17 de agosto de 2024

DIVERSIDADE E SAÚDE MENTAL: SEMINÁRIO COM A TURMA 117 MED/UFPB

 

Profa. Rilva Muñoz e Estudantes da Turma 117/CCM/UFPB

Na disciplina de Diversidade Étnica e Cultural na Medicina, com a turma 17 do curso de medicina da UFPB, realizamos um Círculo de Exposição e Discussão com o objetivo de explorar a importância da diversidade étnica e cultural na prática médica. Utilizando uma metodologia baseada em projetos, buscamos promover uma compreensão mais profunda e a valorização das diferenças culturais, identitárias e étnicas entre os pacientes, em toda a sua diversidade humana.
A atividade foi estruturada em grupos específicos, cada um focando em um aspecto distinto do tema diversidade e saúde mental. O projeto foi organizado em quatro partes principais, cada uma desempenhando um papel no aprofundamento do tema:
· Fundamentação teórica: Nesta fase, o grupo apresentou informações relevantes e expôs uma base teórica sobre a temática após pesquisa realizada previamente na literatura.
· Análise crítica: Com base na pesquisa realizada, o grupo apresentou reflexões sobre as barreiras e iniquidades enfrentadas por determinados grupos sociais ou por pessoas em fases específicas do ciclo vital, como climatério e velhice, assim como grupos excluídos socialmente vivendo nas periferias das grandes cidades, e ainda a respeito da saúde mental dos profissionais e estudantes da área da Saúde.
· Discussão: Após a exposição de suas descobertas e análises, seguindo-se uma discussão enriquecedora. A troca de ideias foi estimulada, permitindo que vários participantes contribuíssem com suas perspectivas, promovendo uma reflexão coletiva para integrar os conhecimentos e reflexões sobre a diversidade na medicina quanto à saúde mental.
· Referências: A última parte do projeto envolve a compilação das referências utilizadas na pesquisa, mas só serão entregus posteriormente, com o trabalho escrito.

Síntese do conteúdo apresentado pelo grupo 
  • Rebeca apresentou a introdução ao tema, mencionando sua importância e apresentou a população idosa como um grupo com grande suscetibilidade aos transtornos da saúde mental.
  • Ana Luiza iniciou com uma análise da saúde mental dos profissionais da área da saúde, destacando como este grupo enfrenta situações de estresse e pressão constantes, o que frequentemente resulta em altos níveis de sofrimento psíquico. Ela ressaltou a necessidade de intervenções voltadas para o bem-estar emocional desses profissionais.
  • Emanuel trouxe à discussão a saúde mental durante o climatério, um período caracterizado por mudanças hormonais significativas que impactam diretamente o bem-estar emocional das mulheres. Sua apresentação sublinhou a importância de estratégias de suporte psicológico e aconselhamento durante esta fase, para minimizar os efeitos negativos na saúde mental.
  • Júlia abordou a saúde mental das pessoas com deficiência, enfatizando a necessidade de empatia no tratamento desse grupo. Ela compartilhou vivências que ilustraram os desafios enfrentados durante a pandemia, quando o isolamento social exacerbou sentimentos de exclusão e ansiedade. Júlia também referenciou uma leitura pertinente que enriqueceu a discussão, trazendo à tona questões sobre acessibilidade e inclusão.
  • Ruth focou sua apresentação na saúde mental nas periferias, onde os aspectos sociais, econômicos e ideológicos desempenham um papel crucial na saúde mental dos moradores. Ela destacou a alta demanda por medicamentos de uso restrito e o uso abusivo destes medicamentos, refletindo sobre como a saúde mental é frequentemente banalizada nessas áreas de extrema pobreza. Ruth argumentou que a saúde mental deve ser tratada como uma questão de saúde pública, com políticas específicas para atender as necessidades dessas populações vulneráveis.
  • Flávia encerrou as apresentações compartilhando os resultados da aplicação de um questionário de autopreenchimento sobre sinais e sintomas de sofrimento psíquico, respondido por 29 dos 35 presentes. Com um ponto de corte estabelecido em sete, Flávia propôs uma segunda dinâmica, um bingo sobre saúde mental, que visou engajar os participantes de maneira lúdica, promovendo a reflexão sobre os sinais e sintomas de sofrimento psicológico. Entre os 29 respondentes, a média de pontuação ficou abaixo do ponto de corte do questionário aplicado.

Discussão
A exposição foi seguida de uma rica discussão, em que os participantes expressaram suas impressões e reflexões sobre os temas abordados.
· Isa considerou que a apresentação foi leve e didática, afirmando que não sentiu falta de nenhum conteúdo relevante dentro da temática.
· Felipe concordou com Isa e lembrou que pessoas dentro do espectro autista são consideradas pessoas com deficiência por lei.
· Isadora mencionou que o grupo abordou bem o tema do estigma relacionado à saúde mental.
· Felizardo destacou que o tema é amplo e sugeriu que fosse adicionada a discussão sobre a saúde mental dos cuidadores, especialmente em relação à síndrome de Burnout.
· Letícia Araújo considerou que o poder público ainda não oferece suporte psicológico adequado na atenção básica em saúde, destacando a necessidade de mudanças no sistema.
· Rômulo mencionou a abrangência do tema e ressaltou a importância da apresentação sobre a saúde mental nas periferias.
· Sadrak falou sobre o fato de que os problemas de saúde mental não são exclusivos das classes mais favorecidas e enfatizou a apresentação de Ruth, relatando sua vivência na comunidade do Rangel, onde medicamentos foram roubados de uma unidade básica de saúde para serem trocados por alimentos.
· Edvaldo abordou a saúde mental dos estudantes de medicina, que enfrentam expectativas elevadas, pressão familiar e a necessidade de se manterem fortes, corroborando o que Sadraque havia dito.
· Jallyson elogiou a maneira como a equipe trouxe a temática à tona, enquanto Flávio questionou sobre o tempo e os recursos disponíveis para cuidar da saúde mental, mencionando que faltas não são abonadas.
· Mabel ressaltou a forma lúdica com que um tema pesado foi tratado, mencionando o estigma associado aos medicamentos de tarja preta e ao termo "doido".
· João Guilherme destacou que o cuidado com a saúde mental vai além da psicoterapia.
· Maria Eduarda afirmou que gostou da dinâmica utilizada na apresentação e da introdução do tema sobre o climatério.

