1 de maio de 2013

Conexemio: Interação Dodiscente na Disciplina de Semiologia Médica / UFPB


CONEXEMIO foi um grupo fechado criado no Facebook durante o semestre 2012.2 para interação entre docentes e discentes (dodiscente) na disciplina de Semiologia Médica / UFPB, como  complemento ao recurso do Moodle, que começou a ser utilizado neste último período e cujo funcionamento ainda não estava completamente no domínio de alunos e professores.
O objetivo foi a participação interativa de alunos, professores e monitores da Semiologia, para esclarecimento de dúvidas, comunicados e interação didático-pedagógica.
O termo DODISCENTE foi criado por Paulo Freire sobre o ato de ensinar e aprender: [...] não há docência sem discência [...], pois [...] quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender [...]. Daí, dodiscência: docência-discência”.
A seguir estão as principais postagens relacionadas ao conteúdo de Semiologia Médica feitas no grupo durante o semestre letivo recentemente encerrado na UFPB.


Diante do sinal do obturador positivo, penso primeiro em patologias pélvicas ou abdominais? 

O sinal do obturador é uma dor do tipo REFERIDA. Pensar primeiro em apendicite, depois em doença inflamatória pélvica (salpingite, anexite, endometrite). Quando à apendicite, há uma grande variação na topografia do apêndice, sua parte livre pode estar na cavidade abdominal ou na pelve. A DIP é pélvica, como o próprio nome indica. Se for uma paciente, tem que fazer também o exame ginecológico. O sinal de Chandelier (dor pélvica à mobilização do colo do útero) sugere DIP e não apendicite. Lembrar que o toque retal ajuda também se a ponta do apêndice localizar-se na pelve.


Alguém poderia me explicar o que é o pulso alternante e pulso paradoxal? Li aqui, mas não entendi direito.

Pulso alternante: pulso rítmico, mas com batimentos desiguais, alternando ondas grandes e pequenas. Insuficiência ventricular esquerda. O pulso paradoxal é uma exacerbação de um fenômeno normal (queda da pressão com a inspiração), e se chama paradoxal (indevidamente chamado assim...) quando a pressão arterial sistólica cai mais de 10 mmHg. A grande pressão negativa durante a inspiração reduz a pressão atrial direita e intra-pericárdica, facilitando o enchimento do coração direito, mas simultaneamente o enchimento do coração esquerdo é reduzido, pois mais sangue é mantido nos pulmões (maior pressão negativa intratorácica), e isso "traciona", digamos assim, o coração (na verdade, o septo interventricular é "empurrado" em direção ao lado esquerdo pelo aumento inspiratório do enchimento do VD); assim o débito sistólico e a pressão arterial sistólica diminuem nesse momento. Daí a intensificação da redução inspiratória do pulso. Essa alteração de pulso não deveria ser chamada de "paradoxal" e sim de "exagerada", porque é um exagero do que ocorre normalmente na inspiração.


Qual a diferença entre Sinal de Courvoisier e sinal de Murphy? A princípio, O sinal de Courvoisier significa que a vesícula está palpável e indolor. Entretanto, no Mário Lopez tem assim: "A vesícula biliar em condições normais não é palpável. Entretanto é possível percebê-la, quando for sede de carcinoma ou estiver distendida em consequência de colecistite ou obstrução biliar por carcinoma pancreático". Colecistite evidenciaria dor, não? Já no Porto, tem afirmando que o sinal significa vesícula palpável em paciente ictérico, em função de obstrução do colédoco...

O sinal de Courvoisier é a vesicula palpável (condição pouco comum). Há uma distensão da vesicula biliar em função de acumulo de bile em seu interior se houver obstrução abaixo do ducto cístico ou acumulo de transudato quando a obstrução for ao nível da bolsa de haartman aumentando a pressão venosa da vesícula biliar. É difícil achar esse sinal no exame físico porque a obstrução já ocorre a algum tempo e nessas situações geralmente se desenvolve colecistite aguda, coledocolítiase então é difícil. Mas resumindo é vesícula palpável e não dolorosa. O sinal de Courvoisier é um sinal médico que define a presença de icterícia e de uma vesícula biliar distendida sem a presença de dor. É um forte indicativo de câncer pancreático (principalmente periampular), e pode ser usado para distinguir o câncer pancreático da colecistite aguda ou coledocolitíase. É comum na neoplasia maligna da cabeça do pâncreas. No sinal de Corvoisier-Terier, a vesícula é palpável por ser distensível porque não é sede de quadro esclero-atrófico da colelitíase crônica. As paredes são elásticas e órgão se dilata pelo acúmulo de secreção biliar decorrente da obstrução de papila ou compressão extrínseca pelo tumor de pâncreas.


Quais as diferenças entre insuficiência cardíaca sistólica e diastólica?

Na diastólica, a fração de ejeção é normal, e não há aumento compensatório da pressão transmural como mecanismo compensatório, só aumento do retorno venoso. O ecocardiograma pode ser usado para diagnosticar disfunção diastólica, porque os sinais clínicos são semelhantes. Mas na diastólica, encontra-se o galope B4, por causa do problema no relaxamento ventricular. Na sistólica, mais o B3.


Uma dúvida, na estenose mitral há irradiação do sopro para a axila, ou essa só acontece na insuficiência mitral?

Irradia também na estenose. É diastólico, de baixa frequência. Pode irradiar também para o foco tricúspide. Lembrar que para o sopro da estenose mitral irradiar-se, tanto para axila quanto para o foco tricúspide, ele preciso ser intenso. Porque é grave, de baixa frequência.


Qual a diferença entre tontura e vertigem?

Tontura é uma sensação que precede a vertigem (também o desmaio e a síncope). Ou seja, a tontura precede as alterações do equilíbrio. É aquela turvação visual ou de "rodopio" que dura segundos. A vertigem é a sensação de movimento rotatório, do paciente em relação ao ambiente, ou deste em relação ao primeiro.


"Professora, estou confusa quanto à diferenciação entre síndromes nefrótica e nefrítica e quanto ao uso do termo glomerulonefrite para patologias de ambas as síndromes."       

Distinção sindrômica = síndrome nefrótica pura: edema, proteinúria maciça, hipoalbuminemia e hiperlipidemia; síndrome nefrítica pura: hipertensão, edema (menos intenso), hematúria. Algumas vezes, a síndrome é mista, nefrótico-nefrítica, com componentes das duas. O termo glomerulonefrite se refere ao substrato anatomopatológico. As duas síndromes, a nefrótica e e nefrítica, podem ter como causa uma glomerulonefrite, condição em que há lesão da membrana basal glomerular. São vários os tipos histológicos de glomerulonefrite. Desde os de melhor prognóstico, como a de lesões mínimas, que acomete mais crianças, até a esclerose focal e a mesangial de pior prognóstico.


Quais as diferenças semiológicas de uma diarreia osmótica para uma diarreia secretora?

Osmótica é aquela em que substâncias osmoticamente ativas (não absorvidas) como açúcares, por exemplo, "puxam" água para a luz intestinal. A secretora ocorre quando há ativação de AMPc ou substâncias vasoativas estimulam a secreção e inibem a absorção pela mucosa intestinal (exemplo: diarreia por E. coli enteroxigênica, pelo vibrião colérico, diarreia pelo rotavírus). Agora, há a secretória com gap osmótico também.


"Professora, por que uma disfunção hepática pode gerar telangiectasias?"

As telangiectasias estão associadas ao hiperestrogenismo que ocorre na cirrose hepática. Os níveis elevados de estrogênios causam a proliferação e a vasodilatação de vasos cutâneos. As aranhas vasculares não são específicas de cirrose: ocorrem também na gravidez, em pacientes co desnutrição grave, e também em algumas pessoas saudáveis. Vocês sabiam que o número e o tamanho das aranhas vasculares tem sido correlacionada com a gravidade da doença hepática? Além disso, pacientes que têm mais aranhas vasculares apresentam maior risco de hemorragia por ruptura de varizes esofágicas.


