15 de setembro de 2020

POR UMA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA NA MEDICINA: I DISCUSSÃO COM A TURMA 110/MED/UFPB

 

“A História me precede e antecipa-se à minha reflexão. Pertenço a história, antes de me pertencer” 
(Hans Georg Gadamer)

Na primeira telerreunião da disciplina de História da Medicina e da Bioética com a nova turma de 62 alunos (comparecerem 58), a questão norteadora da discussão foi a seguinte: Por que estudar a história da medicina e da bioética? Tendo em conta que a turma é numerosa e não haveria tempo para participação individual de todos no intervalo de duas horas de encontro, a moderadora, Profa. Rilva Muñoz, avisou que os alunos que não pudessem participar desse fórum síncrono em tempo, poderiam postar sua contribuição ao debate no fórum assíncrono aberto no SIGA-A/UFPB.

Mathews Freire foi o primeiro a se inscrever, e considerou que é importante conhecer o passado  para compreender o presente, conhecendo o desenvolvimento que aconteceu durante a história para que no presente se possam compreender os métodos atuais de condutas médicas, assim como para evitar repetir os mesmos erros. A moderadora concordou com Freire, de que é possível aprender muito com as lições do passado, e que embora tenham ocorrido muitos erros, assim como  muitos acertos também, avanços e retrocessos, tudo serve como lição para o médico que atua hoje. Este é um dos aspectos proeminentes dos objetivos do estudo da História da Medicina e da Bioética para o estudante de medicina.

João Victor corroborou o comentário de Freire e acrescentou que a história, como processo dinâmico e dependente de fatores contextuais, como o conhecimento científico e a política, são variáveis relevantes na evolução dos fatos históricos. Ele exemplificou sua afirmação com a influência ainda forte da Igreja na época do Renascimento, moldando o processo histórico e, como decorrência, afetando também o desenvolvimento da medicina. Ele acrescentou ainda que o desenvolvimento tecnológico de cada época tem grande impacto sobre o que ocorre na medicina. A moderadora concordou com João, lembrando que antes do Renascimento, em plena Idade Média, o dogmatismo religioso era culturalmente hegemônico, e como o dogmático sempre se recusa a mudar de opinião, havia poucas oportunidades de mudança nas práticas médicas, o que propiciava que as inovações fossem fortemente rechaçadas. Os valores arcaicos retrógrados e dogmáticos prejudicaram o avanço do conhecimento no passado, o que ainda ocorre nos dias e hoje, embora de forma menos contundente. 

Duda Gomes também concordou com Freire sobre o fato de o conhecimento do passado contribuir para evitar a repetição dos mesmos erros. Por outro lado, ela lembrou que é preciso ver que os conhecimentos que se tem hoje não eram possíveis em outras épocas. A moderadora reforçou a contribuição de Duda, lembrando que muitas vezes ao se estudar a história da medicina, emitem-se juízos de valor, julgamentos e críticas negativas, mas é necessário ver o passado com a devida perspectiva histórica, assumindo uma consciência histórica. Ter uma perspectiva histórica significa compreender as configurações sociais, culturais, intelectuais e emocionais que moldaram a vida e as ações das pessoas no passado. Em qualquer ponto, diferentes atores históricos podem ter agido com base em crenças e ideologias conflitantes; portanto, compreender as diversas perspectivas também é uma chave para a tomada de perspectiva histórica. Ao invés de olhar criticamente o passado da medicina requer aprender a vê-lo com essa cultura histórica.

Romonilton lembrou que com o estudo da história da medicina também se pode projetar o futuro, ao se raciocinar sobre as mudanças ao longo do tempo para contemplar o que o futuro reserva. Segundo ele, com ética e profissionalismo é possível construir o presente e o futuro com mais confiança. A moderadora acrescentou que realmente se constrói história todos os dias. Hoje se está construindo história e se pode produzir história de uma forma benéfica para a comunidade à qual se serve, construindo de forma altruísta e compassiva, deixando para o futuro um legado para as pessoas que receberam ajuda e assistência dos médicos anônimos e comuns. Por outro lado, se pode também construir no outro sentido a história, de uma maneira negativa. Pessoas anônimas, que são desconhecidas, cada um exercendo sua atividade profissional e o fazendo bem, ajudando pessoas, famílias e comunidades, no seu microcosmo, pode representar uma obra importante. Contudo, é importante salientar que a história nunca se “repete” verdadeiramente, porque os contextos e as pessoas envolvidas estão sempre mudando. 

