19 de junho de 2020

Carta Aberta ao Coronavírus


Enquanto o Quênia fecha para impedir a disseminação do Coronavírus, um jovem queniano diz que seu país tem muitas outras ameaças com as quais se preocupar.
Poucos dias após o governo queniano começar a fechar escolas e aeroportos, e pedir às pessoas que ficassem em casa, o estudante Lucky Samuel Man'gera escreveu uma "carta aberta ao coronavírus", na sua conta de Facebook, contando sobre as ameaças e disparidades em saúde que existem no seu país, que tem múltiplos problemas crônicos e que matam pessoas todos os dias. 
O Quênia registrou cerca de 4.300 casos de COVID-19, com 119 mortes até este momento em que estou escrevendo esta postagem. O governo queniano implementou um bloqueio cada vez mais rigoroso, que agora inclui toque de recolher. 
Contudo, homens, mulheres e crianças são vistos nas ruas, comprando e vendendo produtos, embarcando em ônibus lotados e sem máscaras. Os sentimentos desse estudante do Quênia ressaltam as complexidades que as pessoas vulneráveis ​​enfrentam durante as epidemias e a necessidade de capturar essa complexidade para entender o alcance e o impacto da pandemia. 
O jornalista Eyder Peralta publicou uma entrevista com o espirituoso e resiliente estudante queniano, com o título “Maravilhas de estudantes universitários: no centro do Quênia, é necessário o bloqueio do COVID-19?” 
Entrevista: Peralta E. College Student Wonders: In Hardcore Kenya, Is COVID-19 Lockdown Needed? Publicado em 25 mar. 2020, 05h03 AM.
#covid19 #quenia #cartaaocoronavirus #eyderperalta #diversidadeesaude #luckysamuel #NPR

18 de junho de 2020

Estigma e Discriminação na Atenção à Saúde: I Encontro Síncrono da Turma EDAS


Por Rilva Lopes de Sousa Muñoz

Hoje, na nossa primeira telerreunião pelo Google Meet no Curso Livre "Estigma e Discriminação na Atenção à Saúde", do semestre suplementar 2020.3 na Universidade Federal da Paraíba, o principal tópico de discussão foi o enquadramento conceitual de estigma e discriminação, confrontando-se com o relato de experiências dos estudantes associadas ao grande problema social das ações discriminatórias.
Os principais objetivos da discussão foram destacar questões relativas a estigma e discriminação em diferentes contextos, sobretudo na atenção à saúde, e sob diferentes perspectivas, assim como relatar vivências e opiniões sobre estigma e discriminação, por parte dos alunos do curso, com moderação e feedbacks das professoras Rilva e Lílian.
Antes de começar a discussão temática, a moderadora Profa. Rilva fez uma breve explanação sobre o "Dia Mundial de Zero Discriminação". Este dia é celebrado globalmente em 1º de março, representando uma oportunidade para destacar como todas as pessoas podem fazer parte da transformação e se posicionar em favor de uma sociedade mais justa. Esta é uma campanha das Nações Unidas.
O Secretário-geral das Nações Unidas afirmou que a discriminação é uma violação dos direitos humanos e o chefe da UNAIDS/ONU disse que “livrar o planeta do estigma e da discriminação não é uma opção, é um dever”. 
O primeiro "Dia Mundial de Zero Discriminação" foi celebrado em 2014 pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). A borboleta foi escolhida como símbolo da campanha por representar transformação.
A Profa. Lílian destacou os conceitos de estigma, preconceito e discriminação, lembrando que o estigma está no âmbito do pensamento (cognição), o preconceito está ligado à dimensão afetiva (emoção) e a discriminação, na ação, no comportamento. A Profa. Lílian mencionou ainda um fato recente ocorrido em uma mídia social em que uma mulher branca que tem um perfil famoso no Instagram afirmou em vídeo que “o racismo sempre vai existir enquanto a maioria dos crimes for causado pela população negra” e que “o preconceito é algo natural, um instinto de defesa”. Este fato midiático foi correlacionado às leituras que temos feito nos tópicos 1 e 2 do nosso curso.
Em seguida, C. referiu um problema pouco aventado na mídia e nas discussões da sociedade ou da academia no contexto dessa temática, o de que muitas minorias raciais e étnicas são menos propensas que a população branca a receber transplantes de órgãos, assim como têm cuidados médicos de pior qualidade. Ele comentou também que as disparidades raciais tornaram-se centrais também na discussão atual sobre a pandemia de COvID-19. Muitas populações correm um risco maior de desenvolver a infecção e de morrer porque os determinantes sociais subjacentes às condições de saúde que afetam essas populações levam à maior vulnerabilidade ​​ao vírus. Esses determinantes incluem, entre outros, o menor acesso à saúde, baixo poder econômico, más condições de moradia e baixa disponibilidade de recursos. A Profa. Rilva mencionou que havia lido um artigo recentemente abordando a questão da maior vulnerabilidade de minorias à COVID-19 (segue a referência do artigo após este texto). Neste artigo, mostra-se que os negros representam 13% da população dos EUA e, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), eles respondem por 28% dos casos de  COVID-19 e 33% das internações pela doença.
Por sua vez, N. destacou em sua leitura do primeiro capítulo do livro de Erving Goffman ("Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada") trechos relacionados com a comparação da adolescente grávida que quebra padrões familiares, em relação a uma mulher de 35 anos à qual a sociedade impõe o estigma associado ao fato de não ter tido filhos. A maternidade na adolescência está relacionada preconceituosamente à irresponsabilidade e as jovens mães relatam experiências de estigma e discriminação. O estigma pode impedir as mães adolescentes de acessar serviços de apoio durante e após a gravidez. Isso coloca em questão a hipótese de que estigma estaria relacionado a uma má evolução da gravidez na adolescência. Tal estigma não deve, portanto, ser "aplaudido" como uma maneira de reduzir a ocorrência de gravidez na adolescência. 
A gravidez na adolescência levou ao desenvolvimento de esforços de prevenção  nos EUA. Embora os programas de prevenção de gravidez entre adolescentes tenham contribuído para a redução da gravidez nesta fase precoce nos EUA, poucos estudos exploraram os danos por estigmatização que esses programas podem impor a adolescentes grávidas. No entanto, supõe-se que os referidos programas criam e perpetuam estereótipos da maternidade adolescente por meio da ênfase excessiva nos efeitos adversos da gravidez e maternidade na adolescência, assim como na representação de mães adolescentes como “mães ruins”. As questões legais decorrentes de gestações de menores de idade acaba encobrindo o direito de autodeterminação da adolescente, assim como o direito à confidencialidade, não havendo uma discussão maior sobre o impacto da Lei de Direitos Humanos sobre essa questão. Assim, a maternidade na adolescência não é uma questão única, mas um fenômeno que está profundamente enredado com desafios sociais contemporâneos de raça/cor, pobreza e estigmatização, pois geralmente há intersecção destes outros tipos de preconceito e discriminação, considerando-se que a gravidez na adolescência é mais frequente entre jovens pobres e de grupos étnicos minoritários.
N. apontou ainda a contradição entre o estigma que existe em relação à adolescente grávida e, por outro lado, também à idade materna avançada, que é considerada como um fator gerador de risco para a gestação, pois gestantes com idade superior a 35 anos são tidas como tardias, sendo mais suscetíveis ao desenvolvimento de complicações durante a gravidez.
Em seguida, J. disse que era policial militar e comentou que a ação policial é vista como pautada na omissão, preconceito e violência, associados ao exercício de poder e instrumento de preconceito e discriminação racial, em razão da dominação de um grupo sobre outro e reprodução social dessa exploração. Ele mencionou que um colega de corporação que cursa um programa de doutorado, e que expressa sua identidade profissional como policial, identificando-se com o Estado, o corporativismo da polícia, sua rigidez e até práticas de violência contra minorias, e ao mesmo tempo, sente sua outra identidade, como doutorando, e percebe o antagonismo de suas duas identidades. Como agente da polícia, sua identidade profissional que remete ao “nós” em contraposição ao “eles”, os diferentes ou minorias desviantes e estigmatizadas. Há um conflito nesse processo em um misto de pertencimento e estranhamento. Como parte do lado militarizado, ele, o colega de J., pode sofrer esse conflito, pois convive com duas realidades distintas, uma dentro dos quartéis, e outra de fora. O de dentro do quartel pode ter que assumir o estereótipo de policial militar que classifica as pessoas com base em sua origem social e étnica. Nesse sentido, a Profa. Lílian comentou o estereótipo da polícia como corporação que comete excessos e, dentro do grupo, aquele agente que resiste ou não compactua com esse comportamento, pode ser discriminado pelos próprios pares. J. complementou, afirmando que na polícia militar, a heteronormatividade é hegemônica e tende a discriminar os agentes que têm orientação homossexual. A Profa. Rilva destacou que  o policial passa a ser um agente da discriminação e ao mesmo tempo, é alvo desta e, que muitas vezes, esconde que é policial militar em sua própria comunidade urbana, onde reside com a família.
MF compartilhou sua vivência ao participar de um projeto de pesquisa em um centro de reabilitação de pessoas com deficiência, salientando que observa nesta instituição manifestações de estigma e discriminação em relação aos usuários. Ela refletiu também que é flagrante o reducionismo contido na prática médica, que é fragmentada, o que não é compatível com o modelo social da deficiência. A Profa. Rilva corroborou esta assertiva, referindo que o modelo biomédico ainda é hegemônico desde o século XIX, e que demorará a ser substituído pelo modelo biopsicossocial ou pelo modelo clínico centrado na pessoa.
Rebecka falou de seu trabalho de extensão em um centro de atenção psicossocial e salientou a importância do estigma, preconceito e discriminação relacionados às pessoas com transtornos mentais. Tanto o estigma público - a reação que a população em geral tem a pessoas com doenças mentais - quanto o auto-estigma - atitude preconceituosa que as pessoas com doença mental dirige contra si mesmas - são um dos problemas enfrentados pelas pessoas com transtornos mentais, com efeitos prejudiciais sobre elas pessoas, alvos de discriminação generalizada, que resulta em exacerbação de sintomas, má adesão ao tratamento e maus resultados deste.
A. disse que embora seja estudante de Sociologia, considerou que o trabalho de Goffman às vezes parecia difícil de ler, pela própria linguagem usada na sua obra. Ele também pontuou uma questão que raramente é abordada, tanto na literatura acadêmica quanto na imprensa em geral, que é o da doação de sangue por pessoas LGBT, pois o Ministério da Saúde ainda tratava até recentemente como “inaptos temporários” à doação de sangue os homens que tiveram relações sexuais com outros homens e/ou as parceiras sexuais destes. Para ativistas LGBT, estas normas são discriminatórias; para representantes do governo, visam à proteção dos receptores. Porém, por maioria de votos, recentemente (abril de 2020), o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais essas normas.
A. relatou ainda que teve um companheiro que chegou a afirmar que se sentia uma “pessoa estragada”, o que o fez pensar que o estigma contra pessoas homossexuais chegava a constituir um problema de saúde pública no contexto de repercussões altamente danosas observadas nas pessoas que são alvo do estigma. Ele lembrou que o enredo do filme “Extraordinário”, que conta as dificuldades de um menino com uma síndrome genética, visto como “diferente”, que enfrenta estigma, preconceito e discriminação. Ainda na linha de filmes com temáticas compatíveis com a questão do estigma e da discriminação, citou também o filme “Família Bélier”, uma família em que todos são surdos - exceto uma adolescente, de quem toda a família depende.
Após 1 hora e 30 minutos, a telerreunião foi encerrada, tendo contado com a presença de 14 alunos do curso. A maioria dos participantes considerou produtivo o formato adotado para o primeiro encontro síncrono da turma. A Profa. Rilva queixou-se da presença de menor número de alunos que o esperado no universo de 23, o que representou 60,8% da turma.

