28 de março de 2015

Osce do Internato em Clínica Médica do HULW - V Edição

Ocorreu hoje a quinta edição da Avaliação Objetiva Estruturada por estações (Osce) de Clínica Médica para 38 alunos do Internato do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (Centro de Ciências Médicas/ UFPB)/Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). A avaliação começou às 8h10 e terminou às 11h40, com seis minutos para cada aluno em cada uma das três estações.
Os casos clínicos de cada estacão da prova com os respectivos checklists, foram os seguintes:

ESTAÇÃO 1
ENUNCIADO: José Francisco, 32 anos, solteiro, mora no bairro  de Mandacaru, em João Pessoa-PB, e sua ocupação é “guardador de carros”. Foi internado na enfermaria de Clínica Médica do HULW por febre intermitente e calafrios há 3 semanas. Como sintomas associados, relatou mal-estar geral, anorexia, perda de 4 kg de e manchas nas mãos e pés há 15 dias. Negou uso de drogas intravenosas, viagens recentes e outros antecedentes patológicos. Ao exame físico, em estado geral comprometido, pálido +++/4+, consciente, anictérico, acianótico, febril. PA: 120/70 mmHg; pulso: 80 bpm; frequência respiratória: 22 irpm; temperatura: 38,5°C. Apresenta dentes em mau estado de conservação e sinais de abscesso em uma cavidade molar, embora o paciente não tenha se queixado de dor dental. Ausculta cardíaca: sopro pansistólico na área mitral, bulhas normofonéticas. Ausculta pulmonar normal. Abdome indolor e sem visceromegalias. Presença de múltiplas máculas hemorrágicas e pápulas na região volar das mãos e pés [Figuras 1 e 2]. Restante da pele, mucosas e unhas normais. Sem sinais de irritação meníngea.
Figura 1
 
Figura 2

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS
     (1)  Apresente suas duas hipóteses diagnósticas principais.
(2)  Que sinal denomina as lesões cutâneas de mãos e pés?
(3)  Que exames você solicitaria?

CHECKLIST
Itens
Respostas
Sim
1
Endocardite infecciosa
Sepse
5

Outras respostas complementares – sem menção às respostas acima – abscesso periodontal, anemia, drogadição, valvopatia
Adicional, só quando não houver outra resposta: 1
2
Manchas de Janeway
2
3
Hemoculturas e ecocardiograma
3

ESTAÇÃO 2
ENUNCIADO:  Paciente diabético, 55 anos, masculino, solteiro, auxiliar de serviços gerais, ensino fundamental incompleto, renda de 2 salários mínimos, vem ao ambulatório de clínica médica do HULW com queixa principal de calos e feridas nos pés. Sintomas associados: queimação, pontadas e agulhadas nos membros inferiores à noite. Informou que é hipertenso e que descobriu ser diabético há cinco meses em posto do PSF. O paciente não pratica nenhuma atividade física e mora sozinho. Peso: 88 Kg, altura: 1,65cm. PA: 160/100 mmHg. Pés apresentando úlceras plantares, hiperceratose, rachaduras e unhas distróficas [Figura 3].

Figura 3

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
 (1) Escreva as suas hipóteses diagnósticas, além de hipertensão arterial e diabetes mellitus.
(2) Escreva as orientações apropriadas a este doente, considerando seus problemas e institua o tratamento voltado para sua queixa principal antes de encaminhá-lo a um especialista, se for o caso.

CHECKLIST
Itens
Respostas
Sim
1
Mal perfurante plantar e neuropatia diabética
4

Outras respostas complementares – sem menção às respostas acima – obesidade, onicomicose
Adicional, só quando não houver outra resposta: 1
2
Controle metabólico*
Avaliou sinais de infecção local
Avaliou condições vasculares dos pés (pulsos, perfusão)
Repouso das extremidades e curativos diários
Avaliou profundidade da lesão com haste romba e estéril (hipótese secundária de osteomielite)
Indicou calçados terapêuticos para alívio do estresse plantar
2
1

1
1

0,5

0,5

Outras respostas complementares – sem menção às respostas acima –
Pediu contato com um familiar
Indicou hidratante para os calcâneos
Indicou medicamento para alívio das parestesias
Adicional, só quando não houver outra resposta: 1
*Embora as instruções para as respostas tenham mencionado tratamento voltado para sua queixa principal, a indicação de controle metabólico é o primeiro objetivo na resolução do problema, pois sem este controle nenhuma outra medida será efetiva.