A expressão "urina coca-cola" refere-se a urina com bilirrubina conjugada ou so pra casos de hematuria macroscópica? 

Hematúria macroscópica. A colúria confere uma cor marrom escura ah urina, ou amarelo forte.


Pré-eclâmpsia é uma causa de síndrome nefrótica? Não tem que haver proteinúria maciça para de determinar o diagnóstico de síndrome nefrótica? E na pré-eclâmpsia não há proteinúria maciça (3 g/24 h ou mais)...

Proteinúria "maciça" e, por consequência, síndrome nefrótica, raramente ocorrem na pré-eclâmpsia. "Heavy proteinuria and/or the nephrotic syndrome rarely occur late in pregnancy. We report the clinical and renal biopsy findings on 11 patients with the      nephrotic syndrome occurring during pregnancy in whom light and electron microscopic findings were characteristic of pre-eclampsia." (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/713277)


Professora, o que manchas pigmentares hipercrômicas em lábios e mucosa oral nos sugerem? Como diferenciar manchas pigmentares de hemorrágicas, em negros?

Peutz Jeghers, cicatriz, herpes , déficit de vit c, queimaduras, uso de limão, pelagra... Manchas pigmentares nos lábios também podem ocorrer por fotodermatose, por intensificação da pigmentação melânica... Lembrar da Doença de Addison também, e da pigmentação exógena, como a tatuagem por amálgama de restaurações dentárias (usava-se muito, agora menos). Diferençar manchas pigmentares de hemorrágicas em negros. As dermatoses se manifestam de modo similar nos indivíduos de etnia afro-brasileira, mas com padrões exagerados de reações envolvendo a melanina. O reconhecimento das lesões elementares é dificultado pela hiperpigmentação cutânea, que causa alterações na cor. Muitas lesões são quase imperceptíveis. Outras, mais difíceis de diferençar, como as manchas hemorrágicas das hiperpigmentadas, porém, a coloração vinhosa ou arroxeada das equimoses, e seu formato, ajudam a distingui-las dessas outras manchas. Além disso, a distribuição, localização e número, e a anamnese vão ajudar a fazer a distinção. Afro-brasileiros também são mais propensos a apresentar hiperpigmentação pós-inflamatória. Uma lesão da pele provoca a inflamação      e a estimulação de produção de melanina local faz com que a pele no local da lesão escureça. Mas regride após algum tempo. Este último é um padrão exagerado de reação envolvendo a melanina, e se a lesão inflamatória for no lábio, pode ficar uma mancha hiperpigmentada no local, por algum tempo. Fumar pode causar manchas hiperpigmentadas nos lábios... Melanose labial do fumante...


O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO "BORDA HEPÁTICA ROMBA"?

A propósito de um detalhe que foi discutido hoje na aula de revisão de exame físico - figura ilustrativa = Borda hepática fina: normal; romba: fígado aumentado; cortante: fígado diminuído. (Figura do livro Semiologia Médica, de José Rodolfo Rocco, 2010.


Qual a diferença entre enterorragia e hematoquezia? Não estou conseguindo ver isso tão claro... A diferença é que a primeira é hemorragia baixa e a segunda, alta?

Há autores que consideram estes termos como sinônimos. Os autores de língua espanhola consideram que são o mesmo, ou seja, sangramento digestivo intestinal de origem baixa (abaixo do ângulo de Treitz). Mas há uma diferença. Enterorragia é a evacuação de sangue vivo, enquanto hematoquezia é a eliminação de sangue vivo em menor quantidade, e geralmente apenas durante a evacuação. 

Professora, no Mario López a hematoquezia está caracterizada como eliminação de grande volume de sangue vivo nas fezes (normalmente superiores a 1000 mL), com duração de quatro horas ou menos.

Pois é... Não há consenso quanto a esta conceituação. Veja o Portinho, sétima edição, página 397, segunda coluna: (...) enterorragia, quando o sangue em maior volume, mantém sua coloração vermelha, com ou sem coágulos; e hematoquezia, quando se trata de sangue vermelho vivo em pequena quantidade, de origem proctológica (...)Vejam esta conceituação do livro "Temas de Semiologia e Clínica Gastroenterológica", de Souto (São Paulo: Byk, 1998), capítulo 8: "Hematoquezia é a eliminação de sangue vermelho vivo via anal, e enterorragia é a perda de sangue via anal, sem diferençar se é vermelho vivo ou preto" - Destoa do conceito mais aceito.

Pois é, termos assim dificultam o estudo, já que variam tanto de acordo com a literatura, pois no Mario López, a hematoquezia é classificada como Hemorragia Digestiva Alta. 5ª Edição página 636.

Sim, é a edição que tenho. Houve aí um erro na redação do texto. A hematoquezia é a emissão de sangue fresco pelo ânus, de origem no tubo digestivo baixo (do ângulo de Treitz ao reto). Porém hemorragias digestivas mais altas podem ser eliminadas pelo reto (podem ser de sangue vivo quando são maciças, mais de 1000 mL) com trânsito intestinal acelerado (não permanecem tempo suficiente na luz para que se exteriorize como melena) [Isso já foi discutido aqui há alguns dias] Nesse caso, há que fazer a diferença com hemorragia digestiva alta.

Há situações em que não é possível distinguir clinicamente a enterorragia de um sangramento alto muito volumoso com trânsito acelerado. Só com exame endoscópico.

Veja neste mesmo capítulo, página 641, onde há o subtítulo "Hemorragia Digestiva Baixa": "O sangramento baixo lento apresenta-se com exteriorização clínica sob a forma de hematoquezia ou melena [...] p. 642: A hematoquezia é mais característica de lesões de cólon ou reto.

Para ficar mais claro: a hematoquezia é o sangramento baixo, geralmente reto e ânus: o sangue fica em torno das fezes mas não se mistura com ela, ou goteja após a evacuação; na enterorragia, o sangue vivo é a própria evacuação e indica sangramento intestinal.


"Com relação às síndromes do sistema respiratório, Limitação ao fluxo aéreo seria a mesma coisa de DPOC? Ou seria DPOC e mais alguma síndrome? Estudando ectoscopia por um material aqui qu achei, encontrei a parte de marchas patológicas na semiologia do sistema nervoso. Para a avaliação, marchas patológicas entra no conteúdo de ectoscopia? Se sim, as marchas que devo saber, todas, estão no livro do Porto?"

Sim, a síndrome de limitação crônica ao fluxo aéreo é a DPOC.


Como se identifica um refluxo hepatojugular na ICC? Como é esta manobra?

A compressão abdominal (não necessariamente compressão do hipocôndrio direito) deve ser por um minuto. O paciente deve respirar normalmente porque uma manobra de Valsalva pode causar elevação "falso-positiva" da pressão venosa na jugular. O refluxo hepato-jugular ocorre porque a pressão abdominal acentua o retorno venoso. Quando presente diz-se "refluxo hepato-jugular positivo", mas pode ser observado mesmo quando a pressão do átrio direito estiver normal, por isso sua validade não é alta. Porém ajuda a      distinguir clinicamente a congestão venosa da ICC em relação às outras causas (obstrução de VCS, por exemplo). Vejam que interessante: The Original Description - pubicada no The Lancet.http://rwjms1.umdnj.edu/shindler/hjr.html


"Professora, gostaria de saber se existe se, quando ocorre um tipo de sangramento digestivo (ex: melena, por úlcera péptica duodenal), pode ocorrer outro tipo, causado pelo mesmo quadro (por ex: hematêmese ou enterorragia). Se sim, como eu posso explicar? Deixe-me tentar ser mais claro... o que determina se eu terei melena ou hematêmese, por exemplo?"

Melena segue a hematêmese, tendo como origem o mesmo sítio de sangramento. Hematêmese também pode ser simultânea a enterorragia (mais raro) no mesmo processo se o sangramento for copioso e o trânsito intestinal estiver acelerado.


Gostaria de saber se febre e hipertermia são a mesma coisa. Obrigado pela atenção.

Hipertermia é um dos componentes da febre. Esta última é uma síndrome composta por hipertermia, taquicardia, vasodilatação cutânea, mal estar geral, mialgias e cefaleia. Pode ocorrer hipertermia fora da síndrome febril. Exposição excessiva ao calor com desidratação, perda de eletrólitos e falência dos mecanismos termorreguladores corporais podem cursar com hipertermia. Se a pessoa se expõe excessivamente ao sol ou permanece em ambiente muito quente, ou mesmo tem falha dos mecanismos de dissipação do calor corporal, pode ter hipertermia, mas não é febre. E o que é febre, o que é a síndrome febril, o que representa?... A temperatura normal está próxima aos 36,5°C. A partir de 37,5ºC há hipertermia, mas esta não causa riscos graves até os 40°C. A acurácia na verificação da temperatura vai depender de vários fatores, claro. A temperatura que nós medimos é uma avaliação indireta e aproximada da temperatura central, e varia de acordo com diversos fatores: idade, sexo (mais alta no sexo feminino), variação circadiana (mais baixa pela madrugada, máximo no início da noite) e também, como você disse, com o local da medição. Mas os valores para se considerar como hipertermia são diferentes de acordo com o local de verificação...


Professora, a ausculta no sistema urinário, caso esteja presente, será melhor auscultado no abdome superior e posterior? Mais precisamente onde?

Na projeção topográfica de artérias renais na face anterior do abdome: acima da cicatriz umbilical e lateralmente a esta. Posteriormente, na região paravertebral lombar. Se houver sopro decorrente de estenose de artéria renal, a possibilidade de ausculta é maior na face anterior do abdome. O paciente precisa ser magro com abdome plano. É difícil auscultar sopros de origem renal, caso existam.


DOR ABDOMINAL RÍTMICA COM A ALIMENTAÇÃO. Discutida hoje na aula prática da turma 2, a propósito da história de um paciente com úlcera duodenal, é bom relembrar aqui. 

DOR RÍTMICA EM 3 TEMPOS E EM 4 TEMPOS: Dor que se relaciona com a alimentação: em 3 tempos (come-dói-passa), para a úlcera duodenal, ou em 4 tempos (bem-come-dói-passa), para a úlcera gástrica. O correto é o seguinte - ritmo em três tempos (dói - come - passa), para a úlcera duodenal, e ritmo em quatro tempos (bem - come - dói - passa) para a úlcera gástrica.


Lembro que discutimos nas síndromes de urinário a relação entre hiperpotassemia, edema e aldosterona, mas não lembro bem a relação que fizemos... pois se há um aumento da aldosterona se justifica o edema, mas não a hiperpotassemia, já que a aldosterona aumenta a eliminação de potássio.

Sim, tem razão, a aldosterona atua aumentando a eliminação do K. Esse hormônio causará retenção de água e sódio, hipertensão e dema. No caso dos mecanismos que elevam o K na IRC, o principal é a redução da filtração glomerular, quando esta atingir valores menores do que 15 mL/min. Mas a hipercalemia também poderá ocorrer em certas situações em que a redução da filtração glomerular for moderada (20 a 60 mL/min): em situação clínica de grande catabolismo (hemólise, traumatismos, sepse), e uso de medicamentos que dificultam a eliminação do potássio pelos rins, como a espironolactona e os IECA. Também ocorre deslocamento de potássio intracelular para fluido extracelular pela acidose metabólica, que ocorre na IRC.


A pedido da Professora Rilva Muñoz,  pesquisei sobre “cistite da lua de mel” e aí vai um  resumo: “Cistite da lua de mel” caracteriza-se como um quadro de infecção na bexiga após o inicio da vida sexual ativa. Acredita-se que a uretra está rodeada por uma rede densa de vasos sanguíneos, os quais ficam protegidos com a excitação, mas se ela for insuficiente, essa proteção não ocorre, favorecendo o aparecimento da cistite; há ainda a hipótese de que o atrito da relação sexual acaba levando as bactérias em direção à bexiga urinaria. Hoje em dia a cistite da lua de mel é mais chamada de cistite pós-coito e aparece em jovens cada vez com mais intensidade. Caracteriza-se por polaciúria, disúria, urgência miccional e dor na região pélvica e até hematúria. Vida sexual ativa, constipação, problemas ginecológicos e até roupas abafadas podem aumentar as chances de desenvolver cistite.


Vimos hoje um paciente na enfermaria com um diagnóstico raro. 

Ele tem 27 anos e está internado na enfermaria de clínica do HULW com diagnóstico de Síndrome de DRESS (Drug Reaction with Eosinophilia and Systemic Symptoms), também chamada Síndrome de Hipersensibilidade Sistêmica a Droga, é uma rara reação adversa a medicamentos e potencialmente fatal. O paciente sobreviveu e está bem. Caracteriza-se por acometimento multivisceral grave e eosinofilia. O quadro desenvolveu-se pelo uso de medicamento para vitiligo. Ele apresentou erupção cutânea associada à administração do medicamento, anasarca, alterações hematológicas (leucocitose e linfócitos atípicos), acometimento sistêmico como adenopatias, nefrite intersticial, derrame pleural e cardite. Apresentava hoje leve icterícia, descamação furfurácea da pele, dor abdominal à palpação, sem visceromegalias (ultrassonografia de 10 dias atrás com hepatomegalia moderada e esplenomegalia discreta), taquicárdico e com discreto sopro cardíaco.  


LESÕES ELEMENTARES DE CONTEÚDO LÍQUIDO. Na turmas 1, neste quesito da prova, além das respostas com os itens vesícula, bolha, pústula, abscesso, antraz, furúnculo, hematoma, carbúnculo e cisto, considerei também goma (embora seja nódulo ou nodosidade, mas geralmente se liquefaz na porção central em sua evolução) e a urtica e o edema não mediado por histamina (lesões de conteúdo líquido não circunscrito) e, por extensão, a placa urticariforme, embora esta seja considerada sólida por muitos autores, inclusive Celmo Celeno Porto. No capítulo 4, "Semiologia Dermatológica", de Daniel Azulay ("Dermatologia", 2008), a urtica e o edema são lesões de conteúdo líquido não-circunscrito, ao lado de vesículas, bolhas e pústulas, que são de conteúdo líquido circunscrito. Houve respostas incluindo fístula também em duas provas, que é um canal com pertuito na pele que drena foco profundo de supuração ou necrose, mesmo sendo classificada como lesão por solução de continuidade, em algum momento drena líquido, e assim também considerei certas. Considerei petéquias e equimoses, ou púrpura, e hemangioma, que embora as primeiras sejam manchas, planas, são vásculo-sanguíneas, e quando se fala em lesões de CONTEÚDO líquido, podem ser incluídas no mesmo raciocínio do hematoma, só que este é uma lesão elevada. O hemangioma é um tumor de vasos sanguíneos, e há o hemangioma macular, mas também existem os cavernosos (grandes canais vasculares com sangue) e os capilares (granuloma piogênico).


Existe diferença de hemoptise, expectoração hemoptoica e expectoração hemática? Outra coisa, no Mário Lopez tem dizendo que a principal causa de hemoptise no fumante é a bronquite crônica. Ele considera hemoptise qualquer sangramento do trato      respiratório inferior, não importando o volume. Já o Porto afirma que os bronquíticos raramente apresentam hemoptise, embora tenham estrias de sangue no escarro. Nesse  caso,  eles estão afirmando a mesma coisa, embora o Porto considere a quantidade de sangue, certo? Qual dos dois está "correto", tendo como base a literatura?

A definição de hemoptise inclui qualquer sangramento proveniente das vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios e pulmões). Conceitualmente, a hemoptise pode variar desde estrias de sangue até hemorragias volumosas. Expectoração hemática é a emissão de escarro com presença de sangue (expectoração mucopurulenta, amarelada, com raias de sangue, ou escarro ferruginoso, cor de tijolo). Na prática clínica, porém, quando se fala em hemoptise, pensa-se logo em eliminação de sangue isolado. Por isso, há essa distinção feita por alguns autores, entre hemoptise e expectoração hemática. O termo "expectoração hemoptoica" ou escarro hemoptoico" são inapropriados porque são redundantes: a origem da palavra hemoptise é "hayma" = sangue, e "ptyo" = escarrar. Portanto, quando se diz expectoração hemoptoica, comete-se uma tautologia, uma redundância, já que ptyo, que dá origem a ptoico de hemoptoico, quer dizer escarro. Então se diz escarro hemático (expectoração hemática) ou apenas hemoptoico, forma menos utilizada. A causa broncopulmonar considerada mais frequente de hemoptise (sangue isolado) é a bronquiectasia, e em segundo lugar, a tuberculose. Depois, seguem-se em frequência, bronquite crônica, tromboembolismo pulmonar, câncer de pulmão, infecções fúngicas, abscesso pulmonar... Atualmente os casos de hemoptise na tuberculose ocorrem geralmente por ruptura de vasos brônquicos. Raramente há sangramentos hoje em dia por causa cavitária na tuberculose, o que ocorria muito antigamente, quando havia muito a ruptura dos aneurismas de Rasmussen, que é uma erosão de uma artéria brônquica que dilata para o interior de uma caverna. Na década de 1980, a tuberculose era a principal causa de hemoptise. Hoje, a bronquiectasia superou esta causa. Câncer de pulmão e outras doenças inflamatórias também estão na frente da tuberculose nos países desenvolvidos. http://www.jornaldepneumologia.com.br/portugues/artigo_detalhes.asp?id=1579


Qual seria a explicação fisiopatológica para o fato de o enfisema pulmonar ser inicialmente percutido como hipersonoridade e em estágio mais avançado como som timpânico?

No enfisema pulmonar, as paredes dos alvéolos estão destruídas e se rompem. Os espaços alveolares se tornam dilatados e hiperinsuflados. Esta hiperinsuflação pelo aprisionamento expiratório de ar nos espaços distais dilatados resulta em hipersonoridade. No enfisema grave, podem ser observados espaços císticos contendo ar, como se fossem "bolhas", o que pode levar à um som quase timpânico à percussão.


Minhas Dúvidas - Dúvida 1: Se uma paciente sente uma dor lombar há dois meses que passa em 3 dias, depois de duas semanas sente novamente essa dor por outros três dias e melhora. U ma semana depois sente novamente, e só então decide procurar o médico, sendo internada. Durante essa semana a dor permanece contínua. A queixa principal será: dor há dois meses ou dor há uma semana? ou será o que a paciente disser, como por exemplo dor há 8 dias? Dúvida 2: esse sintoma é reconte em dois meses, mas, é contínuo quando aparece.Então na caracterização irei dizer: " crises recorrentes de dor em dois meses... Mas, caracterizá-la como dor contínua? Dúvida 3: Eu, necessariamente, preciso começar a HDA com a queixa principal, ou posso começar com sintomas anteriores cronologicamente, de modo que a QP apareça no meio da história?( Meu professor de práticas já tinha dito isso, mas esqueci).

(1)   Na queixa principal de um sintoma recorrente, pode-se registrar a duração do último episódio, aquele que em última instância, motivou a internação (ou consulta); na HDA, começa-se descrevendo a duração total, e afirmando quantos episódios ocorreram desde o início. Depois descreve o último episódio, o atual. (2) Quando o sintoma é recorrente, ou seja, vai e volta, é preciso determinar a duração das crises e dos intervalos entre as crises; pode-se dizer que este sintoma é de curso recorrente, não é contínuo ao longo do tempo; se tem intervalos regulares, cíclicos, chama-se intermitente, e se há apenas melhora sem desaparecer totalmente, é remitente. Se é periódico com certa função, como alimentação, diz-se rítmica. Um sintoma ou sinal contínuo não tem interrupções nem melhoras. (3) Não precisa começar a HDA necessariamente com a QP, mas o relato falando sobre o início da doença (duração total) e a sua cronologia devem levar à QP, que deve ser analisada minuciosamente. A QP é o eixo da HDA.


"Professora, para ser considerado nictúria, a pessoa tem de acordar quantas vezes à noite?"

Nictúria (ou noctúria) é a inversão do ritmo nictemérico urinário. Quando há nictúria, o paciente urina mais vezes durante a noite que no decorrer do período diurno. Normalmente, a pessoa urina uma vez à noite, ou não acorda à noite para urinar, porque o ritmo de produção de urina se reduz fisiologicamente à noite. Nictúria e noctúria são sinônimos. Alguns autores fazem uma distinção: NOCTÚRIA: necessidade de urinar à noite, interrompendo o sono; NICTÚRIA: o volume de urina eliminado durante a noite está aumentado. Enurese é a micção que ocorre involuntariamente durante o sono.


Hoje estudei um pouco de semiologia do sistema respiratório. Daí, fiquei com algumas dúvidas. O que cornagem (eu sei que é uma dificuldade de inspiração, mas como eu detecto isso no paciente?)? Outra dúvida é: qual ritmo respiratório eu devo considerar normal? o ritmo 1 para 2? Tive colegas que disseram 1 para 2, 1 para 2 e meio e um para três?

Cornagem é o ruído laríngeo por obstrução; também chamado (mais apropriadamente) de estridor. É muito ruidoso, e originado em via respiratória alta. Observado nas laringites de crianças assim como na laringomalácia (também em crianças), e em grandes tumores de laringe, com semi-oclusão importante da luz. A dificuldade é mais inspiratória. Ritmo respiratório é a regularidade de fases inspiratórias e expiratórias, alternadas de forma normal, sem períodos de apneia e sem polipneia. Não tem nada a ver com a duração da inspiração em relação à expiração. Ritmos anormais: respiração de Kussmaul, de Cheyne-Stokes, de Biot, respiração suspirosa, etc. Na turma 1, pedi que estudassem esses ritmos, não foi?... O que você mencionou sobre a proporção 1:2, 1:2, é a relação entre a duração da fase inspiratória do murmúrio vesicular (MV) em comparação com a expiratória: normalmente a duração da inspiração é maior que a da expiração; quando o MV é substituído pelo sopro tubário (ou respiração brônquica anormal), a fase expiratória passa a ter duração maior que a inspiratória. Também no quadro de broncoespasmo (crise asmática, por exemplo), a fase expiratória passa a ser mais prolongada que a inspiratória.


Professora, estou com algumas dúvidas: 1. Como eu vou palpar o frêmito brônquico e pleural? Eu encontro a alteração quando for palpar o toracovocal, é? 2. Quanto à percussão, seu livro fala que deve-se iniciar pelas costas, mas eu li no "Portinho" que ele sugere começar pela frente. Tanto faz ou algum dos modos é melhor? Acho que era só isso.

Palpam-se os frêmitos brônquico e pleural em casos de crise asmática com broncoespasmo e no pleuris (pleurite), respectivamente; são frêmitos anormais, portanto não são detectados em condições normais; (2) No exame do tórax respiratório, sempre começar pela face posterior e de cima para baixo. Pode-se dizer que o frêmito brônquico é a expressão palpatória de roncos e sibilos, e o frêmito pleural, a do atrito pleural. 

22 de abril de 2013

Interface Informação-Saúde

Por Rilva Lopes de Sousa-Muñoz

A área de Saúde ocupa-se do cuidado sanitário integral no setor público e privado do sistema de serviços, através de ações de diagnóstico, terapêutica, prevenção, recuperação e reabilitação, educação para a saúde, assim como da gestão dos serviços de saúde (BRASIL, 2000).
Uma das primazias atuais nesse campo é o reconhecimento de sua complexidade e intersetorialidade. As relações entre o campo da saúde e os demais campos da vida social, econômica e política de uma região ou país tornam-se cada vez mais variadas e complexas (BRASIL, 2004a). Da Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em 1986,  emanou como destaque a consideração de que a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor, apontando-e como diretiva que a promoção da saúde exige uma ação coordenada de governos, setores da saúde, social e econômico, organizações não governamentais e de voluntários, autarquias, empresas e comunicação social, assim como que as populações devem ser necessariamente envolvidas enquanto indivíduos, famílias e comunidades, ou seja, o exercício do controle social sobre as atividades e os serviços  (BRASIL, 2002).
Sobre as ações intersetoriais necessárias para essa grande esfera, está o entrelaçamento dos aspectos sociais e de informação em saúde, que deu origem a um novo campo de conhecimento desde a segunda metade do século passado. A multiplicidade de ações de saúde e a relação profissional de saúde-paciente, a relação entre os profissionais de saúde na equipe de serviço, e entre eles e o pessoal administrativo, a qualidade do atendimento recebido pelos usuários e clientes no sistema de saúde, as campanhas destinadas à população ou a segmentos dela, as intervenções na comunidade, os aspectos tecnológicos envolvidos nos sistemas de informação em saúde, estes são alguns dos elementos que fazem parte da interface saúde e ciências da informação.
Os profissionais de saúde têm que atender a vários tipos de exigências, tanto na assistência propriamente dita, quanto nas limitações do sistema político de saúde, assim como nas condições socioeconômicas e de aprendizagem e trabalho. Entre as necessidades enfrentadas por estes profissionais em um  contexto multifacetado e complexo, está o imperativo da informação.
Informação em saúde é um campo relativamente novo e interdisciplinar, que estuda o emprego de estratégias de comunicação para informar e influenciar as decisões dos indivíduos e da comunidade, para melhorar a qualidade da sua saúde (MORAES, 2008). Gestão de informação em saúde é um campo vasto, ainda em evolução, que incorpora ciências da saúde, tecnologia da informação e outras ciências sociais.
Informação eficaz proporciona uma contribuição decisiva para a promoção da saúde, assim como para prevenção de doenças e de gestão de serviços de saúde. Trata-se de uma área de pesquisa, teoria e prática voltadas a entender e promover intervenções de informação considerando as crenças em saúde e, assim, possibilitando mudança de comportamentos. Temáticas de pesquisa nessa área incluem a interação entre provedor de cuidados de saúde e paciente, redes de apoio social, o Sistema de Informações em Saúde no Brasil (SINASC, SINAN, SIH, SIM, DATASUS, RIPSA), o melhor aproveitamento dos recursos humanos no setor saúde, a humanização das práticas e da atenção à saúde, as políticas e promoção da saúde, a prevenção de doenças, os cuidados inovadores para as doenças crônicas, o financiamento da saúde, a qualidade de vida e a saúde, a utilização da Internet no campo da saúde, e finalmente a repercussão dos elementos dessas temáticas sobre os membros de uma comunidade (BENITO; LICHESKI, 2009; BUSS, 2000; BRASIL, 2010; GALVÃO et al., 2011; GOULART; CHIARI, 2010; LIMA et al., 2006; OMS, 2003; SOARES, 2004).
Um dos principais objetivos de uma das vertentes da informação em saúde é proporcionar que indivíduos e comunidades melhorem comportamentos relacionados ao processo saúde-doença, através do compartilhamento de informação (MORAES, 2008). Existe uma disparidade entre os avanços alcançados pelas profissões da área da Saúde, e sobretudo da Medicina, e o conhecimento e a aplicação destes avanços pela população. Ainda que os profissionais de saúde tenham grandes conhecimentos sobre a prevenção das doenças e a promoção da saúde, não sabem necessariamente comunicar de forma efetiva essa informação tão vital para a sociedade. Em geral, a formação acadêmica dos profissionais da saúde, principalmente dos médicos, não inclui a comunicação interpessoal entre estes profissionais e os seus pacientes, nem entre o próprio profissional com os seus pares e com  o serviço de saúde, tampouco deste com a sociedade. Os valores e crenças dos usuários dos serviços de saúde, seus estilos de vida, suas condições ambientais, políticas, sociais, de trabalho e econômicas são o contexto no qual o profissional da área pode visualizar seus objetos de investigação e intervenção.
Na perspectiva de se desenvolver o cuidado humanizado em saúde, a humanização como política transversal, requer que sejam ultrapassadas barreiras, muitas vezes rígidas, dos diferentes núcleos de saber/poder que se ocupam da produção da saúde (BRASIL, 2004b). Nesse caso, é importante considerar o conhecimento da informação em saúde como uma das ferramentas a serem utilizadas para o desenvolvimento do cuidado integral ao ser humano.
Somente o entendimento e uso de estratégias de saúde específicas e técnicas de informação eficazes pode maximizar a atenção do público, aumentar a conscientização sobre os riscos de saúde, contribuindo para melhorar os níveis de literacia em saúde e promovendo o aumento da probabilidade de adoção de comportamentos e práticas de saúde desejáveis.
Em questões de saúde pública, a participação dos cidadãos é essencial para garantir o sucesso da ação, pois existe a demanda por um esforço individual que assegure benefício ao grupo, com a busca do equilíbrio entre ganho social e pessoal. Por esta razão, a interdisciplinaridade é posta como princípio pedagógico nesta proposta. A informação pode modificar comportamentos e ações de saúde? É possível capacitar pessoas tomando-se por base o conceito da informação em saúde? O que os meios de comunicação falam e como falam sobre os agravos á saúde?  O que falam e como falam as instituições? Como fazem circular sua comunicação? Como a população se apropria das informações e produz sentidos sobre as doenças? Como implementar campanhas eficazes de comunicação, lidar com questões difíceis de cuidados de saúde, e fornecer informações valiosas para a mídia e o público? Estes são alguns dos questionamentos que permeiam as problemáticas inseridas na área da informação em saúde (SAUPE; WENDHAUSEN, 2005
A informação eficaz na assistência ao paciente, organizações de saúde e gestão da saúde visa promover a compreensão de como as técnicas de informação são utilizadas e seu impacto para melhorar a interação entre pacientes, médicos, estudantes, outros profissionais de saúde e o público em geral, através de investigação original, criação de técnicas de informação e divulgação de estratégias eficazes (BRASIL, 2010). Essas ações podem melhorar significativamente as relações interprofissionais, a comunicação interna das unidades de saúde, e entre as unidades, assim como a qualidade dos serviços.
Profissionais com esta visão e conhecimento terão importante papel na sociedade, pois serão capazes de entender e reconhecer as demandas específicas tanto no âmbito local, regional e nacional, funcionando como elementos capacitados para promover e melhorar a eficácia e a eficiência das organizações públicas e privadas, propondo soluções de problemas, geração e aplicação de processos de inovação. Nesse sentido, deverão desenvolver um olhar e uma atitide voltados para ações de caráter estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, em 2003, iniciou-se um debate e a preparação de uma proposta política nacional de informação em saúde, integrada à construção de uma agenda estratégica do Ministério da Saúde, como um dos seus objetivos setoriais prioritários (BRASIL, 2004c).
Nesse sentido, é necessária a associação de gestores  em parceria com  as universidades, através de um processo participativo e de intercâmbio, uma política de informação em saúde, em seus vários níveis, tanto no sentido humano quanto tecnológico. 