Glaudir afirmou que é preciso entender como a medicina foi construída e o contexto em que ocorreram os avanços tecnológicos, e vistos à luz da época em que ocorreram. Ele acrescentou que é importante ter uma postura humilde e ver as descobertas importantes que ocorreram na história até a atualidade. A moderadora lembrou que essa construção da medicina ao longo do tempo ocorreu com um passo de cada vez, com avanços e retrocessos, de uma época em que não sabia nem como era que ocorria o fluxo sanguíneo até a atualidade em que transplantes de órgãos são realizados, cirurgia robótica cirurgia minimamente invasiva e nanotecnologia, clonagem, terapias com células-tronco... E o surgimento do instrumento simples hoje e que permitiu ao médico ouvir os batimentos cardíacos foi uma descoberta revolucionária que não faz tanto tempo assim considerando toda a história da humanidade: foi no século 19. Como destacou Glaudir, essa construção da ciência médica sofreu um evolução extraordinária e principalmente do século 17, 18 e 19, com um ápice no século 20. Na disciplina de História da Medicina e da Bioética, serão estudados os principais avanços que tornaram possíveis as condições atuais de terapêutica médica, assim como que fatores favoreceram essas descobertas, algumas delas fascinantes.

Nádia salientou a contextualização política e social do desenvolvimento da medicina, e que o conhecimento que existe hoje não partiu do nada, mas vem sendo acumulado ao longo do tempo. Ela lembrou de conhecimentos sobre diabetes mellitus foram registrados cerca de 1500 anos antes, embora nem se soubesse que o problema estava no pâncreas. A moderadora considerou que a ciência é cumulativa e o conhecimento vai sendo construído refletindo o contexto econômico e político de cada época, e que a história ensina a transitoriedade das verdades de qualquer ciência não só da Medicina e também nos valores morais, políticos e culturais dos valores humanos. O que se conhece agora,  em termos de condutas diagnósticas é terapêuticas poderão ser vistas no futuro, daqui a cem anos, como obsoletos e ultrapassados, de forma bastante crítica. Assim, é preciso entender que as verdades históricas, incluindo as científicas, são transitórias, não são permanentes porque o conhecimento científico não é infalível, só o conhecimento religioso pode ser considerado infalível

Ana Luíza elogiou as contribuições dos colegas à discussão e destacou que realmente não se dá importância ao estudo da história da medicina, pois não é considerado um conhecimento de benefício tangível, embora haja benefícios nesse estudo. A moderadora complementou que essa ideia se refere à ideia utilitarista, do utilitarismo, uma corrente filosófica, de que a virtude se baseia na utilidade e que a conduta deve ser direcionada para promover efeitos úteis, revertendo-se em resultados práticos. Isso é natural, é da cultura, mas o estudo da história da medicina tem tmbém um objetivo pragmático também. Na verdade, como está no título do texto proposto para leitura, o objetivo desse estudo é pragmático, ético e  cultural. A consciência histórica contribui para que o estudante de medicina desenvolva o raciocínio crítico e reflexivo, um dos objetivos centrais das Diretrizes Curriculares nacionais de Graduação em Medicina.

Duda Silva afirmou que é natural pensar e maneira utilitária no sentido de estudar história da medicina, mas ela começou a perceber que há um sentido nesse estudo ao ler o material proposto para o módulo atual da disciplina. Ela considerou que é importante saber o passado da carreira que se escolheu exercer e fez uma analogia com a suposição de que se a pessoa acordasse um dia e não lembrasse do próprio passado pessoal. Há crenças antigas antiquadas e retrógradas que ainda podem ser observadas hoje, pois fazem parte da natureza humana em qualquer momento da história e as tradições são transmitidas de geração em geração. A moderadora ressaltou que, nesse sentido, conjuntos de imagens primordiais que dão sentido aos complexos mentais e às histórias passadas entre gerações, formam o conhecimento e o imaginário do inconsciente coletivo e permanecem na mente das pessoas ainda que estejam em épocas diferentes. O médico, de uma forma geral, tem uma visão tecnicista, reducionista, excetuando-se aqueles da área de saúde pública. Essa visão reducionista relaciona-se à sua formação.

Continuando, a moderadora lembrou que no estudo da história da medicina, quando se atribui um significado a um fato particular do passado, as pessoas estão fazendo escolhas, pois está subjacente um julgamento, uma relação com outros fatos, para o que se vive nos tempos de hoje; então a história é uma interpretação do presente também. O interesse no passado é contextualizar e compreender o presente por meio dos vestígios do passado e, assim, quando se estuda a história também se está valorizando o presente.

