27 de julho de 2016

Aviso para Prova Osce do Internato Médico: 30.07.16

A próxima prova prática na modalidade Osce para o Internato do Curso de Medicina do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba será realizada no próximo dia 30 de julho, com início às 7h30, no Serviço de Apoio Ambulatorial do Hospital Universitário Lauro Wanderley (Térreo).

6 de abril de 2016

Osce do Internato em Clínica Médica no HULW - VIII Edição

Estudantes do Internato Médico da UFPB realizando a VIII Edição da Prova do Osce-Clínica Médica  (abril/2016)

A oitava edição da Avaliação Objetiva Estruturada por Estações (Osce) de Clínica Médica foi realizada no dia 02/04/16, envolvendo 35 alunos do Internato do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) que cumpriram o rodízio de Clínica Médica no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). 
A avaliação teve início às 8h15 e foi concluída às 12h00. Cada uma das três estações durou seis minutos para cada aluno. Uma quarta estação foi elaborada e aplicada aos 16 alunos primeiros alunos que realizaram a prova, porém foi suspensa às 10h00 em virtude de problemas relacionados ao paciente simulado e à impossibilidade de substituí-lo a tempo. 
Apresentam-se, em seguida, os conteúdos das estações, com os questionamentos propostos aos alunos e os respectivos checklists.

ESTAÇÃO 1
Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica 

ENUNCIADO: 
Paciente de 25 anos de idade, feminino, operadora de telemarketing, casada, queixa-se de fadiga constante durante o dia e de que dorme mal há 3 meses. Refere que acorda às 3h00 da manhã e não consegue voltar a dormir. Relata também preocupação excessiva na maior parte do tempo, todos os dias, o que vem prejudicando suas atividades diárias, principalmente no trabalho, onde necessita estar sempre alerta. Não gosta de seu trabalho e sua grande inquietação no momento é arrumar outra ocupação, mas preocupa-se por não estar bem. Está em busca de um remédio para a insônia pois acha que se passar a dormir bem, sentirá melhora da fadiga geral. Exame físico completamente normal.

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Faça perguntas à paciente para esclarecer sua queixa.
(2) A partir do que ela respondeu, levante sua hipótese diagnóstica e conduta inicial. Anote a seguir.

CHECKLIST
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ESTAÇÃO 2
Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica 

ENUNCIADO E INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS
Prescreva os seguintes medicamentos sujeitos a controle especial para um paciente de 35 anos, hígido, de 72 kg, escolhendo o receituário específico (disponível na mesa). Preencha todos os espaços necessários de uma boa prática prescritiva, exceto CRM.
(1)  Clonazepam – dose mínima eficaz, oral, na quantidade máxima permitida na dispensação por vez.
(2) Tramadol – dose mínima eficaz, na quantidade máxima permitida na dispensação por vez.
(3) Escitalopram - dose mínima eficaz, na quantidade máxima permitida na dispensação por vez.

Receita A
Receita B
Receita de Controle Especial

CHECKLIST*
*Correções/complementações: 
(1) Dose mínima do escitalopram: 10 mg (começar com 5 mg).
(2) Tramadol também pode ser prescrito na Receita de Controle Especial (doses menores que 100 mg)

ESTAÇÃO 3
Local do atendimento – Ambulatório de clínica médica

ENUNCIADO
Uma mulher de 28 anos de idade, solteira, vendedora, vem à consulta com queixa de erupção cutânea. Nas últimas 2 semanas ela desenvolveu vários “inchaços vermelhos” e doloridos nas pernas e antebraços. Os mais antigos são de cor mais escura, como se fossem “contusões” e ficam mais claros no centro. Ela também sente mal-estar geral e fadiga, além de dores nos pulsos e tornozelos. Nos últimos 2 anos, teve úlceras aftosas recorrentes na boca. Também tem sido incomodada por dor abdominal intermitente e diarreia periodicamente há 1 ano. Não tem outros antecedentes patológicos pessoais e não há história familiar relevante que ela lembre.
Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sem sinais flogísticos articulares nem limitação da amplitude de movimentos. Ao exame da pele, observam-se múltiplas lesões elevadas – nódulos – dolorosas, não ulceradas, de tamanhos variáveis e distribuídas simetricamente nos membros inferiores e antebraços (ver imagem). O restante do exame físico é normal, exceto por edema (++/4), mole e frio, em pés, além de varizes.