Referências
BENITO, G. A. V., LICHESKI, A. P. Sistemas de Informação apoiando a gestão do trabalho em saúde. Rev. bras. enferm. 62 (3): 447-450, 2009 . 
BRASIL. Ministério da Saúde. Grupo Técnico da Comissão Intergestores Tripartite. 2010. Diretrizes para Organização das Redes de Atenção à Saúde do SUS. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/2b_221210.pdf. Acesso em: 22 abr. 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde no Brasil: Contribuições para a Agenda de Prioridades de Pesquisa/Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004a.
BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Informação e Informática em Saúde. Proposta Versão 2.0. 2004c. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/PoliticaInformacaoSaude29_03_2004.pdf. Acesso: 22 abr. 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde. As Cartas da Promoção da Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Projeto Promoção da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
BRASIL. Ministério da Educação. Educação Profissional: Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Profissional de Nível Técnica, Área Saúde. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/saude.pdf. Acesso em: 22 abr. 2013.
BUSS, P. M. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciênc. saúde coletiva. 5 (1): 163-177, 2000.
GALVAO, M. C.; RICARTE, I. L. M.;  DAURA, A. P. Tecnologia e informação em saúde: modelo de ensino-aprendizagem transdisciplinar. Perspect. ciênc. inf. 16 (4): 73-94, 2011 . 
GOULART, B. N. G.; CHIARI, B. M. Humanização das práticas do profissional de saúde: contribuições para reflexão. Ciênc. saúde coletiva. 15 (1): 255-268, 2010.
LIMA, C. R. A. E., ESCAMILLA, J. A.; MORAIS, O. L. et al. Experiências exitosas brasileiras no campo da Informação em Saúde. 2006. Disponível em: http://new.paho.org/hss/documents/his/bra_por_reporte_completo_sis.pdf. Acesso em: 22 abr. 2013.
MORAES, A. F. Informação estratégica para as ações de intervenção social na saúde. Ciênc. saúde coletiva 13 (suppl.2): 2041-2048, 2008.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação: relatório mundial / Organização Mundial da Saúde – Brasília, 2003.
SAUPE, R.; WENDHAUSEN, A. L. P. O mestrado profissionalizante como modelo preferencial para capacitação em Saúde da Família. Interface (Botucatu) 9 (18): 621-630, 2005.
SOARES, M. C. Internet e saúde: possibilidades e limitações, 2004. Revista TEXTOS de la CiberSociedad, 4. Temática Variada. Disponível em: http://www.cibersociedad.ne. Acesso em: 22 abr. 2013.

Imagem: www.cahealthit.com 

13 de abril de 2013

Estação de Clínica Médica do OSCE Aplicado em 2012.2 no CCM/UFPB

Figura 1
Figura 2

Estação de Clínica Médica do OSCE 2012.2 
Apresenta-se a seguir o quesito da Estação de Clínica Médica na primeira aplicação da Avaliação Clínica Estruturada Objetiva (OSCE, em inglês) realizada hoje para o oitavo período do curso de graduação em Medicina / Centro de Ciências Médicas (CCM) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob coordenação do Prof. Luiz Fábio Botelho, assessor de Graduação do CCM.
A partir do enunciado do quesito (Figura 3), com o relato da história clínica de um paciente, os alunos responderam na folha destinada a isso (Figura 4), levando também em consideração as imagens apresentadas nas fotos expostas na sala (Figuras 1 e 2). Na folha de resposta, simulou-se uma prescrição no formato de "receituário médico", onde os alunos poderiam escrever a prescrição solicitada no quesito, de acordo com sua conduta no item anterior (tratamento ambulatorial ou hospitalar).
A Estação de Clínica Médica, assim como as outras cinco estações (Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Coletiva, Cirurgia, Urgência e Emergência), tiveram duração pré-determinada de seis minutos devidamente cronometrados, sendo demarcados através de um aviso sonoro que alcançava todas as salas (estações), indicando a passagem imediata do aluno de uma estação para a seguinte.

Figura 3- Quesito do OSCE na Estação de Clínica Médica com a respectiva folha de resposta
Figura 3
 
Figura 4

Resultados da Avaliação na Estação de Clínica Médica

Trinta e sete alunos dos 48 que cursam atualmente o final do oitavo período do Curso de Graduação em medicina participaram desta primeira aplicação do OSCE no CCM (77,1%). 
As respostas referentes ao diagnóstico mostraram que 73% dos alunos levantaram a possibilidade de erisipela (Tabela 1).

Tabela 1- Respostas dos 37 alunos do oitavo período do curso de graduação em Medicina / CCM / UFPB ao item sobre diagnóstico na estação de Clínica Médica na primeira aplicação do OSCE, 13 de abril de 2013  
A Tabela 2 mostra as respostas referentes à conduta, dicotomizada em "tratamento domiciliar", ou ambulatorial, e "tratamento hospitalar".

Tabela 2- Respostas dos 37 alunos do oitavo período do curso de graduação em Medicina / CCM / UFPB ao item sobre conduta (hospitalar ou ambulatorial) na estação de Clínica Médica na primeira aplicação do OSCE, 13 de abril de 2013 

As notas obtidas pelos 37 alunos variaram de 0 (zero) a 10,0 (dez), com média de 7,0, mediana de 8,5 e desvio-padrão de 3,2. A distribuição de frequências visualizada no histograma dos valores obtidos pelos estudantes foi bimodal, porém com maior concentração de notas entre 6,0 e 10,0 (Figura 5). 

Os valores correspondentes aos quartis (Q1, Q2 e Q3) revelaram que 25% das notas ficaram abaixo de 6,3 e 75% acima desta nota; 50% ficaram abaixo de 8,5 e 50% acima, enquanto 75% das notas ficaram abaixo e 25% acima de 9,0 (Figura 6).
Os intervalos de classe estão demonstrados na Tabela 3. Nesta, verifica-se que 75,7% das notas distribuíram-se no intervalo de 6,1 a 10,0. Por outro lado, salienta-se que 18,9% das notas apresentaram valores extremamente baixos (iguais ou menores a 2,0).

Figura 5- Histograma dos valores das notas dos 37 alunos do oitavo período do curso de graduação em Medicina / CCM / UFPB na estação de clínica médica do OSCE realizado no período 2012.2 

Figura 6- Valores dos quartis Q1, Q2 e Q3 das notas dos 37 alunos do oitavo período do curso de graduação em Medicina / CCM / UFPB 

Tabela 3- Intervalos de classe das notas dos 37 alunos do oitavo período do curso de graduação em Medicina / CCM  na estação de clínica médica na primeira aplicação do OSCE, 13 de abril de 2013

Comentários sobre as Respostas

A resposta correta ao primeiro item da avaliação é erisipela, hipótese que foi apropriadamente levantada pela maioria dos alunos. O antibiótico mais "prescrito" por estes foi a penicilina G, tanto na forma benzatina quanto cristalina (a procaína não foi mencionada), seguida pela amoxicilina e pela cefalexina. 
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2002), o antibiótico de escolha para a erisipela é a penicilina procaína na dose de 400.000 UI,de 12 em 12 horas, por dez dias ou, em pacientes alérgicos, eritromicina (30 a 50 mg/kg/dia, dividida de seis em seis horas, por sete a dez dias), ou ainda cefalexina de seis em seis horas, por sete a dez dias. Quadros graves podem necessitar de penicilina cristalina (IV) associada a oxacilina, ou vancomicina (com hospitalização). Após a fase aguda, na presença de fatores como insuficiência venosa crônica e linfedema, para evitar recaídas, é conveniente administrar penicilina benzatina mensalmente por cinco anos (BRASIL, 2002). Como medidas não medicamentosas, prescrevem-se repouso no leito, drenagem postural com elevação do membro afetado e uso de compressas.
As indicações de antibioticoterapia (primeira escolha e alternativas) estão demonstradas na Figura 7. Foram consideradas corretas todas as possibilidades terapêuticas mencionadas nesta figura e também no presente texto, e não apenas a de primeira escolha (penicilinas).


Figura 7- Antibioticoterapia para pacientes com diagnóstico de erisipela Fonte: Caetano e Amorim (2005) [incluída nas referências]

Embora a maioria dos alunos tenha respondido que indicaria a hospitalização do paciente para tratamento, ele não apresentava critérios de gravidade que indicassem tal procedimento, como demonstra a Figura 8.