Referências
Center for Disease Control and Prevention.  COVID-19 in Racial and Ethnic Minority Groups. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/need-extra-precautions/racial-ethnic-minorities.html

15 de junho de 2020

AGEÍSMO E SAÚDE: CONTEXTUALIZAÇÃO E IMPLICAÇÕES NA EDUCAÇÃO MÉDICA

#ageismo #ageism #saudedoidoso #velhice #robertbutler #discriminação #envelhecimentosocial #aposentadoria #teoriasocial #educacaomedica #estudantedemedicina #ufpb
O ageísmo deve ser compreendido como consequência da mudança das sociedades agrárias para as sociedades industriais e as transformações que ocorreram na estrutura social e a consequente redução do status social do idoso. Atualmente, vivemos em uma sociedade que aclama a juventude e teme a velhice. Essas questões têm implicações importantes sobre atitudes ageístas observadas no setor de saúde, ao influenciar significativamente a prática médica e a atenção ao paciente idoso. Para melhorar esse tipo de atitude, é preciso promover o desenvolvimento de atitudes positivas em relação às pessoas idosas durante a graduação na área da saúde.

14 de junho de 2020

AGEÍSMO E SAÚDE: SITUANDO O PROBLEMA

#ageísmo #discriminaçãoetaria #diversidade #velhice #saudedoidoso #preconceito #discriminação #estereótipo #preconceito
A discriminação por idade, ou AGEÍSMO, pode ocorrer como comportamentos prejudiciais, intencionais ou não - atuando como uma barreira ao estilo de vida saudável dos idosos. Este vídeo situa e delimita o fenômeno do ageísmo, a título de introdução, com o objetivo de apresentar e discutir a noção de ageísmo e seus paradoxos nas práticas de atenção à saúde do idoso, ou seja, no âmbito da saúde.

6 de junho de 2020

Sobre a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

#CDPD #PessoasComDeficiencia #PcD #ONU #Acessibilidade #Igualdade
Neste vídeo, abordamos a importância da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que foi elaborada ao longo de quatro anos, e adotada pela ONU e seus países membros, após décadas de intenso debate na comunidade internacional sobre a necessidade de se reconhecerem as pessoas com deficiência como detentoras de direitos. A CDPD marca uma mudança na maneira como eram predominantemente vistas as  pessoas com deficiência, como destinatárias de caridade, de "medicalização" e de assistência social, para reconhecê-las como “titulares de direitos ” e membros ativos da sociedade.

