17 de junho de 2011

Xerostomia

Por Gabriela Lemos Negri
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB


Resumo
A xerostomia corresponde a uma sensação subjetiva de escassez ou carência absoluta de saliva na cavidade oral. Também conhecida como asialorreia ou boca seca, não constitui uma entidade clínica por si só, antes representando uma manifestação de uma disfunção no aparato salivar. São inúmeras as causas atualmente conhecidas como responsáveis por esse sintoma, devendo-se destacar: uso de certos medicamentos, especialmente os quimioterápicos; emprego de tratamentos baseados no uso de radiações ionizantes; diabetes mellitus; e doenças auto-imunes, sobretudo a síndrome de Sjögren. Trata-se de um sintoma com consequências físicas, psicológicas e sociais importantes.  É importante que os médicos tenham um adequado conhecimento deste problema.

Palavras chave: Xerostomia. Boca Seca. Estomatologia.

A xerostomia (do grego xero: seco; stoma: boca) representa a manifestação clínica mais comum das disfunções salivares, sendo definida pela percepção subjetiva de boca seca, resultante de uma diminuição no fluxo salivar. Inicialmente acreditava-se que essa manifestação era própria de pessoas da terceira idade, no entanto, estudos mais recentes demonstram que cerca de 20% das pessoas acometidas apresentam idade em torno de 20 anos, enquanto 40% têm mais de 60 anos. A frequência observada também foi maior em mulheres, em virtude das inúmeras alterações hormonais associadas com a gravidez, climatério e menopausa.

A saliva desempenha um papel essencial na manutenção da saúde bucal. Além de atuar na umidificação dos tecidos da cavidade oral, sua propriedade lubrificante auxilia no processo de formação e deglutição do bolo alimentar, auxilia a fonética e também na proteção dos tecidos contra danos tanto por agentes mecânicos quanto por microorganismos nocivos. Estudos recentes desenvolvidos na França pelo Instituto Pasteur identificaram ainda a presença de propriedades calmantes e analgésicas do fluxo salivar.

Assim, se a saliva desempenha um importante papel na proteção do ambiente oral, e as reduções na quantidade de saliva aumentam o risco de doenças bucais. Xerostomia ou a percepção de uma boca seca agora está sendo reconhecido como um importante fator de risco para doenças dentárias. Além disso, a sensação subjetiva de boca seca é uma condição debilitante por si mesma, pelo impacto sobre a qualidade de vida dos doentes afetados. Uma em cada cinco pessoas relatam alguma forma de boca seca, e há uma crescente prevalência na população idosa.

A diminuição da saliva pode acarretar uma série de sintomas, como sensação de ardor e dolorimento na língua; distúrbios gastrointestinais; secura bucal; dificuldades na fala, mastigação e percepção do sabor dos alimentos conduzindo, entre outros, a distúrbios de nutrição. Pode-se observar também o aparecimento de fissuras nas comissuras labiais, dipsia constante, presença de aftas bucais, acúmulo de placa dental bacteriana, halitose, desgaste do esmalte dentário, maior suscetibilidade a infecções por Candida albicans. As cáries e a doença periodontal representam uma das principais complicações da xerostomia, que frequentemente é acompanhada de palidez, perda do brilho e adelgaçamento da mucosa.

A hipofunção das glândulas salivares pode resultar de diversas causas como: doenças sistêmicas, transtornos de ansiedade, desidratação e infecções agudas das glândulas salivares. A xerostomia crônica, com asialorréia permanente, relaciona-se frequentemente com doenças autoimunes, infecciosas, alérgicas, reumatológicas (sobretudo a síndrome de Sjögren), anomalias congênitas, menopausa, fibromialgias, radioterapia no câncer (cerca de 60 a 88% dos casos com doença oncológica avançada), diabetes mellitus, transtornos psiquiátricos, doença de Alzheimer, AIDS e uso de substâncias adictivas como álcool e tabaco. Uma outra afecção comumente responsável por essa manifestação em mulheres é o diabetes gestacional. Contudo, o uso de medicamentos ainda é a principal causa de secura bucal.

O diagnóstico é eminentemente clínico. Deve-se fazer uma avaliação minuciosa da cavidade oral, podendo-se empregar métodos quantitativos que determinem a secreção salivar em repouso ou sob estimulação, caso seja necessário.

Referências
ALMEIDA, J.P; KOWALSKI, L. P. Pilocarpina no tratamento de xerostomia em pacientes submetidos à iodoterapia: estudo piloto. Braz. j. otorhinolaryngol. 76 (5): 659-662, 2010.DONAT, F. J. S; SANDOVAL, A. P. Efectos adversos del tratamiento del cáncer oral. Av Odontoestomatol 24 (1): 111-121, 2010.
BASCONES, A et al. Conclusiones del Simposium 2007 de la Sociedad Española de Medicina Oral sobre "Xerostomía, Síndrome de Boca Seca, Boca Ardiente". Av Odontoestomatol 23, (3): 119-126, 2007.
HESPANHOL, F. L. et al. Manifestações bucais em pacientes submetidos à quimioterapia. Ciênc. saúde coletiva, 15 (suppl.1): 1085-1094, 2010.
HOPCRAFT, M. S.; TAN, C. Xerostomia: an update for clinicians. Aust Dent J, 55(3):238-44, 2010.
JIMENEZ, E. et al. Xerostomía: Diagnóstico y Manejo Clínico. Rev Clin Med Fam. 2 (6): 300-304, 2009.
PALACIOS, J. A. et al. Xerostomía y uso de medicamentos en adultos. Rev Cubana Estomatol, 45 (3-4): 0-0, 2008.

Fonte da imagem: hometreatment.net

13 de junho de 2011

História da Bioética: Relatório do X Seminário de MHB3 em 2011.1



Realizou-se hoje o décimo e último seminário do período 2011.1 no Módulo de História da Medicina e da Bioética (MHB3) / UFPB. O tema foi “História da Bioética”, apresentado e defendido por Aluiziane, Maísa, Alysson, Natália e Alana.

A exposição do tema foi iniciada por Aluiziane, que apresentou os fundamentos filosóficos da ética, definindo o termo, comentando as diferenças entre ética e moral, assim como entre ética e filosofia. Apresentou ainda o pensamento dos filósofos gregos sobre ética, sobretudo Sócrates, Platão e Aristóteles. Continuou, reportando-se à Idade Média, ao sintetizar as principais ideias de São Tomás de Aquino relacionadas à ética; ele considerava o homem como um sujeito que, apesar de tender para o bem, estava sujeito a diversos obstáculos em seu caminho, e deveria ser educado para evitar seus instintos naturais. Na sua lógica, a filosofia, e nesta, a ética, submete-se à fé em Deus.

Aluiziane ainda discorreu sobre ideias de importantes pensadores da Modernidade e da Contemporaneidade a respeito da ética. Na Idade Moderna, destacou Immanuel Kant, cuja filosofia moral preconiza que a base para toda razão moral é a capacidade do homem de agir racionalmente. O fundamento é a crença de que uma pessoa deve se comportar de forma igual à que ela esperaria que outra pessoa se comportasse na mesma situação, tornando assim seu próprio comportamento uma lei universal. Na formulação do chamado "imperativo categórico", Kant fundamentou a ética no dever de atuar somente quando este seja convertido em lei universal. “Imperativo” porque constituem um dever de atuação, “categórico” porque é incondicional, não subordinado a nenhum fim. Daí, a máxima: “ Age de tal maneira que o motivo que te levou a agir possa se convertido em lei universal”.