Imagem: Fonte - Skin Disease Atlas
Disponível em: http://www.dermnet.com/images/Erythema-Nodosum/picture/14778

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Que quadro cutâneo sindrômico apresenta esta paciente?
(2) Sugira uma hipótese diagnóstica etiológica principal (doença de base).
(3) Enumere duas hipóteses diagnósticas sindrômicas (para o quadro cutâneo) e duas para a doença de base

CHECKLIST



Comissão do OSCE/CM/CCM/UFPB
Profa. Ângela Siqueira Figueiredo
Profa. Leina Yukari Etto
Prof. José Luis Simões Maroja
Prof. Luis Fábio Barbosa Botelho
Profa. Rilva Lopes de Sousa Muñoz (Coord.)

Monitores do Osce (Alunos do Programa Jovens Talentos para a Ciência/Capes/UFPB e integrantes do GESME)
Raiara Carvalho Vieira – Simulação de paciente
Mirella Bezerra de Lima Silva e Melissa Toscano Montenegro de Morais – Marcação das estações e ordenação dos alunos para a avaliação

28 de março de 2016

Osce-Clínica Médica do DMI/CCM em Abril/2016: Aviso


A Comissão do Osce-Clínica Médica (DMI/CCM) avisa aos internos - os alunos do internato médico que cumpriram seu rodízio de Clínica Médica e ainda não realizaram este exame, e também aqueles que estão no rodízio há mais de um mês -, que a próxima prova desta modalidade será realizada no dia 02/04/16 às 7h30 no setor ambulatorial de Hematologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW)/UFPB

4 de dezembro de 2015

Estações do Osce em Clínica Médica: VII Edição

Alunos do Internato passando pela primeira estação da prova  tipo Osce de Clínica Médica - VII Edição - Internato do Curso de Medicina do Centro de Ciências Médicas (CCM), UFPB

A presente postagem apresenta as listas de checagem das estações da Avaliação Objetiva e Estruturada de Desempenho Clínico (Osce) de Clínica Médica, realizada em 28/11/15 para 43 estudantes do internato do curso de graduação em Medicina da UFPB que cumpriram, ou estavam cumprindo, o rodízio de Clínica Médica no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW).
A lista de checagem contém o instrumento de registro dos comportamentos observados e indicativos de domínio das habilidades avaliadas.
Aplicaram-se quatro estações, cujos enunciados e correspondentes listas de checagem estão demonstrados a seguir. Na primeira, avaliou-se a habilidade de comunicação e análise da queixa principal do paciente (simulado), além do raciocínio clínico hipotético-dedutivo; na segunda, avaliou-se a habilidade de solicitar um exame complementar do mesmo paciente, que não apresentou quadro de melhora, e interpretar o resultado; na terceira, avaliou-se também o raciocínio diagnóstico com base na apresentação escrita de um relato clínico (sem paciente simulado); e na quarta estação, foi avaliada a habilidade de comunicação do diagnóstico de câncer ao paciente (simulado). 

ESTAÇÃO 1

ENUNCIADO: Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica geral
Paciente de 50 anos de idade, masculino, professor, com dor nas costas desde que levantou o peso de uma televisão da parte traseira de seu carro. Ele nunca teve dor nas costas antes e também se queixa de estar se sentindo sem energia e fatigado. Ele tem antecedente de hipertensão arterial e usa ramipril 5mg. Teve um carcinoma basocelular removido de seu rosto há seis meses.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)    Que perguntas você gostaria de fazer ao paciente para esclarecer sua queixa? Faça-as, ele está à sua frente.
(2)  A partir do que ele respondeu, levante duas hipóteses diagnósticas. Anote aqui.
Lista de checagem
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ESTAÇÃO 2

