseguem acompanhar o ritmo de ensino. Ele também mencionou que a inclusão de crianças com autismo nas salas de aula, mesmo quando não têm deficiência intelectual, é limitada a um tutor, o que pode ser visto como segregação. Emmanuel acrescentou que a lei exige que crianças com autismo ou deficiência intelectual tenham acompanhantes, mencionando um caso em que sua mãe, professora municipal, precisou exigir a aplicação dessa norma em sua escola.
Felipe destacou a necessidade de tratar as diferenças de forma equitativa, com mais recursos econômicos e profissionais capacitados para atender as crianças com deficiência no sistema escolar. Karolina elogiou o grupo e apontou que a frase "nivelar por baixo" é capacitista, além de comentar que as Paralimpíadas têm menos visibilidade que as Olimpíadas, o que também reflete um tipo de capacitismo. Letícia Araújo reforçou essa observação, destacando a diferença de repercussão entre os dois eventos.
Sadrak complementou mencionando que a expectativa de limitação quando se trata de considerar pessoas com deficiência é comum, porém todos temos deficiências, ainda que nem todas sejam visíveis. Ele citou a falta de design universal como uma barreira generalizada, mencionando como frutas pré-cortadas nos supermercados são um exemplo de acessibilidade, mas com um custo elevado, é inacessível para a maioria das pessoas com deficiência. Ele também comentou sobre a inadequação de slides e materiais para pessoas com deficiência visual, incluindo daltônicos.
Samuel parabenizou o grupo e relembrou um atleta paralímpico chinês sem membros superiores, destacando a inclusão na música com exemplos como o baterista Rick Allen da banda Def Leppard, que continuou na banda após um acidente que resultou em deficiência motora. Ele também mencionou o guitarrista Tony Iommi da banda Black Sabbath, reforçando a importância da inclusão de pessoas com deficiência na música. Ambos sofreram acidentes graves que resultaram em perda de membros, mas superaram esses desafios para continuar suas carreiras musicais. Rick Allen perdeu o braço esquerdo em um acidente de carro em 1984. Ele desenvolveu uma técnica para tocar bateria usando um kit modificado, que lhe permitiu continuar como o baterista da banda. Tony Iommi perdeu a ponta de dois dedos da mão direita em um acidente de trabalho aos 17 anos, pouco antes de se juntar ao Black Sabbath. Ele usou dedais de borracha e afinou sua guitarra de forma mais leve para facilitar o toque. Assim, ambos são exemplos de superação e adaptação, continuando a tocar seus instrumentos de forma inovadora mesmo após enfrentarem limitações físicas.
A discussão também abordou preconceitos linguísticos, incluindo termos usados em esportes paralímpicos, como a "bocha", que seria pronunciada de forma diferente conforme a região do Brasil. Nesse ponto da discussão, surgiu a ideia de outro tipo de discriminação, a que envolve regionalismos e pronúncias diversas, mas surgiu o insight sobre a necessidade de evitar esse tipo de discriminação e qualquer outro, mesmo em brincadeiras. 
Francisco, ao complementar Sadrak, trouxe sua experiência como ex-estudante de Arquitetura, destacando a falta de acessibilidade nas calçadas e no campus da universidade, lembrando que o planejamento urbano muitas vezes ignora as necessidades de pessoas com deficiência. Ele retomou o ponto sobre o custo elevado de frutas pré-cortadas, ressaltando a inacessibilidade econômica para pessoas com deficiência que precisam desses produtos.
Ana Luisa compartilhou sua vivência ao visitar o Instituto dos Cegos de João Pessoa, apontando que mesmo em instituições especializadas há barreiras significativas. Francisco voltou a falar sobre a priorização de espaços para carros em detrimento de pessoas em áreas comerciais, observando que o lucro é mais valorizado que a acessibilidade. Emmanuel trouxe de volta o tema das Paralimpíadas e destacou o subfinanciamento de esportes para pessoas com deficiência, em contraste com o patrocínio elevado de esportes como o futebol para cegos.
Flávia encerrou a discussão mencionando as barreiras estruturais nas escolas, apontando que a deficiência é diversa e que o sistema educacional brasileiro ainda não implementou completamente as obrigações legais para inclusão. Ela compartilhou a experiência de um colega com deficiência em sua escola, reforçando que a inclusão ainda é exceção. Letícia Fonseca citou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que prevê a autonomia do pedagogo e o auxílio de sala para crianças com deficiência, ressaltando a falta de abordagem desse tema nos cursos de pedagogia. Guilherme finalizou comentando que a infraestrutura das instituições reproduz o capacitismo por meio das barreiras presentes tanto no sistema de saúde quanto no de educação.
Houve entrega de 20 participações por escrito dos outros componentes da turma.
O seminário decorrente do projeto baseado em equipes sobre capacitismo na atenção à saúde proporcionou uma oportunidade valiosa para refletirmos sobre as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência no acesso aos serviços de saúde. Ao longo da discussão, ficou evidente que o capacitismo não é apenas uma questão de acessibilidade física, mas também de atitudes e práticas que perpetuam a exclusão e a discriminação.
Compreendemos que o capacitismo se manifesta de diversas formas, desde a falta de infraestrutura adequada até a desvalorização das capacidades das pessoas com deficiência. Esse preconceito estrutural afeta negativamente a saúde e o bem-estar dessas pessoas. Relatos de experiências pessoais destacaram a importância de ouvir e valorizar as vozes das pessoas com deficiência. Os desafios enfrentados por elas, como a falta de acessibilidade e o preconceito, foram discutidos em profundidade.
O combate ao capacitismo na atenção à saúde exige um esforço coletivo e contínuo. É fundamental que todos os envolvidos, desde gestores até profissionais de saúde e a sociedade em geral, se comprometam a promover a igualdade e a dignidade das pessoas com deficiência. Somente assim poderemos construir um sistema de saúde verdadeiramente inclusivo e acessível para todos.

9 de setembro de 2024

REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM NA SAÚDE EM RODA DE CONVERSA DO PROFSAUDE


A roda de conversa com os mestrandos do ProfSaúde, realizada no primeiro encontro presencial da disciplina Educação na Saúde com a turma 5, proporcionou um momento de reflexão sobre o processo de aprendizagem, alinhado ao objetivo de conhecer as metodologias do programa. Nesse encontro, os mestrandos compartilharam narrativas sobre suas experiências de formação, destacando aspectos que facilitaram ou dificultaram o aprendizado, seguidas por uma exposição dialogada sobre tendências pedagógicas.