Na contemporaneidade, Aluiziane destacou Peter Singer e Hugo Tristram Engelhardt. Peter Singer é um filósofo australiano conhecido e dos mais importantes especialistas em ética aplicada, entre outras coisas, por sua defesa moral do aborto e eutanásia, assim como o debate sobre o status moral dos animais não-humanos. Com a publicação da obra Animal Liberation ("Libertação Animal", no Brasil), Singer enfatiza que a única base plausível sobre a qual se pode defender o princípio da igualdade para todos os seres exige, por coerência, que se estenda essa igualdade a animais não-humanos. Engelhardt, médico, filósofo e bioeticista de Houston/EUA propôs que a Bioética “funciona como uma lógica do pluralismo, como um instrumento para a negociação pacífica das instituições morais”. Ele defende a secularidade nos diálogos bioéticos sendo, ele próprio, cristão ortodoxo e, carregando, portanto, ideias “conservadoras” sobre temas como aborto e manipulação de embriões. Em sua obra clássica "The foundation of bioethics", defende o paradigma libertário, que tem pressupostos no Humanismo e no Secularismo. A bioética como disciplina secular, orientada filosoficamente, não dependente apenas de profissionais de saúde, deveria ser o panorama da ética contemporânea pluralista. Sua concepção de pessoa constitui uma ferramenta útil nas questões éticas, frente ao desenvolvimento das ciências biomédicas.

Por fim, Aluiziane discorre sobre “personalidade jurídica” como valor ético de origem constitucional, especialmente relacionada com a dignidade da pessoa humana inserida num contexto social. O reconhecimento da personalidade jurídica refere-se aos direitos do ser humano desde sua existência. No Brasil, inicia-se a personalidade jurídica com o nascimento.

Maíze abordou importantes violações éticas na história da medicina. As pesquisas antiéticas mais conhecidas são, sem dúvida, aquelas praticadas pelos médicos nazistas nos campos de concentração na II Guerra Mundial. Mas eles não foram os únicos a sacrificar seres humanos no altar do conhecimento científico. Muitos pesquisadores dos Estados Unidos também mostravam pouca preocupação com as pessoas que usavam como sujeitos de suas pesquisas.

Maíze começou referindo que em 1962, publicou-se um artigo na revista Life com o título de "Eles decidem quem vive e quem morre” e em que se discutia a questão de médicos nefrologistas americanos estavam decidindo quem iria para os programas de diálise crônica, já que este tipo de tratamento estava no seu início e não era disponível para todos os que necessitavam dele. Assim, as raízes da bioética encontram-se historicamente inseridas no progresso das ciências médicas.

A partir de 1962, principalmente em Seattle/EUA, inúmeras discussões surgiram com a possibilidade de realização de diálise em pacientes com insuficiência renal crônica. O excesso de pacientes e a carência de equipamentos fez, então, com que fossem estabelecidos comitês, compostos por leigos, que estabeleciam critérios para a utilização dos mesmos. Devido a característica de decidir acerca da sobrevida ou não dos pacientes, estas comissões passaram a ser denominadas, pela imprensa, de "Comitês Divinos".

Maíze continuou afirmando que o uso generalizado de antibióticos e técnicas artificiais de respiração, popularizados nas décadas de 1950 e 1960, abrem perspectivas novas de prolongar a vida humana. Com a primeira transferência renal bem sucedida, em 1954, a medicina de transplante vê-se obrigada a lidar com os mecanismos de aquisição e distribuição de órgãos. Com isso, critérios até então aceitos acerca de morte cerebral tornam-se duvidosos e moralmente controvertidos.

Continuando a apresentação de eventos que tiveram grandes implicações éticas relacionadas a condutas desumanas de cientistas e médicos, Maíze citou um estudo realizado para avaliar a história natural da sífilis iniciado em 1932 na cidade de Tukesgee, no Alabama (EUA), em que se acompanharam indivíduos negros de baixo poder econômico, sendo 408 deles com sífilis e mantidos sem tratamento. Os resultados foram publicados em 1954 em uma revista de Saúde Pública dos Estados Unidos e mostravam que a mortalidade dos pacientes não tratados era maior que a dos indivíduos sem sífilis. O estudo prosseguiu, mantendo os pacientes sem tratamento, mesmo já existindo terapêutica medicamentosa eficaz para a doença, e só foi interrompido em 1972, quando houve uma denúncia na Revista New York Times. Os sujeitos dessas pesquisas recebiam refeições e exame médicos gratuitos, além de terem garantido um seguro-funeral em troca de sua participação no projeto. As informações sobre a verdadeira origem da doença foram sonegadas dos pacientes e àqueles que perguntavam sobre a fonte dos sintomas que apresentavam, respondia-se que eles tinham o “sangue ruim” (bad blood). Pela sua repercussão, o estudo de Tuskegee foi um marco no que diz respeito à ética na medicina e na confiabilidade dos objetivos da pesquisa científica.

Ainda a respeito de estudos semelhantes, Maíze referiu uma pesquisa realizada na Guatemala com quase 700 participantes, que eram pacientes psiquiátricos internados, presidiários e prostitutas, com o objetivo de avaliar o uso da penicilina em doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorréia e cancro. Eram feitas inoculações diretas dos agentes infecciosos, e de forma intencional, em presidiários e pacientes com problemas psiquiátricos. Em relação à sífilis, a inoculação era feita através de injeções subcutâneas de Treponema pallidum.

Maíze passou, então, a relatar várias “experiências” médicas nazistas, realizadas durante a II Guerra Mundial por médicos alemães. Foram procedimentos desumanos, cruéis, e muitas vezes mortais, envolvendo milhares de prisioneiros dos campos de concentração. Muitas dessas experiências tinham como finalidade promover a sobrevivência dos militares alemães, estudando-se reações às elevadas altitudes, usando câmaras de baixa pressurização. Os cientistas alemães também realizaram experiências de congelamento, utilizando os prisioneiros como cobaias para descobrir um método eficaz de tratamento para a hipotermia. Outra categoria de experiências tinha por objetivo desenvolver e testar medicamentos, assim como métodos de tratamento para ferimentos e doenças que os militares e a equipe de ocupação alemã encontravam no campo. Ainda outra categoria de experiências “médicas” buscava aprofundar os princípios raciais e ideológicos da visão nazista. Os mais abjetos foram as experiências feitas por Josef Mengele, em Auschwitz, que utilizou gêmeos de forma inumana. Mengele foi apelidado de o “Anjo da Morte” pelos prisioneiros, porque tinha boa aparência e era aparentemente simpático com as crianças do campo, e, no entanto, cruelmente, fazia seleções destas para as câmaras de gás. Ele mandou executar 400 mil prisioneiros, entre judeus, homossexuais e deficientes físicos. Os poupados da morte imediata eram enviados para barracões, onde ficavam as cobaias humanas de seus experimentos. Entre eles, havia principalmente irmãos gêmeos, anões e portadores de deficiências físicas. Mengele dissecava anões vivos tentando comprovar que eram fruto da excessiva miscigenação de raças e jogava prisioneiros em água fervente para ver o quanto suportariam.

Os fatos relatados acima, as pesquisas em seres humanos feitas pelos nazistas durante a II Guerra Mundial e o grande aumento dos recursos dispendidos pelos laboratórios farmacêuticos para pesquisa de novos fármacos, impuseram a necessidade de se estabelecerem normas éticas para as pesquisas em seres humanos. Finalizando, Maíze citou a consumação do Tribunal de Nuremberg em 1946, que gerou o Código de Nuremberg em 1947, a primeira recomendação internacional sobre experimentos envolvendo seres humanos. Estes aspectos normativos continuarão, posteriormente, a ser relatados por Natália, neste seminário.