18 de maio de 2020

Explicando o Projeto Diversitas 2- Públicos-Alvo e Justificativa

Neste segundo vídeo do nosso projeto de extensão DIVERSIDADE NOS SERVIÇOS DE SAÚDE: PROMOVENDO A ACESSIBILIDADE PARA USUÁRIOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO, são abordados os público-alvo e a justificativa da ação.

17 de maio de 2020

Vieses da Comparação de Taxas de Mortalidade pela COVID-19 entre Países

As taxas de mortalidade por coronavírus variam significativamente entre os diferentes países. Se avaliarmos as taxas de mortalidade de dez países, por exemplo, e compararmos os seus índices, encontraremos diferenças estatísticas grandes. Mas existe uma incerteza considerável sobre as taxas exatas de mortalidade porque muitos fatores intervenientes afetam esses números. Em alguns países, todo mundo que morre após ter recebido diagnóstico de COVID-19 é registrado como uma morte pela infecção, mesmo que a doença não tenha sido a causa principal, enquanto outras pessoas podem morrer por esta doença sem terem recebido diagnóstico de COVID-19. A comparação discutida entre dois diferentes países neste vídeo é um exemplo de uma análise eivada de tendenciosidade, mostrando que há premente necessidade de transparência nas políticas de testes e nos relatórios das evidências, com apresentação, no mínimo, da idade, sexo, nível socioeconômico, grau de instrução, status clínico comórbido e acesso aos serviços de saúde das pessoas afetadas. Finalmente, como é a COVID-19 uma epidemia nova, é necessária uma vigilância contínua, com relatórios transparentes e precisos das características dos pacientes, de vários países, para melhor entender a epidemiologia global desta epidemia.

15 de maio de 2020

Hospital Amigo de Pessoas com Deficiência

Um hospital amigo das pessoas com deficiência é aquele que permite a elas moverem-se livremente e com segurança e acessar as instalações dentro do hospital. Esse edifício hospitalar proporciona um ambiente de independência aos indivíduos com deficiência, que é seu direito concedido por lei. Paciente com deficiência é considerado um paciente vulnerável e os hospitais são obrigados a cuidar de sua segurança.

Vídeo produzido no #projextdiversitas por Renata Freitas, bolsista do Probex/UFPB
#diversidadeesaude #extensaoufpb #extensaoccm

9 de maio de 2020

Projeto Diversitas 1- Acessibilidade de Usuários com Deficiência em Serviço de Saúde

Este é o primeiro vídeo do nosso novo projeto de extensão DIVERSIDADE NOS SERVIÇOS DE SAÚDE: PROMOVENDO A ACESSIBILIDADE PARA USUÁRIOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.
A definição de deficiência, como diversidade, tem um significado estreito para muita gente. Ter uma deficiência ainda é considerado por muitos como algo puramente relacionado à saúde, doença, limitação funcional e comprometimento do corpo, especialmente nas ciências da saúde. A deficiência é uma faceta fundamental e heterogênea da diversidade humana.
Os termos "diversidade" e "competência cultural" são apontados como prioridades importantes nos programas de ciências da saúde e educação médica. A diversidade na atenção à saúde é importante, pois permite que profissionais da saúde ofereçam melhores cuidados aos seus pacientes, usuários dos serviços onde atuam, porque podem se relacionar melhor com eles. A diversidade nas ações de saúde inclui gênero, idade (idosos), etnia, deficiência, religião, orientação sexual, status socioeconômico, status da educação, origem nacional e características físicas, e muito mais. Neste projeto, o objeto da nossa ação é a deficiência. É vital que comecemos a treinar e criar mais diversidade no campo da saúde.

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1 de maio de 2020

Mensagem para nosso Colega e Amigo Dr. Fabinho


Caro Dr. Fabinho, você trabalha incansavelmente para tratar as pessoas e colocar sorrisos nos seus rostos, não apenas cor e vitalidade em seu sangue. Documento este dia de um feliz aniversário, pensando na esperança receitada por médicos amorosos como você. Diz-se frequentemente que o poder de cura é uma questão de como as pessoas se sentem, então, para além dos transplantes de medula, você injeta esperança nos seus pacientes. Feliz dia!...

12 de abril de 2020

A Distorção Ideológica dos Conceitos de Razão, Liberdade e Autonomia

Texto de Marcelo Ferreira Caixeta, médico psiquiatra, especialista em psiquiatria da infância e adolescência pela Universidade de Paris, pós-graduado em psiquiatria infantil pela USP, psiquiatra forense pela Associação Médica Brasileira/Associação Brasileira de Psiquiatria

Reproduzido e publicado neste blog com permissão do autor, a partir de sua página do Facebook; o título da presente postagem foi adicionado por esta weblog-editora (link da versão original a seguir) -

Como o "Cristianismo", Kant, Rousseau, os Iluministas e a Revolução Francesa nos jogaram nos braços do Esquerdismo-Totalitarismo- Estatismo?