Inicialmente, algumas narrativas revelaram percepções sobre professores mais inovadores, embora nem sempre o conteúdo estivesse relacionado diretamente ao aprendizado, com relatos de docentes que misturavam questões pessoais e referências midiáticas. Uma das narrativas chamou atenção para o conceito de "disciplina tamborete", referindo-se a experiências insatisfatórias com a estrutura pedagógica. Na gíria dos alunos, a expressão "disciplina tamborete" se refere a uma matéria ou disciplina que tem poucos créditos, sendo considerada "menor" em termos de carga horária ou importância no currículo acadêmico. Geralmente, esse termo é usado de maneira descontraída ou pejorativa para disciplinas que, embora obrigatórias, são vistas como menos relevantes ou que exigem menos esforço dos estudantes em comparação com outras matérias mais extensas ou complexas. A ideia do "tamborete" remete a algo pequeno e simplório, assim como essas disciplinas são vistas pelos alunos no contexto universitário.

Outra narrativa abordou a frustração com a formação tradicional, em contraste com a capilaridade maior de oportunidades educacionais em cidades como João Pessoa, em comparação a localidades menores como Cajazeiras. Nessa reflexão, foram trazidos exemplos de integração ensino-serviço e o impacto de professores inspiradores na formação dos mestrandos, principalmente ao promoverem dinâmicas problematizadoras e o reconhecimento dos determinantes sociais da saúde.

As narrativas também destacaram a experiência em programas de residência multiprofissional, como um divisor de águas na formação, especialmente ao promover um cuidado compartilhado entre profissionais de diferentes áreas da saúde. A comparação entre o ensino privado e o público foi trazida à tona, com uma mestranda observando a prevalência de um ensino mais tecnicista nas instituições privadas, enquanto as universidades públicas, como a UFPB, estavam aos poucos incorporando mudanças, apesar da resistência de docentes tradicionais.

Outro ponto central nas discussões foi o papel do médico como coordenador do cuidado nas equipes de saúde, gerando debate sobre a hierarquia nas redes de atenção à saúde. Alguns mestrandos defenderam que o médico não precisa ser necessariamente o coordenador, enquanto outros reforçaram a importância de uma coordenação longitudinal do cuidado, especialmente em contextos de atendimento de urgência e internação hospitalar.


Sistematização da Roda de Conversa

As narrativas compartilhadas pelos mestrandos evidenciam uma pluralidade de experiências que refletem tanto a diversidade das trajetórias educacionais quanto a complexidade das interações entre diferentes atores no processo de ensino-aprendizagem. Há uma tensão evidente entre métodos pedagógicos tradicionais e inovações propostas por docentes mais progressistas, o que muitas vezes provoca resistências ou mal-entendidos por parte dos profissionais envolvidos.

Os relatos sugerem que a transição para metodologias mais ativas e integradas ainda enfrenta barreiras, especialmente em instituições e equipes onde o ensino bancário e centrado no professor continua predominante. Contudo, observam-se sinais de mudança, particularmente quando há maior envolvimento dos alunos no processo de problematização e na construção de soluções práticas para os desafios do sistema de saúde.

A roda de conversa também destacou a importância da integração entre ensino e serviço, com ênfase nas práticas de cuidado compartilhado e nas experiências que promovem uma visão mais ampla e humanizada da assistência à saúde. A partir dessas experiências, fica evidente o potencial transformador das residências multiprofissionais, que promovem um aprendizado mais colaborativo e centrado nas necessidades do paciente.

Por fim, a discussão sobre o papel do médico na coordenação do cuidado reflete um desafio contemporâneo nas práticas de saúde: a necessidade de equilibrar as hierarquias profissionais com uma abordagem mais horizontal e integrada, onde todos os membros da equipe contribuem de maneira significativa para o cuidado dos pacientes. As narrativas revelam que, embora ainda haja resistência à mudança, o movimento em direção a práticas mais colaborativas está ganhando força, impulsionado pela demanda por uma atenção à saúde mais inclusiva e equitativa.

Assim, as narrativas dos mestrandos do PROFSAUDE revelam um cenário rico e complexo de aprendizagem, onde diferentes teorias podem ser aplicadas para entender melhor os processos e desafios envolvidos. A transição para metodologias mais ativas e integradas, a importância da integração entre ensino e serviço, e a promoção de práticas colaborativas são elementos que destacam o potencial transformador dessas experiências educacionais.

A construção de narrativas como metodologia de aprendizagem é uma abordagem versátil e eficaz que pode transformar a maneira como os alunos interagem com o conteúdo, tornando a educação uma experiência mais rica e envolvente.

As narrativas de vivências de aprendizagem dos mestrandos do PROFSAUDE na disciplina de Educação na Saúde podem ser analisadas e interpretadas à luz de várias teorias de aprendizagem, como as seguintes: 

1. Teoria Sociocultural de Vygotsky

A teoria sociocultural de Vygotsky enfatiza a importância das interações sociais e culturais no desenvolvimento cognitivo. No texto, a diversidade das trajetórias educacionais e a complexidade das interações entre diferentes atores no processo de ensino-aprendizagem refletem essa perspectiva. A tensão entre métodos pedagógicos tradicionais e inovações propostas por docentes mais progressistas pode ser vista como um conflito entre diferentes zonas de desenvolvimento proximal, onde os alunos e professores estão em diferentes estágios de compreensão e adaptação às novas metodologias1.

2. Aprendizagem Experiencial de Kolb

A teoria da aprendizagem experiencial de Kolb sugere que a aprendizagem é um processo cíclico que envolve a experiência concreta, a observação reflexiva, a conceitualização abstrata e a experimentação ativa. As narrativas dos mestrandos, que destacam a transição para metodologias mais ativas e integradas, exemplificam esse ciclo. A maior participação dos alunos na problematização e na construção de soluções práticas para os desafios do sistema de saúde é um exemplo claro de aprendizagem experiencial.

3. Teoria da Aprendizagem Transformadora de Mezirow

A teoria da aprendizagem transformadora de Mezirow foca na mudança de perspectivas através da reflexão crítica. As experiências compartilhadas pelos mestrandos, especialmente aquelas que promovem uma visão mais ampla e humanizada da assistência à saúde, podem ser vistas como catalisadores para a transformação pessoal e profissional. A integração entre ensino e serviço e as práticas de cuidado compartilhado são elementos que facilitam essa transformação, permitindo que os alunos reavaliem e modifiquem suas crenças e atitudes.