Alysson deu continuidade à apresentação, abordando a evolução do conceito de Bioética. Este termo já é utilizado há 40 anos. O primeiro a usá-lo foi o médico oncologista norte-americano Dr. Van Rensselaer Potter, em 1970, em um artigo científico. A sua caracterização inicial era a seguinte: “Nós temos uma grande necessidade de uma ética da terra, uma ética para a vida selvagem, uma ética de populações, uma ética do consumo, uma ética urbana, uma ética internacional, uma ética geriátrica e assim por diante...”. Depois, Potter utilizou o termo em seu livro: “Bioética: Uma Ponte para o Futuro”, em 1971. Potter estava pensando em ecologia quando inventou a palavra “bioética”, em 1970, não em aspectos éticos ou bioéticos reacionados apenas à saúde. Seu foco direcionou-se à ética e o meio ambiente.

Alguns meses após Potter ter introduzido o novo termo, alguns estudiosos da Georgetown University, tendo o médico obstetra, fisiologista fetal e demógrafo André Hellegers à frente, utilizavam o mesmo neologismo, mas com um sentido diferente. A bioética, segundo o "modelo Georgetown", seria um campo interdisciplinar da própria filosofia moral (e não da ciência e filosofia como era para Potter), e que deveria tratar de dilemas biomédicos concretos restritos a três áreas: os direitos e deveres dos pacientes e dos profissionais de saúde; os direitos e deveres na pesquisa envolvendo seres humanos; e a formulação de uma diretriz para a política pública, o cuidado médico e a pesquisa biomédica.

A bioética, portanto, nasce de duas concepções, aparentemente inconciliáveis. De um lado, a concepção de Potter, que vinculava duas formas de conhecimento (ciências naturais e ciências humanas), fundando-se duas tradições disciplinares diferentes e legítimas, cada uma no seu campo de aplicação específico. De outro, a concepção do Instituto Kennedy, que a considerava uma disciplina pertinente ao campo da filosofia aplicada aos dilemas biomédicos.

Alysson prosseguiu afirmando que a bioética trata de temas específicos como nascer/não nascer (aborto), morrer/não morrer (eutanásia), saúde/doença (ética biomédica), bem-estar/mal-estar (ética biopsicológicas) e de novos campos de atuação do conhecimento, como a clonagem (ética genética). Dentre as diversas práticas da bioética, destacam-se atividades terapêuticas em sentido amplo, pois todo e qualquer exercício das relações profissionais de médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, nutricionistas, biólogos, fisioterapeutas e demais técnicos em saúde, assim como os usuários das novas técnicas biomédicas e farmacológicas, tornam-se destinatários do discurso bioético.

A seguir, Alysson referiu-se ao Prof. Warren Reich, membro do Kennedy Institute of Ethics, da Universidade Georgetown/EUA, e co-editor da Enciclopédia de Bioética. Estudioso pioneiro da bioética nos EUA, Warren Reich considera Potter, André Hellegers e Sargent Shriver como os “pais” da bioética. A bioética no seu nascedouro é definida pela Enciclopédia de Bioética (1978) como sendo “o estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e da saúde, enquanto esta conduta é examinada à luz de valores e princípios morais”.

O conceito de bioética não foi aceito com facilidade na Alemanha. Era considerado controverso (como um “produto americano”). Somente a partir de 1986, o termo é oficialmente introduzido e passa a ser utilizado com mais frequência. O bioeticista alemão Hans-Martin Sass, que trabalhou no Instituto Kennedy de bioética nos EUA, resgata do silêncio da história, a figura de Fritz Jahr, outro alemão que criou um avançado conceito de bioética ainda em 1927. Jahr era um pastor protestante e filósofo que publicou um importante artigo, intitulado “Bioética: uma revisão do relacionamento ético dos humanos em relação aos animais e plantas”. Nesta publicação, Jahr propõe um “Imperativo Bioético”, ampliando o imperativo moral de Kant (“Age de tal modo que consideres a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa dos outros, sempre como fim e nunca como simples meio"), para todas as formas de vida.

Ainda apresentando os conceitos de Bioética, Alysson refere-se ao Prof. André Comte-Sponville, que utiliza o referencial de Jean Paul Sartre que já havia dito que "todos somos responsáveis por todos" e de Dostoievsky, "somos todos responsáveis por tudo, diante de todos". Segundo ele, bioética não seria uma parte da biologia, mas uma parte da ética, e uma parte da responsabilidade humana, referente aos deveres do homem para com outro homem, e de todos para com a humanidade.

Prosseguindo com a conceituação de diversos pensadores sobre bioética, relatou o conceito de Eve-Marie Engel, de que “bioética como a reflexão ética sobre os seres vivos, incluído o ser humano, tais como esses seres vivos se apresentam nas relações cotidianas do mundo vivido e nos contextos teóricos bem como práticos da ciência e da pesquisa.” Ainda refere-se à conceituação emanada do Programa Regional de Bioética OPS/OMS (2001), de que bioética é o uso criativo do diálogo para formular, articular e, na medida do possível, resolver os dilemas que são propostos pela investigação e pela intervenção sobre a vida, a saúde e o meio ambiente.

A Associação Médica Mundial desenvolveu a Declaração de Helsinque como uma declaração de princípios éticos para fornecer orientações aos médicos e outros participantes em pesquisas clínicas envolvendo seres humanos. Alysson mencionou também a Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial, que se refere ao médico e afirma que "A Saúde do meu paciente será minha primeira consideração", e o Código de Ética Médica Internacional declara que "O médico deve agir somente no interesse do paciente ao promover cuidados médicos".

Concluindo sua exposição, Alysson cita a Declaração Íbero-Latino-Americana sobre Ética Genética, elaborada pelos participantes dos Encontros sobre Bioética e Genética de Manzanillo (1996) e de Buenos Aires (1998), procedentes de diversos países Íbero-Americanos e Espanha; esta declaração reafirma a adesão aos princípios da Declaração Universal sobre o Genoma e os Direitos Humanos da Unesco, promovendo, ainda, uma série de reflexões a respeito das implicações do desenvolvimento científico e tecnológico no âmbito da genética, além dos preceitos éticos que devem guiar estas ações.

No Brasil, o Prof. Joaquim Clotet implantou a primeira disciplina de Bioética em 1988 no Curso de Pós-Graduação em Medicina da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. “A Bioética não é uma disciplina, é uma atitude diante da vida” é uma frase de Clotet em 2005.

Natália passou, então, a abordar o histórico das comissões de ética médica e ética em pesquisa envolvendo seres humanos, porém antes mencionou casos de polêmicas relacionadas à bioética envolvendo pacientes em situações extremas de vida, como os de Karen Quinlam e do Baby Doe.

Em 1975, Karen Ann Quinlam, de 22 anos, deu entrada na sala de emergência do Hospital de Nova Jersey com quadro de coma profundo. Após meses em coma irreversível, seus pais solicitaram à equipe médica a retirada do aparelho de respiração artificial que mantinha a ventilação pulmonar de Karen. A direção do Hospital negou o pedido dos pais e o caso percorreu diversas esferas de decisão judicial até que, finalmente, a Suprema Corte de Nova Jersey, em 1976, designou que o Comitê de Ética do Hospital St. Clair deveria estabelecer o prognóstico da paciente e assegurar que a mesma realmente nunca seria capaz de retornar a um "estado cognitivo sapiente". O juíz da Suprema Corte de New Jersey presumiu, erradamente, que este hospital, assim como a maioria dos demais hospitais norte-americanos, possuia um Comitês de Ética que avaliasse esse tipo de situação. Como este Comitê não existia, foi constituído um especialmente para avaliar este caso. O resultado foi uma recomendação para a retirada da paciente do respirador.

Outro caso que teve muita repercussão foi o do Baby Doe, um recém-nascido com malformações múltiplas (trissomia do 21 e fístula traqueoesofágica) de Bloomington, no estado de Indiana/EUA, em 1982. Os seus pais negaram-se a assinar um termo autorizando a realização de uma cirurgia corretiva da fístula, que tinha 50% de chances de lhe salvar a vida. Os pais solicitaram, ainda, que fosse suspensa a alimentação e os demais tratamentos da criança. A equipe médica solicitou à Justiça autorização para realizar a cirurgia, suspendendo, temporariamente o pátrio poder. A Justiça negou o pedido em primeira instância. O bebê, aos seis dias de vida morreu, não havendo tempo para que fossem feitas outras tentativas. Doe, em inglês, significa "fulano", uma pessoa qualquer, sem especificar a sua identidade. Foi utilizada esta denominação com o objetivo de preservar a família envolvida.

O primeiro transplante cardíaco em 1967 também trouxe grandes questionamentos éticos: estaria o doador morto ou não? O coração havia sido retirado respeitando ou não os desejos do doador quando vivo? Somente em 1968 houve a definição de morte encefálica pela Universidade de Harvard. As discussões geradas pela realização do primeiro transplante cardíaco em seres humanos, realizado por Christian Barnard deveriam ser discutidas por toda a sociedade, sendo criada uma comissão no senado americano para avaliá-las. O Dr. Barnard compareceu a esta Comissão e afirmou que criar comissões de ética para avaliar procedimentos realizados em hospitais "seria um insulto aos médicos e um enorme retrocesso ao progresso". O Dr. Henry Beecher, que havia denunciado em 1966 inúmeros casos de artigos científicos publicados com inadequações éticas, também depôs nesta Comissão, e contrariou o Dr. Barnard, afirmando que a "ciência não é o valor maior ao qual todos os outros valores devem se subordinar; a ciência deve estar inserida em uma ordem de valores".

Em 1973, Senador Edward Kennedy propôs ao Congresso Norte-Americano, a criação de uma Comisão sobre Qualidade da Assistência à Saúde e Experimentação em Humanos. Esta nova proposta foi desencadeada pelo impacto causado pela divulgação dos experimentos realizados em Tuskegee. Como resultado disso, criou-se uma comissão permanente, a Comissão Nacional para a Proteção de Seres Humanos, englobando a avaliação de aspectos científicos e assistenciais. Em 1978, este comitê foi alterado e ampliado, recebendo a denominação de "Comissão Presidencial para o Estudo de Problemas Éticos na Medicina e Pesquisa Biomédica e Comportamental". Em 1983, esta comissão incentivou a criação dos comitês de ética nos hospitais.

Em 1987, entrou em vigor uma lei, no estado de Maryland, obrigando a criação de comitês consultivos de ética em hospitais, com o objetivo de assessorar a tomada de decisão em doentes com risco de vida. Esta foi a primeira vez que uma lei obrigava instituições hospitalares a constituírem comitês de bioética. Atualmente, em função de exigências sociais, culturais ou legais, existem diferentes tipos de comissões de ética atuando no âmbito das instituições de saúde. As primeiras a surgir foram as Comissões de Ética e Deontologia Médica, depois surgiram as Comissões de Ética em Pesquisa em Saúde e, mais recentemente, as Comissões de Bioética.

Na década de 1990 a ética em pesquisa com seres humanos foi instituída no Brasil. A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde mudou significativamente os procedimentos éticos das pesquisas envolvendo pessoas. A implantação e desenvolvimento do primeiro Comitê de Ética em Pesquisa criado no Brasil ocorreu na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Os Comitês de Ética em Pesquisa surgem como órgãos de grande importância para a realização de pesquisas na instituição. Por eles tramitam todos os protocolos em que se planeja o desenvolvimento de pesquisas com seres humanos, difundindo na comunidade acadêmica os aspectos éticos envolvidos no projeto, esclarecendo ao indivíduo e à coletividade os referenciais básicos da bioética, quais sejam, a autonomia, a não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, que visam assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, em relação aos sujeitos de pesquisa e ao Estado.

Na última parte do seminário, Alana falou sobre as questões de bioética da atualidade, como as pesquisas com células-tronco, a clonagem, o aborto, a eutanásia, a morte encefálica, o transplante de órgãos e o uso de “cobaias” humanas em pesquisas médicas.

As perspectivas de estabelecer terapias celulares para tratar tecidos danificados com pequena capacidade de regeneração são promissoras. Do ponto de vista ético, o uso das células-tronco adultas não representa problemas. Trata-se de um procedimento equiparável ao de transplante de tecido no próprio corpo. Retiram-se as células-tronco da própria pessoa e injetam-se no lugar onde o tecido está danificado. Contudo, em relação às células tronco embrionárias, estas só podem ser obtidas mediante manipulação de embriões. Estes embriões são obtidos por fecundação in vitro, e destinados a implantação com vistas à gestação. Como nem todos os embriões são implantados, prevê-se o seu congelamento; esses embriões congelados seriam utilizados após três anos, para pesquisa, com consentimento do casal que os gerou. A retirada da célula-tronco provoca a destruição do embrião.

Portanto, a pesquisa com células-tronco adultas não representa dificuldade ética especial e tem o apoio da Igreja. A Igreja Católica posiciona-se  contra as pesquisas com células-tronco embrionárias, pelo mesmo motivo que condena o aborto, ou seja, por considerar o embrião um ser humano. Essas pesquisas, na visão da igreja, significariam a manipulação da vida humana pelo homem.

No Brasil, só em 2005 foi aprovada a Lei de Biosegurança que regulamenta o uso de células tronco embrionárias e apenas a partir desta data foi possível o início dos primeiros estudos básicos com estas células. Além disso, as pesquisas básicas, pré-clínicas e clínicas, com células tronco embrionárias ou adultas no Brasil dependem de financiamento público, uma vez que a lei brasileira não permite patentear linhagens celulares, ao contrário do que ocorre nos EUA.

Quanto à clonagem humana, trata-se de um outro tema vasto e complexo. Os avanços tecnológicos, que permitem que a clonagem de mamíferos saia do domínio da ficçao científica e entre no domínio de possibilidades reais, provocam não apenas discussões de ordem técnica, mas também, discussões éticas e jurídicas sobre limites a serem impostos a esse tipo de atividade e penalidades a impor se houver transgressões.

Alana mencionou a clonagem reprodutiva e a terapêutica como técnicas já existentes. A clonagem terapêutica poderia trazer bons resultados, ao proporcionar curas para determinadas doenças, como o mal de Alzheimer. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar uma lei que autoriza a clonagem de embriões de seres humanos, proibindo, contudo, a clonagem para fins reprodutivos.

A Igreja Católica pediu, em 1997, que essa prática fosse proibida, tal como no Brasil. Aqui, a Lei nº 8974 de 05.01.1995 e o Decreto nº 2577 de 30.04.1998 consideram crime qualquer manipulação genética de células germinais humanas ou qualquer intervenção em material genético.