Sara enfatizou que “a história faz o que somos, pois se a nós não tivéssemos passado pelo que passamos não seríamos quem somos” e que o interesse na história não se dá por mera curiosidade, mas por uma construção de uma nova consciência, tanto no âmbito individual quando na sociedade. Ela ponderou que era muito interessante estar discutindo como a saúde e o cuidar foram construídos ao longo do tempo e como a medicina se encaixa nisso, assim como o que significa ser médico a partir dessa história. Sara continua discorrendo sobre o que significa ser médico e que papel cada um quer ter: “Eu quero ser aquela pessoa que comanda toda a equipe, como historicamente os médicos vêm sendo”, no sentido de uma relação de poder ou um componente dentro da equipe de saúde?” Prosseguindo, ela afirmou que o estudante se posiciona como tal em uma universidade onde o Centro de Ciências Médicas é totalmente diferente dos outros prédios do campus. A moderadora concordou com a contribuição ao debate, salientando a relevância e pertinência das colocações, porém considerando que essa questão já pode estar mudando, pois há cerca de 20 anos a hegemonia do médico na equipe de saúde vem sendo contestada, embora seja uma causa pela qual a maioria dos médicos lutam, ou seja pela manutenção do status quo. Os médicos parecem querer ser o centro da equipe, a despeito do reconhecimento atual da interdisciplinaridade na saúde. Porém há que reconhecer também que o médico é, ao mesmo tempo o representante mais empoderado da equipe de saúde, mas também pode ser o “bode expiatório” dos males do sistema. Há uma frase para Maria Cecília Minayo, uma socióloga brasileira dedicada à antropologia da saúde que afirmou que o médico é como se fosse um deus com pés de barro porque como figura centralizadora da equipe de saúde e representa a equipe de saúde de uma forma geral no sistema e na sociedade, então muitas vezes o que está errado no Sistema Único de Saúde é atribuído ao médico que, embora seja a figura de destaque na equipe, também é o mais criticado. Então são os reversos da medalha.

A moderadora finalizou a discussão afirmando que a disciplina em curso é sobre história da medicina e da bioética. Esta última, sendo uma disciplina relativamente nova, em comparação com a medicina, que sempre existiu desde a Pré-História – ainda que médicos como médicos propriamente ditos, nem sempre existiram, mas havia as figuras que faziam o papel do agente de cura – então, embora a medicina sempre tenha existido, a bioética surgiu na segunda metade do século 19. A própria ética surgiu na Antiguidade, e a ética médica, na Idade Moderna. Portanto, pode-se dizer que a Bioética é uma disciplina “recém-nascida” e tem apenas 50 anos, representando um campo de reflexão ética e uma tremenda história de sucesso. A Bioética é essencial à vida e à dignidade humana, em um diálogo nem sempre fácil com a biotecnologia e com o reducionismo epistemológico dos profissionais e pesquisadores da grande área da saúde.

Bia pediu para contribuir também, ao final da discussão, pois teve especial interesse na discussão da história da Bioética. Ela destacou a relação da teologia com a biotecnologia e mencionou um documentário sobre aprimoramento genético, que ela lembrava vagamente do título e da tecnologia, que poderia ser CRISPR, uma tecnologia que pode ser usada para editar genes, que poderia ser classificado como um projeto de eugenia. A moderadora elogiou a participação de Bia, e relacionou o relato à ideia de que a História da Medicina deveria contribuir para aprender a não repetir erros do passado na prática médica. Esta assertiva não parece se cumprir sempre, pois ainda há exemplos de reincidência de infrações bioéticas na atualidade, mesmo após o reconhecimento dos ataques à humanidade perpetradas ao longo do tempo passado e sobretudo no século 20, e da criação da Bioética. A moderadora lembrou do Projeto MKULTRA (também conhecido como MK-ULTRA), alcunha de um programa de pesquisa de controle da mente, com coordenação da famosa agência do governo norte-americano e que começou na década de 1950, envolvendo não apenas o uso de drogas para manipular pessoas, mas também o uso de sinais eletrônicos para alterar o funcionamento do cérebro.

Encerrando a discussão, a moderadora avisou sobre a abertura de um fórum assíncrono para que os alunos que não tiveram oportunidade de contribuir com o debate possam postar suas considerações durante a semana.