ENUNCIADO: Local do atendimento – No mesmo ambulatório de clínica médica geral – 1 semana depois
O mesmo paciente de 50 anos de idade, visto na estação anterior, voltou à consulta porque você marcou seu retorno em uma semana para avaliar a evolução dele, dada a ausência de quaisquer sinais neurológicos e a curta duração do sintoma. Você deu-lhe um atestado para uma semana afastado do trabalho, com repouso relativo, evitando esforços e pesos, além de analgesia com paracetamol 500 mg via oral 6/6 h, fosfato de codeína 30 mg via oral 8/8 h e indometacina 50 mg via oral 8/8 h. 
Mas ele não melhorou.  Pelo contrário, a dor está piorando e ele tem sentido mal-estar geral, tendo passado a maior parte da semana na cama. Sua esposa está muito preocupada.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)   Que exame (apenas um) você gostaria de ter pedido na visita anterior? Diga ao professor da estação.
(2)  Veja o exame que ele lhe passará e responda aqui qual é a sua impressão diagnóstica com base no resultado.
Radiografia de coluna lombo-sacra em perfil

 Tomografia computadorizada de coluna lombo-sacra

 Ressonância magnética da coluna lombo-sacra

Hemograma 

Lista de checagem
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ESTAÇÃO 3

ENUNCIADO: Seu Roberto, 63 anos, estava se recuperando de uma prostatectomia devido a hiperplasia prostática, quando começou a sentir as pernas pesadas e cansadas. Achou que era normal devido à cirurgia, e também pelo fato de ser tabagista de longa data. Porém, subitamente começou a se sentir bastante cansado, com falta de ar intensa e dor no peito. Sua esposa o levou imediatamente à UPA. Ao chegar à UPA, o paciente foi logo encaminhado à sala de atendimento emergencial, onde você o avaliou, verificando que ele estava bastante dispneico, com tiragem intercostal, cianose perioral e sudorese profusa. PA: 160/110mmHg, FC: 105bpm, FR: 27 irpm, peso: 85 Kg. Ausculta cardíaca: taquicardia; ausculta pulmonar: diminuição bilateral do MV. Também havia edema nos membros inferiores, principalmente à direita.
INSTRUÇÕES: Responda, ANOTANDO ABAIXO
  (1) Quais as suas três principais hipóteses diagnósticas; (2) Que exames complementares você solicitaria; (3) Faça a prescrição inicial deste paciente (contendo o medicamento mais indicado no tratamento da sua hipótese diagnóstica principal).
Lista de checagem
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ESTAÇÃO 4

ENUNCIADO: Na sua frente, está o senhor LFBB, 34 anos. Engenheiro civil. Ele foi avaliado previamente por adenomegalias generalizadas (cervicais, axilares, inguinais), sendo a maior em região cervical D medindo ± 3 cm. Não fazia uso de medicações, nunca recebeu hemotransfusões. O médico que fez a primeira consulta solicitou biópsia linfonodal com imuno-histoquímica, que revelou linfoma Não-Hodgkin folicular (um tipo indolente de células B). Também trouxe hemograma, DHL, ureia, creatinina, TGO, TGP: normais. Sorologias para hepatites B e C negativas e anti-HIV também negativo. Como o médico que fez a primeira consulta entrou de férias, você está fazendo a consulta de retorno, conforme escala do serviço de Hematologia do HULW.
INSTRUÇÕES: NÃO É NECESSÁRIO ANOTAR AQUI.
(1) Informe o diagnóstico ao paciente.
(2) Responda, de forma clara, as perguntas e dúvidas do mesmo.


Comissão do OSCE/CM/CCM/UFPB
Profa. Leina Yukari Etto
Prof. José Luis Simões Maroja
Prof. Luis Fábio Barbosa Botelho
Profa. Rilva Lopes de Sousa Muñoz (Coord.)

Monitores do Osce (Alunos do Programa Jovens Talentos para a Ciência/Capes/UFPB)
Milton Linhares Júnior – Simulação de paciente
Miéllio Melo Galdino – Simulação de paciente
Mirella Bezerra de Lima Silva – Simulação de paciente
Melissa Toscano Montenegro de Morais e Raiara Carvalho Vieira – Ordenação dos alunos para a avaliação 

11 de novembro de 2015

3 de novembro de 2015

História da Psiquiatria: Seminário do Período 2015.1

Relatório do Seminário - Por Milton da Silva Linhares Júnior

Seminário “História da Psiquiatria” em 26/10/15, no módulo de História da Medicina e da Bioética / Universidade Federal da Paraíba. 
Os apresentadores foram estudantes do 3o. período do curso de Medicina da UFPB: Alinne Mirlânia, Jaciara, Jennyfer, Liliane e Sayron.