ESTAÇÃO 3
ENUNCIADO:  Paulo, 65 anos, não vinha se sentindo bem nos últimos meses, passava o dia todo sentido-se fraco e indisposto. Além disso, estava sem apetite, emagrecendo e frequentemente era acometido por náuseas e vômitos. Com estes sintomas, resolveu procurar atendimento médico. Possui antecedentes de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus 15 anos, com tratamento medicamentoso e dietético irregulares. Ao exame físico, em REG, descorado ++/4, emagrecido, pele seca e com áreas de despigmentação. Edema periférico ++/4, frio, cacifo +. Hálito amoniacal e tremores de extremidades. Sinais vitais - PA: 160/100 mmHg; FC: 90 bpm. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações significativas.

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)   Qual é a sua hipótese diagnóstica?
(2)   Que exames você solicitaria?

CHECKLIST
Itens
Respostas
Sim
1
Insuficiência renal crônica / uremia
6

Outras respostas complementares – sem menção às respostas acima – nefropatia diabética, hipertensão arterial, anemia
1
2
Sumário de urina, creatinina, ureia, taxa de filtração glomerular (clearance de creatinina)
4

Outras respostas complementares – sem menção às respostas acima – proteinúria de 24 horas
Adicional, só quando não houver outra resposta: 1

Comissão do OSCE/CM/CCM/UFPB
Ângela Siqueira Figueiredo
Leina Yukari Etto
José Luis Simões Maroja
Luis Fábio Barbosa Botelho
Rilva Lopes de Sousa Muñoz (Coord.)

25 de março de 2015

Hoje o HU era só Poesia...

Por Carolina Campos Brito
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Hoje o HU era só poesia. Poesia alegre, poesia triste, mas era poesia. O assobio, realizado com tanto esmero, daquela música tão melancólica transpunha paredes, atravessava corredores, dava a curva e entrava na salinha de prescrição, onde eu me encontrava - tão quente, tão abafada, ao mesmo tempo que, lá fora, a chuva caía - e ecoava em mim, em todo o meu arcabouço, que ressoava, e chegava até ao coração, até aos miócitos, até às menores partículas que possam existir. De quem seria? Quem emanava aquele som? Pelo que estava passando, que problemas estaria enfrentando? Seria homem ou mulher? Será que tinha um amor? Será que chorava por ele? Ou será que simplesmente assobiava aquela canção, só assim, por assobiar?
Fui examinar meus pacientes, naquele quarto, o 317. Desde que entrei na Enfermaria Pediátrica, todos os meus pequeninos, não sei por quê, se obra do destino ou se coisa comum, sem significado, todos eles são/foram daquele mesmo quarto, daquele 317. O menorzinho (vou chamar assim em nome da boa ética) dormia, com sua sonda nasogástrica e seu acesso venoso central da veia subclávia direita. Abriu os olhinhos quando cheguei, num olhar perdido, como tinha sempre, e voltou a fechá-los, como quem não me deu muita importância. "Bom dia, pequenino! Titia chegou para te ver! Como está lindo todo enroladinho nesse lençol!", falava, enquanto tirava meu estetoscópio azul do pescoço e aproveitava o sono do pequeno para fazer as devidas auscultas, com calma.
No berço à frente, estava minha outra paciente, de apenas 4 meses, dormindo. Desnutrida, sonda nasogástrica instalada. Parecia um soninho tão gostoso que por uns segundos eu invejei... Do lado, a mãe, toda coberta, até a cabeça, numa poltrona preta, também dormia. Essa mulher tinha sido acusada de roubar, semana passada, o celular de outra mãe do quarto e foi pega no flagra. Lamentei o ocorrido. Furtou, mas continuava ali, do lado da filha, embora a bebê estivesse com o berço aberto, situação de perigo. Ontem, durante o exame, o mau cheiro era tremendo. 
Ao olhar para o lado, estava a mãe do primeiro paciente que comentei, debruçada sobre o berço de outra criança, uma garota. Chegara na semana anterior a pequenina, deve ter por volta dos 6 anos. Suspeita de calazar. Foi tão amorosa comigo ao ser internada. Deu-me boas-vindas (é, ela que me deu boas-vindas, e não o contrário) alegre, sapeca, com um balão feito de luva cirúrgica, todo rabiscado, enquanto dizia: "titia, titia, desenha um bolo pra mim!". E eu desenhei um bolo, dois (um ela disse que era de chocolate), uma casa, um jardim, uma nuvem, o sol, uma flor e uma borboleta, coisas assim, bem simples, quase rabiscos. Ganhei em troca um sorrisão, daqueles que te deixam satisfeita, feliz, daqueles que de tão singelo e sincero conseguem provocar aquelas sensações gostosas que a pessoa tem e não sabe muito bem explicar. E nem precisa.
Desde ontem a alegria da princesa tinha sumido. Seu tio fora assassinado no final de semana. Correram boatos que mexia com drogas. A mãe da criança, irmã do falecido, enlouqueceu, segundo os comentários. Destratou a pequenina e simplesmente foi embora, para o enterro do irmão, pelo que eu soube. Enquanto isso, a paciente ficou lá, sozinha, sem sorriso nos lábios, sem olhar de vivacidade, sem vontade de brincar, sem mãe. Mas ganhou uma amiga: sim, a mãe do paciente pequenino, a que estava debruçada sobre o berço dela quando cheguei no quarto. É uma menina acalentando outra. Só tem 15 anos. Mas é uma companhia, e tem cuidado, e tem dado banho, e penteado os cabelos, e dado comida. Tem dado amor. Disseram que a genitora da criança voltava hoje, mas não se sabe ao certo. A garota piorou, passou de uma febre de 37.8 para 39.8ºC, tosse com secreção. Soube que haviam solicitado radiografia de tórax e iam iniciar antibioticoterapia.
Aproximei-me da pequena, que não parecia muito simpática. A mãe "adotiva", vou assim chamar, a botou no colo, enquanto a enfermeira ia tirando o esparadrapo que estava no braço da menina, fruto de um acesso periférico. Ela havia colhido sangue também. E enquanto a profissional desenrolava aquela fita branca, que gruda mais do que tudo, a menina pegou minha mão, e apertava. Olhei para o seu rostinho, suado, com medo. E apertava, apertava tanto, como em busca de um consolo, de um amparo, de uma proteção. E eu conversava com ela, dizendo: "Olha, titia vai desenhar tudo aquilo pra tu, e mais um montão de coisas! Vai fazer até bolo de morango dessa vez! Certo?" Ganhei um balançar de cabeça, quase imperceptível, concordando com o que eu falava. É, eu servi de amparo para aquela criança.
Saí mais cedo hoje, e estou cheia de coisa para estudar. Mas era mais forte do que eu. Eu precisava escrever. Precisava, porque hoje o HU era só poesia. Poesia alegre, poesia triste, mas era poesia. 

Foto: Carolina Campos Brito

20 de março de 2015

Livro "A History of Medicine"

A History of Medicine
Autor DOUGLAS GUTHRIE
Publicado em Londres, por Thomas Nelson and Sons, em 1945. 
Livro sobre a história da Medicina desde os tempos pré-históricos até o presente, incluindo babilônica, grega, romana, árabe, medieval, renascentista, além das descobertas da ciência moderna e da patologia, e muitos aspectos associados na sociedade. Cada um dos 20 capítulos fornece uma lista útil de referências bibliográficas. Publicado pela primeira vez em 1945. A presente cópia é uma reedição do mesmo ano. 

11 de fevereiro de 2015

Envelhecimento e Velhice

Apresentação de Slides

Imagem Semiológica: Mancha Linear Eritematosa em Braço

Paciente com mancha linear eritematosa e irregular, que se estende desde da mão até a axila, compatível com diagnóstico de linfangite aguda. A cultura revelou infecção por Streptococcus pyogenes; houve completa recuperação após tratamento com penicilina G intravenosa.

Fonte: N Eng J Med, v. 372, fev 2015‏. 
Disponível em: http://www.nejm.org/image-challenge?query=TOC. 
Acesso em: 11 fev. 2015.

2 de fevereiro de 2015

O Internato Médico no HULW/UFPB

PONTES, Orlando Domingues de Araújo  e  SOUSA-MUNOZ, Rilva Lopes de. O internato médico no novo currículo de uma universidade pública: a apreciação do estudante. Rev. bras. educ. med. [online]. 2014, vol.38, n.4, pp. 519-531. ISSN 0100-5502.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v38n4/14.pdf

14 de janeiro de 2015

Mudanças da Dinâmica Neural na Transição Vigília-Sono

Por Rilva Lopes de Sousa-Muñoz
Grupo de Estudos em Semiologia Médica - GESME

A transição da vigília para o sono representa a mudança mais visível no comportamento e no nível de consciência que ocorre no cérebro saudável. Ele é acompanhado por mudanças notáveis na dinâmica neural reveladas por alterações na atividade eletroencefalográfica. No entanto, a transição é mais gradual do que parece: por um lado, ondas lentas locais já aparecem durante a vigília; por outro lado, as ondas lentas do sono raramente são globais. Estudos com ressonância magnética funcional também revelam mudanças na conectividade funcional de repouso do estado entre vigília e sono de ondas lentas. No entanto, ainda não estava claro como as redes de estado de descanso mudavam durante este período de transição.
Os investigadores Deco et al. (2014) empregaram modelagem da conectividade anatômica córtico-cortical humana para avaliar mudanças no estado de repouso da conectividade funcional devido à diminuição progressiva da excitação neuromodulação quando começa o estado de sono. Quando a neuromodulação colinérgica diminui, ondas lentas locais aparecem, enquanto a organização global de redes do estado de descanso não muda. Além disso, os referidos autores mostraram que essas ondas lentas locais estão estruturadas macroscopicamente em redes que se assemelham às redes de descanso. Em contraste, quando o neuromodulador diminui a níveis mais baixos ainda, ondas lentas tornam-se globais e redes de descanso se fundem em uma única rede indiferenciada e amplamente sincronizada.
Portanto, o referido estudo evidenciou mudanças locais e globais que ocorrem no cérebro quando uma pessoa dorme. Os resultados revelaram mudanças na conectividade funcional em estado de repouso cerebral, entre o momento de despertar e o sono de onda lenta.
No cérebro há uma região amplamente conservada ao longo da evolução, o sistema ativador reticular, que inclui a formação reticular e suas conexões, e que é responsável pela regulação do estado de vigília e as oscilações diurnas/noturnas. Uma diminuição da atividade do sistema ativador reticular provoca o sono de onda lenta, o qual se caracteriza pela lentidão das ondas cerebrais. Durante a noite, o sono de onda lenta sincronizado alterna com o sono paradoxal ou dessincronizado, de modo que a maior parte do sono é do tipo de onda lenta, com intervalos de sono paradoxal.
Os investigadores constataram que esta mudança não é repentina, porém mais gradual de que o que se acreditava. Eles evidenciaram também que, ao despertar, registram-se ondas lentas ao nível local e que estas raramente são globais.
Os estudos de neuroimagem mediante ressonância magnética funcional revelam alterações na conectividade funcional em estado de repouso cerebral, entre o momento de despertar e o sono de onda lenta, mas ainda está pouco claro como se altera o estado de repouso durante este período de transição.
O estudo mostra, portanto, que quando a neuromodulação colinérgica (através do neurotransmissor acetilcolina) diminui, aparecem as ondas lentas locais, enquanto a organização geral das redes neuronais em estado de repouso não se altera.

Referência
Deco G, Hagmann P, Hudetz AG, Tononi G. Modeling resting-state functional networks when the cortex falls asleep: local and global changes. Cereb Cortex. 2014; 24(12):3180-94.

Imagem: http://www.bbc.com

22 de dezembro de 2014

Sam Berns: Desessete Anos com Progeria

Por Rilva Lopes de Sousa-Muñoz
Grupo de Estudos em Semiologia Médica - GESME

Esta foto é de Sampson Gordon Berns (23/10/1996-10/01/2014), ou simplesmente Sam Berns, um adolescente americano que sofria de progeria e contribuiu para aumentar a conscientização sobre a doença. 
Ele foi o tema de um documentário chamado “Vida de acordo com Sam” (HBO). Os seus pais, pediatras, criaram e mantém a Fundação Progeria Research Foundation [1]. 
A Síndrome de Progeria de Hutchinson-Gilford é uma doença genética extremamente rara, que provoca envelhecimento prematuro e rápido (até sete vezes o normal), envolvendo principalmente os vasos da pele, ossos, sistema cardiovascular e sangue, combinado a nanismo. A doença foi originalmente descrita há cerca de 100 anos e recebeu este nome, vindo do grego geeras, que significa velhice. Foi descrita pela primeira vez em 1886 por Jonathan Hutchinson, e logo depois por Hastings Gilford em 1897. A incidência é de um em oito milhões de nascimentos. 
A progeria ocorre esporadicamente, sendo, provavelmente, uma síndrome autossômica recessiva. Há cerca de 350 casos no mundo atualmente. Embora a apresentação clínica seja típica, exames radiológicos e bioquímicos convencionais ajudam na confirmação do diagnóstico. A média de vida é de 13 anos (variação de 7 a 27 anos). A fácies típica da pessoa com progeria é chamada de face de “pássaro depenado”: olhar senil, olhos salientes, alopecia, nariz adunco, pele esclerodérmica e enrugada, micrognatia. O fenótipo é tão constante que os pacientes com esta condição apresentam grande semelhança uns com os outros.
Sam declarou que queria ser geneticista e que almejava ganhar o Prêmio Nobel, "mas se não der, tudo bem, o que importa é ser feliz no que eu estiver fazendo”. Ele enfrentou a doença com admirável coragem e sabedoria para a sua idade.
Sam morreu em janeiro passado, aos 17 anos.
[1] http://www.progeriaresearch.org/

21 de dezembro de 2014

Telangiectasias e Microvarizes

Figura 1

Por Rilva Lopes de Sousa-Muñoz
Grupo de Estudos em Semiologia Médica - GESME

Quais destas imagens correspondem a telangiectasias e quais são de microvarizes de membros inferiores? Qual é a diferença semiológica entre estas alterações vasculares da pele?
As três primeiras imagens da Figura 1 são de pacientes com telangiectasias, enquanto a última, de microvarizes. A segunda imagem é um tipo de telangiectasia papular, e se parece com microvarizes.
Microvarizes são veias dilatadas de fino calibre (2-4mm), de localização subcutânea. São, em geral, assintomáticas, porém antiestéticas. Podem se apresentar como lesões únicas ou surgem associadas às varizes. A sintomatologia depende da estase venosa concomitante.
Telangiectasias são vasos capilares dilatados, mas de fino calibre, menores que 2 mm, de coloração avermelhada, mas podem ser de cor azulada também, porém de localização dérmica. Têm disposição linear e sinuosa, podendo formar emaranhados ou ter aspecto aracniforme ("aranhas vasculares") ou configuração reticular, mas eventualmente podem se apresentar como dilatações puntiformes. Não há outra manifestação clínica que não a perturbação estética, exceto no caso de “aranhas vasculares”, de configuração peculiar, associadas a outros estigmas de insuficiência hepática.
As telangiectasias atingem o território linfático, com dilatação predominante do lado arterial, e as microvarizes, são no lado venoso. Estas últimas ocorrem concomitantemente com varizes.

Referências
Miyake RM, Miyake H, Duarte FH, Fidelis FR. Microvarizes e Telangiectasias. In: Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, ed. Angiologia e cirurgia vascular: Guia ilustrado. Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro. Acesso em: 21 dez. 2014.
Moraes IN. Propedêutica Vascular. São Paulo: Sarvier, 1988.

16 de dezembro de 2014

Prova Prática do Internato em Clínica Médica da UFPB: III Edição de 2014

Devolutiva da III Prova Prática do Internato em Clínica Médica da Universidade Federal da Paraíba
 Prova tipo Osce realizada em 29 de novembro de 2014 no Centro de Ciências Médicas (CCM)/ UFPB pelos Alunos do Internato no Rodízio de Clínica Médica com Práticas no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW)

ESTAÇÃO 1
ENUNCIADO: Masculino, 32 anos, engenheiro, solteiro, chega à unidade de pronto-atendimento trazido por familiares com história de ter tido uma crise convulsiva há 1 hora. O mesmo refere vir sentindo cefaleia intensa há 3 dias, além de vômitos e febre baixa. Não faz uso de medicamentos, mas diz ser portador de HIV descoberto há 2 meses durante exame de rotina, embora não tenha buscado ajuda médica (“por vergonha”). Exame físico: sonolento, mas responsivo, Escala de Coma de Glasgow = 13 (Ao=3, Rv=4, Rm=6), pupilas anisóricas, sem sinais meníngeos, sem déficits focais. PA=170/110mmHg, FC=62bpm. ACV, AR e abdome sem alterações. Peso=75kg. O plantonista solicitou um exame de ressonância nuclear magnética de encéfalo, demonstrada na Figura 1.

Figura 1 - Exame de ressonância nuclear magnética de encéfalo do paciente apresentado na Estação 1

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Escreva sua hipótese diagnóstica síndrômica.
(2) Escreva a sua hipótese diagnóstica etiológica mais provável, baseando-se na epidemiologia.
(3) Indique a terapêutica medicamentosa específica voltada para a hipótese diagnóstica etiológica do item 2.