Para concluir os trabalhos da telerreunião, a Profa Rilva citou a frase “A História me precede e antecipa-se à minha reflexão. Pertenço a história, antes de me pertencer”, atribuindo-a a Heródoto, historiador grego da Antiguidade e considerado o “Pai da História”, porém aqui nesta memória da reunião, percebo que a citação é atribuída, na realidade, ao filósofo alemão Hans-Georg Gadamer. Portanto, lapso corrigido.


Contribuições enviadas pela comunidade colaborativa de aprendizagem por meio do Fórum assíncrono do SIGA-A/UFPB:

A importância do estudo da história da medicina e da bioética pode ser demonstrada de diversas formas: da perspectiva cultural, o conhecimento dessa área é fundamental para a construção da memória da profissão, ressaltando descobertas revolucionárias e figuras importantes, que podem servir de exemplo para as novas gerações; da perspectiva científica, é justamente por reconhecer as crenças históricas ultrapassadas e exemplificar como foram descartadas que esse estudo se torna imprescindível, incitando a pesquisa científica. Autor: CRISTIANO HENRIQUE 

É imperativo em todas as áreas de conhecimento o respeito à história construída no passado e, que efetivamente traz suas marcas na história presente. A Medicina e a Bioética não fogem a esse princípio, ante o papel e os rastros históricos em que podem ser registrados erros que, consequentemente, irão se transformar em avanços na abordagem médica. Compreender a consolidação da medicina ao longo da história habilitará os alunos da disciplina a terem uma perspectiva mais completa sobre a sua área de atuação, uma vez que o papel do médico na sociedade se modifica ao longo da história, assim como seus valores e suas pretensões. Para alunos de Medicina, conhecer as questões éticas pertinentes à profissão a ser exercida é condição primeira para sua atuação, essas questões estão fortemente atreladas à importância de se estudar também aspectos culturais e políticos que, historicamente, provocam mudanças em diferentes cenários, entre outros o da Medicina. Estudar a história da Medicina e da Bioética nos permite lançar o olhar para o passado buscando atualizar no presente os aspectos exitosos ou ainda reparar ou modificar as fragilidades, se existentes, de modo que o profissional se muna de condutas no exercício da profissão, que lhe permitam não negar os avanços que emanam e refletem o contexto social de cada época. Autor: DAVI JOSE 

Assim que a questão acerca da importância da história da medicina e da bioética foi levantada, logo pensei na necessidade de conhecer o passado para não repetir os mesmos erros que atrasaram tantos avanços. Todavia, após a discussão, vi que os motivos para o estudo iam muito além disso. É notável a relevância de entendermos verdadeiramente, após o estudo da história, que a medicina é um conjunto de saberes e práticas que estão sujeitos, a qualquer momento, a alterações. Assim, cabe a nós estarmos dispostos a receber essas mudanças, caso sejam benéficas à sociedade, e não ficarmos presos a antigas condutas. O mesmo ocorre para a bioética; aos longos dos anos, muito do que se achava correto, na verdade, era errado e foi desbancado por princípios que realmente protegem os indivíduos. Por fim, estudar a história da medicina e da bioética não é essencial apenas para não repetir erros e entendermos a dinâmica da medicina enquanto ciência, mas também porque grande parte dos avanços ainda são usados na prática vigente. Ademais, ao lembrarmos do esforço dos médicos na procura de descobertas e das vidas que foram transformadas por estas, podemos achar inspiração para continuar nesta busca, como também respeito pela prática médica.  Autora: THALITA 

Antes da discussão desenvolvida na aula síncrona e da leitura dos materiais sugeridos, eu considerava que o estudo da história da medicina e da bioética servia apenas a título de curiosidade, não compreendendo a sua real importância. Agora, percebo que é um grande erro essa disciplina ser negligenciada pelos currículos de graduação e pelos próprios discentes, visto que, assim como qualquer ciência, a medicina passou por diversas evoluções ao longo do tempo e entender como essas ocorreram é imprescindível para conhecer as descobertas que fundamentaram a medicina atual e também o porquê das práticas médicas serem como são hoje. Assim, por meio do estudo da história é possível evitar erros que já foram cometidos por nossos antepassados e, além disso, tal aprendizado pode ser utilizado como base de inspiração para fomentar o interesse em gerar mais contribuições à medicina, a fim de proporcionar o máximo de bem-estar às pessoas. Ademais, é de conhecimento geral que muitas conquistas para a ciência médica se deram por meio da violação de direitos fundamentais do ser humano, como exemplo pode-se citar as experiências realizadas pelos nazistas. Com isso, a bioética surge para que possamos entender que o progresso da ciência jamais pode estar acima do respeito à dignidade humana. Desse modo, em síntese, essa disciplina é fundamental para os futuros profissionais que não desejam ser dedicados apenas à técnica, ou seja, para aqueles que almejam uma formação mais humanística. Autora: JOYCE 