Figura 8- Critérios para indicação de internamento em pacientes com diagnóstico de erisipela. Fonte: Caetano e Amorim (2005) [incluída nas referências]

Os demais diagnósticos propostos pelos alunos (tromboflebite superficial,  trombose venosa profunda e linfangite) fazem parte do diagnóstico diferencial de erisipela (Figura 9), porém os sintomas e sinais (febre, calafrios, mal estar geral, placa eritematosa difusa e extensa em membro inferior (mostrada nas fotos), antecedente de doença venosa superficial) indicavam fortemente o diagnóstico de erisipela, que, além disso, é a doença mais prevalente entre as mencionadas. Picada de inseto pode ser um fator desencadeante de erisipela, pela coçadura no local, e não diagnóstico diferencial, além de ocorrer mais frequentemente em crianças. A flegmasia cerulea dolens, que faz parte do espectro clínico da trombose venosa profunda, é uma condição rara, que evolui com edema mais grave e cianose importante do membro inferior afetado, devido à trombose da veia íleo-femoral. Quanto à hipótese de isquemia do membro, não havia sinais na parte mais distal deste que sugerissem esta possibilidade, tais como palidez, cianose, baixa temperatura e ausência de pulso.


Figura 9- Diagnóstico diferencial entre erisipela, trombose venosa profunda, tromboflebite e linfangite. Fonte: Pitta et al. (2000)

Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dermatologia na Atenção Básica. 1ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
CAETANO, M.; AMORIM, I. Erisipela. Acta Med Port 18: 385-394, 2005.
PITTA, G. B. B.; CASTRO, A. A.; BURIHAN, E. Angiologia e cirurgia vascular: Guia Ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL, 2000.

10 de abril de 2013

Minicurso sobre Análise Estatística para a Área de Saúde

O Minicurso sobre princípios de análise estatística e uso do software estatístico SPSS ocorrerá nos dias 1 e 2 de junho de 2013 no Auditório do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). 
Este minicurso será ministrado pelo graduando em Medicina da UFPB, ex-monitor do módulo "Pesquisa Aplicada à Medicina" e ex-membro do Grupo de Estudos em Semiologia Médica, Gilson Fernandes Filho.

31 de março de 2013

Dermato-Heliose Unilateral

Homem de 69 anos com história de 25 anos de espessamento gradual assintomático e enrugamento da pele no lado esquerdo de seu rosto. Ele relatou que foi motorista e dirigiu um caminhão de entregas durante 28 anos. 
O exame físico demonstrou sinais de hiperqueratose com sulcos acentuados, vários comedões e áreas de elastose nodular (erupção papular) na hemiface esquerda. O exame histopatológico revelou acúmulo de material elastolítico (fibras elásticas fragmentadas e desorganizadas) na derme e formação de milium dentro dos folículos de pelos velus. 
Os achados são compatíveis com a síndrome de Favre-Racouchot da pele foto-danificada, conhecida também como dermato-heliose. 
Os raios ultravioleta A (UVA) transmitem-se através do vidro da janela, penetrando as camadas da epiderme e a superior da derme. A exposição crônica aos raios UVA pode resultar em espessamento da epiderme e do estrato córneo, assim como a destruição das fibras elásticas. 
Embora a exposição aos raios ultravioleta B (UVB) esteja ligada a uma maior taxa de foto-carcinogênese, a radiação UVA também pode induzir mutações do DNA, levando à formação de câncer de pele. 
Caso clínico publicado no New England Journal of Medicine (GORDON; BRIEVA, 2012).

Referência
GORDON, J. R. S.; BRIEVA, J. C. Unilateral Dermatoheliosis. N Engl J Med  366:e2, 2012. Disponível em: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMicm1104059. Acesso em: 31 mar. 2013.

24 de março de 2013

Novos Horizontes para a Compreensão pela Iniciação Científica

Por Tácia Adriana Florentino de Lima
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB. Bolsista do Programa Jovens Talentos para a Ciência / CNPq

Resumo
O estudante de Medicina precisa aprender a ter espírito científico, estar exercendo constante crítica em busca permanente da verdade, e essa capacidade ele aprende  propondo hipóteses,  expondo-as à observação e corroboração. Ele não pode ter uma visão apenas utilitarista de sua profissão futura. Para isso, a iniciação científica amplia seus horizontes na compreensão do mundo. Isso pode ser conseguido através da prática de pesquisa durante a graduação. Assim, o estudante pode desenvolver uma nova racionalidade, ampliar seus horizontes e aprender a ser auto-reflexivo. Despertar a curiosidade do estudante de Medicina é um dos méritos da sua iniciação na atividade científica. Outro é o aprendizado do método científico, que pode levar o estudante a obter uma visão objetiva e racional e a capacidade de aprendizagem constante. A curiosidade, a vontade de saber mais, de estar informado, de ser conhecedor, são necessidades fundamentais na formação médica, assim como o são o desenvolvimento ético e da capacidade técnica.

Palavras-chave: Ciências. Educação Médica. Pesquisa Médica.

Considerando que o modelo educacional acompanha a evolução do paradigma científico, e as propostas de educação inovadoras repercutem no ensino médico, torna-se imprescindível despertar para a importância do fazer e compreender ciência, que é um dos grandes desafios para a formação médica atual. Essa mudança do paradigma educacional tradicional para um paradigma educacional inovador culminou com o surgimento de novos horizontes para a compreensão da ciência pelos estudantes de medicina, o que se reflete, sobretudo, na crescente participação destes em programas de Iniciação Científica e demais atividades que envolvam o binômio ensino-pesquisa no ensino superior.
De acordo com Mitre et al. (2008), historicamente, a formação de profissionais de saúde tem sido marcada pelo uso de metodologias conservadoras, sob forte influência do mecanicismo de inspiração cartesiana e newtoniana, fragmentado e reducionista. Essa fragmentação do saber manifestou-se no processo de ensino-aprendizagem, restringindo, durante muito tempo, a atuação do discente ao papel de mero reprodutor ou expectador do conhecimento. A partir do século XX, com o surgimento de novas perspectivas para a compreensão da ciência, houve uma mudança na concepção então vigente, colocando-se em xeque os valores considerados intocáveis e resultando em uma reflexão sobre a inserção dos futuros profissionais de saúde no contexto de produção científica.
A modernidade transformou conhecimento em poder (TENÓRIO; BERALDI, 2010). Nesse contexto, a produção daquele é “extremamente veloz, tornando cada vez mais provisórias as verdades construídas no saber-fazer científico” (MITRE et al., 2008). Tal constatação acaba por requerer que todos sejam protagonistas e produtores dessa nova ordem, testemunhos vivos das transformações que ela produziu. Pêgo-Fernandes e Mariani (2010) tratam desse tema nas ciências médicas, e afirmam que devido à aceleração do desenvolvimento destas e a constante avalanche de novas informações, a iniciação científica precisa começar a ser realmente considerada um elemento básico na formação do médico.
Diante disso, Rodríguez et al. (2004) apresentam três concepções como pilares do ensino médico inovador: visão holística, abordagem progressista e ensino baseado na pesquisa. As atividades de pesquisa nos cursos de graduação são reconhecidas atualmente como a mais importante maneira de inserir os estudantes na futura prática científica. Como complementação essencial à formação profissional ou técnica, a execução de projetos de pesquisa ajudam na ampliação de visão de mundo do aluno de Medicina, além de possibilitarem o aprendizado prático de planejamento e organização. Ao avaliar a viabilidade de uma pesquisa, reduzir possibilidade de erros e sistematizar sua execução, o estudante aperfeiçoa sua aptidão para exercer atividades referentes à sua futura profissão  (TENÓRIO; BERALDINI, 2010).
Isso coloca como desafio atual para as instituições de ensino superior formar profissionais capazes de buscar o conhecimento, de saber como utilizá-lo e como produzi-lo. Ao contrário de antes, quando o importante era dominar o conhecimento, o importante agora é “dominar o desconhecimento”, sabendo encontrar por si próprio, as respostas às questões  através da pesquisa (BEIRÃO, 2008).
Esse processo de construção da Ciência vem mostrando seu impacto transformador sobre o Homem. Despertar a curiosidade do estudante de Medicina é um dos méritos da sua iniciação na atividade científica (CARUSO, 1998). Outro é o aprendizado do método científico, que pode levar o estudante a obter uma visão objetiva e racional e a capacidade de aprendizagem constante. A curiosidade, a vontade de saber mais, de estar informado, de ser conhecedor, são necessidades fundamentais na formação médica, assim como o são o desenvolvimento ético e da capacidade técnica.
É preciso estimular nos discentes a humildade de frente ao “não saber” – com que o pesquisador se confronta diariamente em sua prática – e daí se depreende o valor da curiosidade, o valor da leitura crítica do mundo. É importante que o estudante aprenda a pensar, e desenvolva a autonomia. Isso pode ser conseguido através da prática de pesquisa durante a graduação. Assim, o estudante pode desenvolver uma nova racionalidade, ampliar seus horizontes e aprender a ser auto-reflexivo.
O estudante de Medicina precisa aprender a ter espírito científico, estar exercendo constante crítica em busca permanente da verdade; isto se aprende propondo hipóteses e expondo-as à observação e corroboração. Ele não pode ter uma visão apenas utilitarista de sua profissão futura. Para isso a iniciação científica amplia seus horizontes na compreensão do mundo.