Jaciara iniciou a apresentação com a introdução do tema através da história da psiquiatria na Antiguidade, mencionando que referências às doenças mentais remontam aos egípcios, mesopotâmicos, gregos, romanos e hindus, e que tais afecções eram consideradas como castigos divinos ou possessões demoníacas. Ela citou alguns tratamentos que eram dados aos doentes mentais, como rituais de magia, exorcismos, castigos físicos, destacando, ainda, por outro lado, que os gregos utilizavam também músicas, atividades recreativas e passeios para o tratamento desses enfermos. Mencionou que há também registros sobre doenças mentais na Cultura Judia, na qual estes transtornos eram tidos como castigos impostos por Javé (um dos nomes usados no Antigo Testamento para Deus). Jaciara fez menção também ao rei da Babilônia Nabucodonosor II, que enlouqueceu e foi considerado possuído por espíritos, assim como lembrou ainda que o rei dos judeus, Saul, sofreu de depressão grave e apresentava ataques de fúria, sendo tratado por David, seu sucessor, através da música. 
Jaciara salientou ainda que na Índia, o Mahabarata (um dos maiores épicos clássicos da Índia, o principal texto religioso da religião hindu) descreve vários personagens loucos, e este livro tem destaques para a lipemania (tristeza, desgosto), a mania ambiciosa, a mania homicida, a epilepsia, a histeria e a neurose obsessiva. Continuou afirmando que no Código de Hammurabi havia crenças de que eram os demônios que causavam as doenças. Também no antigo Egito consideravam-se os alienados como seres possuídos por "espíritos do mal". 
Jaciara destacou ainda o problema da histeria, termo muito utilizado pelos gregos - sendo encontrado também no papiro de Kahun, dos egípcios -, e que foi uma terminologia criada por Hipócrates, e derivada da palavra "útero", pois acreditava-se que a histeria era uma doença que acontecia apenas em mulheres. Este transtorno era atribuído à movimentação do útero pelo corpo da mulher. A apresentadora mencionou também que Hipócrates fez as principais descrições da histeria e, segundo ele, esta era uma doença típica das mulheres, nas quais o útero ficava desidratado e leve, devido à falta de relações sexuais, e acabava movimentando-se dentro do corpo, ocasionando a doença. Além disso, falou da ligação, feita por Hipócrates, de quadros mentais com o desequilíbrio dos “humores” (fleugma, sangue, bile amarela e bile negra). 
Jaciara lembrou também que Hipócrates reconheceu que a epilepsia era uma doença natural, originada no cérebro, e não uma "doença sagrada", como era vista anteriormente. Assim, no Corpus Hipocraticus (conjunto de obras atribuídas a Hipócrates), passou-se a considerar a epilepsia como uma doença cerebral, sem relação com crenças mágicas e religiosas. 
Os autores romanos que viveram depois de Hipócrates, como Galeno e Celso, consideravam que havia três tipos de doença mental: a frenite, a mania e a melancolia. Jaciara citou o médico grego Asclepíades de Bitínia, que baseou sua prática médica na teoria do atomismo de Demócrito, segundo a qual as doenças ocorriam pela movimentação irregular de corpúsculos no organismo e também acreditava que as doenças mentais eram uma consequência de alterações das paixões. 
Para concluir sua parte na apresentação do seminário, citaram-se outras grandes personalidades da Antiguidade que tiveram influência sobre o que se pensava a respeito das doenças mentais, como Galeno (refutou a ideia de que o útero se deslocaria pelo corpo, e foi o primeiro a considerar que a histeria também poderia ocorrer em homens), Aristóteles (precursor da psicologia, descrições do conteúdo da consciência, teoria da melancolia) e Sócrates (considerou os estados corporais como reflexos psicológicos).
Alinne continuou a apresentação abordando a história da psiquiatria na Idade Média e Idade Moderna. Ela salientou que a maioria das doenças nos tempos medievais tinha explicações sobrenaturais, tendo, portanto, ocorrido um retorno ao pensamento fantástico, que predominou na Antiguidade, antes de Hipócrates. Alinne mostrou uma tabela que criou para resumir os conceitos de loucura como manifestação divina, referente ao início da Idade Média, como a crença da possessão demoníaca, e ao fim do medievo, com a atribuição de bruxaria às mulheres e aos portadores de doenças mentais. Destacou que o conceito de bruxaria acarretou condenação à morte na fogueira no tribunal da Inquisição da Igreja Católica. Não apenas os supostos praticantes de bruxarias, mas também os indivíduos considerados hereges pela Igreja, foram condenados e castigados severamente neste tribunal. 