4. Teoria da Aprendizagem Colaborativa

A aprendizagem colaborativa enfatiza o papel do trabalho em grupo e da construção conjunta do conhecimento. As residências multiprofissionais mencionadas no texto promovem um aprendizado mais colaborativo e centrado nas necessidades do paciente, alinhando-se com essa teoria. A discussão sobre o papel do médico na coordenação do cuidado e a necessidade de uma abordagem mais horizontal e integrada refletem os princípios da aprendizagem colaborativa, onde todos os membros da equipe contribuem de maneira significativa para o cuidado dos pacientes.

As narrativas dos mestrandos revelam um panorama rico e multifacetado das experiências de aprendizagem na área da saúde. A diversidade das trajetórias educacionais e a complexidade das interações entre diferentes atores no processo de ensino-aprendizagem refletem a necessidade de abordagens pedagógicas que considerem essas variáveis. Sistematizando em categorias temáticas a roda de conversa e as narrativas dos mestrandos, pode-se levantar as seguintes:

(1)Tensão entre Métodos Tradicionais e Inovadores: A coexistência de métodos pedagógicos tradicionais e inovações propostas por docentes progressistas evidencia a necessidade de um equilíbrio. A resistência e os mal-entendidos são desafios que precisam ser abordados com sensibilidade e abertura ao diálogo.

(2) Transição para Metodologias Ativas: A transição para metodologias mais ativas e integradas enfrenta barreiras, mas também apresenta sinais de mudança positiva. O envolvimento dos alunos na problematização e na construção de soluções práticas é um passo crucial para a transformação do ensino na saúde.

(3) Integração entre Ensino e Serviço: A integração entre ensino e serviço é fundamental para promover uma visão mais ampla e humanizada da assistência à saúde. As práticas de cuidado compartilhado e as experiências colaborativas são essenciais para a formação de profissionais mais preparados e conscientes das necessidades dos pacientes.

(4) Aprendizagem Colaborativa: As residências multiprofissionais destacam o potencial transformador da aprendizagem colaborativa. A discussão sobre o papel do médico na coordenação do cuidado reflete a necessidade de uma abordagem mais horizontal e integrada, onde todos os membros da equipe contribuem de maneira significativa.

(5) Movimento em Direção a Práticas Colaborativas: Apesar das resistências, há um movimento crescente em direção a práticas mais colaborativas e inclusivas. A demanda por uma atenção à saúde mais equitativa e centrada no paciente impulsiona essa mudança, que é essencial para a evolução das práticas de saúde.


Considerações Finais

As narrativas dos mestrandos do PROFSAUDE oferecem insights valiosos sobre os desafios e as oportunidades no campo da educação em saúde. A reflexão crítica sobre essas experiências pode guiar futuras iniciativas pedagógicas, promovendo um ambiente de aprendizagem mais dinâmico, inclusivo e eficaz. A transformação do ensino na saúde depende do compromisso contínuo com a inovação, a colaboração e a humanização das práticas de cuidado.

6 de julho de 2024

#RPD6 - VIVÊNCIAS ANDRAGÓGICAS PELA APRENDIZAGEM BASEADA EM SIMULAÇÃO

Neste vídeo 6 de reflexão da prática docente, exploro os aspectos promissores das vivências andragógicas mediadas pela aprendizagem baseada em simulação e pela aprendizagem experiencial na disciplina de Métodos Quantitativos do MPGOA, que tem proporcionado uma experiência rica e transformadora, preparando os mestrandos para enfrentar desafios reais na sua qualificação de projeto.

Assista e compartilhe suas próprias experiências e reflexões nos comentários!

13 de setembro de 2023

DEFESA PÚBLICA DE MEMORIAL PARA PROFESSORA TITULAR DE RILVA LOPES DE SOU...

#ufpb #memorialacademico #professortitular #ccmufpb #carreira #vida #medicina #defesapublica

É com gratidão e especial contentamento que apresento este memorial acadêmico, documentando minha trajetória como professora na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ao longo dos últimos 29 anos de magistério. Para além da mera repetição dos dados quantitativos elencados na Tabela de Pontuação para Progressão Docente, conforme a Resolução correspondente, tento destacar as coerências (e incoerências) entre as atividades desenvolvidas e meu próprio percurso formativo e formador. 

Contudo, não é simples ou fácil avaliar a mim mesma, o que representa um exercício de autorreflexão que, por sua vez, também é uma oportunidade de aprendizado. A realização de uma autoavaliação qualitativa, das experiências, revela insights sobre o nosso próprio trabalho e que não estão disponíveis em avaliações quantitativas, orientadas por imperativos institucionais, porque a abordagem qualitativa é capaz de identificar aspectos experienciais, fornecendo uma visão mais compreensiva e interpretativa do vivido. Isso exige um reviver, quase como uma “catarse”, mas também pressupõe o emprego da razão sobre os próprios objetivos e intencionalidades na qualidade da pessoa como um agente, ou seja, um ser atuante. 

Assim, a questão que norteou este memorial foi a seguinte: Como minhas experiências de vida (pessoal e profissional) contribuíram, ou não, para a minha identidade como professora universitária nos últimos 28 anos? Duas subquestões foram estas: Que tipos de experiências de vida emergem neste processo de rememoração? Que contribuições à UFPB posso perceber na exploração de como construí o que chamo de “minha vida docente”? 

Expresso inicialmente minha gratidão pelo acolhimento do convite feito pelo Prof. Eduardo Sérgio Soares Sousa, presidente da comissão, por parte dos professores externos que a compõem, e que vieram nos honrar com sua avaliação e arguição, como resposta ao meu pedido de promoção à Classe de Titular da Carreira de Magistério Superior na UFPB. 

O itinerário de vida de cada um de nós é uma jornada única, composta por uma série de experiências que forjam quem nos tornamos ao longo do tempo, e vamos guardando essas memórias valiosas. 

Nessa exposição memorialista, compartilho não apenas os números que constituem o currículo, mas também a história por trás desses números, as jornadas de aprendizado que vivenciei, as interações transformadoras com meus alunos, colegas e servidores do CCM, e com todas as pessoas que fizeram parte desse itinerário de vida, e que contribuíram com o meu fazer docente, direta ou indiretamente. 

Deixo aqui a minha gratidão!...


3 de agosto de 2023

CLÍNICA AMPLIADA E TRABALHO INTERDISCIPLINAR NA SAÚDE

       #clinicaampliada #interdisciplinaridade #saude #trabalhoemsaude #ufpb

Este vídeo busca despertar o interesse dos estudantes da área da Saúde e fazê-los refletir sobre os princípios fundamentais da Clínica Ampliada, enfatizando o foco no paciente como pessoa integral e a importância da abordagem interdisciplinar.

25 de julho de 2023

BANCA DE QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO DE EVELINE BARROS - PROFSAUDE/UFPB

#qualificaçãomestrado #projetodepesquisa #mestradoprofissional #profsaude #educaçãoemsaúde

Olá, comunidade acadêmica! É com entusiasmo que compartilho com vocês o vídeo da Banca de Qualificação de Projeto de Mestrado da médica geriatra Eveline Emília Barros Dantas. Nossa banca de qualificação é um momento significativo em que os mestrandos apresentam seus projetos de pesquisa em andamento, revelando as bases teóricas, metodologias e resultados preliminares de suas pesquisas. A avaliação criteriosa dos membros da banca contribui para fortalecer o projeto, garantindo que a qualidade acadêmica seja alcançada. É fundamental lembrarmos que uma qualificação de mestrado representa um momento enriquecedor para os mestrandos e para aprimoramento de seu projeto, e uma oportunidade importante para correções de rumos. Neste vídeo, você acompanhará trechos das apresentações dos nossos alunos de mestrado, bem como os valiosos comentários e feedbacks dos professores membros da banca.

A participação nessa telerreunião implicou na concordância implícita com a gravação; com as devidas precauções, a gravação nos auxiliará a manter um registro preciso das reflexões e decisões tomadas hoje para melhor ajuste do projeto e para a manutenção da transparência no nosso trabalho no PROFSAUDE.

4 de junho de 2023

DIVERSIDADE RELIGIOSA E SAÚDE


Como atividade teórico-prática do componente curricular “Diversidade Étnica e Cultural na Medicina”, Ana Maria Toscano Carneiro Vieira Leal, Barbara de Souza Alves, Emanuella Francisca de Lacerda Vieira, Lilian Andreia da Rosa, Maria Heloiza de Souza Fernandes, Samira Carla Vieira de Oliveira e Samona Mangueira Dantas, estudantes do curso de graduação em Medicina da UFPB, Campus I, produziram este vídeo didático-pedagógico em que  problematizaram uma situação abordando uma demanda de uma paciente que professa a religião Testemunhas de Jeová, e que encontra barreiras ao seu atendimento no serviço de saúde. Elas aplicaram a técnica da ação-reflexão-ação, sob a lógica da problematização, de conforme o Arco de Maguerez (situação-problema, pontos-chaves, teorização, soluções e aplicação).

A diversidade de religiões em todo o mundo cria desafios para os profissionais e sistemas de saúde fornecerem cuidados médicos culturalmente competentes. Sendo o Brasil um país predominantemente religioso, espera-se encontrar cenários que reproduzam a realidade do seu ambiente cultural, com reflexões e aberturas à diversidade e competência cultural na atenção à saúde.

O pluralismo, especificamente o pluralismo religioso, é uma posição assumida ou uma política implementada pelo governo, que deve ser respeitado no Brasil, em face da Constituição Federal, que envolve a defesa da diversidade de crenças religiosas. Isso é realizado no princípio de que tais crenças podem coexistir harmoniosa e positivamente em uma sociedade por meio da aceitação das diferenças de crenças e através da ampla educação e compreensão religiosa. A manifestação exata do pluralismo é que uma pessoa com uma identidade cultural e religiosa da maioria de um país é capaz de expressar  e praticar suas crenças sem discriminação no sistema de saúde, e idealmente, sem ostracismo social ou preconceito.

Dessa maneira, um médico, diante da situação-problema elaborada, pode equilibrar seu dever para com sua paciente, sua instituição e os valores éticos que regem sua profissão.

6 de maio de 2023

SELEÇÃO DE ESTUDANTES PARA PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA 2023-2024

 

A Coordenadora dos projetos de pesquisa "Interação entre Estresse Percebido e Envolvimento no Autocuidado de Estudantes de Medicina em uma Universidade Federal” e comunica que estarão abertas inscrições para participar da seleção de discentes de graduação em Medicina da UFPB (períodos do P3 ao P10) para iniciação científica (PIBIC e PIVIC/UFPB) no referido projeto. Cotas de bolsas para o projeto só serão definidas no dia 02/08/23 (previsão). O (s) candidato (s) com pontuação mais elevada em prova objetiva sobre métodos científicos quantitativos e qualitativos poderão receber bolsa PIBIC.

Estudantes interessados devem seguir os passos:

1) Ler o projeto de pesquisa "Interação entre Estresse Percebido e Envolvimento no Autocuidado de Estudantes de Medicina em uma Universidade Federal”  a ser disponibilizado em 12/06/2023.

2) Ler o Edital 01/2023 PROPESQ/CGPAIC/UFPB, em particular o item 4, disponível em: http://www.propesq.ufpb.br/propesq/acl_users/credentials_cookie_auth/require_login?came_from=http%3A//www.propesq.ufpb.br/propesq/propesq/contents/editais-e-chamadas/edital-01-2023-propesq-cgpaic

3) Realizar sua inscrição entre o dia 10/07/23 a 30//07/2023, exclusivamente por meio deste Formulário

4) Data e horário da aplicação da prova serão divulgados no dia 30/07/23

5) O resultado da prova será divulgado no dia da prova às 20h00 pelo Instagram @rilvamunoz e neste site Semioblog <http://www.semioblog.website/>


16/06/23 - Atualização: Considerando que houve prorrogação do prazo para as submissões ao Programa de Iniciação Científica, como nova data de submissões estabelecida no dia 26/06/23, a publicação do projeto do nosso grupo de pesquisa foi adiada para o dia 19/06/23.


28/06/23 - Atualização: Comunico que não houve tempo para finalizar o projeto de pesquisa para submissão ao EDITAL 01/2023 - PROPESQ/CGPAIC/UFPB neste ano. Pela perda de prazo, infelizmente o projeto não será inscrito nesse Edital.

23 de abril de 2023

DISCRIMINAÇÃO NA ATENÇÃO À SAÚDE INDÍGENA: ESTUDO DE CASO

Esta atividade de problematização da disciplina de Diversidade Étnica e Cultural na Medicina (CCM/UFPB) mostrou situações de pacientes e famílias indígenas ao acessar um serviço de saúde. A discriminação contra os povos indígenas tem sido identificada como um dos principais desafios nestas situações, e foi discutida nesse estudo de caso pelos meus alunos Victor de Freitas, Aline Furtado, Bartô Miguel e Fábio Oliveira, do II período do curso de graduação em medicina da UFPB. As experiências de discriminação são consideradas uma das causas profundas das desigualdades de saúde existentes entre os povos indígenas. Experiências de discriminação são comuns, com pacientes de grupos étnicos diversos relatando tratamento abusivo, estereótipos e falta de qualidade no atendimento prestado, o que desestimula o seu acesso ao atendimento em serviços de saúde.