Referências
BEIRÃO, P. S. L. A importância da iniciação científica para o aluno da graduação. 2008. Disponível em: https://www.ufmg.br/boletim/bol1208/pag2.html. Acesso em: 24 mar. 2013.
CARUSO, F. Processo e Transformação: para além da Ciência. Rev. Bras. de Ensino de Física. 20 (3): 251-258, 1998.
MITRE, S. M.; BATISTA, R.S.; MENDONÇA, J. M. G., et al. Metodologias ativas de ensino-aprensizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciência & Saúde coletiva. 13 (2): 2133-2144, 2008.
PÊGO-FERNANDES, P. M.; MARIANI, A. W. O ensino médico além da graduação: iniciação científica. São Paulo Med. J. 15 (3): 104-5, 2010.
RODRÍGUEZ, C. A.; NETO, P. P.; BEHRENS, M. A. Paradigmas Educacionais e a Formação Médica. Rev. de Educação Médica. 28 (3): 234-241, 2004.
TENÓRIO, M. P.; BERALDI, G. Iniciação científica no Brasil e nos cursos de medicina. Rev. Assoc. Med. Bras. 56 (4): 375-93, 2010.

Imagem: http://www.emporto.com.br

23 de março de 2013

Aniversário do Semioblog: 5 Anos Falando sobre Observação Clínica

Há cinco anos nascia o Semioblog (25/03/2008), com  a postagem "Semiologia Médica: Inaugurando o Semioblog"  - link: http://semiologiamedica.blogspot.com.br/2008/03/semiologia-mdica-consideraes-gerais.html

O Semioblog é um espaço virtual voltado para o estudante da grande área da Saúde. Nossos objetivos, ao criar este blog, foram: estimular a comunicação entre os alunos da disciplina de Semiologia Médica da nossa universidade; valorizar a produção textual dos alunos através da publicação de seus trabalhos acadêmicos na Internet; fomentar um apoio eletrônico para a disciplina de Semiologia e para o grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME); criar um espaço de organização da produção  acadêmica dos alunos e monitores da disciplina de Semiologia Médica da UFPB; realizar revisões sobre temas de Semiologia Médica; propiciar a comunicação com estudantes da área de Saúde de outros estados e regiões do Brasil; apresentar projetos e resultados de pesquisas na área de epidemiologia clínica, educação médica e clínica médica, especialmente aqueles ligados à observação clínica. Com o tempo, houve grande diversificação das temáticas que passaram a ser abordadas no blog mas, em geral, sempre relacionadas direta ou indiretamente à prática pedagógica em Medicina e ao exame clínico.
As estatísticas abaixo, geradas pelo Google, começaram a ser contabilizadas em maio de 2008, dois meses após a abertura do blog. Ocorreram 1.114.995 visualizações de páginas do Semioblog desde maio de 2008 até hoje (Figura 1). 
Foram feitas 681 postagens, 170 delas escritas por nossos alunos. A postagem mais visualizada ao longo desse tempo foi "A Sensação de Queimação nas Plantas dos Pés", escrita pelo nosso ex-aluno Rodolfo Athayde, com 90.617 visualizações; em seguida, a postagem "O Método Hipotético-Dedutivo", por Bruno Fernandes, também nosso ex-aluno, com 36.755 visualizações (Figura 2).
A maior parte das visualizações foi no Brasil e em Portugal, e as origens do tráfego foram sobretudo via busca pelo Google (Figuras 3 e 4).

Estatísticas do Blog 
Figura 1

Figura 2

Figura 3
Figura 4

Imagem inicial (bolo de aniversário): http://joyfullycreativecakes.blogspot.com

6 de março de 2013

Exame Físico do Abdome: Inspeção, Palpação e Percussão


 Vídeo 1: Inspeção do Abdome

[...] *
 Vídeo 2: Ausculta do Abdome

 Vídeo 3: Palpação do Abdome

Vídeo 4: Percussão do Abdome

Vídeo 5: Manobras Semiotécnicas Especiais do Abdome

Série de vídeos sobre exame físico realizada na Monitoria da Disciplina de Semiologia Médica da UFPB / GESME (quinta produção, depois dos vídeos sobre exames do tórax respiratório [2] e cardiovascular [2]), que se encontram no marcador "Semio-Vídeos" deste Blog.

* Não foi possível fazer upload do vídeo sobre ausculta.

5 de março de 2013

Sinal de Rovsing

 

Descrito por um cirurgião dinamarquês, Niels Thorkild Rovsing, em 1907, o sinal de Rovsing sugere a hipótese de inflamação peritoneal por apendicite aguda em um paciente com sintomatologia compatível com o quadro. Este sinal é revelado clinicamente por dor na fossa ilíaca direita à compressão retrógrada dos gases a partir da fossa ilíaca esquerda, comprimindo-se consecutivamente flanco esquerdo, projeção de cólon transverso e flanco direito. Tal manobra produz a distensão do ceco e do apêndice, empurrando os gases do cólon esquerdo no sentido anti-peristáltico até o ceco. 
Também chamado de “sensibilidade de rebote referida”, quando presente, é bastante útil no apoio ao diagnóstico de apendicite. 
Era considerado um sinal de pequena sensibilidade e especificidade, porém mais recentemente, uma pesquisa indicou uma sensibilidade de 30,1% e especificidade de 84,4% (KHARBANDA et al., 2005), mas não se sabe se este sinal pesquisado foi o sinal original, tal como descrito por Rovsing, e talvez deva ser melhor considerado como um sinal Rovsing-like, ou seja, um sinal de Rovsing modificado.

Referência
KHARBANDA AB, TAYLOR GA, FISHMAN SJ, BACHUR RG. A clinical decision rule to identify children at low risk for appendicitis. Pediatrics 116(3):709-16, 2005.

Imagens:
Fotos da Disciplina de Semiologia Médica da UFPB.
Última foto: Extraída de DAVEY, W. W. Rovsing's Sign. Br Med J.  2(4983): 28–30, 1956.

Compostos Fitoterápicos com Ação Hormonal


Na anamnese, é preciso questionar sempre o uso de todos os medicamentos que o paciente está recebendo, não apenas os  fármacos de síntese, mas também os elaborados à base de plantas.
Toma algum medicamento de uso contínuo? Usa algum de maneira esporádica? E os remédios de plantas?...
Os usuários de medicamentos fitoterápicos são geralmente adultos ou idosos que utilizam outros fármacos como tratamento principal de doenças crônicas e, creem que a fitoterapia é uma alternativa terapêutica sem risco de efeitos adversos e de interações medicamentosas. Os médicos geralmente também omitem a pesquisa de uso de fitoterápicos na anamnese também acreditando que estes são inócuos. Entretanto, os medicamentos fitoterápicos são constituídos por misturas complexas de vários compostos químicos, que podem ser responsáveis por diversas ações, como efeitos antagônicos e/ou sinérgicos com outros medicamentos. Muitos dos fitoterápicos também têm ação hormonal.

Apresentação de Slides