(1) As regras morais têm base no que é útil, no que é bom ou no que é justo? Razão e emoção jogam que papel na determinação da moral?
O filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, estudou exaustivamente esse problema (conforme seus livros “Crítica da Razão Pura” - Ed. 70; “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” - Ed. Claret; “Metafísica dos Costumes” - Ed. PubliFolha).
Como já vimos nos nossos livros "Psiquiatria das Condutas Imorais" - Ed. Sparta; Psiquiatria Forense da Consciência Moral - Ed. Sparta), Kant conclui que a Moral tem de ser uma Lei Racional, isto é, não dependente das coisas práticas/empíricas da vida, ou seja, não dependente do que é útil, nem do que é belo, nem do que é agradável, isto é, não pode depender do que é experimentado, do que é vivenciado, mas sim do que é raciocinado, sim, daquilo que nossa vontade racional nos manda fazer (Imperativo Categórico: que seus atos possam ser uma Lei Universal).
Podemos nos perguntar: por que Kant tem tanta necessidade de que a Moral não seja algo derivado do que é sensível-emocional-vivenciado-experienciado-útil-agradável? Há vários níveis de resposta para a pergunta acima, que tentaremos deslindar a seguir.
(2) Em primeiro lugar, Kant pensa que todos nós temos uma consciência moral inata dentro de nós, uma Lei Moral que não sabemos de onde vem. É uma Lei que está sempre a julgar nossos atos, impedindo-nos de prejudicar alguém (Ver o caráter inato dessa instância moral em nossos livros "Psiquiatria das Condutas Imorais" [Ed. Sparta] e Psiquiatria Forense da Consciência Moral [Ed. Sparta]). De fato, lá pudemos ver e investigar que há, sim, uma tendência inata dos indivíduos para se comportarem de acordo com um maior ou menor grau de moralidade, mostramos que essas tendências, apesar de racionalizadas no atualmente têm, no seu passado, uma base emocional-prazerosa em suas origens.
Essa base emocional da Moral perde-se na linha do tempo, e o indivíduo não tem mais noção dela, olhando para dentro de si e achando que sua moral tem uma origem puramente racional-inata.
(3) Mas Kant não tem só essa base empírica (“olhar para dentro e ver uma moral inata dentro de si”) para considerar a moral como algo primário, algo não baseado nas emoções e na experiência. Ele tem outros motivos, mas não os julga ou não os propala conscientemente. Vamos estudar a seguir dois outros desses motivos: (3.a) um motivo ansioso-obsessivo e (3.b) um motivo estético-intelectivo.
Kant tem uma necessidade premente, pervasiva, de retirar a Moral do campo empírico-utilitário-emocional e colocá-lo no campo do racional, do absoluto, do volitivo, do necessário, do não-contingente, do não-temporal. Kant não tem uma consciência muito explícita dessa necessidade.
(3.a) Kant nitidamente é um indivíduo com uma estrutura obsessiva do pensamento. Nesta estrutura obsessiva, o controle racional é muito importante: o controle e a ansiedade "pensando lá na frente", controlando racionalmente as variáveis que podem "causar problemas no futuro". A obsessividade não é algo primariamente patológico. A natureza dotou nosso cérebro com mecanismos naturalmente obsessivos para que possamos acompanhar e prever o que vai acontecer no Universo. Quando podemos prever, podemos prevenir, é assim que "pensa a Natureza". Muitos de nossos comportamentos racionais-morais têm como base a prevenção de "coisas ruins", que podem ocorrer no futuro ("não vou largar minha esposa por outra mais nova porque não quero vê-la sofrer, não quero sentir falta dela, não quero ficar sem ver e conviver com meus filhos", etc).
Temos em nosso cérebro um mecanismo ansioso-obsessivo que nos capacita e nos induz a "acompanharmos o Universo" para onde o Universo caminha e evolui. Esse aparelho mental ansioso-obsessivo não deixa de ser racional, pois não vive aquelas situações de modo prático-empírico, vive-as apenas virtualmente-racionalmente. Esse aparelho apenas racionaliza-previne o que vai acontecer; nesse sentido, é algo "teórico". Kant é muito obsessivo, é muito teórico, e tem muito gosto nisso, muito gosto na simetria, rigor e regularidade do que acontece e vai acontecer no Universo. Ele é contra empirismos relativistas, daí seu gosto pela normatização absoluta, um modo de se aferrar ao conceito de Verdade, de ir contra a "relatividade moral".
(3.b) Há um gosto estético e um prazer em racionalizar-obsessionar as coisas. Dá uma sensação de domínio, controle; dá uma sensação de que estamos "trabalhando" sobre o futuro, uma sensação de que estamos construindo algo racionalmente dentro do Universo, uma sensação de potência, de plenitude, de segurança, e até de aconchego no meio do "seio de Deus", a sensação de estar "fazendo a coisa certa", "trilhando o rumo seguro e certo".
Quando controlamos com a razão, a segurança que sentimos é bem maior do que quando somos impelidos pela emoção; isso é um dos motivos pelos quais Kant quer tirar a moral da emoção e passá-la para os braços da razão. Planejar racionalmente aumenta muito mais a força do espírito do que nos deixarmos guiar por reações emocionais; dá a sensação de que o espírito está no controle. Dá a sensação de que estamos trabalhando ativamente na construção de nossa existência, e não apenas "sofrendo essa existência" de modo passivo e emocional. Kant não é um artista-emocional, é um racionalista-filósofo, e tem muito gosto nessa racionalidade ("instinto laboral").
(4) Na construção de seu sistema filosófico, Kant precisa de causas racionais, não de causas empíricas-emocionais. Seu sistema, desde a "Crítica da Razão Pura", é como um edifício sólido, no qual não pode haver "furos não-racionais". Com a "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", com a "Crítica da Razão Prática", Kant liga a racionalidade à vontade/volição. Desta forma ele ganha para si dois dos três "gigantes da alma" (razão, volição, emoção). Ele mostra que a Moral é uma vontade dirigida pela razão. Esta razão é baseada em "Leis Morais", não em vivências emocionais-experienciais-empíricas. Para Kant, as Leis Morais são prescritas pela nossa própria razão, com base em tendências morais inatas que trazemos em nós. Kant não explica como e de onde surgem essas tendências/Leis Morais dentro de nossa alma. Apenas relata , muito timidamente/brevemente, que são inatas , conforme se vê na “Metafísica dos Costumes” (Ed. Publifolha) e na "Crítica da Razão Prática" (Ed. 70). O problema é que , quando o homem não cria suas leis, apenas obedece leis morais já existentes dentro de si, ele passa a ter uma posição passiva de novo, algo que Kant não quer. E, com as ideias inatas, voltamos a ser vítimas do inexplicável e do irracional.
(5) Não há como fugir da emocionalidade na prática da Lei Moral (sobre detalhes mais profundos sobre isso, ver nosso livro "Psiquiatria Forense da Consciência Moral", Ed. Sparta). Até para querer o bem dos outros precisamos da emoção: temos dentro de nós um instinto gregário/altruísta/especular que nos faz ficar alegres quando fazemos os outros alegres. Refletir "especularmente" a alegria dos outros nos torna mais felizes. Portanto, agir para o bem dos outros não é algo assim tão racional como Kant quer fazer crer. Para Kant, temos de querer o bem dos outros porque tudo que queremos para nós, nós temos de querer para os outros. A causa disso é a Lei da Liberdade/Autonomia do espírito: só num mundo onde todos têm direitos iguais pode haver Liberdade, e só onde há liberdade o espírito pode ter autonomia; e só onde o espírito tem autonomia ele pode realizar-se na plenitude de suas evoluções. E só realizando-se a si mesmo é que o espírito pode fugir do determinismo físico-biológico-material. Para Kant, só a fuga do determinismo físico-biológico-material consegue explicar nosso gosto pela liberdade, nossa capacidade moral de agirmos contra nossos próprios instintos, nossa capacidade de agirmos contra nossa própria biologia.
Kant comete aqui vários erros, que veremos a seguir:
(5.a) O "erro" de considerar "todos iguais" - quando, na verdade, não somos todos iguais - isso deu origem a sistemas políticos esquerdistas degenerados em totalitarismos de igualdade, e tais sistemas tentam anular as liberdades individuais, levando ao oposto daquilo que Kant queria, ou seja, a plena autonomia/liberdade do indivíduo.
(5.b) Somos, de fato, determinados pela biologia, como se mostra com a origem emocional-prazerosa da Moral (ver sobre isso nosso livro "Psiquiatria Forense da Consciência Moral", Ed. Sparta).
(5.c) Nossa liberdade é relativa. Só temos a liberdade de fazer aquilo que segue as Leis do Universo. Quando nossa liberdade individual nos leva a não fazermos o que está pré-determinado na Leis Evolutivas do Universo, nós estagnamos e sofremos.
(5.d) As Leis do Universo apontam no sentido da evolução e da complexificação. Se não sairmos de nós mesmos (egoísmo), em direção ao outro (altruísmo ), nós não nos complexificamos. Portanto, mais cedo ou mais tarde, somos "obrigados" a amar, algo que está no âmbito da moralidade (querer aos outros o que queremos a nós mesmos). E se somos "obrigados a amar", isto está fora da Liberdade, está fora da Autonomia, está no âmbito do determinismo.
(5.e) A "liberdade" pode ser interpretada em dois sentidos: a liberdade do "ego" (instância psíquica mais evoluída) e a liberdade do "id" (instância psíquica mais primitiva ), conforme Freud.
São duas liberdades diferentes: o ego quer o fortalecimento do espírito, rege-se pelo princípio do gosto pela eficiência, gosto pela realização. Já o "id" quer o prazer, rege-se pelo "princípio do prazer". Um (o ego) quer a liberdade de criar, realizar, construir; o outro (o id) quer a liberdade do prazer. Ambos são opostos, a liberdade do prazer cria a prisão da alma. São duas liberdades que não podem ser confundidas. A "liberdade do ego", na verdade, é uma prisão para o id: não deixa que este realize seus prazeres que prejudicam os outros ou a si mesmo (o seu próprio corpo ou sua própria vida). A "liberdade de criar", "liberdade de perseverar no próprio eu" (ver Espinosa), liberdade de moldar o próprio rumo, liberdade da autonomia, também tem suas bases biológicas, não é algo "suprassensível", como Kant gostava de dizer. A liberdade é, portanto, biologicamente determinada, ao contrário do que dizia Kant.
(6) Quando os iluministas, Kant e Rousseau, assim como quando a Revolução Francesa colocaram a liberdade autônoma como base do sentimento de dignidade humana, não sabiam que estavam induzindo, com a "igualdade", sistemas políticos de Esquerda (esquerdismo) que iriam redundar exatamente no contrário disso: perdas das liberdades individuais. "Forçar a igualdade" produziu os horrores do comunismo; tratar como iguais a todos, sendo células de um corpo estatal, levou aos terrores do totalitarismo. Kant criou normas/leis extra biológicas-suprassensíveis, Liberdade e Autonomia que, sendo interpretadas e usadas de forma equivocada, levaram a desastres políticos. A "igualdade" leva à uma diluição da Lei Moral, pois a igualdade é colegiada, não segue um princípio único. Decisões colegiadas passam a julgar a moralidade. Pessoas que têm gosto pelo colegiado, não pelo trabalho (políticos), dominam o sistema político, distorcem as normas morais, cria-se uma "moral relativística do que é votado".
Normas extra biológicas criaram a falsa ilusão de que "medidas racionais" podem bem dirigir os homens. E isso é bem aproveitado por homens que querem dirigir outros homens (mais do que trabalhar e construir). Eles se aproveitam dessa justificativa kantiana para justificarem moralmente a obediência a normas suprassensíveis, extra biológicas: obedecer a um Estado que simboliza, consubstancia, tudo isso. Passa-se à falsa ideia de liberdade/autonomia levada a cabo pela equalização que o Estado faz dos cidadãos.
Ideias que têm pretensa base ou força moral são muito poderosas. A distorção kantiana nos faz esquecer o básico: somos biologicamente todos muito diferentes.
(7) A errada - mas moralmente chamativa - noção iluminista/kantiana de liberdade/autonomia juntou-se ao "igualitarismo cristão" (“nossos irmãos e iguais perante Deus") para fortalecer o estatismo/esquerdismo. É claro, como sempre, que isso acaba por fortalecer os indivíduos ávidos de poder (políticos), que  se aproveitaram disso mais uma vez.
É claro que tudo isso tinha também outras justificativas menos filosóficas: a "burguesia" precisava trabalhar (liberdade) sem as amarras dos poderosos, nobres, déspotas, reis, indivíduos autoritários e fortes. A busca filosófica da liberdade/autonomia veio a calhar nesse momento.
(8) Mesmo com regimes totalitários, ou sob capitalismo selvagem, é possível ao indivíduo exercer sua "liberdade de evoluir": é porque essa liberdade não depende da economia ou leis, coisas externas, que não atingem o âmago da alma do indivíduo. É nesse âmago que se trava a verdadeira batalha pela liberdade, que é a batalha pela libertação do ego em relação ao id. O eu evoluído, ou o "eu secundário", o eu moral, libertando-se do eu primitivo-instintivo-prazeroso. Isso é uma batalha interna, não externa. Leis, Estado, Economia, não atingem diretamente essas instâncias internas. É claro um Estado libertário, não-despótico, ajuda nesse processo, não querendo moldar a moral individual, não querendo interferir na liberdade do indivíduo, liberdade tanto para pecar (involuir, estagnar) quanto para se santificar (evoluir).
O problema é que todo Estado interfere nisso, até aqueles pretensamente libertários: um Estado que tem sucesso em ser libertário é raríssimo, porque todas as realizações do Estado, até em tentar diminuir-se, só fazem aumentá-lo. É um paradoxo: o Estado que fala em se diminuir, se tiver sucesso, está é aumentando o seu poder; e se tiver fracasso, também estará é aumentando o poder do Estado. Um governante que tem sucesso em diminuir o Estado quer continuar tendo sucesso à frente desse Estado, e aí, com essas manobras políticas, só faz aumentar o poder do Estado, gerando o paradoxo.
A única solução é a da Sociedade Civil lutar todo o tempo para diminuir o Estado, diminuir a ação do Estado quando este interfere pejorativamente na capacidade de o indivíduo ser autônomo em suas decisões e iniciativas.
(9) A única função que sobraria para o Estado, dentro dessa concepção acima, seria aquela da "prender os indivíduos que perturbam a liberdade/autonomia dos outros indivíduos evoluírem". Mesmo assim, mesmo nessa área, a própria Sociedade Civil disso também poderia se encarregar, com milícias próprias e presídios/hospitais psiquiátricos de custódia geridos/mantidos pela própria iniciativa privada.
Economia, saúde, educação, segurança etc., tudo poderia ser muito bem gerido pela sociedade civil, sem o atravessamento do Estado.
Mas isso só se dará com um gradativo e contínuo processo, não com um golpe de misericórdia. A luta contra a diminuição do Estado tem de ser geral e contínua, em todos os setores da vida civil. Só assim o indivíduo poderá ser verdadeiramente livre para evoluir ou involuir (estagnar) como assim o desejar. Fora disso o Estado estará sempre no intuito de interferir e ferir as liberdades individuais. Mesmo os Estados que se dizem "libertários", como mostramos anteriormente, não fugirão dessa armadilha para a liberdade real do indivíduo.
(10) É algo mais ou menos do tipo: os "muito competentes" cuidam de si, apesar do Estado; os "competentes" são” incompetentizados” pelo Estado; e os verdadeiramente "incompetentes" seriam ajudados pelos outros dois tipos se não fosse o Estado.