Alana mencionou ainda, nesse contexto, a Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, adotada pela Conferência Geral da Unesco, já mencionada neste seminário. Em seguida, a referida expositora mencionou brevemente os aspectos bioéticos relacionados ao abortamento. No Brasil, a questão do aborto possui dupla abordagem. Por um lado, o desenvolvimento tecnocientífico ocorrido nas últimas décadas proporcionou o diagnóstico cada vez mais precoce de malformações fetais e doenças genéticas incompatíveis com a vida extrauterina, como, por exemplo, a anencefalia. Esse fato desencadeou uma série de processos jurídicos solicitando permissão para a interrupção voluntária dessas gestações, nos países com leis proibitivas em relação ao aborto induzido.

Os avanços mais recentes na área da genética tem contribuído para o surgimento de novos dilemas antes não enfrentados pela sociedade. Técnicas sofisticadas têm permitido, na atualidade, suspeitar, de forma fundamentada, da existência de defeito genético ou de doenças graves transmitidas pelos genitores e que levarão a criança a apresentar deformidades que poderão viabilizar, apenas por um tempo indeterminado e com limitações, a vida extra-uterina, ou mesmo tornar inviável a vida após o nascimento. O aborto eugênico, na atualidade, embora não obrigatório, é permitido na maioria das nações. O fato de ser legal o aborto nessas hipóteses não elimina, na maioria das vezes, a presença do conflito nas pessoas envolvidas, especialmente na gestante e no seu grupo familiar, e nos profissionais da saúde envolvidos com o caso.

Embora a atual legislação brasileira não permita o aborto eugênico, o Poder Judiciário concedeu desde 1983 120 autorizações para a realização de aborto em crianças mal formadas, especialmente anencéfalos (Folha de São Paulo 4/11/95:3-2). Os profissionais médicos, em geral orientam-se pelo critério da beneficência, os pacientes pelo da autonomia e a sociedade pelo de justiça. A bioética é um elemento a mais na busca de reflexão adequada sobre este tema.

No Brasil, o aborto é considerado crime. São criminosos o médico e a mãe que o praticam. Mas não se pune o aborto praticado por médico se não há outro meio de salvar a vida da gestante (aborto terapêutico) e se a gravidez resulta de estupro.

Merece destaque, nesse contexto, a definição do momento em que inicia a vida. Vários são os critérios, destacando-se, no campo científico, o celular (fecundação), o cardíaco (início dos batimentos cardíacos, 3 a 4 semanas), o encefálico (atividade do tronco cerebral, 8 semanas), o neocortical (início da atividade neocortical, 12 semanas), o respiratório (movimentos respiratórios, 20 semanas), o neocortical (ritmo sono-vigília, 28 semanas), o moral (comunicação, 18 a 24 semanas após o parto).

Para a Igreja, o aborto significa a morte de um ser humano. O Papa Bento XVI comparou o aborto e as pesquisas em embriões ao terrorismo, defendendo a ação política da Igreja contra o aborto.

Eutanásia é o processo de proporcionar morte sem sofrimento a um doente incurável. Esse sistema é proibido em vários países, inclusive no Brasil, onde a prática da eutanásia é considerada homicídio. A aplicação dos princípios éticos – beneficência, não-maleficência, autonomia e justiça – deve ser realizada numa sequência de prioridades. Quanto à bioética, é importante observar que os princípios da beneficência e da não-maleficência são prioritários sobre os da autonomia e da justiça. O médico por questões éticas, deve assistir ao paciente, fornecendo-lhe todo e qualquer meio necessário à sua subsistência, ao alívio do sofrimento e do desconforto, porém evitando a distanásia, que é a obsessividade terapêutica, a agonia prolongada, a morte com sofrimento físico ou psicológico. Quanto à Igreja, esta também mantem-se irredutível em sua posição contra a eutanásia.

Por fim, Alana mencionou brevemente a condição das “cobaias” humanas, a utilização de pessoas em testes de fármacos e vacinas sem a observância dos atuais preceitos internacionalmente recomendados para pesquisas utilizando sujeitos humanos. Os relatos anteriores neste seminário sobre experimentos nazistas, asim como os outros realizados nos EUA, foram experimentos com cobais humanas.

Atualmente são denunciadas pesquisas em que presumivelmente se utilizam “cobaias” humanas. Para ilustrar este aspecto com uma obra de ficção, Alana mencionou o filme "O Jardineiro Fiel". No Brasil, em 2005, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desmentiu a notícia de que moradores do Amapá estavam sendo usados como cobaias em pesquisas sobre malária. Este assunto pode ser lido em outra postagem deste blog, com link abaixo:
 http://semiologiamedica.blogspot.com/2010/10/consentimento-informado.html

Para terminar, Alana mencionou a Teoria Principialista, emanada através do Relatório Belmont, que preconiza os princípios da Beneficência, da Autonomia e da Justiça. Estes também já foram abordados em outra postagem deste blog, com link abaixo:
http://semiologiamedica.blogspot.com/2010/11/cobaias-humanas-em-pesquisa-de-vacina.html

Fonte da Imagem: 3quarksdaily.com

11 de junho de 2011

Claudicação Intermitente

Por Stephanie Galiza Dantas
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
A claudicação intermitente é o sintoma clássico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), sendo caracterizada por dor e fadiga nos músculos isquêmicos dos membros inferiores induzidas pelo exercício físico, sendo necessária a interrupção da caminhada a distâncias regulares para a recuperação da isquemia limitante. Há importante limitação funcional, dificultando a execução de atividades da vida diária e prejudicando a qualidade de vida do paciente. A DAOP e claudicação intermitente fazem parte do espectro de acometimento da doença aterosclerótica sistêmica, que possui incidência crescente em todo o mundo, constituindo uma das principais causas de morte no ocidente.

Palavras-chave: Claudicação intermitente. Doenças cardiovasculares. Sinais e sintomas.

Nos pacientes com quadro sintomático, a claudicação intermitente é a apresentação clínica mais comum, chegando a constituir um sintoma patognomônico da DAP (CLEMENT; DEBUYZERE, 2007).  Contudo, é freqüente a dificuldade diagnóstica com dor devido à compressão de raízes nervosas lombares ou à insuficiência venosa crônica. Falso-positivos de até 44% podem ocorrer com a anamnese isolada (LAHOZ; MOSTAZA, 2007).

A incidência de doença aterosclerótica sistêmica é crescente em todo o mundo, acometendo cada vez indivíduos mais jovens, sendo uma das principais causas de morte no mundo ocidental (CREAGER, 2001). A doença ateroscletórica é responsável por 85% dos casos de claudicação intermitente dos membros inferiores, 95% das corionariopatias e 75% dos acidentes vasculares cerebrais (MAFFEI; LASTÓRIA, 2000).

A claudicação intermitente é o sintoma clássico da DAOP e resulta da redução do aporte de fluxo sanguíneo para o tecido muscular esquelético dos membros inferiores durante o exercício. A claudicação se caracteriza por dor ou desconforto em panturrilha, coxa ou região glútea, que ocorre durante a caminhada e que desaparece em menos de 10 minutos de repouso. Na população geral, sua prevalência varia de 0,4% a 14,4%, na dependência das características da população avaliada (idade, sexo e região, entre outros fatores) e do método diagnóstico utilizado (MAKDISSE et al., 2007).

A claudicação intermitente é caracterizada por dor e fadiga nos músculos isquêmicos dos membros inferiores induzidas pelo exercício físico, sendo necessária a interrupção da caminhada a distâncias regulares para que haja recuperação da isquemia limitante. A claudicação intermitente é um sintoma análogo à angina, no território vascular cardíaco, e ao acidente isquêmico transitório, no território vascular cerebral, sendo todos estes sintomas manifestações da doença aterosclerótica sistêmica. A claudicação intermitente gera importante limitação funcional, com prejuízo no desempenho da caminhada, dificultando a execução de atividades da vida diária e prejudicando a qualidade de vida (COFFMANN; EBERHARDT, 2003), além de poder levar à necessidade de amputação de membro, em casos de isquemia crítica.

Os principais fatores de risco para DAOP e claudicação intermitente são: idade, sexo (indivíduos do sexo masculino ou mulheres após a menopausa), dislipdemia, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade, hiperhomocisteinemia e fatores genéticos ou familiares de doença aterosclerótica (MAFFEI; LASTÓRIA, 2000), dentre os quais merecem especial destaque o diabetes e o tabagismo.

Uma das formas de se avaliar a gravidade da DAOP baseia-se no grau de comprometimento funcional do indivíduo claudicante. A literatura descreve protocolos variados de avaliação, tendo como variável de maior interesse o tempo de início de surgimento da dor e de dor máxima limitante durante deambulação. O teste de caminhada de seis minutos é um teste submáximo de endurance que avalia a distância percorrida em um período de seis minutos (CUNHA-FILHO et al., 2008).

Salienta-se que até 20% dos adultos com idade superior a 55 anos têm a doença arterial periférica detectável das pernas, mas ocorrem sintomas de claudicação intermitente em apenas uma pequena proporção dessas pessoas afetadas (CASSAR, 2011).

É importante ressaltar que uma história clínica clara e detalhada torna-se fundamental diante de quadro sugestivo de uma doença vascular. Devem fazer parte da abordagem inicial toda informação referente ao tempo de início, duração, intensidade, estabilização, melhora ou piora do quadro assim como os efeitos na qualidade de vida. Na grande maioria das afecções vasculares pode se chegar ao diagnóstico através da anamnese e exame físico sem necessidade de exames subsidiários, restringindo-se estes apenas para aqueles casos mais graves.

Referências
CASSAR, K. Peripheral arterial disease. Clin Evid (Online). 11;2011. pii: 0211, 2011.
CASSADY, S.L. Peripheral arterial disease: a review of epidemiology, clinical presentation, and effectiveness of exercise training. Cardiopulm Phys Ther J. 15:6-12, 2004.
COFFMAN, J.D., EBERHARDT, R.T. Peripheral arterial disease: diagnosis and treatment. Totowa: Humana Press, 2003.
CREAGER, M.A. Medical management of peripheral arterial disease. Cardiol Rev. 9:238-45, 2001. 
CLEMENT, D. L.; DEBUYZERE, M. L. How to treat hypertension in patients with peripheral artery disease. Curr Hypertens Rep 9 (3):190-5., 2007
CRIQUI, M.H. Peripheral arterial disease - epidemiological aspects. Vasc Med. 6(1):3-7, 2001.
CUNHA-FILHO, I. T. et al. Confiabilidade de testes de caminhada em pacientes claudicantes: estudo piloto. J Vasc Bras, 7 (2): 106-111, 2008.
LAHOZ, C.; MOSTAZA, J. M. Atherosclerosis as a systemic disease. Rev Esp Cardiol 60(2):184-95, 2007.
MAKDISSE, M. et al. Versão em português, adaptação transcultural e validação do Questionário de Claudicação de Edimburgo. Arq. Bras. Cardiol. 88 (5): 501-506, 2007.
MAFFEI, F.H.A.; LASTÓRIA, S. Aterosclerose obliterante periférica: epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico e diagnóstico. 3.ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2000.

Imagem ilustrativa do texto: http://findmeacure.com/

9 de junho de 2011

Projeto de Pesquisa em MCO3: Medidas terapêuticas não-farmacológicas para controle da hipertensão arterial


Ontem foi realizado o II seminário da segunda fase de execução do módulo de “Elaboração de Trabalho Científico e TCC” (MCO3) no semestre 2011.1, com a apresentação e discussão de projetos de pesquisa elaborados coletivamente pelos alunos. Estiveram presentes 46 alunos dos 49 matriculados, nove deles do grupo responsável pela apresentação e discussão do projeto.

O tema do projeto foi o impacto de medidas terapêuticas não-farmacológicas sobre a redução da pressão arterial em pacientes ambulatoriais. Os apresentadores do projeto foram Luiz, Daniel, Alisson, Matheus e Rayssa. Os demais componentes do grupo responderam aos questionamentos e comentários do restante da turma: Maíra, Ynnaiana, Fernanda, Milena e Gilson.

Luiz apresentou a Introdução, expondo o conceito de hipertensão arterial sistêmica (HAS), sua prevalência, complicações, fatores de risco e medidas não farmacológicas de controle terapêutico. Apresentou também o problema de pesquisa e a hipótese do trabalho.

Daniel expôs a Fundamentação Teórica, discorrendo sobre a epidemiologia da doença, as estratégias de tratamento e as recomendações diagnósticas e terapêuticas emanadas da Sociedade Brasileira de Cardiologia através das X Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial.

Alisson complementou a revisão teórica sobre o tema, tecendo considerações sobre a relação entre seguimento de medidas terapêuticas não-farmacológicas de controle da hipertensão e alcance das metas de redução individual de pressão arterial (PA).

Matheus apresentou a seção de Métodos do projeto, definindo inicialmente o modelo do estudo, que seria transversal analítico, e a amostra (pacientes atendidos no ambulatório de cardiologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley). Apresentou a estratificação da amostra em quatro grupos, a saber: 
- Grupo 1: Medicamento adequado + não medicamentoso adequado;
- Grupo 2: Medicamento adequado + não-medicamentoso inadequado;
- Grupo 3: Medicamento inadequado + não-medicamentoso adequado;
- Grupo 4: Medicamentoso inadequado + não-medicamentoso inadequado.

Matheus seguiu com a apresentação da metodologia do projeto, indicando os critérios de elegibilidade, o intrumento de coleta de dados e os procedimentos a serem seguidos. Descreveu a variável independente e o desfecho clínico. Posteriormente, ele apresentou a técnica de análise estatística a ser realizada, mencionando a adoção de testes não-paramétricos na estatística inferencial planejada.

Alisson voltou apresentando o orçamento e o cronograma de execução do projeto, além de exibir o formulário de coleta de dados. Rayssa apresentou, por fim, a lista de referências empregadas na apresentação do projeto.

Terminada a apresentação do projeto em 15 minutos, passou-se à discussão. Os demais alunos da turma inscreveram-se para participações individuais, que começaram com Geísa,  questionando um dos itens do formulário de coleta de dados, o que se referia ao “uso de medicamento de forma adequada”. Geísa perguntou qual seria a forma chamada de adequada, ou seja, como seria definida operacionalmente a adequação do uso do medicamento.

Ynnaiana respondeu que adequada seria a forma de uso preconizada pelas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Gilson completou afirmando que seria perguntado ao paciente que medicação estava usando e como o estava fazendo, embora estas perguntas não estivessem contidas no formulário. Comentamos que é fundamental que estas perguntas estivessem presentes no formulário, sob pena de haver viés de informação. Ainda que a adequação do uso do medicamento antihipertensivo seja avaliada através do que preconizam as X Diretrizes, é preciso que as perguntas façam parte do roteiro de questionamentos aos pacientes, pois só assim a informação pode ser obtida e registrada com maior exatidão. Esse aspecto voltará a ser mencionado no presente relatório, pois foi discutido novamente no decorrer do seminário, em virtude da estratificação empregada para os sujeitos e os critérios utilizados naquela.

Thays considerou que a fundamentação teórica do projeto foi adequada, mas as referências apresentadas são datadas apenas até o ano de 2003. Então, quis saber qual seria a contribuição atual do estudo do problema de pesquisa. Gilson respondeu que mesmo diante da relevância clínica representada pelas medidas não-farmacológicas de controle da HAS, os profissionais de saúde ainda não dão o devido valor a essa modalidade terapêutica, e muitas vezes limitam-se à orientação acerca da terapia medicamentosa, que, sabe-se, não terá resultados tão satisfatórios se não for associada a outras medidas.

Ainda nessa linha de questionamento, perguntamos sobre que trabalhos foram feitos antes investigando o impacto de medidas não-farmacológicas sobre o controle da hipertensão. Estes antecedentes não foram apresentados na revisão da literatura apresentada. Verificamos agora que esse problema de pesquisa foi investigado em vários ensaios clínicos randomizados, que sustentaram os efeitos anti-hipertensivos da perda de peso e da dieta, como mostram Hedayati et al.(2001). Diversos estudos clínicos de intervenção em indivíduos hipertensos têm utilizado apenas mudanças de estilo de vida como estratégia terapêutica. Mais recentemente dois deles resgataram o entusiasmo da adoção dessas ações no manuseio da hipertensão arterial nos seus estágios iniciais, como o Estudo TOMHS (The Treatment of Mild Hypertension Study) e o Dietary Approach to Stop Hypertension (DASH).

Artur Nóbrega perguntou se quando se comparam vários grupos, pode-se utilizar o teste qui-quadrado, como foi o caso do planejamento do projeto de pesquisa apresentado. Respondemos que si, quando a tabelade contingência do qui-quadrado tem mais de duas filas e/ou colunas, este teste a ser aplicável, mas a Prova de Fisher não (este só é empregado para tabelas 2x2). Lembramos, então, que q Qui-quadrado tem limitações, e deverá ser substituído pela Prova exata de Fisher quando os valores esperados nas células da tabela são inferiores a cinco.

Mariana Galvão cogitou se os autores do projeto consideraram a possibilidade de haver muitas perdas no recrutamento em virtude de falta de preenchimento dos prontuários, ou mesmo, a indisponibilidade destes, como é frequente observar no HULW. Milena respondeu que esse problema era esperado, mas que seria minimizado pela consulta sobre a existência de diagnóstico de hipertensão ao paciente e ao médico que fosse atender o paciente.

Daniele sugeriu que fosse incluída a duração do diagnóstico e tratamento de hipertensão pelos pacientes, perguntando se os colegas autores do projeto não consideravam esta variável importante. Sim, é importante, a duração do tratamento pode ter influência sobre a adesão dos pacientes.

Thaísa quis saber como seria o processo de amostragem na seleção da amostra, recebendo a resposta de que seria não aleatória por conveniência, com inclusão consecutiva de pacientes que fossem atendidos no ambulatório de cardiologia.

Tâmata perguntou qual seria o período de realização do estudo, que não fora indicado na apresentação dos métodos. Lembramos que este dado estava contido no cronograma, porém deveria estar descrito na metodologia também. Tâmata perguntou ainda se sempre teria que serem apresentados objetivos gerais e específicos na apresentação de um projeto. Respondemos que sim, quando se tratasse de um projeto por escrito, em que objetivos ficam em uma página. Já em um artigo não se faz esta distinção, e os objetivos são sintetizados, restringindo-se a dois ou três. Observamos que faltou na apresentação dos objetivos do projeto em discussão, o objetivo geral, que era o próprio título daquele: “Impacto de medidas não-farmacológicas sobre o controle da pressão arterial em pacientes atendidos no ambulatório de cardiologia do HULW”. Na apresentação dos objetivos deste projeto, apenas figuraram os específicos, o que motivou a segunda pergunta de Tâmata.

Bruno Silton quis saber se haveria algumas outras variáveis não abordadas no projeto e que eram importantes para o desfecho do mesmo. Os colegas autores do projeto não responderam objetivamente a esta pergunta. Pedimos para revisar na tela de exposição o instrumento de coleta de dados para verificar se alguma variável importante e passível de verificação poderia ser acrescentada. Mesmo considerando que não é possível verificar todos as variáveis importantes em um problema de pesquisa, no caso do projeto apresentado, uma variável relevante para o desfecho não tinha sido mencionada: nível de instrução.

Vanessa questionou se o modelo do estudo possibilitaria fazer inferências de causalidade. Fernanda respondeu que sendo transversal, isso não seria possível. Apenas estudos longitudinais com determinadas características , tais como os experimentais e de coorte, podem permitir tais inferências.

Danilo considerou que o controle de sal na dieta seria uma variável de difícil determinação, questionando se haveria um modo mais preciso de obter essa informação. Gilson respondeu que o consumo de sal pelos pacientes seria determinado através do item com respostas incluindo alternativas em formato likert (diariamente, três vezes por semana e raramente). Sugerimos que este item fosse reformulado, para determinar se havia adição de sal no cozimento dos alimentos, se o paciente usava saleiro à mesa e se utilizava alimentos processados com alta quantidade de sódio como enlatados e temperos industrializados.

Alaíde solicitou que fosse melhor explicado qual seria a variável primária e quais seriam as secundárias. Milena explicou que a variável primária seria o alcance da meta de controle de PA, e as secundárias seriam as variáveis explanatórias e as outras variáveis clínicas.

Renan questionou a validade interna e a externa do resultados do estudo a ser realizado. Gilson respondeu que os resultados poderiam ser generalizados apenas para a clientela dos ambulatórios de cardiologia do HULW. A validade interna estava sendo discutida naquele momento no seminário, através das várias perguntas sobre os métodos e técnicas a serem empregados. Nesse sentido, alguns problemas de validade interna previstos nesse projeto já foram discutidos ou o serão no decorrer deste relatório. 
 
Isolina perguntou como determinar a “adequação” do tratamento medicamentoso, reportando-se à divisão da amostra em quatro grupos: medicamento adequado e não medicamentoso adequado; medicamento adequado e não-medicamentoso inadequado; medicamento inadequado e não-medicamentoso adequado; medicamentoso inadequado e não-medicamentoso inadequado. Maíra respondeu que a “adequação” seria definida de acordo com as diretrizes brasileiras de hipertensão, como já salientado. Milena completou que adequado era aquele medicamento anti-hipertensivo indicado segundo as diretrizes para hipertensão, considerando-se o contexto das comorbidades de cada paciente. Contestamos a validade da referida classificação, pela evidente multiplicidade de critérios embutidos na mesma.

Essa contestação, não aceita pelos autores do projeto, deve-se aos seguintes elementos lógicos: qualquer classificação deve ter um critério claro para definição das suas categorias. Nesse caso, adequado seria a melhor indicação do antihipertensivo para determinado paciente ou se este seguisse a terapêutica prescrita? Qualquer medicamento dos grupos de anti-hipertensivos comercialmente disponíveis, desde que resguardadas as indicações e contraindicações específicas, pode ser utilizado para o tratamento da hipertensão arterial. As próprias diretrizes preconizam isso. Sendo assim, qualquer paciente poderia estar usando um medicamento dito “inadequado” por possuir alguma contra-indicação específica para ele, mas alcançar a meta de controle de pressão por sua eficácia ser atingida em virtude de uma adesão “adequada”. Surgiriam também outras questões dentro do conceito de "adequação", como por exemplo, se seriam adequadas a dose e a posologia empregadas.

Eduardo Walter discorreu, então, de forma muito pertinente, sobre a exequibilidade do projeto, considerando-se as dificuldades a serem encontradas no HULW para disponibilização de dados escritos dos pacientes quando há necessidade de se registrarem informações anotadas nos prontuários, assim como sobre as limitações de tempo do aluno pesquisador para a realização da coleta de dados. Sendo assim, questionou qual seria o tamanho mínimo da amostra necessário para esse estudo. Gilson respondeu que não foi calculado previamente o tamanho da amostra, pois esta dimensão seria determinada durante a execução da coleta de dados; assim, após o recrutamento dos primeiros pacientes, seria analisada estatisticamente a diferença entre os grupos em termos de frequência de alcance de meta de controle de PA, e assim, seria estimado o tamanho mínimo necessário da amostra.

Ponderamos que era importante lembrar e esclarecer que o tamanho da amostra deve ser calculado antes da execução do projeto, ou, alternativamente, a partir de estudos semelhantes realizados e publicados previamente, ou ainda, através da realização de um estudo-piloto. Nesse caso, o tamanho da amostra deveria ter sido estimado tendo-se, como referência, o desfecho explorado pelo estudo. Para o cálculo da amostra, poderia ser utilizado um poder de 80%, um erro alfa de 5%, para exposições variando entre 25% e 75%, com uma razão de prevalência de 1,6. Ao valor obtido, poderiam ser acrescidos 10% para manejo de perdas e recusas e 15% para controle de fatores de confusão. Assim, a amostra necessária para o estudo poderia totalizar mais de 1.000 indivíduos.

João Victor perguntou se o número de objetivos apresentados foi adequado para um projeto de pesquisa. Como já foi discutido, no artigo, que é de apresentação sintética, o importante é o objetivo geral, não sendo obrigatórios os específicos, enquando no projeto, além do objetivo geral, deve haver no máximo, três ou quatro objetivos específicos.

Ítalo interrogou interrogou se seriam necessário descrever os procedimentos de medida de circunferência abdominal e de pesagem e verificação da altura dos pacientes. Respondemos que sim, é necessário descrever de forma detalhada como será feita a medição desses parâmetros antropométricos, assim como da PA. É preciso afirmar, por exemplo, “que a circunferência da cintura será medida no ponto médio entre o último arco costal com precisão de 0,1 cm, utilizando-se uma fita antropométrica inextensível de fibra de vidro da marca x, adotando-se o valor médio de duas medidas”. Em relação à estatura e o peso corporal também: “serão mensurados com precisão de 0,1 cm e 0,1 kg, respectivamente, utilizando-se uma balança digital da marca Filizola e uma fita antropométrica fixada na parede da sala de avaliação”.

Victor voltou a comentar sobre o problema das limitações relacionadas ao estudo retrospectivo, com revisão de prontuários realizado no HULW. Afirmou que muitos dos exames laboratoriais preconizados no projeto, como os do perfil lipídico, glicemia e clearance de creatinina, não seriam obtidos. Gilson explicou que estes prontuários sem dados suficientes para preenchimento do formulário da pesquisa seriam excluídos da pesquisa.

Isabelle perguntou como será realizado o pré-teste preconizado no projeto. Gilson respondeu que serão investigados dez pacientes do ambulatório, para verificação de problemas na técnica de coleta de dados.

Nardell interrogou se haveria possibilidade de se outros estudoa a partir desse tema. Comentamos que poderia ser realizado um estudo de coorte avaliando-se de forma prospectiva os sujeitos e investigando-se outros aspectos do tema, onde cabem vários problemas de pesquisa.

Roosevelt sugeriu que o pré-teste fosse também incluído no cronograma, o que não foi observado na apresentação do projeto, e Thiago questionou se nãos eria importante considerar a gravidade da Has dos pacientes avaliados, enquanto Reginaldo perguntou se o termo de consentimento deveria ser apresentado como apêndice na apresentação oral do projeto.

Infelizmente, acabou o tempo destinado ao seminário, e outras participações e perguntas sobre o projeto foram enviadas por e-mail. Beatriz, assim como Antônio, fizeram considerações sobre a exposição oral do projeto, afirmando que consideraram a apresentação em geral, boa, embora tivessem alguns comentários a fazer. Sobre o título, afirmaram que algumas informações poderiam ser acrescentadas, como o local do estudo (Hospital Universitário Lauro Wanderley), tipo de estudo e o período em que será realizada a pesquisa. Beatriz afirmou ainda que alguns slides da seção de metodologia apresentavam muito texto, prejudicando a estética do trabalho.

Bruno Garcia comentou que seria importante para o trabalho que, além da demonstração das as metas para cada um dos grupos (de acordo com o consenso), deveria existir também as principais medidas tarapêuticas medicamentosas e não-medicamentosas para cada grupo.

Arthur Trindade sugeriu que, como existem variações da PA durante um tratamento de HAS, seja por estresse, pela temperatura do ambiente no momento da aferição, pelas condições psicológicas do paciente no momento da consulta, entre outros fatores intervenientes, o desfecho fosse avaliado no período três últimas consultas, como a média das três últimas aferições, por exemplo.

Murilo apresentou uma dúvida pertinente sobre um possível viés de seleção, porque  foi dito pelos apresentadores que um dos critérios de exclusão da amostra seria a falta de informação nos prontuários sobre alguns parâmetros laboratoriais (como HDL e glicemia, por exemplo), já que esses parâmetros seriam analisados no estudo. Considerando o tempo indeterminado do tratamento da hipertensão arterial e a grande variação que parâmetros laboratoriais como glicemia, HDL e LDL podem sofrer ao longo do tempo, ele considerou que seria também importante colocar como critério de exclusão a data remota dos últimos exames laboratoriais, se fosse oc aso, uma vez que pacientes com exames antigos podem ter sofrido grandes variações nesses parâmetros. Ao seu ver, este seria um viés de seleção no recrutamento da amostra.
Referência empregada no relatório do seminário
HEDAYATI, S. S.; ELSAYE, E. F.; REILLY, R. F. Non-pharmacological aspects of blood pressure management: what are the data? Kidney Int, 79 (10): 1061-70, 2011.

6 de junho de 2011

Apresentação Oral de Trabalhos Científicos

 

Apresentação no Grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME)
Dia 07/06/2011, 12h00, Sala Multimídia, Hospital Universitário Lauro Wanderley, UFPB.
Objetivos:
- Orientar sobre como preparar apresentações orais de trabalhos científicos;
- Fornecer orientações de como fazer a apresentação oral.

3 de junho de 2011

História da Neurocirurgia: Harvey Cushing



Harvey Cushing foi um desses gênios obsessivos que sacrificam tudo em nome de um ideal. No caso de Cushing, este ideal era a neurocirurgia, ainda nos seus primórdios,  no início do século XX. 

Quando Harvey Cushing (1869-1939) deu seus primeiros passos na carreira de neurocirurgia, em 1901, as perspectivas para o campo eram desanimadoras, porque as taxas de mortalidade e morbidade eram elevadíssimas. Entretanto, Cushing conseguiu realizar cirurgias intracranianas clinicamente eficazes, e não apenas viáveis, com uma tecnologia inovadora na época: o conhecimento e controle da pressão intracraniana (PIC). Em 1910, Cushing tinha acumulado um número suficiente de casos de pacientes com tumores operados com sucesso (180) para ter estatísticas convincentes. Sua taxa de mortalidade por tumores era de 10-15%.

Posteriormente, Cushing desenvolveu  outras técnicas e incorporou métodos eletrocirúrgicos, que facilitaram a ressecção segura de tumores cerebrais, que anteriormente se presumia serem inoperáveis​​. Essas conquistas foram fundamentais para a criação da neurocirurgia.