Os alunos que preferiram se expressar por escrito e/ou que não tiveram tempo de se inscrever para falar, entregaram anotações para contribuir com discussão e para registrar sua colaboração para obtenção do ponto para a nota de participação. Houve um consenso sobre a importância de reconhecer e tratar a saúde mental como uma dimensão essencial na prática médica, especialmente em contextos de diversidade cultural e étnica. As dinâmicas interativas foram elogiadas por seu papel em envolver a turma e facilitar a compreensão dos temas apresentados.
Algumas das participações escritas foram as seguintes: Ramon comentou que alguns aspectos ficaram de fora da apresentação, possivelmente devido à complexidade do tema. Ele destacou que a questão do propósito de vida dos idosos poderia ter sido abordada, pois ignorar essa dimensão pode levar à exclusão dos idosos das discussões sobre saúde mental. Ele enfatizou a importância de incluir os idosos em conversas, projetos, e decisões familiares para que eles se sintam mais integrados e ouvidos. Maria Heloisa elogiou o grupo pela abrangência do tema abordado. Ela destacou que, por ser um assunto extenso, o grupo conseguiu trazer uma variedade de tópicos relevantes. Um ponto que chamou sua atenção foi a dificuldade dos idosos em lidar com perdas em massa, como a morte de vários familiares e amigos, o que contribui para um sentimento crescente de solidão. Além disso, ela ressaltou a perda de autonomia, que ocorre quando os idosos não conseguem mais realizar atividades que antes faziam sozinhos, afetando significativamente sua saúde mental. Maria Heloisa também mencionou a relevância da consideração da saúde mental dos cuidadores, que havia sido mencionada antes durante a aula. Por fim, ela considerou a apresentação excelente, destacando a variedade de temas e as dinâmicas interativas utilizadas pelo grupo.
A avaliação de Samuel, Maria Clara e João Victor reflete diferentes perspectivas sobre a apresentação relacionada à saúde mental. Samuel destacou a importância da saúde mental dos idosos, baseando-se em sua experiência pessoal com sua avó. Ele apreciou como a apresentação abordou essa questão, reconhecendo as dificuldades de manter o bem-estar mental nessa fase da vida. Maria Clara, por sua vez, ressaltou o impacto do questionário apresentado, que serviu não apenas como informativo, mas também como um alerta para a necessidade de buscar ajuda, especialmente diante dos estigmas sociais que dificultam o reconhecimento e tratamento dos problemas de saúde mental. João Victor mencionou que, embora a apresentação tenha sido abrangente, talvez tenha faltado um aprofundamento maior na questão da saúde mental das pessoas com deficiência. Ele destacou a vulnerabilidade desse grupo, que enfrenta capacitismo e preconceitos, fatores que podem agravar o sofrimento mental. Ele ilustrou essa preocupação com o exemplo de um atleta de fisiculturismo que experimentou um declínio significativo em sua saúde mental após adquirir uma deficiência que o impediu de continuar treinando. Essa observação sublinha a importância de considerar as condições de deficiência como um fator crucial no cuidado com a saúde mental, especialmente quando associados a eventos traumáticos prévios. Essas opiniões demonstram a complexidade do tema da saúde mental, que exige uma abordagem sensível e multifacetada, especialmente quando se trata de grupos vulneráveis como idosos e pessoas com deficiência.
Carlos Henrique iniciou sua contribuição destacando que a saúde mental é definida como um estado de bem-estar em que o indivíduo é capaz de realizar suas potencialidades. Ele apontou que esse estado de bem-estar é influenciado por uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e sociais. Em seu texto, Carlos Henrique utilizou um mapa mental, centralizando a expressão "grupos populacionais" e conectando-a, através de setas, a diversos grupos, incluindo idosos, mulheres, minorias étnicas e sociais, profissionais e alunos da saúde, e a comunidade LGBTQIAPN+. Ele observou que pessoas com transtornos de saúde mental frequentemente apresentam comorbidades, ou seja, outras condições de saúde, como doenças crônicas, que podem interagir com o transtorno mental, complicando o tratamento. Carlos Henrique prosseguiu com a elaboração de um segundo mapa mental, desta vez centrado na expressão "desafios e necessidades". A partir desse núcleo, ele destacou, em setas separadas, as seguintes questões: falta de recursos, estigma, falta de acesso aos serviços de saúde, discriminação e falta de profissionais qualificados. Para concluir, ele levantou a questão do que pode ser feito para enfrentar esses desafios. Sugeriu quatro ações principais: desmitificar, combatendo o estigma e a discriminação por meio da conscientização sobre saúde mental; fortalecer a rede de apoio; ampliar o acesso a serviços de qualidade, independentemente da localização geográfica ou condição socioeconômica dos grupos; e apoiar pesquisas que explorem os mecanismos biológicos, psicológicos e sociais dos transtornos mentais, com o objetivo de desenvolver novos tratamentos e intervenções.
Dando continuidade, Ronielly destacou que o grupo conseguiu abordar o tema proposto, mas acredita que poderiam ter aprofundado mais sobre os transtornos mentais especificamente. De maneira geral, ele afirmou que gostou bastante, e acrescentou que, além de serem muito diversos, os transtornos mentais estão profundamente correlacionados com os diversos problemas sociais que afligem a sociedade brasileira. Por esse motivo, ele ressaltou a importância de discutir o tema e desmistificar o assunto.
A participação de Emilly abordou um problema que afeta diretamente o estudante de medicina. Ela considerou que o grupo abordou muito bem o tema da diversidade na saúde mental e destacou uma parte que lhe chamou bastante atenção: a forma como o grupo desenvolveu uma dinâmica com a turma, de maneira divertida e lúdica, sobre um assunto tão sério e delicado quanto a saúde mental. Assim como foi mencionado na apresentação oral e reforçado na dinâmica de grupo, Emilly observou que estudantes de medicina e médicos são muito afetados pela pressão e frequentemente sofrem da "síndrome do super-herói", em que sentem que não podem errar, devem sempre ser os melhores, e precisam estar prontos para cuidar dos outros, mesmo quando não conseguem cuidar de si mesmos. Ela também refletiu que (sem banalizar ou generalizar), muitos casos de negligência médica e iatrogenia podem estar relacionados ao cansaço excessivo dos médicos, devido à alta carga horária de trabalho e ao impacto psicológico. Ela destacou que a mente de alguém que é tão pressionado e cobrado nunca consegue descansar de forma efetiva. Além disso, Emily mencionou que a dinâmica de grupo demonstrou o quanto os estudantes de medicina negligenciam sua própria saúde. Ela compartilhou uma experiência pessoal, relatando que teve uma crise de saúde mental no segundo semestre da graduação, quando passou semanas negligenciando sua alimentação, consumindo café e energéticos para se manter acordada e estudar para as provas, buscando obter notas altas. Essa situação, segundo ela, está enraizada nos estudantes de medicina a ideia de que ao receber notas baixas serão considerados futuros péssimos médicos. Ela também comentou que foi preocupante e triste perceber que ela e outros colegas da turma apresentaram resultados altos no questionário aplicado pelo grupo que expôs o tema de saúde mental. No entanto, discutir esse assunto na turma e explicitar o problema em uma disciplina muitas vezes considerada desnecessária na grade curricular do curso de medicina, por não ser conteudista como as demais, é de extrema importância. Ela considerou que isso pode desenvolver um senso crítico entre os estudantes sobre a temática e contribuir para a melhoria da saúde mental dos futuros médicos, algo que será essencial tanto para os próprios indivíduos quanto para a sociedade e os usuários do sistema de saúde que receberão os cuidados desses profissionais. Por fim, ela acrescentou um pós-escrito que contextualizou o que relatava: "Professora, se houver partes confusas nesse texto, peço desculpas. A cabeça do estudante está a mil em plena segunda-feira pela manhã."
Dando continuidade à memória das participações dos estudantes, Gabrielle mencionou que apreciou muito a dinâmica do "Bingo da Saúde Mental", pois foi um momento em que os colegas da turma puderam expor sua vulnerabilidade. Ela notou que a maioria dos participantes da dinâmica se sentiu inferior aos outros colegas. No entanto, Gabriele destacou a importância de ser justo consigo mesmo ao se comparar com os outros, reconhecendo que essa comparação pode ser uma forma de crescimento pessoal. Por outro lado, ela alertou sobre a necessidade de cuidado com quem as pessoas escolhem como referência, pois muitas delas não são autênticas. Ela mencionou que algumas pessoas abusam de fármacos psicoestimulantes ou vivem à base de energéticos, o que compromete sua saúde. Por isso, Gabriele enfatizou a importância de sabedoria e temperança. Seguindo com a participação de Kalynne, ela destacou que um ponto muito interessante abordado pelo grupo foi a saúde mental das pessoas idosas, uma questão que muitas vezes é tratada como tabu. Kalynne ressaltou que, em muitos casos, os sinais de problemas de saúde mental em idosos não são percebidos pelos familiares, que assumem que os idosos estão sempre bem.
Agora, registrando a participação de João Victor, que fez um paralelo entre atletas e profissionais de saúde: nos esportes, existe uma cultura que associa a saúde mental ou seus problemas à fraqueza. No passado, os atletas eram vistos como ídolos e heróis inabaláveis, mas, recentemente, no século XXI, surgiram relatos de atletas como Michael Phelps e Simone Biles, que mostraram que, por trás da imagem de heróis, eles também enfrentaram momentos de sofrimento psíquico. João também refletiu que as redes sociais podem agravar essa busca por perfeição, e que os médicos não estão imunes a isso, muitas vezes se automedicando e não buscando ajuda para sua saúde mental. Ele concluiu ressaltando que o sofrimento e a saúde mental devem ser abordados de forma holística, não se limitando apenas ao uso de medicamentos, pois essa é apenas uma solução temporária.
Continuando, as participações finais foram de Hugo, José Nathanael e Fernanda. Hugo comentou que a discussão em sala de aula foi muito relevante, pois o estigma em torno da saúde mental entre profissionais de saúde pode levar ao silêncio, ao não tratamento e ao esgotamento, impactando negativamente o bem-estar desses profissionais e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes. Em seguida, José Nathanael destacou que o grupo apresentou a discussão de maneira muito criativa e dinâmica, trazendo um tema considerado pesado de forma descontraída. Ficou evidente que a abordagem deve ir além da sala de aula e ser aplicada no cuidado diário. A professora apontou que o grupo não abordou os transtornos e condições mentais propriamente ditos, mas apresentar as informações de forma mais acessível e geral pode facilitar sua aplicação em nossas vidas e contribuir para o desenvolvimento da alteridade.
Fernanda contribuiu dizendo que a saúde mental é o bem-estar psico-emocional e social de uma pessoa, essencial para o funcionamento geral e a qualidade de vida. Portanto, promover a saúde mental é necessário para aumentar a conscientização sobre a estigmatização dos problemas relacionados a ela, o que é crucial para a criação de um ambiente mais inclusivo e solidário.