Após tantas participações produtivas no fórum, sem contar com as contribuições durante o encontro síncrono, fica, de fato, difícil contribuir com algo mais no que tange a indagação do porquê é importante estudar a história da medicina e da bioética. No entanto, vale lembrar que, assim como qualquer outra área de conhecimento, a medicina é um fato cultural, isto é, algo produzido pelo homem, e, por essa razão carrega consigo todos os fatores sócio históricos da época e da localidade de onde é desenvolvida. Com isso quero dizer que o que entendemos por medicina varia de lugar para lugar e de tempos em tempos. Essa compreensão torna-se fundamental para entender a posição que o médico ocupa na sociedade, no hospital, na unidade básica de saúde. Esse entendimento também é útil para notar a mudança de pensamento ao longo das décadas e dos séculos. Como as doenças eram interpretadas, como as ideias de cura e tratamento evoluíram. Enfim, em outras palavras, a medicina, como praticamente tudo na vida, é mutável. Estudar a sua história facilita essa compreensão. E esse pensamento irá nos ajudar a entender as mudanças que estão por vir para que possamos nos preparar para o futuro. Autor: GUSTAVO 

Acho que estudar a história da medicina é importante não apenas a título de curiosidade, mas como uma forma de fomentar o pensamento crítico e de auxiliar o crescimento da medicina enquanto ciência. Ela disponibiliza ao aluno uma diversidade de modelos de atendimento e pesquisas, aos quais ele pode se espelhar. Nesse sentido, descobertas que hoje parecem óbvias e estão bem consolidadas já foram questionadas. Houveram momentos em que determinadas escolhas terapêuticas não estavam disponíveis e, através de muito estudo e da evolução cultural e tecnológica, foi possível desenvolvê-las. Dessa maneira, é primordial ponderar o processo que leva à mudança de condutas, à descoberta de certos medicamentos e ter um olhar de que hoje ,mesmo com tantos avanços, ainda não sabemos tudo sobre a medicina e de que ainda há muita coisa para ser aprimorado. Assim, saber como se deu o desenvolvimento dessa ciência é fundamental para ampliar o conhecimento acerca dela e para sua evolução. Além disso, acho que observando a história da medicina, vemos o impacto do contexto sociocultural na atuação dos profissionais da área. Um exemplo disso é a vulnerabilidade de certos grupos, como os pacientes psiquiátricos, os quais, ao longo da história, foram continuamente submetidos a procedimentos dolorosos até a Reforma psiquiátrica, no século XX. Entender o por quê da exclusão de populações vulneráveis, como essa dinâmica é influenciado pelas crenças vigentes da sociedade da época e como a bioética se consolidou ao longo dos séculos ajuda a proteger esses grupos, fazendo com que seja possível atingir um processo terapêutico eficaz. Nesse viés, pode-se citar também a importância do conceito de bioética e de como ele foi sendo moldado ao longo do tempo, pois esse valor deve nortear a conduta médico-paciente, bem como seu modelo de pesquisa. Diversas experiências foram feitas em contextos ditatoriais, como no caso da ciência nazista, a qual teve várias contribuições à medicina, mas com um alto custo moral e humano, ignorando o senso ético que temos hoje. Dessa forma, precisamos saber o que foi feito para não repetirmos os erros cometidos no passado. Por fim, como disse Goethe: “Nada sabe de sua arte aquele que lhe desconhece a história?”. Ou seja, compreender a cronologia da medicina e da bioética nos permite conhecer mais sobre a profissão que escolhemos seguir, possibilitando uma melhor atuação na área. Autora: LUANNA CYBELLE 

Acredito que é a importância do estudo da medicina estar em não só saber as principais descobertas da área, mas também entender quais foram as ideias por trás dessas invenções. Ademais, conhecer sobre a bioética é ter conhecimento sobre os limites do ato médico ou de  uma certa pesquisa, os quais são necessários para evitar uma possível infração dos direitos humanos.  Autora: YASMIN MARIA 

Antes da aula, eu entendia a história da medicina mais como objeto de curiosidade. Com as questões levantadas no momento síncrono, eu me lembrei da famosa frase do filósofo George Santayana: "Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo". No entanto, eu discordo parcialmente dessa ideia. Porque a intenção de extrair lições da história e aplica-las ao presente pode ser um problema caso não haja um entendimento completo das circunstâncias de seu surgimento (o que depende da credibilidade do documento histórico analisado, bem como de sua abrangência). O livro Historians Fallacies, do David Fischer, aborda alguns vieses que podem prejudicar o estudo da história. No capítulo 5 são abordados alguns vieses de narrativas. Dentre eles, o de que devemos transferir lições de outros momentos históricos para o presente. Isso não significa que a história não possui utilidade - como Hegel afirma: A única coisa que se aprende da história é que ninguém aprende nada da história -, significa que o estudo da história serve, entre outras coisas, para expandir o entendimento dos contextos nos quais os fatos históricos ocorrem e, com isso, refinar a capacidade de reflexão das pessoas sobre seu próprio contexto. Portanto, para mim estudar a história da medicina é importante para compreender que, assim como paradigmas do tratamento de saúde no passado foram substituídos por conceitos mais refinados e eficientes, nosso entendimento contemporâneo sobre diagnóstico, terapêutica e outras questões que orbitam a profissão médica também está sujeito a ser sobreposto por modelos explicativos mais apropriados. Autora: JOAO ALFREDO 

Com a exposição dos materiais e debate durante a aula do dia 14/09, a nossa principal reflexão foi acerca de porque é importante o estudo da História da Medicina e da Bioética. Refletindo sobre os textos colocados pela professora, bem como as pontuações dos colegas durante a aula, é indiscutível que reconhecer a história da medicina como um fator que nos permite valorizar essa ciência, além de nos ensinar os erros já cometidos, para que os futuros médicos  não cometam os mesmos erros. Contudo, o ensino da História da Medicina e da Bioética não é uma realidade em diversas universidades do país. Debruçando sobre isso, fica evidente a valorização apenas do biologicismo e da perfeição da técnica na medicina que é feita no Brasil hoje, e daí pontuo uma reflexão, e convido vocês a refletirem comigo: se um médico nefrologista só sabe de rins, que teoricamente é apenas com o que ele trabalha, ele não vai ter a dimensão do tratamento de doenças que afetam os rins mas que são consequências de outro sistema. Ou seja, um médico, ainda que especialista, precisa ter uma visão do todo. Trazendo esse contexto para a nossa discussão, não seria mais esclarecedor a visão do futuro, se tivéssemos ideia do todo (passado e presente)? Visto que, diversos eventos e questionamentos atuais, ocorreram também anteriormente. Prolongando a nossa discussão, acredito que o momento que estamos passando é propício para a reflexão da importância da história da medicina, visto que outras pandemias já assolaram o mundo e conhecer a história desses eventos marcantes, nos permite saber como os médicos lidaram, quais foram os erros e acertos, para que possamos implicar hoje na COVID-19. O resultado disso, apesar de longe do ideal, é uma perspectiva do desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde, contudo buscando qualidade e respeitando padrões bioéticos. Assim, a história torna os processos mais céleres, porque o que já foi descoberto está na palma de nossas mãos, precisamos agora fazer nossa história, com erros, acertos e descobertas, para que os futuros médicos, sejam eles nossos sobrinhos, filhos ou netos, possam fazer uma medicina cada vez melhor. Autora: ANA KAROLINA 

A história de forma geral estuda o passado para prevenir os erros no futuro, o estudo da história da medicina e da bioética evita os mesmos erros cometido no passado e buscar novos conhecimentos para ser aplicado no presente. Por isso, o estudo da história da medicina é de grande importância para o desenvolvimento dos estudantes, métodos de abordagem aperfeiçoado para melhor tratar do doente e também é importante para o desenvolvimento do conhecimento, pois a ciência se faz observando o passado e aplicando as descobertas no presente. Portanto, o curso de medicina necessita ter em seu currículo a disciplina da história da medicina e bioética para o estudante conhecer o percurso do desenvolvimento da medicina e seus limites e  também para poder ajudar em nova descoberta. Autor: EDIBERTO 

A discussão na aula foi muito enriquecedora e os colegas enfatizaram pontos muito importantes. Então indo no sentido dos colegas e da professora, com o estudo da  história da medicina e bioética, o médico não vai ter ao longo da sua formação somente uma bagagem técnica como foi abordado na aula mas também noções de filosofia, ética, história, direito, humanística enriquecendo-o intelectualmente e proporcionando um caráter critico-reflexivo. Como foi enfatizado na aula com esse estudo é possível evitar inúmeros erros que foram cometidos no passado, mas esses erros não devem ser julgados pois estes erros refletem a evolução de hoje, com os erros o homem ganhou mais experiências e aprendeu mil formas de não repetir o erro, evoluindo cada vez mais. Um dia a medicina de hoje será a história do futuro. Autora: PATRICIA ROSSANA 

Enquanto futuros profissionais da área médica, o estudo da história da medicina se faz essencial para que possamos compreender o que se passou até então na evolução dessa atividade enquanto prática profissional, a fim de nos possibilitar um completo entendimento daquilo que vem dando certo ou não nesse processo. Sobretudo acerca das questões filosóficas e sociológicas que envolvem essa prática profissional, onde está inserida a bioética (ou a ética médica) que até hoje delimita de maneira importante os limites morais dessa profissão. Estudar História da Medicina e da Bioética é poder conhecer e se apropriar das bases fundamentais que norteiam o ofício, as técnicas e habilidades, e o limite moral da profissão médica. Autor: EMANUEL 

Considero fundamental o estudo da história da medicina e da bioética, primeiramente para entender tais conceitos partindo de suas origens e compreendendo a evolução gradual que foi incorporada a esses. Ademais, acredito que a bioética deva ser um dos pilares a reger a prática médica na atualidade, tendo em vista o mundo tão dinâmico em que vivemos, onde muitas vezes a busca incessante por conhecimento pode deturpar a dignidade humana. Por fim, nota-se que compreender a medicina e a bioética tem um papel fundamental na busca por melhorias de vida, tanto para pacientes como para profissionais da saúde. Autor: GELIELISON 

A discussão de hoje foi bastante rica, proveitosa e interativa. Fortaleceu, em mim, o ideal de que a história é imprescindível para que possamos nos tornar os melhores cidadãos possíveis; o que não poderia ser diferente no âmbito profissional, de modo que devemos estar cientes do percurso trilhado pela medicina na história. Assim como meus colegas, considero extremamente necessário saber os eventos passados, pois seus desdobramentos interagem com o presente, nos explicando diversos fenômenos, e, até, nos prevenindo de erros futuros. Além de que, conhecer a história da medicina e bioética é entender que nada aconteceu sem esforço, sem protagonistas, e sem inúmeras tentativas e erros. Em suma, creio que todas essas percepções fortalecem nossa mentalidade como estudantes e futuros profissionais; corroborando, também, para uma formação mais humanística. Autor: MATHEUS 

Como bem apresentado pelos meus colegas na aula pela manhã, em qualquer área de atuação é indispensável compreender quando, como e onde surgiu, para entender o contexto em que isso se deu e todas as mudanças que ocorreram até os dias atuais. Com a Medicina não é diferente. Entender todo o contexto por trás do nascimento e do desenvolvimento dessa ciência será fundamental para todos nós, futuros médicos. Além disso, é imprescindível que se faça a diferenciação da prática médica em uma determinada época para a prática médica atual, de acordo com os valores de cada uma dessas situações. Diante disso, o estudo da bioética se torna também importantíssimo, uma vez que nos faz observar em que situações ocorreram avanços na medicina. Um exemplo são os avanços científicos no período da Segunda Guerra Mundial, sobretudo pela Alemanha Nazista, que realizava experimentos humanos sem consentimento, o que infringe completamente os direitos humanos e, nos dias atuais, dificilmente seria realizado. Assim, estudar a história da medicina e da ética envolvida, sobretudo no que tange os limites da relação médico-paciente, é fundamental para nossa formação. Autor: GABRIEL 

O estudo dos materiais compartilhados e a rica discussão da aula síncrona de hoje me levaram a refletir sobre a importância da disciplina para minha formação. Conhecer a história de nossa profissão nos possibilita ter uma formação humanística e nos empodera na tomada de decisões, contribuindo para evitar repetir graves erros cometidos no passado, além de contribuir para o desenvolvimento da criticidade de pensamento, uma característica muito importante para o médico. Sobre o estudo da bioética, acredito que o principal objetivo seja zelar e resguardar o direito à vida e a dignidade humana, embora sejam muitos os dilemas sobre a temática. E já que o estudo histórico da medicina e da bioética é tão importante, me questionei sobre o porquê da frequente desvalorização. Acredito que um dos principais fatores para essa visão reducionista seja um senso de imediatismo que é crescente na sociedade contemporânea. Além disso, penso que algumas práticas médicas, que foram sendo executadas e aperfeiçoadas ao longo da história - muitas de forma desumana - até que se obtivessem os avanços científico que hoje podemos usufruir, acabaram provocando uma espécie de desconforto sobre o assunto. Por fim, quando estivermos “olhando” para o passado, é importante considerar o contexto histórico e o conhecimento que se tinha na época. Autora: CAMILLA VANESSA 

Conhecer a história da medicina é entender a fluidez da ciência, é compreender que tudo que enxergamos como atual tem suas raízes no passado. Dessa forma, aprendemos com a evolução da medicina, com as decisões que os antigos cientistas tomaram e nos tornamos mais sábios para tomar nossas próprias decisões no presente que moldaram o futuro. No que tange à bioética, temos um eixo que compõe as regras básicas do bem-estar humano. Com isso, se o dever do médico é sempre buscar a melhora da qualidade de vida de seus pacientes e da população, é imprescindível nós, como futuros profissionais, termos noções dessa área essencial. Autor: DAVI 

Aquele que não tem seu passado gravado na memória, não conhece sua identidade; pode sobreviver, mas estará sujeito a se encaixar em qualquer padrão que lhe convencerem. Uma medicina - ou um servidor dela - que não guarde bem toda sua história, suas revoluções e crescimentos, acabará, por fim, se deixando levar por quaisquer ondas políticas, filosóficas ou religiosas, sem se auto questionar se é por isso que tem lutado a tanto tempo. Conhecer a sua história possibilita à medicina a humildade de encarar processos, a coragem de buscar respostas e a lembrança que todo o seu esforço é para que a vida seja uma oportunidade comum.  Autora: ANNA TRYCIA 

Inicialmente eu não entendia a necessidade do estudo da história da medicina e da bioética para o nosso currículo, mas após a discussão com a turma e a leitura do texto pude perceber como essa disciplina é fundamental na nossa construção como médicos por diferentemente do conhecimento técnico nos mostrar como nossa profissão surgiu, como foi evoluindo para que dessa forma possamos atuar como agentes na construção de um futuro em que a qualidade do tratamento médico e humano evolua cada vez mais na construção de um mundo em que a população tenha uma melhor qualidade de vida. Além disso, é fundamental que obtenhamos conhecimento dos erros do passado como experimentos feitos tanto em animais quanto em humanos que eram totalmente desrespeitosos na visão da bioética para que hoje possamos conciliar o avanço da ciência e das novas tecnologias com o respeito a dignidade humana. Autor: GABRIEL ANGELO 

Após o debate e as contribuições dos meus colegas durante a aula de hoje, fica até difícil adicionar algum detalhe à discussão. Mas gostaria de ilustrar como aprender sobre a história da medicina e da bioética pode ser um tema muito rico de aprendizado porque coloca reflexões fascinantes e, ao mesmo tempo, espinhosas. Vejam a situação abaixo, ocorrida com a neurocirurgiã Susan Mackinnon:

"Então, Susan engoliu em seco e pediu para trazerem o atlas de Pernkopf. Ela encontrou o nervo em minutos por causa dessas ilustrações. [...] E eu disse a ela: se isso vai curar essa pessoa e dar a ela sua vida de volta, então não há dúvida de que o atlas pode ser usado".

O material em questão trata-se de um projeto de 20 anos escrito pelo médico Eduard Pernkopf que resultou no atlas de anatomia topográfica mais detalhado do mundo.  E qual o problema? A origem desse trabalho. São corpos de pessoas mortas pelo regime Nazista que ilustram o atlas de Pernkopf. Mesmo especialistas em bioética divergem quanto a utilização do livro, mesmo em casos cirúrgicos complexos. Outros enfatizam que a utilização deve vir acompanhada da explicação sobre as ilustrações, propondo uma certa dignidade às vítimas. Complexo. O link para a matéria completa - "O livro nazista de anatomia que ainda hoje é usado por cirurgiões" – segue o link: 

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49394288

Autor: LUCAS CAETANO 

Porque fazemos o que fazemos do jeito que fazemos? Por conveniência, por tradição, pois sabemos que este é o melhor método encontrado até o momento? Sem o conhecimento da história é difícil responder esta questão sem apelar para o ?sempre fizemos assim?, ou ?surgiu desse modo?. Como foi dito hoje, é importante que saibamos sobre o passado para que não repetirmos os seus erros, além disso, saber que passamos por um processo de evolução nos traz a humildade de reconhecer que o quê está vigente pode mudar. A história demonstra que nós como sociedade evoluímos e com ela a medicina e bioética, resta a nós adquirir esse conhecimento e aplicá-lo para criar melhores caminhos para o futuro. Autor: YANN NICHOLAS