10 de janeiro de 2023

MAPA CONCEITUAL SOBRE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NA SAÚDE

Neste vídeo, três dos nossos mestrandos do #profsaude realizam uma apresentação de mapa conceitual construído por eles com cartolina e pincel sobre educação profissional na saúde, considerando o contexto da atenção primária. Usando esse tipo de recurso, por meio de representação esquemática, hierarquicamente organizada para sistematizar o conjunto de conceitos, conectados por meio de palavras, criaram enunciados significativos. Eles mostraram, de modo simples e baseados na sua própria prática de preceptoria, nas leituras e discussões em fóruns realizados ao longo do componente curricular, a relação significativa entre os conceitos na forma de proposições, o que revelou a compreensão de cada aluno sobre o que foi desenvolvido durante o semestre na disciplina de “Educação na Saúde” do mestrado PROFSAUDE.

Gravação improvisada, com consentimento dos três mestrandos.

16 de novembro de 2022

CUIDADOS PALIATIVOS EM DOENÇAS CRÔNICAS EM FASES AVANÇADAS

#cuidadospaliativos #doençascrônicas #icc #insuficienciacardiaca #ufpb

Aula na modalidade remota da disciplina de Cuidados Paliativos para alunos do primeiro e segundo períodos do curso de graduação em medicina da UFPB (Centro de Ciências Médicas).


11 de setembro de 2022

DIVERSIDADE HUMANA E SUBJETIVIDADE NA SAÚDE: DISCUSSÂO COM A TURMA 113


Na aula de “Diversidade Humana e Subjetividade na Saúde”, considerei produtiva a dinâmica de relato e discussão de casos com a turma 113 da graduação em Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), à qual apresentei descritivamente e de forma resumida dois casos relacionados à temática proposta, fornecendo informações para que meus alunos da turma 1 do Módulo de Diversidade Étnica e Cultural na Medicina, analisassem, pensassem e descobrissem relações e soluções dentro das situações-problema propostas.

Os alunos dessa turma me parecem ter um estilo de aprendizagem indutivo, mas também aparentam ser estudantes raciocinadores dedutivos, o que significa que aprendem melhor com exemplos de casos concretos que com o desenvolvimento teórico de conceitos; então, deixei para apresentar os princípios básicos relacionados ao assunto posteriormente à discussão, quando havia pouco tempo de aula. Como não houve tempo para sedimentar os conceitos, enviei um arquivo com os slides da exposição por meio de nosso sistema de gestão acadêmica, SIGAA/UFPB. Considerei também que eles haviam lido o texto proposto para o encontro, e vários deles citaram pontos do texto proposto durante a discussão. Tenho percebido que o uso de estudos de caso é uma técnica muito eficaz em sala de aula em módulos reflexivo-humanísticos. Os alunos aparentaram estar ativamente engajados em descobrir os princípios teóricos do tema, abstraindo dos casos relatados. Isso contribui para seu desenvolvimento em habilidades para solução de problemas, de ferramentas analíticas qualitativas, dependendo do caso, além de tomada de decisão em situações complexas, na presença de ambiguidades e conflitos humanos repercutindo na saúde.

Relato resumido do Caso 1

Gorete (nome fictício) tem 23 anos e apresenta episódios de ansiedade, acompanhados de sentimentos de morte iminente, falta de ar, palpitações e perda de sensibilidade nos membros com duração de 15 a 20 minutos. Os sintomas são acompanhados por uma mudança na consciência em que os “espíritos ancestrais” parecem assumir o controle sobre seu corpo e identidade pessoal. Essa experiência é acompanhada por comportamento agressivo e alteração na voz. Os níveis de escolaridade dos membros da família variam do analfabetismo ao ensino médio completo; mas Gorete é bem-educada, recém-graduada em pedagogia e tem planos para realizar mestrado. No entanto, seus estudos precisarão ser interrompidos porque ela descobriu que está grávida após ter um relacionamento com um colega da universidade, que retornou para sua cidade em outro estado após a formatura. A família é muito unida, evangélica e muito conservadora. Gorete não compartilhou isso com a família por medo dos pais, que eram muito severos e não aceitariam seu  comportamento em relação à sexualidade. Ela apresentou uma série de problemas e não se lembra de episódios que familiares afirmaram que estava possuída por forças sobrenaturais. Uma amiga de Gorete a convenceu a ir ao curandeiro religioso local, a quem a família dela vem consultando há muito tempo. Ela foi um templo afro-brasileiro (terreiro) onde seriam realizados rituais para “expulsar espíritos de seu corpo”. Seus sintomas melhoram, mas apenas por alguns dias. A família procurou ajuda e aconselhamento do médico da unidade básica de saúde para o comportamento anormal de Gorete, e ele considerou que se tratava de um quadro de transtorno mental e foi feito um encaminhamento para um psiquiatra local. No entanto, Gorete ficou relutante em procurar ajuda psiquiátrica, em parte devido ao estigma associado a esse tipo de terapia. Sua família também não estava aberta à psicoterapia. Houve demora na procura de ajuda do especialista foi de seis meses, em grande parte devido às crenças familiares e à falta de autopercepção de Gorete sobre sua doença.

Aberta a discussão, observei que os alunos compreendiam os vários lados da situação e se sentiam desafiados a refletir. 

Marina questionou se seria a primeira vez que a paciente apresentava uma crise aguda semelhante e perguntou se não havia antecedentes familiares de transtornos psíquicos, opinando que possivelmente a gravidez pode ter sido um gatilho para o início das crises, inclusive por não ter apoio do seu companheiro em relação à gestação indesejada. Sérgio falou de critério da Classificação Internacional das Doenças (OMS) em que havia uma exceção para se estabelecer diagnósticos em situações de sofrimento psíquico agudo relacionado a manifestações em cultos religiosos. Realmente, o funcionamento religioso e espiritual dos pacientes são uma questão de diversidade humana. Tais questões podem ser subestimadas por muitos médicos. Em 1994, houve a  introdução de um código V para se referir a problemas religiosos e espirituais (V62.89) no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) versão IV, o DSM-4, o que proporcionou uma acomodação significativa do funcionamento religioso e espiritual dos clientes no psicodiagnóstico contemporâneo. O DSM é o manual norte-americano, da Associação Americana de Psiquiatria, que constitui referência oficial usado para diagnosticar condições de saúde mental. O DSM também é usado internacionalmente como padrão em pesquisas.