Imagem: Pinterest

11 de abril de 2020

Estratégias de Ventilação Mecânica para Doentes com Covid-19


Esclarecimentos sobre estratégias de ventilação mecânica para doentes com Covid-19 pela médica pneumologista e intensivista Eliáuria Martins, professora de Semiologia Médica da Universidade Federal da Paraíba

Covid-19: Origem, Patogenia e Sintomas


Vídeo instrucional com a Profa. Eliáuria Martins, médica pneumologista e intensivista, professora de Semiologia Médica da UFPB, sobre a Covid-19

10 de abril de 2020

História em Saúde Pública e Grandes Epidemias - Parte 2



História em Saúde Pública e Grandes Epidemias - Parte 2

Esta é a segunda parte da apresentação sob a forma de videoaulas intituladas "História em Saúde Pública e Grandes Epidemias".
No primeiro vídeo, ou Parte 1, foi abordada a importância da História da Saúde Pública e seus aspectos conceituais de uma perspectiva histórica. A ideia era também incluir noções sobre a origem e evolução de medidas de SP ao longo do tempo, mas vou adicionar este tópico ao presente vídeo, no qual serão abordados também fatores moldaram os modernos sistemas de saúde pública. Então, no terceiro vídeo, serão enfocadas as grandes epidemias da história.
A evolução da saúde pública é um processo contínuo; os patógenos mudam, assim como o ambiente e o hospedeiro. Para enfrentar os desafios futuros, é importante entender o passado. Embora haja muita coisa nova nesta era, muitos dos debates e argumentos atuais em saúde pública são ecos do passado.