ESTAÇÃO 2
ENUNCIADO: Masculino, 55 anos, agricultor, com queixa de dor pós-prandial de forte intensidade, localizada no epigástrio com irradiação para região dorsal, náuseas e vômitos há 8 meses. Refere emagrecimento de 9 kg e eliminação de fezes volumosas e amolecidas nesse período. Ingere um copo de bebida destilada por dia desde os 18 anos de idade. Trouxe ultrassonografia revelando colédoco de 1,8cm, vesícula biliar aumentada, pâncreas heterogêneo com imagens hiperecogênicas, Wirsung dilatado (Figura 2).

Figura 2 - Exame ultrassonográfico do paciente apresentado na Estação 2

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Indique dois diagnósticos prováveis.
(2) Qual a conduta terapêutica mais adequada?

ESTAÇÃO 3
ENUNCIADO: Homem de 56 anos, admitido na enfermaria de Clínica Médica do HULW com queixas de fadiga progressiva, dispneia aos esforços, ortopneia e episódios de dispneia paroxística noturna há dois meses.
Ao exame físico, PA 160/60 mm Hg, sem turgência jugular, ausculta pulmonar sem anormalidades, ictus cordis difuso e hiperdinâmico, até o sexto espaço intercostal esquerdo e 3 cm lateralmente à linha hemiclavicular esquerda. Presença do sinal de Quincke e do sinal de Traube. Ausculta cardíaca: iniciar áudio.
[Não foi possível incorporar o referido áudio a esta postagem]

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Descreva a ausculta cardíaca. 
(2) Escreva sua hipótese diagnóstica principal.

CHECKLIST DOS PROFESSORES PARA PONTUAÇÃO DAS RESPOSTAS

Estação 1
Item 1
Sim (5,0)
Não  
Hipertensão intracraniana
0,0
Item 2
Sim (4,0)
Não 
Neurotoxoplasmose
0,0
Item 3
Sim (1,0)
Não 
Sulfadiazina+Pirimetamina+ácido folínico
Estação 2
Itens Essenciais
Sim* (5,0)
Não (0,0)
Levantou hipótese de pancreatite crônica calcificante
Levantou hipótese de câncer de pâncreas
Itens Secundários
Sim (1,0)
Não (0,0)
Pediu tomografia computadorizada
Sugeriu derivação pancreatojejunal e biliodigestiva
Sugeriu duodenopancreatectomia
                               *2,5 para cada uma das respostas
Estação 3
Item 1
Sim (5,0)
Não (0,0)
Sopro diastólico
Item 2
Sim (5,0)
Não**
Insuficiência aórtica
**Se no item 2, resposta for insuficiência cardíaca, vale 1,0 ponto.

Comissão do OSCE-CM – Departamento de Medicina Interna / CCM
Profa. Rilva Lopes de Sousa-Muñoz – Coordenadora
Profa. Mônica Sousa de Miranda Henriques
Prof. Luiz Fábio Barbosa Botelho
Profa. Ângela Siqueira Figueiredo
Profa. Leina Yukari Etto

30 de outubro de 2014

Destaque William Osler em 2014: Divany Nascimento

O "Destaque William Osler 2014" por “longevidade” no nosso grupo de estudos foi Divany de Brito Nascimento: Sete semestres letivos consecutivos (2011.1; 2011.2; 2012.1; 2012.2; 2013.1; 2013.2; 2014.1). 
Segundo Thomas Edson, para ser um bom pesquisador, é preciso ter iniciativa, ter ambição (sonhar), ser perseverante (não desistir), ter entusiasmo, ter paciência e conhecimento. Divany demonstrou claramente estas qualidades em sua profícua participação no GESME, além de demonstrar disciplina, ética e sensibilidade.
Divany participou da monitoria de Semiologia Médica da UFPB, de projeto de Iniciação Científica como bolsista do PIBIC/UFPB/CNPq, de projeto de pesquisa como voluntária e de projeto de conclusão de curso no nosso grupo.
Os últimos “Destaques William Osler” foram os alunos igualmente extraordinários do curso de medicina da UFPB: 
(1) Daniel Espínola Ronconi e Camila de Oliveira Ramalho em 2009 (seis semestres letivos consecutivos); 
(2) Guilherme Augusto Teodoro de Athayde em 2010 (seis semestres letivos sem faltas); 
(3) Gilson Mauro Fernandes Filho em 2012 (seis semestres letivos); 
(4) Cícero Faustino Ferreira em 2013 (quatro períodos sem faltas); e
(5) Destaque de grupo: Lunna, Aline, Amanda, Liana e Taynah. 
Agora, Divany é nossa integrante mais persistente, record de perseverança e de dedicação à pesquisa durante a graduação no grupo.