A título de esclarecimento, de acordo com o DSM-IV, a categoria Z71.8 (Problema Religioso ou Espiritual) deve ser usada quando o foco de atenção é um problema envolvendo esta esfera da subjetividade humana. Assim, o código V permite a identificação explícita de um foco religioso ou espiritual não patológico no tratamento. O código V aumenta a conscientização do clínico sobre o domínio religioso e espiritual do funcionamento dos pacientes. Mencionei que não se tratava da CID-10 e sim do DSM, porém na CID-10 também se usa o código de diagnóstico CID-9-CM V62.89, que significa outro estresse psicológico ou físico, não classificado em outros itens.  Portanto, cada diagnóstico de saúde mental tem um código correspondente da Classificação Internacional de Doenças (CID) desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  A versão mais recente do código – CID-10, foi lançada em outubro de 2015. Por outro lado, a versão atual do DSM, o DSM-5,foi  oficialmente publicada em  maio de 2013 (ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 2014). 

Helena destacou que essa situação descrita no caso estudado envolve a alteridade na relação médico-paciente, em que o “Outro” é um ser absolutamente distinto do “eu”. A título de esclarecimento, alteridade é um termo filosófico, e é diferente de empatia, que é uma virtude importante que liga e desencadeia uma ponte afetiva entre o profissional de saúde e o paciente, que dá lugar a um sentimento de aceitação, fazendo com que o indivíduo necessitado de tratamento se sinta mais à vontade para expressar suas necessidades. A alteridade, por outro lado, representa o estado ou qualidade de ser outro, de ser de outra forma, de ser diferente e, portanto, é um conceito usado estritamente no sentido do outro em uma relação de dois. Na tradição fenomenológica é geralmente alteridade é um conceito entendido como a entidade em contraste com a qual uma identidade é construída, e implica a capacidade de distinguir entre eu e não-eu e, consequentemente, assumir a existência de um ponto de vista alternativo. Assumir isso implica em aceitar a condição da existência de outras opiniões, culturas, saberes, crenças, aparências e formas de ser. A constituição do sujeito (subjetividade) ocorre no âmbito da alteridade, pois o sujeito (eu) está em relação com o outro (alter). A influência do olhar alheio sobre o eu é um constituinte relevante da subjetividade e é controlada pelo inconsciente, que recebe informações externas e determina a forma pela qual é possível responder ao outro. 

No caso relatado, Helena acrescentou ainda que um gatilho pode ter sido disparado em um quadro que poderia ser de natureza psicótica. No contexto da doença mental, "gatilho", ou estressor, é um termo frequentemente usado para significar algo que provoca ou piora os sintomas. Trata-se de uma ação ou situação que pode levar a uma reação emocional adversa, como um evento de vida negativo, como luto, estresse agudo, trauma entre outros.

A título de esclarecimento, a palavra psicose é usada para descrever condições que afetam a mente, onde houve perda de contato com a realidade, e assim, os pensamentos e percepções de uma pessoa são perturbados, havendo dificuldade em entender o que é real e o que não é. Um episódio psicótico agudo pode ser único, muitas vezes de início súbito, recorrente, ou sinalizar o início de uma psicose crônica. Azevedo falou de um transtorno mental menor, como a ansiedade associada ao abandono pelo namorado da universidade.

A título de esclarecimento nosológico, salienta-se que os transtornos mentais se dividem em duas categorias: transtornos psicóticos e transtornos não psicóticos. Transtornos psicóticos, como esquizofrenia e transtorno bipolar, podem causar delírios, alucinações e outros sintomas de psicose. Os transtornos não psicóticos, que costumavam ser chamados de neuroses, incluem transtornos depressivos e transtornos de ansiedade, como fobias, ataques de pânico e transtorno obsessivo-compulsivo. Os transtornos mentais não psicóticos costumam ser menos graves do que os psicóticos.

Abraão falou da sequência do relato do caso, que não se apresentou com ordenação cronológica em relação a determinado evento, então ele percebeu que a continuidade da descrição da história perdeu a linearidade. Isso confundiu o entendimento das crises que ocorreram com a paciente.

Rafael falou também sobre gatilho estressor que pode ter desencadeado as crises da paciente, e lembrou do filme de terror “O Exorcismo de Emily Rose”, baseado na história da vida real de Anneliese Michel, uma jovem alemã que se acreditava estar possuída por forças sobrenaturais e passou por vários exorcismos para tentar se livrar da possessão demoníaca. Criada por uma família devotamente católica, ela começou a ter convulsões aos 16 anos e recebeu o diagnóstico de epilepsia do lobo temporal, passando a  tomar vários medicamentos para controlar as convulsões. No entanto, seu comportamento cada vez mais errático, e sua família começou a procurar ajuda fora do campo médico-científico. Eu diria que ela teve um transtorno mental que piorou com o tempo. As pessoas naquela época (meados da década de 1970) não sabiam muito sobre doenças mentais e aquela família era altamente religiosa, então se chegou à ideia da possessão, com envolvimento de sacerdotes católicos que, de certa forma, legitimaram a natureza sobrenatural do quadro. As pessoas encontram refúgio em sua crença e fé, e na história do filme, a religião explicava as alucinações. Foram realizados quase 70 exorcismos em Anneliese, Os exorcismos são rituais que são realizados desde os tempos bíblicos para expulsar espíritos malignos de pessoas ou lugares.

Ciência e religião têm sido consideradas em polos opostos por séculos. Alguém poderia pensar que as crenças de um paciente não deveriam interromper ou prejudicar um diagnóstico médico adequado. No entanto, crenças dos pacientes e suas famílias com transtorno neurológico ou psiquiátrico podem afastá-lo da realidade, resultando em consequências fatais.

Flávia falou do transtorno mental como foco principal do caso relatado e o atraso na gravidez também como um gatilho, um evento estressante vital. Antônio Alberto falou que nessa situação, a consulta com um psicólogo sobre a gravidez e sobre os problemas comportamentais e psíquicos apresentados, sob sigilo profissional, se ela não quisesse, naquele momento, que outras pessoas soubessem de sua gravidez, sobretudo sua família, pois sua família tinha crenças arraigadas e conservadoras sobre o comportamento sexual das mulheres, o que representava um tabu para a própria paciente. 