17 de março de 2020

Feedback aos Alunos de Semiologia 2019.2 - Osce realizado em 13.03.20

O objetivo deste vídeo foi fornecer a devolutiva de nossa experiência na realização de um OSCE na disciplina de Semiologia em relação a uma das estações. 
Tarefa para o estudante da Semiologia: Realizar uma História da Doença Atual (HDA) focada em quadro de dor de cabeça de uma mulher de 22 anos que se apresenta à Unidade de Pronto Atendimento depois de acordar com o início repentino de uma forte dor de cabeça
Objetivo instrucional da estação: Aferir a capacidade do aluno de obter a HDA focada, mas completa, da dor de cabeça da paciente.

15 de março de 2020

SEMIO-OSCE: Cefaleia


A dor de cabeça é uma das queixas médicas mais comuns, com inúmeras causas subjacentes e muitos padrões de apresentação. A “dor de cabeça” ocorre em diferentes especialidades, ocorre em todas as faixas etárias e em ambientes agudos e crônicos.
---  Em construção 

13 de março de 2020

Diversidade nos Serviços de Saúde: Promovendo a Acessibilidade Para Usuários com Necessidades Especiais em um Hospital Universitário


Introdução: O presente projeto de extensão representa uma resposta à percepção de problemas de acessibilidade para usuários portadores de deficiências no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e a conscientização das barreiras que esses usuários enfrentam no serviço. Por conta da percepção desta realidade no dia-a-dia do serviço, é necessário que se faça o diagnóstico da situação a partir da visão dos próprios pacientes e de sua reflexão a respeito, em conjunto com a equipe do projeto, por meio da troca de saberes, para encontrar maneiras de superação. Apesar de o Brasil ter cerca de 45,6 milhões de brasileiros com pelo menos um tipo de deficiência, ainda falta a promoção de condições para inclusão das pessoas com limitações de mobilidade nos edifícios hospitalares. Segundo mostra estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2010, no Brasil há cerca de 45,6 milhões de brasileiros com mobilidade reduzida, ou seja, quase 24% da população. Em virtude de sua condição de saúde ou comprometimento, eles frequentemente - mas nem sempre - têm necessidades adicionais de saúde. Estes não devem defini-los, porque ter necessidades de saúde faz parte da condição humana. Uma barreira que talvez seja conceitualmente direta surge do acesso físico limitado aos serviços de saúde. Por outro lado, estudantes de graduação carecem de convivência com a diversidade entre os usuários dos serviços de saúde, que proporcionará novas experiências, combatendo o preconceito, estimulando o respeito às diferenças e valorizando a diversidade por meio do reconhecimento da igualdade na sua futura profissão. 
Objetivos: Promover a acessibilidade e inclusão dos usuários com deficiências atendidos no espaço ambulatorial do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). 
Metodologia: O caminho metodológico a ser seguido no presente projeto de extensão baseia-se nos fundamentos da pesquisa-ação, considerando a possibilidade de uma aproximação entre teoria e prática, assim como da participação ativa dos sujeitos envolvidos com a realidade que será objeto das ações extensionistas. Este percurso metodológico também propiciará o aprendizado e reflexão dos alunos participantes do projeto, que serão de vários cursos de graduação da área da saúde de do curso de arquitetura da UFPB, sobre a realidade e a importância da proximidade com as necessidades da saúde, suas práticas e dificuldades estimulando seu senso crítico, no tocante as necessidades específicas da população-alvo do projeto. O projeto seguirá a metodologia de pesquisa-ação na análise da realidade e dos meios existentes para administrá-la coletivamente, com os próprios sujeitos integrantes dessa realidade, sendo esta metodologia considerada um dos melhores métodos para trabalho de extensão, para desenvolver um processo educativo centrado nos sujeitos envolvidos e, ao mesmo tempo, promover uma troca de saberes. Na pesquisa paralela ao projeto de extensão, a pesquisa-ação também se enquadra no estudo de caso sobre a análise da realidade e dos meios existentes para administrá-la com os sujeitos integrantes do processo, articulando seus diversos níveis e a transversalidade dos processos, da singularidade das questões apresentadas por eles e às particularidades institucionais. A princípio, será desenvolvido levantamento e estudo bibliográfico e de documentos elaborados sobre o tema em foco, entrevistas individuais e/ou coletivas com usuários com deficiência atendidos no setor ambulatorial do HULW. Em seguida, será realizado um trabalho de verificação (diagnóstico) e conscientização, com primeiros encontros do grupo do projeto (estudantes, servidores e docentes), com rodas de conversa onde os envolvidos debaterão os assuntos relacionados, com leituras e discussões de temas de deficiência, diversidade e acessibilidade (arquitetônica, clínica e psicossocial), conhecimento das leis e dos termos técnicos relacionados, discussão sobre a importância de se tratar o assunto e quais atitudes podem ser tomadas de forma a efetivar a sensibilização do outro e que medidas poderiam facilitar o acesso do usuários portadores de necessidades especiais de uma forma geral. Serão revisadas as políticas públicas relacionadas à acessibilidade de pessoas com deficiência para elaboração de propostas para remover barreiras no sentido de tornara atenção da instituição mais equitativa para as pessoas com deficiência. Posteriormente, será executada a terceira etapa, de identificação de barreiras, sejam limitações físicas ou atitudinais, e refletir sobre o problema, elaborando propostas para superá-las. A revisão da NBR 9050, em 2015, e a criação da NBR 16.537, que trouxeram novos aspectos e parâmetros que precisam ser avaliados nos serviços de saúde, serão tomadas como referência normativa, mas haverá uma gestão participativa, com acompanhamento técnico sistemático e continuado quanto ao desenvolvimento de ações de disseminação de informações e de conhecimentos na população envolvida (capacitação). A Visita Técnica será realizada após a Vivência Prática, a fim de documentar através de fotos, as situações do cotidiano, condições de acessibilidade e os ambientes hospitalares propriamente ditos. A visita será acompanhada pela arquiteta que fará parte do projeto. Será elaborado e aplicado um questionário pelos componentes do projeto (público interno – alunos de graduação em medicina, fisioterapia, serviço social, terapia ocupacional, fonoaudiologia e arquitetura), baseados nas planilhas propostas no Programa de Acessibilidade às Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida nas Edificações de Uso Público. Propostas de adaptações de acessibilidade no HULW serão fundamentadas a partir de um estudo de caso do Setor Ambulatorial do hospital, visando torná-lo acessível para utilização plena e autônoma por todos os seus usuários, que serão articuladas com as ideias levantadas pelos próprios usuários. Serão destacadas também as medidas de acessibilidade já existentes com relação às pessoas portadoras de deficiências e/ou mobilidade reduzida, tanto quanto com a saúde, conforto e bem-estar de seus pacientes e serão sugeridas modificações a partir das barreiras identificadas com base na adequação à NBR 9050/2015 do subsistema hospitalar em questão. Os métodos utilizados para identificação de barreiras à acessibilidade serão a visita exploratória, a entrevista com os usuários, o walkthrough, as planilhas de avaliação, o passeio acompanhado e a matriz de descobertas. A acessibilidade espacial será classificada através dos seguintes componentes, que trazem diretrizes que definem características espaciais de forma a permitir a acessibilidade a edifícios públicos ou, ao contrário, apresentar possíveis restrições, tais como orientação espacial (características que permitem ao usuário reconhecer a identidade e as funções dos espaços, para definir estratégias para seu deslocamento e uso); comunicação (possibilidade de troca de informações interpessoais, ou troca de informações pela utilização de equipamentos de tecnologia assistiva, que permitam o acesso, a compreensão e participação nas atividades existentes); deslocamento (poder movimentar-se ao longo de percursos horizontais e verticais de forma independente, segura e confortável, sem interrupções e livre de barreiras físicas para atingir os ambientes de destino); e uso (relacionado à participação e realização de atividades de forma efetiva por todas as pessoas). Em primeiro lugar será feito um reconhecimento do espaço ambulatorial por meio da técnica do walkthrough, incluindo os percursos diversos aos acessos à edificação, e a circulação interna do ambulatório. Posteriormente, para representar as condições de acessibilidade física mediante a percepção do usuário no setor ambulatorial do HULW, serão realizados passeios acompanhados com quatro usuários com diferentes características: um cadeirante, um portador de deficiência visual, um convidado com mobilidade reduzida e um sem deficiência ou mobilidade reduzida, para gerar conhecimento das condições de acesso e orientação. Pela facilidade de aplicação e sua flexibilidade, este método antecederá as próximas etapas do projeto de extensão, e seu resultado e o conhecimento gerado contribuirão para definição das rotas para a etapa seguinte, o Passeio Acompanhado, para avaliar as condições de uso do espaço construído através da percepção do usuário em situações reais. Para sua realização, será definida uma rota a ser percorrida e um ou mais usuários serão convidados a participar, acompanhado pela equipe do projeto de extensão, que registrará suas impressões e as do entrevistado, e os comentários, transcrevendo falas importantes e fotografando eventos significativos. As visitas permitirão compreender situações enfrentadas pelos usuários portadores de deficiência na identificação de problemas de acessibilidade física no dia a dia. Ao verbalizar as ações, os usuários compartilharão com os acompanhantes as decisões tomadas durante o percurso e os fatores que as motivaram. O Mapeamento Visual contribuirá para o entendimento da relação do usuário com o lugar, identificando se há adequação do espaço através das vivências e memórias do entrevistado. O método possibilita avaliar a percepção dos usuários em determinado ambiente por meio da identificação de aspectos positivos e negativos na própria planta baixa - que deve ser humanizada e apresentar desenhos de mobiliários e equipamentos que facilitem o entendimento do espaço estudado.