Alinne mencionou as personalidades de destaque da época, como Santo Agostinho (religioso que fez observações importantes na área da memória e da consciência, mas não pôde ultrapassar os “muros” da igreja), Alexander de Tralles (descreveu a epilepsia e diversos transtornos mentais), Constantino Africano (descreveu sintomas depressivos) e Avicena (descreveu melancolia, mania e epilepsia).
Alinne destacou que uma relevante mudança no desenvolvimento da psiquiatria na Idade Média foi o surgimento dos primeiros estabelecimentos precursores dos hospitais psiquiátricos. Em 1409, surgiu o primeiro hospício, em Valência, na Espanha. Explanou também que na Idade Moderna, houve uma expansão dos hospitais psiquiátricos, mas estes possuíam condições consideradas inaceitáveis para seres humanos, exemplificando tais condições através de uma citação direta cunhada por Etienne Esquirol (1772-1840) no século XIX: 
“Eles são mais mal tratados que os criminosos; eu os vi nus, ou vestidos de trapos, estirados no chão, defendidos da umidade do pavimento apenas por um pouco de palha. Eu os vi privados de ar para respirar, de água para matar a sede, e das coisas indispensáveis à vida. Eu os vi entregues às mãos de verdadeiros carcereiros, abandonados à vigilância brutal destes. Eu os vi em ambientes estreitos, sujos, com falta de ar, de luz, acorrentados em lugares nos quais se hesitaria até em guardar bestas ferozes...”. 
Alinne terminou sua apresentação falando sobre uma figura central da Psiquiatria da Idade Moderna, Philipe Pinel, um médico francês influenciado pelas ideias do Iluminismo e pelos ideais revolucionários franceses de liberdade. Mencionou também que Pinel preconizou o tratamento moral para os doentes mentais e os desacorrentou a partir de sua nova prática médica, exercida enquanto chefiou os hospitais em Bicêtre e La Salpêtrière na França. Alinne salientou que Pinel revolucionou a história da psiquiatria com tratamentos mais racionais e humanizados. Salientou ainda que Pinnel foi autor do livro "Tratado Médico-Filosófico sobre Alienação ou a Mania", e recebeu o título de "pai da psiquiatria moderna".      
Jennyfer passou, então, a abordar a história da psiquiatria nos séculos XIX e XX. Mencionou que o século XIX "foi um grande edifício de asilos", e que o termo asilo era utilizado para estabelecimentos privados que tentavam viabilizar o cuidado de pessoas que eram consideradas um fardo para sociedade, como idosos, pessoas com deficiências físicas e doenças mentais. O termo manicômio surgiu a partir do século XIX, para designar o hospital psiquiátrico. Ela destacou também que houve uma disseminação da prática de retirar os doentes mentais do convívio social para colocá-los nos manicômios, que proliferaram para abrigar os doentes e também outras pessoas marginalizadas socialmente. 
Jennyfer continuou sua explanação mencionando personalidades importantes na história da psiquiatria do século XVIII e XIX e algumas de suas contribuições: Theodor Meynert (psiquiatra austríaco que fazia secções cerebrais, e que não acreditava em aspectos sociais das doenças mentais e nem na sua cura); Jean Martin Charcot (abordagem psicossocial da doença mental e  estudos sobre histeria): Pierre Janet (parceiro de Charcot nas hipnoses para curar os pacientes com histeria e criador do termo "neurastenia"); Benédict-Augustin Morel (criador da teoria da degeneração progressiva ou degenerescência); Richard Von Krafft (atribuiu o excesso de sexualidade como fator predisponente à doença mental); Adolf Meyer (abandonou o estudo biológico da psiquiatria em favor de estudos biopsicossociais dos pacientes); e Eugen Bleuler (cunhou o termo esquizofrenia). Em 1924, Bleuler (1857-1939) estudou sobre a chamada "demência precoce", para a qual propôs o nome esquizofrenia, e descreveu os sintomas desta doença. 
Após menção a grandes personalidades da psiquiatria nos séculos mais recentes, Jennyfer mencionou brevemente Sigmund Freud e a criação da Psicanálise. Este tópico foi desenvolvido pela moderadora do seminário, uma vez que a aluna responsável por este tópico encontrava-se de licença.