Isabelle falou de um caso ocorrido na comunidade em que uma mulher apresentou alucinações visuais  e auditivas logo após o seu casamento, quando foi morar no sítio, longe de sua família. Ela começou a ouvir ruídos estranhos e vultos de figuras, enquanto o marido não tinha essas experiências sensoriais no início, mas que também passou a ter as mesmas alucinações posteriormente. A cerimônia do casamento é um dos antigos ritos de passagem, remanescente na sociedade contemporânea, apesar do crescente número de uniões livres, em que o vínculo conjugal se forma sem a intervenção da Igreja ou do Estado. Este ritual parece sobreviver na atualidade e envolver psicologicamente os noivos e suas famílias de origem, marcando transição individual, familiar e social. Na perspectiva do ciclo de vida familiar, as mudanças assinaladas pelos ritos de passagem, incluindo o casamento, não afetam apenas o indivíduo o qual se submete ao rito, mas sua família inteira, provocando um aumento do estresse familiar nestes períodos.

Gabriel lembrou que no caso da paciente do caso relatado, ela foi ao terreiro de candomblé e não ao médico, e não deve ter sido uma sobreposição de terapêuticas (oficial e tradicional), mas poderiam ser associadas. José Felipe concordou e destacou que a fé auxilia no processo de recuperação.

José Felipe continuou comentando que as  manifestações psíquicas e as preocupações da paciente, aflita por uma situação que não conseguia solucionar, estão imersas na sua subjetividade, que é difícil de compreender por profissionais que seguem o modelo biomédico.  Ele salientou também que há comportamentos que fogem ao padrão visto nos livros de medicina. José Felipe ainda mencionou que os critérios diagnósticos do DSM não são  suficientes para explicar a negação da paciente para a busca de assistência médica. 

Bianca comentou que é importante olhar para além do paciente e perceber seu contexto familiar e social. Ela lembrou de um caso ocorrido na comunidade em uma família onde uma adolescente sempre se sentiu desajeitada sob a exigência de que sua postura fosse diferente. No início do  início do nível médio ela teve um surto, como se tivesse havido uma “virada de chave” muito rápida, enquanto ela também sofria de bullying na escola. Carlos concordou que é sempre preciso considerar o contexto familiar.

Jerrimarque salientou a influência do modelo predominantemente biomédico que foca na doença e segue protocolos e que não considera questões subjetivas. Helena voltou a falar sobre a psicossomatização sob estresse e traumas psicoemocionais, com supervalorização dos sintomas físicos e a falha do modelo biomédico em dar conta dessas questões. Jerimarque  ainda mencionou que no texto recomendado para leitura, refere-se a uma crítica ao capitalismo e seus reflexos na medicina. O principal autor do capítulo do livro (GONZÁLEZ-REY, 2015)foi um psicólogo cubano de espectro ideológico à Esquerda, e era essencial que considerasse a  questão econômica de classes.  Se a sociedade deixa as pessoas doentes, a solução óbvia seria lidar com as doenças da saúde precária no nível social. Mas o que tende a acontecer é que  muitas vezes faz com que os recursos financeiros sejam usados para lidar com as consequências. Se os procedimentos para lidar com as consequências são eles mesmos uma fonte de lucro, então a tentação será desviar a discussão das causas e soluções sociais para um padrão autoperpetuante focado em tecnologias médicas, drogas, terapias e afins. Jerrimarque colocou o contraponto de que o Capitalismo também tem reflexos benéficos nessa conjuntura, pois impulsiona a inovação, a tecnologia e o avanço científico. Assim, é importante pensar em termos de equilíbrio, sem considerar o Capitalismo como o grande e eterno “vilão” das sociedades, nem que tudo se reduza à luta de classes.

Gabriel considerou que nessa situação, o médico fica refém da tecnologia e o texto lido mostra que os avanços biotecnológicos estão passando pelo que todas as outras disciplinas científicas emergentes experimentam, que são os  desafios de definir seus limites éticos. O custo crescente dos cuidados de saúde – e o custo dos medicamentos em particular – é um problema crescente.

Gabriela fez sua contribuição à discussão, mas eu não consegui registrar. Após esta participação não foi capturada a tempo. A partir desta fala, Sérgio voltou a participar resgatando a questão da competência cultural na superação da medicalização, e que uma abordagem centrada na pessoa e a adoção de um atendimento holístico.

Passou-se, então, à discussão do caso 2, que será descrito em seguida.

Relato resumido do Caso 2

Paciente do sexo masculino, 50 anos, foi admitido no pronto-socorro com dor de cabeça, náuseas e dormência do braço esquerdo nas últimas horas. O neurologista realizou um exame físico completo e não encontrou discrepâncias no seu estado neurológico, mas o paciente insistiu que ele estava tendo uma dor de cabeça como se a sua cabeça fosse “explodir” e que seu braço esquerdo estava completamente dormente. Para excluir a possibilidade de uma condição grave, o neurologista indicou uma tomografia computadorizada (TC) do cérebro que foi realizada em pouco tempo. O radiologista não encontrou alterações patológicas na TC. Após leitura detalhada do prontuário deste paciente, percebeu-se que ao longo dos 15 meses anteriores esse paciente já havia sido admitido com muitas diferentes condições no mesmo hospital. Ele tinha sido admitido com uma forte dor no peito e falta de ar 15 meses antes, com ECG e exames de sangue excluindo infarto do miocárdio naquele momento. Na ocasião, o paciente começou a vomitar e sua dor no peito piorou, realizando-se uma angiografia pulmonar de urgência, para excluir a possibilidade de embolia pulmonar, descartada pelo pneumologista. O paciente estava se sentindo bem no dia seguinte e recebeu alta do hospital dois dias depois. Dois meses depois, o mesmo paciente foi encaminhado pelo seu médico com sintomas de dor no pescoço, rigidez do pescoço e vertigem. Ele foi novamente enviado para o neurologista, que pediu uma TC da coluna cervical, que mostrou alterações espondilodegenerativas leves, mas ausência de alteração discal grave. Três meses depois, esse paciente foi internado no setor de emergência por uma perda de visão no seu olho direito que durou algumas horas. O oftalmologista não encontrou alterações no exame. Não havia anormalidades oculares em exames anteriores. 

Aberta a discussão do segundo relato de caso, Manoel falou do efeito placebo, que pode ocorrer em pacientes sugestionáveis, e que muitos deles se sentem melhor na consulta com o médico em quem confiam. O efeito placebo pode ser definido como qualquer melhora de sintomas e doenças, ou sobretudo a redução de sintomas subjetivos resultantes de intervenções e medicamentos inertes farmacologicamente. O psicanalista francês Michel Balint, que tem importantes contribuições à medicina e ao campo da saúde, também é conhecido pela criação de uma máxima a respeito da prática médica: “O remédio mais usado em medicina é o próprio médico, o qual, como os demais medicamentos, precisa ser conhecido em sua posologia, reações colaterais e toxicidade” (BALINT, 2007).