10 de março de 2020

Medicina nos Séculos XVI e XVII: Vesalius, Paré e Harvey

A partir dos anos 1450, a Idade Média deu lugar ao Renascimento, a Era dos Descobrimentos. Isso trouxe novos desafios e soluções. O início da era moderna foi um momento efervescente para a medicina, com o conhecimento do corpo humano progredindo de maneiras fundamentais - embora as causas das doenças continuassem sendo um mistério. Houve um renascimento do aprendizado. As universidades se desenvolveram e com elas, as escolas de medicina.
O Renascimento propiciou condições para o início do método científico, que foi vital para o desenvolvimento da medicina. Apesar de a medicina no século XVI não ter experimentado um renascimento comparável ao observado nas artes - a revolução médica ainda estava a um século de distância - não poderia deixar de ser apanhada pela onda humanista que varria a Europa. Enquanto a revolução copernicana provocou uma reviravolta na cosmologia medieval, a Reforma Protestante minou o dogma católico e questionou a relação entre Deus e o Homem, e os avanços técnicos - liderados pela impressão - levaram a uma transformação sem precedentes no conhecimento e na prática.
A liberdade do Renascimento levou os médicos a explorar novas descobertas na ciência e na medicina, especialmente através da dissecção de cadáveres. Ao ver por si mesmos como é a fisiologia humana, eles foram capazes de usar isso como base para pesquisas e experimentos posteriores. Através da observação direta, eles foram capazes de aprender como o corpo funciona.
Portanto, o Renascimento impulsionou a Revolução Científica, que surgiu para questionar as soluções desenvolvidas pelos sábios da Antiguidade e absorvidas pelos teólogos cristãos – surgiram, então, os cientistas, que valorizavam a razão, apresentando uma atitude crítica que os levava a observar os fenômenos naturais, realizar experimentos, formular hipóteses e buscar sua comprovação. É claro que essa nova mentalidade enfrentou resistências, sobretudo da Igreja, presa aos seus dogmas e às tradições medievais. 
O início do século XVII é conhecido como o começo da Revolução Científica pelas mudanças significativas evidenciadas na abordagem do conhecimento europeu durante esse período. A palavra “revolução” se refere a um período de turbulência, em que as ideias sobre o mundo mudam drasticamente com a introdução de uma era completamente nova no pensamento acadêmico. Esse termo, portanto, descreve com bastante precisão o que ocorreu na comunidade científica após o século XVI, em que a filosofia científica medieval foi abandonada em favor dos novos métodos propostos por Bacon, Galileu, Descartes e Newton.
A era moderna explodiu inteiramente durante o período dos séculos XVII e XVIII, conhecido como Iluminismo, mas as sementes foram plantadas durante o Renascimento.
Três figuras-chave levaram ao avanço significativo do conhecimento na Era Moderna: Vesalius, Paré e Harvey. Este vídeo é sobre estes médicos renascentistas revolucionários.

9 de março de 2020

Como Ele Aprendeu Raciocínio Clínico...