Comentários da Moderadora
Voltando à frase final de Emilly, que vou destacar aqui, penso que expressa uma sensação comum entre estudantes de medicina, que frequentemente enfrentam altos níveis de estresse e pressão acadêmica. Ao analisar suas palavras, me ocorreu a seguinte reflexão: Ela admite que sua mente está "a mil", o que sugere uma sobrecarga mental, possivelmente causada por uma combinação de fatores, como estresse acadêmico, falta de sono, ansiedade com as responsabilidades e a intensidade do curso. Quando ela se antecipa e pede desculpas por possíveis confusões no texto, me pareceu um comportamento comum em ambientes de alta demanda, onde o medo de errar ou de não atingir as expectativas é frequente. A frase "em plena segunda-feira pela manhã" indica cansaço acumulado do fim de semana ou a dificuldade de retomar o ritmo acadêmico no início da semana, o que pode afetar a qualidade do trabalho e a clareza do pensamento. Me preocupou a ideia de que possa ter sido sido um pedido implícito de compreensão e apoio, o que estenderia à toda a turma. Essas palavras podem ser usadas como um ponto de partida para discutir a saúde mental dos estudantes de medicina, abordando temas como a gestão do estresse, a importância do equilíbrio entre vida pessoal e acadêmica, e a necessidade de um ambiente de aprendizado que leve em conta a saúde mental dos alunos, o que me inspirou a ideia de abordar essas questões tão importantes em futuros projetos.
A saúde mental dos profissionais de saúde e estudantes de medicina é um tema relevante e deve ser tratado com sensibilidade. Um estudo realizado no Brasil investigou o conceito de saúde mental para profissionais atuantes em diferentes serviços da rede pública. Os participantes da referida pesquisa associaram esse conceito com noções de bem-estar, integralidade do ser humano e determinação social do processo saúde-doença. Além disso, é crucial que os profissionais busquem equilíbrio emocional e, se necessário, procurem ajuda terapêutica (Gaino et al., 2017).
Este primeiro círculo de exposição e discussão, que enfocou diversidade e saúde mental, foi uma oportunidade para aprofundar o entendimento sobre a intersecção entre saúde mental e diversidade, destacando que os futuros médicos precisam se preparar para uma prática mais inclusiva e sensível às particularidades de seus pacientes, seja em uma fase do ciclo vital, seja em um contexto socioeconômico privado de recursos socieconômicos, seja um grupo profissional que tem sobrecarga e pressão psicológica, ou ainda um grupo de pessoas com deficiência.

Critérios de Avaliação
A avaliação do seminário foi baseada em três principais critérios:
1. Conteúdo e profundidade da pesquisa: A qualidade da pesquisa foi avaliada com base na relevância e profundidade das informações coletadas, assim como na capacidade de relacioná-las com a prática médica.
2. Análise crítica e soluções propostas: Os grupos foram avaliados pela capacidade de criticar de forma construtiva as práticas existentes e propor soluções inovadoras e viáveis para a inclusão da diversidade cultural na medicina.
3. Apresentação: A clareza e organização das apresentações, qualidade dos recursos audiovisuais, efetivo engajamento do público, comunicação eficaz, boa entonação, postura, e expressão.
4. Participação na discussão: Participação ativa e colaborativa dos componentes do grupo durante a discussão.

Considerações Finais
Para finalizar, gostaria de parabenizar o grupo pela abordagem de um tema tão relevante e sensível. A inclusão de dinâmicas interativas, como a aplicação do questionário sobre sinais de sofrimento psíquico e o "bingo saúde mental", foi uma estratégia muito eficaz. Essas atividades não só engajaram os participantes, como também reforçaram os conteúdos apresentados, tornando o aprendizado mais significativo.
Como os demais alunos comentaram, as dinâmicas realizadas tiveram um excelente engajamento da turma.
A exposição oral foi clara e bem estruturada, o que demonstrou o domínio do grupo sobre o tema. A conexão entre saúde mental e diversidade foi abordada de forma abrangente, destacando a importância de considerar as diferentes realidades e necessidades das pessoas. Foram apresentadas especificidades de como a diversidade pode impactar a saúde mental de grupos de pessoas.
No geral, foi uma apresentação excelente, que certamente contribuiu para aumentar a conscientização sobre a importância da saúde mental em contextos diversos. Continuem explorando essa criatividade nas metodologias e aprofundando o conteúdo nas próximas atividades.

Uma explicação da Moderadora
Pensei que havia solicitado uma exposição sobre transtornos mentais, com a expectativa era que vocês focassem em temas como preconceito, discriminação e estigmatização no atendimento à saúde de pessoas com transtornos mentais. Isso se baseava em experiências de semestres anteriores, onde os grupos discutiram principalmente como pessoas com doenças mentais enfrentam estigma e discriminação ao buscar cuidados de saúde. No entanto, para minha surpresa, o grupo optou por abordar a saúde mental sob uma perspectiva mais ampla, ao considerar como diferentes grupos sociais como idosos, mulheres no climatério, pessoas com deficiência, profissionais de saúde, e moradores de áreas periférica — enfrentam questões de saúde mental.

Referência do trabalho mencionado:
GAINO, L. V. et al. O conceito de saúde mental para profissionais de saúde: um estudo transversal e qualitativo. SMAD, Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. (Ed. port.) [online]. 2018, vol.14, n.2, p.108-116. https://doi.org/10.11606/issn.1806-6976.smad.2018.149449.

6 de julho de 2024

#RPD6 - VIVÊNCIAS ANDRAGÓGICAS PELA APRENDIZAGEM BASEADA EM SIMULAÇÃO

Neste vídeo 6 de reflexão da prática docente, exploro os aspectos promissores das vivências andragógicas mediadas pela aprendizagem baseada em simulação e pela aprendizagem experiencial na disciplina de Métodos Quantitativos do MPGOA, que tem proporcionado uma experiência rica e transformadora, preparando os mestrandos para enfrentar desafios reais na sua qualificação de projeto.

Assista e compartilhe suas próprias experiências e reflexões nos comentários!

20 de junho de 2024

FALÁCIA ECOLÓGICA

 

Por Rilva Lopes de Sousa Muñoz


Uma falácia ecológica é um erro lógico, um erro de raciocínio, que ocorre quando as características de um grupo são atribuídas a um indivíduo. Por outras palavras, as falácias ecológicas assumem que o que é verdade para uma população é verdade para os membros individuais dessa população. Trata-se de um erro de dedução, ou seja, um erro que se comete ao passar do geral para o específico. A palavra “ecológica” é usada para se referir a um grupo ou sistema, algo que é maior que um indivíduo.

As falácias ecológicas ocorrem quando se tenta tirar conclusões sobre indivíduos com base em dados recolhidos no âmbito de coletivos ou populações. Por exemplo, se um bairro específico tem uma elevada taxa de moradores com hipertensão arterial sistêmica, pode-se presumir que qualquer residente que viva nessa área tem maior probabilidade de ser hipertenso. Um pensamento estereotipado como este pressupõe que os grupos são homogêneos, embora, na realidade, os indivíduos possam não partilhar necessariamente características do grupo a que pertencem, no caso, o seu bairro.

Uma falácia ecológica ocorre em desenhos de investigação que utilizam dados referentes a um  grupo, ou a nível agregado, para estabelecer se existe uma associação potencial entre duas variáveis. Esses estudos são chamados de estudos ecológicos, um tipo de estudo observacional onde pelo menos uma variável é medida no nível do grupo. Isto pode ser, por exemplo, a nível municipal, estadual ou nacional. A investigação em saúde pública lida frequentemente com estes tipos de variáveis.

Outro exemplo de falácia ecológica é o seguinte: Ao se ler uma notícia sobre os estados mais ricos do Brasil, pode-se assumir que nestes estados vivem mais pessoas ricas, o que constitui uma falácia ecológica. Na realidade, os estados considerados mais ricos podem ter um pequeno número de indivíduos extremamente ricos. 

A falácia ecológica pode ser problemática para qualquer estudo de pesquisa que utilize dados de coletividades ou grupos para fazer inferências sobre indivíduos. Isso tem implicações em campos como epidemiologia e economia.

Portanto, na falácia ecológica, inferem-se conclusões sobre indivíduos com base em dados agregados de grupos, levando a interpretações incorretas, em virtude da variabilidade entre indivíduos. Um exemplo típico dessa falácia é quando uma variável de grupo é usada como substituta para dados individuais desconhecidos. 

Diez-Roux (2008) cita outros exemplos de falácia ecológica: 

  1. Ao estudar a relação entre a exposição a certas substâncias e o desenvolvimento de câncer, pode-se usar a frequência de exposição no grupo como um proxy* para a exposição individual. No entanto, sem informações detalhadas sobre quem está efetivamente exposto e quem não está, e sem a distribuição conjunta da exposição e do resultado a nível individual, não podemos afirmar com certeza que os indivíduos expostos têm um risco maior de desenvolver câncer, mesmo que áreas com maior prevalência de exposição apresentem mais casos de câncer; 

  2. A relação entre renda média e obesidade quando a renda média de um país é utilizada como estimativa da renda individual. Se um pesquisador descobrir que países com renda média mais alta têm uma maior prevalência de obesidade ou um índice de massa corporal (IMC) mais elevado, e inferir que dentro de cada país os indivíduos com maior renda são os mais obesos, ele pode estar cometendo a falácia ecológica. Isso porque, dentro de um mesmo país, o IMC pode ser mais alto em pessoas de baixa renda do que em pessoas de alta renda. Portanto, ao fazer tal inferência, o pesquisador estaria erradamente aplicando uma observação de nível grupal ao nível individual.

A causa raiz das falácias ecológicas é a má interpretação da informação estatística. Os pesquisadores reúnem dados estatísticos com o objetivo de generalizar da amostra para a população, ou seja, do indivíduo para a população, e não o contrário. Neste sentido, pode-se fazer uma analogia: Quando se coletam dados em nível de grupo, este é um processo semelhante a escrever um resumo de uma dissertação: certos detalhes de informações serão perdidos ou ocultados. Os dados dos estudos ecológicos são agregados: o que pode ser aplicado em uma base populacional pode não ser necessariamente observado no âmbito individual. Assim, no geral, uma correlação tende a ser maior quando uma associação é avaliada a nível de grupo do que quando é avaliada a nível individual. Como resultado, quando estudos como estes são analisados ​​a nível individual, a relação muitas vezes desaparece.

As falácias ecológicas em projetos de pesquisa ou ao interpretar resultados de pesquisas de terceiros podem ser evitadas, segundo Nikolopoulou (2023), seguindo as etapas seguintes: 

  1. Definir claramente a unidade de análise: Antes de coletar seus dados, considerar quem ou o que pretende analisar. São indivíduos, grupos ou interações sociais? Por exemplo, quando se comparam os alunos de duas salas de aula nas notas de uma prova, o aluno individual será a unidade. Por outro lado, se quiser comparar o desempenho médio da sala de aula, a unidade de análise é o grupo, porque os dados que que estão sendo analisados referem-se ao grupo, e não ao indivíduo;

  2. Estar atento (a) aos saltos lógicos: Ao tirar conclusões em uma pesquisa, é preciso ler artigos de pesquisas baseadas em dados é preciso avaliar se a afirmação está no mesmo nível que os dados. Se a afirmação é sobre indivíduos, enquanto os dados se referem a uma população, este é um caso de falácia ecológica; e

  3. Considerar que os resultados dos dados em nível de grupo não podem ser aplicados a indivíduos; ao investigar indivíduos ou subpopulações dentro de uma população maior, é necessário se certificar de que os dados foram obtidos destes indivíduos ou de subpopulações, o que implica em seguir um método de amostragem adequado, como a amostragem estratificada, se o objetivo for analisar subpopulações específicas.


*“Proxy" é um termo em inglês que pode ser traduzido como "substituto" ou "representante" e é utilizado para descrever algo que serve como um intermediário ou indicador de outra coisa. No contexto de pesquisa e estatística, um "proxy" é uma variável que é usada para representar outra variável que pode ser difícil de medir diretamente. Por exemplo, ao se medir a exposição individual a uma substância química específica, quando não se têm dados individuais, pode-se usar a frequência de exposição da comunidade (uma variável de grupo) como um proxy. A ideia é que essa variável substituta fornece uma estimativa razoável da variável de interesse, embora não seja uma medida perfeita.

Referências

DIEZ ROUX, A. V. La necesidad de un enfoque multinivel en epidemiología. Región y Sociedad, Hermosillo, 20 (spe2): 77-91, 2008. Disponível em http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-39252008000400004&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 20 jun 2024.

NIKOLOPOULOU, K. What Is Ecological Fallacy? Definition & Example. Scribbr. Disponível em: https://www.scribbr.com/fallacies/ecological-fallacy/. Acesso em: 20 jun. 2024.


5 de junho de 2024

GLOBAL BURDEN OF DISEASE STUDY

 

O Global Burden of Disease Study (GBD) é uma pesquisa internacional colaborativa que visa quantificar a carga de doenças, lesões e fatores de risco em todo o mundo. Ele fornece uma visão abrangente sobre a saúde global e ajuda a entender as causas de mortalidade e incapacidade nas populações. 

O GBD foi iniciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em colaboração com a Harvard School of Public Health e o World Bank em 1990. O GBD é uma ferramenta essencial para entender a saúde global, permitindo uma abordagem baseada em evidências para melhorar a saúde pública e reduzir a carga de doenças em diferentes populações.

Desde 2007, o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) na Universidade de Washington coordena o estudo. O GBD usa uma ampla gama de dados de mortalidade, morbidade e fatores de risco de diferentes fontes, como registros de saúde, censos, estudos de coorte e pesquisas populacionais.

A carga de doenças é medida em Disability-Adjusted Life Years (DALYs), que combinam anos de vida perdidos devido à morte prematura e anos vividos com incapacidade.

O GBD fornece estimativas anuais detalhadas de mortalidade e morbidade para uma variedade de doenças e condições em nível global, regional e nacional. Os dados são usados por formuladores de políticas, pesquisadores e organizações de saúde para identificar prioridades de saúde, alocar recursos e desenvolver intervenções de saúde pública.

O GBD é atualizado regularmente para refletir as mudanças nas tendências de saúde e melhorar a precisão dos dados com novas informações e metodologias.

22 de setembro de 2023

ESTIGMATIZAÇÃO E INIQUIDADE EM SAÚDE PARA DOENTE EM SITUAÇÃO DE RUA, SORO...

#diversidadehumana #diversidadeesaude #competenciacultural #mulhertrans #medicinaufpb #ufpb 

Este vídeo é a apresentação e feedback para meus alunos do Grupo 4 da turma 1 da Disciplina "Diversidade Étnica e Cultural na Medicina", em uma atividade em sala aula sobre "Preconceito, Discriminação e Estigma em Saúde". 

O grupo 4 foi composto pelos discentes de graduação em Medicina da UFPB Andresa Borges Fernandes Assis, José Nunes de Queiroz Neto, Karolaynne Karen Rodrigues da Silva, Maitê Maria de Souza Veras e Mayke da Silva Sousa, que participaram ativamente dessa discussão e contribuíram com suas ideias e perspectivas. Juntos, eles trabalharam colaborativamente para uma atividade de sensibilização, pensando em um sistema de saúde mais inclusivo, compassivo e eficaz para todos os membros de nossa comunidade, independentemente de sua situação de vida ou estado de saúde. 

Parabéns, Grupo 4!...


20 de setembro de 2023

ESTIGMA CONTRA PESSOAS QUE VIVEM COM HIV

#diversidadehumana #diversidadeesaude #competenciacultural #mulhertrans #medicinaufpb #ufpb

Dentro da temática "Preconceito, discriminação e estigma na saúde", meus alunos do Grupo 2 desenvolveram o tema "Estigma contra pessoas que vivem com HIV". Este vídeo é a devolutiva sobre o trabalho desse grupo de nossa turma 1 de "Diversidade Étnica e Cultural na Medicina": Mariana Alves Patrício, Isabela Mota Gomes, Igor Tomaz Moreira, Renan, Vieira Costa, Lucas Duarte e João Vinicius Melo. As normas culturais sobre o risco sexual e as crenças sobre o HIV influenciam as atitudes e práticas dos profissionais de saúdeem relação às pessoas que vivem com o HIV/AIDS. Foi isso que o Grupo 2 da nossa turma percebeu, desenvolvendo essa atividade de problematização em sala de aula. É compensador ver como os estudantes do terceiro período da graduação em medicina trabalharam juntos de forma eficaz abordando a estereotipagem, o preconceito, a discriminação e o estigma enfrentados por um usuário do sistema de saúde que vive com HIV. Parabéns a esses estudantes do Grupo 2! A nota foi a máxima!...


18 de setembro de 2023

DISCRIMINAÇÃO E EXCLUSÃO DE UMA MULHER TRANS EM UMA UNIDADE DE SAÚDE

#diversidadehumana #diversidadeesaude #competenciacultural #mulhertrans #medicinaufpb #ufpb

Dentro da temática "Preconceito, discriminação e estigma na saúde", meus alunos desenvolveram o tema "Discriminação e Exclusão". Este vídeo é a devolutiva sobre o trabalho do Grupo 5 de nossa turma de "Diversidade Étnica e Cultural na Medicina": Sara Bezerra Motta Câmara; Bruno Wellington Silva Oliveira; Mateus Moura Ferreira; Isabelle Albuquerque Reis; Mantcho Soares de Lima. 

A discriminação e a exclusão na área da saúde são questões complexas e profundamente enraizadas em nossa sociedade. Esses problemas não apenas afetam a qualidade de vida das pessoas, mas também impedem o acesso equitativo aos cuidados de saúde, contribuindo para desigualdades na saúde. Nesta atividade de problematização, os meus alunos exploraram esses fenômenos a partir da criação de uma situação-problema em que um usuário ou usuária do sistema de saúde se apresentasse alvo de discriminação, levando à sua exclusão. 

É animador ver como os estudantes de graduação em medicina trabalharam juntos de forma tão eficaz abordando a discriminação e o preconceito enfrentados por uma mulher trans em fase de transição de gênero em um serviço de saúde. Esse trabalho em equipe mostra comprometimento com a igualdade e a justiça no atendimento médico para todos. 

Ao enfrentar esse desafio complexo, os estudantes não apenas estão adquirindo conhecimento clínico, mas também estão desenvolvendo empatia e sensibilidade cultural, habilidades essenciais para futuros médicos. Eles estão contribuindo para a construção de um ambiente de saúde mais inclusivo, onde cada paciente é tratado com respeito e dignidade, independentemente de sua identidade de gênero. Esse tipo de trabalho em equipe é um passo importante na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, e reflete o papel fundamental que os futuros profissionais de saúde desempenharão na promoção da saúde e bem-estar de todos os pacientes, independentemente de sua identidade de gênero. Parabéns a esses estudantes por seu comprometimento com a mudança positiva na área da saúde! A nota foi a máxima!...

13 de setembro de 2023

DEFESA PÚBLICA DE MEMORIAL PARA PROFESSORA TITULAR DE RILVA LOPES DE SOU...

#ufpb #memorialacademico #professortitular #ccmufpb #carreira #vida #medicina #defesapublica

É com gratidão e especial contentamento que apresento este memorial acadêmico, documentando minha trajetória como professora na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) ao longo dos últimos 29 anos de magistério. Para além da mera repetição dos dados quantitativos elencados na Tabela de Pontuação para Progressão Docente, conforme a Resolução correspondente, tento destacar as coerências (e incoerências) entre as atividades desenvolvidas e meu próprio percurso formativo e formador. 

Contudo, não é simples ou fácil avaliar a mim mesma, o que representa um exercício de autorreflexão que, por sua vez, também é uma oportunidade de aprendizado. A realização de uma autoavaliação qualitativa, das experiências, revela insights sobre o nosso próprio trabalho e que não estão disponíveis em avaliações quantitativas, orientadas por imperativos institucionais, porque a abordagem qualitativa é capaz de identificar aspectos experienciais, fornecendo uma visão mais compreensiva e interpretativa do vivido. Isso exige um reviver, quase como uma “catarse”, mas também pressupõe o emprego da razão sobre os próprios objetivos e intencionalidades na qualidade da pessoa como um agente, ou seja, um ser atuante. 

Assim, a questão que norteou este memorial foi a seguinte: Como minhas experiências de vida (pessoal e profissional) contribuíram, ou não, para a minha identidade como professora universitária nos últimos 28 anos? Duas subquestões foram estas: Que tipos de experiências de vida emergem neste processo de rememoração? Que contribuições à UFPB posso perceber na exploração de como construí o que chamo de “minha vida docente”? 

Expresso inicialmente minha gratidão pelo acolhimento do convite feito pelo Prof. Eduardo Sérgio Soares Sousa, presidente da comissão, por parte dos professores externos que a compõem, e que vieram nos honrar com sua avaliação e arguição, como resposta ao meu pedido de promoção à Classe de Titular da Carreira de Magistério Superior na UFPB. 

O itinerário de vida de cada um de nós é uma jornada única, composta por uma série de experiências que forjam quem nos tornamos ao longo do tempo, e vamos guardando essas memórias valiosas. 

Nessa exposição memorialista, compartilho não apenas os números que constituem o currículo, mas também a história por trás desses números, as jornadas de aprendizado que vivenciei, as interações transformadoras com meus alunos, colegas e servidores do CCM, e com todas as pessoas que fizeram parte desse itinerário de vida, e que contribuíram com o meu fazer docente, direta ou indiretamente. 

Deixo aqui a minha gratidão!...


1 de setembro de 2023

MENTORIA ACADÊMICA NO MESTRADO: AVANÇANDO NO PROJETO

#mentoriaacadêmica #mestradoprofissional #projetodepesquisa #TCM #ufpb

Na segunda sessão síncrona dessa mentoria acadêmica, iniciei a orientação da dissertação do mestrando e engenheiro de alimentos e especialista em segurança do trabalho Renan Pimentel sobre a gestão do risco biológico para profissionais de saúde em enfermarias de pediatria. Durante nossa segunda sessão de mentoria, foram revisados os objetivos do projeto e orientações sobre a seção de métodos, com orientações para desenvolver procedimentos de coleta de dados e análise qualitativa dos resultados. Alguns dos tópicos discutidos foram a delimitação do universo de profissionais a serem incluídos no projeto e o referencial teórico.


27 de agosto de 2023

EM MEMÓRIA DE FABIANA FLÁVIA, QUERIDA ALUNA...

#fabianaflavia #medicina #ufpb #saudades

Há uma semana, nossos corações e nossas mentes receberam a notícia desoladora e impactante: a jovem médica Fabiana Flávia, minha ex-aluna, que se graduou na turma de 2014 na nossa UFPB e de cuja turma de graduação fui madrinha de formatura, com muita honra, se fora para sempre deste mundo. Com meu respeito à sua família, quero registrar nesse singelo memorial pela inesperada, repentina e impactante perda de Fabiana, e que nos deixou com uma sensação de vazio que foi difícil de expressar em palavras na última semana. E não há palavras para descrever condolências pelo trauma que sua família vivenciou uma semana atrás e a desolação que enfrentou na semana que passou, e que seguirá, marcada de saudades, tristeza e perplexidade... Que Deus conforte o coração do seu marido, seu filhinho, pais, e toda a família e amigos.


26 de agosto de 2023

EQUIDADE DE GÊNERO NA SAÚDE - PREÂMBULO

#gênero #saúde #equidade #diversidade

O gênero, como mediador das relações sociais entre homens e mulheres em seus papéis, comportamentos, atividades, atributos e oportunidades, é um dos principais determinantes sociais da saúde. 

Proponho as seguintes questões norteadoras para discussão com minha turma da disciplina de "Diversidade Étnica e Cultural na Medicina" no nosso encontro presencial sobre “Equidade de Gênero na Saúde”, a partir dessa introdução feita no vídeo:

- Existem diferenças de gênero na saúde mental e física?

- Qual é a importância relativa dos determinantes estruturais, comportamentais e psicossociais da saúde em função do gênero?

- As diferenças de gênero na saúde são atribuíveis ao diferente contexto estrutural (socioeconômico, idade, suporte social, arranjo familiar) em que mulheres e homens vivem e à sua exposição diferenciada ao estilo de vida (fumar, beber, exercício, dieta) e psicossocial (eventos críticos da vida, estresse, recursos psicológicos?)

- As diferenças de gênero na saúde também podem ser atribuídas às diferenças de gênero na vulnerabilidade a esses determinantes estruturais, comportamentais e psicossociais da saúde?


24 de agosto de 2023

REFERENCIAL TEÓRICO E REVISÃO DE LITERATURA

#referencialteorico #revisaodeliteratura #ufpb

Uma revisão de literatura e um referencial teórico não são a mesma coisa e não podem ser usados de forma intercambiável. Enquanto uma estrutura teórica descreve os fundamentos teóricos do seu trabalho, uma revisão da literatura avalia criticamente as pesquisas existentes relacionadas ao seu tópico. Você provavelmente precisará de ambos em sua dissertação.


3 de agosto de 2023

CLÍNICA AMPLIADA E TRABALHO INTERDISCIPLINAR NA SAÚDE

       #clinicaampliada #interdisciplinaridade #saude #trabalhoemsaude #ufpb

Este vídeo busca despertar o interesse dos estudantes da área da Saúde e fazê-los refletir sobre os princípios fundamentais da Clínica Ampliada, enfatizando o foco no paciente como pessoa integral e a importância da abordagem interdisciplinar.

2 de agosto de 2023

NÁUSEAS E VÔMITOS EM PACIENTES COM CÂNCER

Sejam bem-vindos ao nosso canal dedicado ao estudo do eixo humanístico da graduação e pós-graduação em saúde! No vídeo de hoje, abordamos um tema importante para estudantes da área: Náuseas e Vômitos em Pacientes com Câncer.

Sabemos que uma jornada acadêmica é repleta de desafios, e é fundamental que futuros profissionais da saúde estejam preparados para lidar com situações complexas, como o cuidado de pacientes oncológicos.

Neste conteúdo educacional, abordam-se orientações essenciais sobre a gestão de náuseas e vômitos em pacientes com câncer. Entender as causas e os controlar por trás desses sintomas é crucial para oferecer o suporte necessário e melhorar a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento oncológico.

A gestão clínica dos sintomas em oncologia está associada à melhora da qualidade de vida do paciente e da família, maior adesão ao tratamento e pode até oferecer vantagens de sobrevida. A maioria dos pacientes com câncer apresenta sintomas, cuja prevalência e gravidade variam de acordo com o tipo de câncer, estágio, tratamento(s) e comorbidades. Os pacientes geralmente experimentam mais de um sintoma em determinado momento. Náuseas e vômitos em cuidados paliativos são sintomas comumente experimentados, e a etiologia é muitas vezes multifatorial. Os agentes farmacológicos são o principal método de paliação de náuseas e vômitos em pacientes com doenças limitantes da vida. Existem duas abordagens diferentes para a seleção de drogas, que podem ser chamadas de empíricas e mecanicistas.

Ao longo do vídeo, vamos abordar os seguintes assuntos:

1.     O que são náuseas e vômitos;

2.    As principais causas das náuseas e vômitos estão relacionadas ao câncer e aos tratamentos como quimioterapia e radioterapia;

3.    Estratégias farmacológicas para o controle das náuseas e vômitos;

Agradecemos a sua audiência e dedicação à busca por conhecimento! Vamos juntos fortalecer a excelência no cuidado aos pacientes oncológicos. Até lá!


29 de julho de 2023

BANCA DE QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO DE PEDRO PAULO ALCINO - PROFSAUDE/UFPB

#qualificaçãomestrado #projetodepesquisa #mestradoprofissional #profsaude #educaçãoemsaúde #cancerdeboca #prevenção #promoçãodasaúde

Olá, comunidade acadêmica! Compartilho o vídeo da Banca de Qualificação de Projeto de Mestrado do cirurgião-dentista Pedro Paulo Alcino da Silva.

Bem-vind@s à empolgante sessão de Qualificação de Mestrado, onde mergulhamos no conhecimento sobre prevenção de câncer de boca e exploramos novas fronteiras na área de estudo, que visa à elaboração de uma cartilha educativa.

Neste evento, o mestrando Pedro Paulo apresentou seu trabalho em desenvolvimento, compartilhando o seu estudo metodológico, insights e desafios a serem superados durante sua jornada no mestrado profissional PROFSAUDE, polo UFPB/UFRN. Foi uma sessão repleta de aprendizado, reflexões e discussão enriquecedora.

25 de julho de 2023

BANCA DE QUALIFICAÇÃO DE MESTRADO DE EVELINE BARROS - PROFSAUDE/UFPB

#qualificaçãomestrado #projetodepesquisa #mestradoprofissional #profsaude #educaçãoemsaúde

Olá, comunidade acadêmica! É com entusiasmo que compartilho com vocês o vídeo da Banca de Qualificação de Projeto de Mestrado da médica geriatra Eveline Emília Barros Dantas. Nossa banca de qualificação é um momento significativo em que os mestrandos apresentam seus projetos de pesquisa em andamento, revelando as bases teóricas, metodologias e resultados preliminares de suas pesquisas. A avaliação criteriosa dos membros da banca contribui para fortalecer o projeto, garantindo que a qualidade acadêmica seja alcançada. É fundamental lembrarmos que uma qualificação de mestrado representa um momento enriquecedor para os mestrandos e para aprimoramento de seu projeto, e uma oportunidade importante para correções de rumos. Neste vídeo, você acompanhará trechos das apresentações dos nossos alunos de mestrado, bem como os valiosos comentários e feedbacks dos professores membros da banca.

A participação nessa telerreunião implicou na concordância implícita com a gravação; com as devidas precauções, a gravação nos auxiliará a manter um registro preciso das reflexões e decisões tomadas hoje para melhor ajuste do projeto e para a manutenção da transparência no nosso trabalho no PROFSAUDE.

6 de julho de 2023

MENTORIA ACADÊMICA NO MESTRADO PROFISSIONAL: INICIANDO PROJETO DE TCM

#mentoriaacadêmica #mestradoprofissional #projetodepesquisa #TCM #UFPB

Como parte da função de mentora acadêmica, iniciei a orientação da dissertação do engenheiro de alimentos e especialista em segurança do trabalho Renan Pimentel sobre o tema do risco biológico para profissionais de saúde em enfermarias de pediatria. 

Durante nossa primeira sessão de mentoria, abordaram-se aspectos introdutórios na construção do projeto, com orientações para iniciar o desenvolvimento do projeto de pesquisa. Alguns dos tópicos discutidos foram a definição do problema de pesquisa. 

Será fundamental identificar lacunas no conhecimento existente e estabelecer uma base para a investigação. Será iniciada a revisão da literatura, com busca e análise crítica das publicações relevantes sobre a questão de pesquisa. Além disso, é fase de elaborar a Justificativa e os objetivos da dissertação ou trabalho de conclusão de mestrado (TCM).

28 de junho de 2023

DIA DO ORGULHO LGBTQIAPN+

#repost @ufpb.oficial #diversidadehumana #diadoorgulholgbtqia #dia28dejunho

Como professora de diversidade humana na saúde, saudamos este Dia do Orgulho LGBTQIAPN+. É um momento importante para celebrar a diversidade e promover a inclusão de todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero.

Nós reconhecemos que a saúde é um direito fundamental de todos os indivíduos, e é nosso compromisso garantir que os futuros profissionais de saúde estejam preparados para atender às necessidades específicas da comunidade LGBTQIAPN+. Isso envolve uma educação sensível e inclusiva, que respeite as experiências e os desafios enfrentados por pessoas LGBTIAPN+, bem como promova o respeito e a igualdade em todos os aspectos do cuidado de saúde.

Neste dia, reafirmamos nosso apoio à luta pelos direitos LGBTQIAPN+ e nos comprometemos a continuar a promover a igualdade e a inclusão no campo da saúde. Estamos empenhados em fornecer um ambiente seguro e acolhedor para todos os estudantes e profissionais de saúde, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Lembramos também que o trabalho em prol da diversidade e inclusão não se limita apenas a este dia. É um compromisso contínuo que deve ser incorporado em nosso currículo, práticas e políticas institucionais.