Ainda a título de esclarecimento nosológico, de acordo com o DSM-V, a característica central da hipocondria é a preocupação com o medo de ter uma doença médica grave baseado em interpretações errôneas de sensações corporais benignas (ou menores), enfatizando uma "convicção de doença" que persiste apesar de avaliação médica adequada e garantia de boa saúde. O DSM-5 redefiniu a hipocondria, que passou a ser denominada de transtorno somatoforme. Talvez o sinal mais facilmente observável seja a tentativa persistente de buscar informações e garantias sobre os temidos sintomas ou doenças. Indivíduos com esta condição podem entrar em contato com médicos e serviços de saúde - o que, no caso relatado, foi um serviço hospitalar de urgência - repetidamente. Historicamente, a hipocondria tem sido considerada resistente a tratamento psicológico. Para hipocondríacos, o efeito nocebo pode até surgir, o que é o oposto do efeito placebo. Como a hipocondria faz as pessoas se preocuparem tanto com a doença, um nocebo não o torna melhor porque ele não acredita que o fará.

Frequentemente dispensados ​​pelos médicos, os hipocondríacos são atormentados por sintomas indescritíveis que sugerem uma doença. Eles vão ao médico para obter um diagnóstico e não aceitam que não tenham alterações ditas reais. Às vezes eles conseguem obter um rótulo - geralmente o errado - e às vezes são prejudicados por exames e tratamentos desnecessários e invasivos. Os hipocondríacos são geralmente considerados simuladores, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Os hipocondríacos não produzem voluntária ou conscientemente seus sintomas físicos; eles acreditam fervorosamente que estão fisicamente doentes e ficam frustrados quando dizem que não estão. Embora não seja encontrado substrato orgânico para os sintomas do paciente, as queixas dele, em essência, existiam; ele estava doente e se sentia mal.

A terapia cognitivo-comportamental e o controle do estresse são os pilares do tratamento da hipocondria ou transtorno somatoforme. Da mesma forma, participar de técnicas de atenção plena, como meditação, pode ajudar os pacientes a controlar os sintomas. 

Além disso, Fernandes acrescentou que o uso de práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) podem ser empregadas para a hipocondria. Por outro lado, consultas regulares com um profissional de saúde que usa PICS podem ajudar a aliviar os medos relacionados à saúde devido à regularidade das visitas, à garantia de um profissional e ao foco no bem-estar e nos comportamentos saudáveis. 

Ao mencionar que parece existir preconceito de muitos médicos em relação às PICS, Abraão perguntou por que existem tais preconceitos, chamando atenção de que existem riscos para os pacientes que têm doenças graves e retardam o tratamento convencional. A título de esclarecimento, a medicina complementar e alternativa está sendo cada vez mais usada por médicos de cuidados primários no Brasil, tendo sido incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), embora este uso não tenha sido estudado em detalhes e as barreiras no caminho de seu uso pelos médicos não tenham sido exploradas. A título de esclarecimento, o termo PICS envolve o uso de plantas medicinais (fitoterapia), homeopatia, medicina tradicional chinesa (acupuntura), medicina antroposófica e termalismo-crenoterapia. A medicina complementar e alternativa é um termo abrangente que descreve uma série de sistemas de saúde, modalidades e práticas que geralmente não são consideradas parte da medicina convencional. Como forma de cuidado espiritual e pastoral, os serviços de capelania também são considerados uma modalidade de medicina complementar e alternativa. É nesse sentido que as atitudes dos profissionais de saúde e o conhecimento sobre PICS podem afetar a opção de uma abordagem de saúde multidisciplinar, integradora e holística.

Contudo, o uso de PICS entre pacientes com câncer é generalizado e parece estar aumentando. Nem sempre fica claro se os pacientes usam essas terapias como uma “alternativa” ao tratamento oncológico padrão ou como adjuvante ao tratamento convencional que recebem. Abraão citou o exemplo do conhecido empresário e magnata americano Steve Jobs, que buscou atenção médica convencional tardiamente no caso do câncer de pâncreas que foi a causa de sua morte. O “pensamento mágico” de Jobs pode ter definido seu brilhantismo nos negócios, mas pode ter sido sua queda na luta contra o câncer. Steve Jobs acabou se arrependendo da decisão que havia tomado anos antes de rejeitar a cirurgia potencialmente salvadora de sua vida em favor de tratamentos alternativos como acupuntura, suplementos dietéticos e sucos. Embora ele tenha finalmente aceito a cirurgia e buscado métodos experimentais de ponta, eles não foram suficientes para salvá-lo.

Manoel falou das diretrizes médicas também, e que estas podem induzir a erro, exemplificando o uso dos antiarrítmicos a medicina baseada em evidências e mostra que medicamentos antiarrítmicos em longo prazo podem ser arritmogênicos, pois evidências científicas revelaram que arritmias potencialmente fatais são induzidas por drogas antiarrítmicas. 

João Victor mencionou que as pessoas não procuram as PICS porque confiam, então é importante que em casos mais graves para pessoas que em outras situações de adoecimento, acreditaram em terapias alternativas e responderam bem, podem insistir em usar PICS no caso que é mais grave. João Max concordou e disse ser preciso lembrar que essa credibilidade para casos de outros problemas no futuro precisa ser considerada como potencialmente deletéria, e portanto, é necessário manter o equilíbrio e a racionalidade, na medida do possível. 

Rafael destacou que nos dois casos apresentados não houve acolhimento dos pacientes, escuta atenta ou continuidade do cuidado. Thiago concluiu que  manter o meio termo também se aplica a não supervalorizar sintomas de pacientes com hipocondria, mas também, em casos agudos e de urgência, é importante descartar a gravidade da situação clínica.

É importante salientar que não existe uma resposta correta para as questões colocadas, que é importante é  reflexão feita sobre os casos clínicos apresentados, a partir da leitura do ensaio teórico proposto aos alunos.

Concluindo, constatei que os alunos contemplaram os objetivos e os pontos-chave da discussão. Eles compararam e contrastaram pontos de vista alternativos que surgiram durante a discussão e encontraram pontos para levar como conhecimento e que podem ser aplicados a situações futuras.

 

Referências citadas no presente texto de devolutiva

Associação Americana de Psiquiatria. (2014). Manual diagnóstico e estatísticos de transtornos mentais :DSM-5 (5a ed.; MIC Nascimento, Trad.). Porto Alegre, RS: Artmed

Balint  M. O médico, seu paciente e a doença. Tradução de Roberto de Oliveira Musachio. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.


Gonzaléz Rey F, Bizerril. J. Saúde, cultura e subjetividade: uma referência interdisciplinar Brasília: UniCEUB, 2015, capítulo 1.