 Dr. Pedro Gordon, médico e professor titular da Faculdade São Lucas e professor associado aposentado da Universidade Estadual de Londrina-PR

3 de março de 2020

História da Loucura, Modernidade e Pós-Modernidade


Esta figura representa o resultado de um brainstorming como estratégia de ensino para gerar ideias sobre o tópico "História da Loucura", no módulo de História da Medicina e da Bioética, no terceiro período da graduação em medicina da Universidade Federal da Paraíba. Foi uma estratégia que ajudou a promover habilidades de pensamento, em que os alunos foram solicitados a pensar em aspectos descritivos ou explicativos referentes à história da loucura desde a antiguidade até a pós-modernidade. 
Esse exercício que tentei na atividade didática de ontem foi apenas uma maneira de debater, estimulando os alunos a pensar mais ampla e espontaneamente. Não foi uma sessão de ensino planejada, mas foi importante saber o que os eles  estavam entendendo sobre a temática proposta. Portanto, o brainstorming foi uma boa maneira de ajudar os alunos a pensar sobre o tópico proposto e compartilhar suas ideias a partir de uma pergunta norteadora, incluindo períodos históricos amplos. 
A reflexão sobre o passado de muitas disciplinas médicas foi prática de médicos em exercício em uma época distante com objetivos talvez diferentes dos atuais, das histórias especializadas, como a da psiquiatria. A psiquiatria, como disciplina  da medicina, é um projeto essencialmente modernista. No entanto, nas ciências humanas e sociais, há um crescente consenso pós-moderno de que o modernismo foi um projeto falho. A psiquiatria nasceu em um momento falho? Pode-se dizer que a psiquiatria, a mais próxima das especialidades médicas em relação às ciências humanas e sociais, foi uma das primeiras áreas a se defrontar com a teoria pós-moderna. 
O processo de construção da loucura como doença mental é um tópico instigante; sondar suas implicações no que se refere à formulação e à implantação de novos mecanismos de controle social na sociedade, mediante a criação de instituições asilares e a ampliação das possibilidades de reclusão de um progressivo número de pessoas que receberam o diagnóstico de doentes mentais é explorar os significados, significantes e referentes da crescente abrangência das fronteiras da chamada ‘anormalidade’. Quanto a isso, alguns estudos especificamente dedicados ao tema da loucura deram o norte teórico e metodológico da pesquisa, entre os quais destaca-se, em primeiro lugar, a obra clássica de Michel Foucault, bem como os trabalhos desenvolvidos por alguns estudiosos do tema nas trilhas das reflexões do próprio Foucault. Um dos estudos centrais da interação entre insanidade e as visões culturais ocidentais a obra “História da Loucura na Idade Clássica”, publicada pela primeira vez em 1961. Foucault discute a história da loucura através do Iluminismo, um momento em que ele mostra que o louco é transformado na sociedade moderna no doente mental. Assim, a mudança na concepção de loucura n civilização ocidental é uma tema central na história da Psiquiatria.
O conhecimento em geral, e a prática psiquiátrica em particular, não podem ser entendidos isoladamente de outras instituições de coerção e disciplina. É uma divisão em preto e branco de médicos "ruins" e de pacientes "bons" ou o exercício médico do poder como necessariamente "ruim" e a resistência a ele como necessariamente "boa". Reduz-se o passado da história social da psiquiatria em “oprimidos” e “opressores” que emanavam de sua própria prática e posição institucional. 
Historicamente, o louco nem sempre fora tratado como pessoa “perigosa”, cujo comportamento fosse sentido como ameaça, física ou moral, e cujo tratamento recebido devesse ser semelhante ao que a sociedade ocidental faz com a delinquência. O próprio Foucault, em outra de suas obras, “O Nascimento da Clínica”, revela como o tratamento dado ao doente mental foi se modificando ao longo do tempo, passando de uma licenciosidade e mesmo acolhimento na maioria dos casos, para uma total intolerância, mesmo em casos que não oferecem perigo algum para o corpo social. Segundo Foucault, o confinamento e as práticas mais invasivas e violentas contra o paciente considerado louco constituem um saber especializado a partir do século XVII e vão se desenvolvendo até atingir o ápice no final do século XVIII, formando então um conjunto de práticas médicas “aceitáveis” ainda que infligindo dor, sofrimento e temor ao paciente.
A visão da medicina e da sociedade sobre pacientes mentais evoluiu muito nos últimos anos. Mas uma pergunta continua sem resposta: qual é a linha que separa a lucidez da loucura, o normal do patológico? José Manuel de Sacadura Rocha destaca, em seu artigo “doença mental e controle social: uma releitura a partir de Michel Foucault”, que os conhecimentos, a partir de meados do século XVII, adquirem o status de “científicos”. Com a palavra “desrazão”, Foucault destaca que na Antiguidade, a loucura está presente no horizonte social como um fato estético ou cotidiano, mas depois, na Idade Média, o louco passou a ser excluído, expulso das cidades, enquanto no século XVII – a partir do fenômeno da “grande internação” – a loucura atravessou um período de silêncio, de exclusão. Nessa linha do tempo, a loucura mostra-se como um objeto social e historicamente constituído. Ao longo de sua obra, Foucault deixa claro que a loucura não é um objeto natural, existente desde a aurora dos tempos e esperando para ser entendido pelo homem, mas uma criação do próprio homem. Isso se deu, segundo ele, a partir de tecnologias dos saberes sobre esse corpo específico, a partir de múltiplas transformações no modo de se ver a figura do louco.
Na “História da Loucura”, de Foucault, portanto, coloca-se a questão de como a loucura e as próprias visões e representações sociais do fenômeno mudaram, não apenas com o advento da psiquiatria e da psicanálise, mas também com o crescente conhecimento em todo o século XX. O materialismo, o existencialismo e a globalização, e não apenas a Razão da Modernidade, influenciaram a maneira pela se lidou com o irracional. Foucault, no entanto, escolheu Descartes para integrar a estrutura da exclusão que o louco sofreu na Idade Moderna. Descartes inaugurou a filosofia moderna, embora o pensamento cartesiano não tenha dado à loucura o estatuto atribuído por Foucault na modernidade, ou mesmo tenha tido uma relação direta com a fundação do Hospital Geral, com o movimento da “Grande Internação” ou mesmo com a libertação dos loucos acorrentados no século seguinte.  
Essa interpretação está nas mudanças que ocorreram entre a modernidade e a pós-modernidade. "Pós-moderno" é o termo usado pela maioria dos cientistas sociais. A denominação “moderna” ou “pós-moderna” traduz-se em uma nova postura (de pensamento, de sensibilidade, de valores sociais) que adquire o status de nova era, nova temporalidade. A modernidade, como um mundo de ideias, representações, modelos e valores, é inseparável do espírito do Iluminismo. Desde o início do século XX até hoje, muitos sociólogos se concentraram em esclarecer o conteúdo desse conceito, bem como os conceitos relacionados de pós-modernidade e hipermodernidade. O termo “pós-modernidade” refere-se literalmente ao período após a modernidade, no qual a sociedade saiu de sua era pós-industrial para o próximo estágio de desenvolvimento, trazendo novas condições e fenômenos sociais. A versão sociológica da teoria pós-moderna que se desenvolveu geralmente sustentava que os centros de autoridade tradicionais da sociedade pós-industrial estavam se desintegrando e dando lugar ao surgimento de uma nova modernidade social - a pós-moderna. Assim, enquanto o pensamento moderno enfatiza ordem, coerência, estabilidade, controle, autonomia e universalidade, o pensamento pós moderno enfatiza fragmentação, diversidade, descontinuidade, contingência, pragmatismo, multiplicidade e interconexões. A pós-modernidade proporcionou um ambiente cultural e social no qual se passou a discutir a loucura por meio de uma variedade de discursos, e isso se reflete na figura do quadro branco da sala de aula em que estão as palavras escolhidas pelos alunos para se referir à história da loucura.