Posteriormente, Jennyfer passou a discorrer sobre a história da terapia medicamentosa em psiquiatria. Ela destacou que a psicofarmacologia moderna inicia-se no final da década de 1940, quando foram introduzidos os primeiros fármacos com a finalidade específica de tratar os transtornos psiquiátricos. Esta história começa com a clorpromazina, que proporcionou uma revolução no tratamento da esquizofrenia, permitindo que muitos pacientes deixassem os asilos onde tinham sido previamente confinado, e passassem a viver na comunidade. Jennyfer mencionou também Julius Jauregg, Paul Ehrlich e Alexander Fleming, como precursores de tratamentos medicamentosos, que embora estes não fossem psicofármacos, contribuíram significativamente na história dos medicamentos relacionados a doenças com manifestações neurológicas e psiquiátricas. No tocante a outras substâncias psicoativas, a apresentadora citou ainda a utilização de drogas como apomorfina, barbitúricos e benzodiazepínicos. Relatou o emprego de determinadas medidas terapêuticas controversas como a eletroconvulsoterapia e o choque insulínico, assim como a lobotomia, destacando, em relação a esta última, o papel do precursor, o português Egas Moniz, e do americano Walter Freeman, que difundiu e popularizou o emprego da técnica através do uso de um furador de gelo (lobotomia trans-orbital), realizada de forma indiscriminada nos anos 1930 nos Estados Unidos. Também mencionou a descoberta do papel dos neurotransmissores e os novos exames do cérebro por imagem na segunda metade do século XX. 
Sayron apresentou a história das reformas psiquiátricas. Iniciou referindo que os primeiros questionamentos sobre o papel da psiquiatria começaram a surgir no período pós-segunda guerra mundial, influenciados pelas experiências realizadas pelos nazistas, o ataque pela bomba atômica e outras barbáries que aconteceram até a segunda metade do século XX. Mencionou ainda que foi nesse período que surgiram o aconselhamento psicológico, os estudos fenomenológicos e o existencialismo como forma de acolher o ser humano que estava abalado, enquanto que paralelamente ocorreram as primeiras tentativas de se modificar o hospital psiquiátrico, buscando-se humanizá-lo, pois sabia-se que os maus tratos aumentavam os índices de cronificação das doenças e estavam em oposição à proposta de uma instituição de saúde e cura. Nesse sentido, Sayron listou alguns movimentos que aconteceram ao redor do planeta, entre eles: o movimento das comunidades terapêuticas na Inglaterra; a psicoterapia institucional e a psiquiatria de setor, que buscavam a recuperação da função terapêutica do hospital psiquiátrico na França; a psiquiatria comunitária nos Estados Unidos, com foco na prevenção e promoção de saúde mental; na Inglaterra também surgiu o movimento da Antipsiquiatria, que propunha a loucura como um fato social sem necessidade de tratamento; a psiquiatria democrática italiana, evento de maior ruptura, e que determinou o reconhecimento da existência da doença mental, porém com a proposta de um novo olhar sobre ela, que era mais complexo, não enxergando somente o doente mental como ser isolado. 
Sayron mencionou também as reformas que ocorreram no Brasil devido às ideias que começaram a aparecer na década de 1980, no período de redemocratização, enquanto o Brasil passava por uma série de mudanças. O apresentador afirmou ainda que em 1982 houve a criação do programa de reorientação da assistência psiquiátrica pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, e em 1987, houve a I Conferência Nacional de Saúde Mental, o II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, o fim da trajetória sanitarista e movimentos a favor do fim dos manicômios. Mencionou que houve a criação do dia da luta antimanicomial, que passou a ser o dia 18 de maio, além da criação da lei da saúde mental, em 2001, e de uma série de portarias, entre elas a 189 e 224, que regularizaram os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e os Núcleos de Atenção psicossocial (Naps). 
Liliane prosseguiu a apresentação do seminário, abordando a história da psiquiatria brasileira, começando sua fala com menção aos primórdios da psiquiatria no Brasil. Mencionou a criação do hospício Pedro II em 1852 como um marco importante. Referiu também que os doentes mentais eram cuidados por curandeiros e religiosos até o século XVIII, com exceção dos mais ricos, que eram trancafiados dentro de suas casas ou enviados para a Europa para se tratarem. Segundo ela, antes da criação do Hospital Pedro II, havia as Santas Casas de Misericórdia, desprovidas de atenção médica e de higiene. Sobre o Hospital Pedro II, Liliane afirmou que foi criado de acordo com o modelo asilar francês e que tinha o intuito de abrigar os doentes mentais e oferecer tratamento, mas possuindo também o caráter de consolidar uma política civilizatória e ordenada no Brasil para se equiparar às potências ocidentais. Mencionou que a administração desse hospício foi feita pela Santa Casa de Misericórdia até 1890 com atuação muito forte de religiosos, o que mostra que a psiquiatria no Brasil enquanto política de assistência precedeu a psiquiatria como saber médico especializado. Liliane mencionou a fase de "medicalização" da loucura, a incorporação de colônias agrícolas na rede de assistência, a criação da lei de assistência aos alienados em 1903, a instituição da psiquiatria como posição central dentro dos hospícios, e a criação de vários hospícios públicos em outros estados, citando o exemplo da Paraíba, na qual houve criação do Asilo Santa Ana, em João Pessoa. Mencionou que os pacientes psiquiátricos passaram a ter o trabalho como tratamento terapêutico para estimular o cérebro e reduzir as manifestações delirantes. 
Sobre o início do processo de institucionalização da psiquiatria, a aluna disse que em 1881 houve a reforma no ensino, que levou à criação da cátedra de clínica psiquiátrica e de moléstias mentais, e da qual Teixeira Brandão foi o primeiro psiquiatra responsável. Lembrou também que em 1907 houve a criação da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, propiciando um campo para debates de casos clínicos, diagnósticos e reunião de médicos interessados na psiquiatria. 
Liliane falou também sobre o famoso psiquiatra baiano Juliano Moreira, que foi diretor do Hospício Nacional de Alienados entre 1903 e 1930, tendo sido também fundador, juntamente com Afrânio Peixoto, da Revista Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins em 1905, e foi quem introduziu o modelo teórico e assistencial baseado na psiquiatria alemã.  
Entre 1920 e 1930, Liliane citou os seguintes acontecimentos marcantes na psiquiatria: disseminação do ideário psiquiátrico preventivista e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental, criada por Gustavo Riedel, e baseada em conceitos de eugenia, hereditariedade e de críticas às condições sociais. Nas décadas de 1940 e 1950, disse que houve uma expansão dos hospitais públicos, principalmente a criação de hospitais estaduais, assim como a introdução de instrumentos de tratamento como o choque cardiazólico, a psicocirurgia, a insulinoterapia e a eletroconvulsoterapia, utilizando a imagem das esculturas de Lúcio Noeman para ilustrar esta fase da história da psiquiatria no Brasil. 
A respeito das décadas de 1960 e 1970, Liliane destacou as raízes da reforma psiquiátrica brasileira, com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) em 1966, o que acarretou o crescimento dos hospitais particulares em detrimento dos públicos, assim como a realização do I Congresso Brasileiro de Psiquiatria, e que houve forte influência da psiquiatria preventivista. Encerrou a apresentação, afirmando que, nesse período, houve muitas críticas ao governo federal por causa da política privatista, fraudes e muitas denúncias contra maus tratos, abandonos e violências nos hospitais psiquiátricos, mas que a partir da década de 1980 tomou forma a Reforma Psiquiátrica.

Após a apresentação, houve a demonstração de obras de arte escolhidas pelos alunos e relacionadas com a temática da história da psiquiatria.
Jaciara escolheu a obra “Os jardins do Asilo de Arles”, de Vincent Van Gogh - 1888.

Aline mostrou a obra “Philippe Pinel à la Salpetriere”, de Tony Robert-Fleury, 1876:

 Jennyfer trouxe a obra “The Rake’s progress”, de William Hogarth, 1735:

Sayron destacou o trabalho “O ateliê segundo Emygdio”, do Ateliê de pintura da psiquiatra brasileira Nise da Silveira:

Por fim, Liliane apresentou um trecho da obra “O Cemitério dos Vivos”, do escritor Lima Barreto:

As referências apresentadas ao final do seminário foram as seguintes: