31 de maio de 2009

Prática de Anamnese na Enfermaria

Por Álvaro Luiz Vieira L. de Britto Estudante de Semiologia Médica, 4o. período do Curso de Medicina da UFPB

1- ANAMNESE

Identificação: S. V. N., 71 anos, masculino, pardo, casado, aposentado, natural e procedente de Lagoa de Dentro - PB.

Queixa Principal: Falta de ar há quatro semanas.

História da Doença Atual: O paciente relata que a dispnéia iniciou-se por volta de novembro de 2002, período no qual também se notava inchaço discreto com dor associada nos membros inferiores. A dispnéia aumentou de intensidade gradualmente, mas ele acreditava tratar-se de uma doença pulmonar. A sintomatologia aparecia esporadicamente sem relação com nenhuma das atividades rotineiras ou com aumento do esforço físico. Ele relata que houve piora dos sintomas após alimentação abundante, nas festas de fim de ano. Nesta época, passou a usar digoxina 0,25mg, furosemida 40 mg e captopril 25 mg, por prescrição médica na sua cidade. Afirma que não houve necessidade de encaminhamento para internação durante este período. Porém, há um mês houve piora dos sintomas e progressivamente o levou à impossibilidade de exercer suas tarefas habituais. Foi, então, hospitalizado neste serviço, e passou a apresentar melhora acentuada dos sintomas relatados. Interrogatório Sistemático: Relatou emagrecimento, edema nos membros inferiores com dor, aumento da temperatura local, paresia e parestesia associadas, sensação de plenitude pós prandial, poliúria e coloração da urina bastante acentuada, artralgia no joelho e tornozelo. Negou tosse, expectoração, rouquidão, hemoptise, angina, chiado. Negou palpitações, síncope, edema, cianose ou claudicação intermitente.

Antecedentes pessoais fisiológicos: Na vida adulta foi vacinado contra o tétano. Relata que sua primeira relação sexual ocorreu por volta dos 12 anos, presença de várias parceiras ao longo da vida no entanto atualmente apresenta apenas uma, libido sem alterações. Relata um envelhecimento fisicamente pouco saudável devido a cardiopatia, no entanto psicologicamente acredita que está envelhecendo saudavelmente sem comprometimento da lucidez. Antecedentes pessoais patológicos: Na infância foi acometido por varicela, sarampo, parotidite infecciosa e conjuntivite. É cardiopata e portador de hipertensão arterial. Já na vida adulta relata doença pelo Schistossoma mansoni. Negou tuberculose, diabetes mellitus, febre reumática ou asma. Realizou uma cirurgia decorrente de complicações da Esquistossomose na qual houve esplenectomia, esta foi realizada em 1978 em um hospital de João Pessoa, no entanto não recorda o nome. Foi internado em 1979 (devido a cirurgia), 2002 (HULW devido a cardiopatia), em 2005 (Guarabira, também devido a cardiopatia). Não relatou alergias. Relata traumatismos do braço e antebraço direito na infância (queda de cavalo). Negou a realização de hemotransfusões ou o uso de drogas ilícitas. Antecedentes Familiares: Não conheceu os pais biológicos, por isso relatou não conhecer a presença de doenças frequentes na família. Possui três filhos saudáves. Sua esposa sofre de artralgias. Antecedentes Sociais: Mora em casa de alvenaria, com água, tratamento de esgoto e rede de tratamento de lixo. Apresenta dieta hipecalórica e hiperglicídica, nível de instrução baixo, renda familiar de um salário mínimo mais auxílio dos filhos. Paciente é aposentado, relata ter trabalho como mecânico (última profissão), agricultor e motorista. Católico. Foi tabagista dos 9 aos 26 anos, consumiu bebidas alcoólicas até os 42 anos; banhava-se em rios; possui um gato e um cachorro; não realiza atividades físicas frequentemente; dorme em torno de oito horas por noite, considera como entretenimento a visita a vizinhos, a família e o diálogo com amigos. Não realizou viagens para zonas endêmicas. EXAME FÍSICO

Ectoscopia · Sinais Vitais – P – 80 bpm; PA 130 / 80 mmHg; T – 36 °C (afebril), FR – 20 irpm. · Peso – 73,3 Kg, Estatura 1,68, IMC – 26 (sobrepeso)

Paciente em bom estado geral, consciente e orientado, fala e linguagem normais, hidratado, fácies incaracterística, mediolíneo, mucosas hipocoradas (++/4+) e úmidas, escleróticas ictéricas (+/4), pele levemente ictérica, enrugada, mobilidade, elasticidade, turgor e temperatura normais, presença de máculas hiperpigmentadas no tronco, nos membros e nas costas, além de pápulas e escamas no abdome e nas costas. Presença de lesões hiperceratóticas nos calcanhares e liquenificação nos pés. Ulceração com crosta no pé direito em maléolo lateral. Cicatrizes no braço direito e no abdome. Pêlos e cabelos em quantidade e distribuição compatíveis com a idade, sem alopecia. Panículo adiposo conservado e com distribuição andróide. Musculatura com troficidade normal, dificuldade de movimentação do braço direito. Deformidade discreta no hálux. Gânglios superficiais não palpáveis. Extremidades de coloração, temperatura e perfusão preservadas. Edema subcutâneo presente nos membros inferiores (++/4+), mole, elástico e de temperatura normal.

28 de maio de 2009

20 de maio de 2009

Disciplina é liberdade

Uma das críticas mais temidas atualmente pelos professores universitários é a de autoritarismo. Ser autoritário está associado à repressão e a métodos de ensino tradicionais, os quais a maioria tenta superar.
Mas buscar manter a disciplina não significa autoritarismo no ensino superior. A disciplina deve ser concebida como instrumento educativo no ensino universitário.
A esse respeito, qual deveria ser a postura predominante do docente no ensino superior em relação ao aluno? Consciente ou espontaneísta? Autoritária ou repressora? Compromissada ou descompromissada? Licenciosa e permissiva?
Cada professor tem sua prática pedagógica, aprendendo a cada dia com seus próprios alunos. E ser professor não é fácil. O psicanalista Sigmund Freud dizia que existem três tarefas impossíveis: educar, governar e fazer psicanálise. A complexidade do lecionar está na sua essência. E esta complexidade aumenta quando se procura uma definição de disciplina.
Estrela (1992) afirma que o esclarecimento do conceito de disciplina não é simples nem pacífica, já que estão envolvidos quadros de referência multidisciplinares, ângulos diversos através dos quais este fenômeno pode ser visto, e que estão longe de ser consensuais.
Mas para este autor, a antítese da disciplina, a indisciplina, deve ser entendida como a manifestação de atos/condutas, por parte dos alunos, que têm subjacentes atitudes que não são legitimadas pelo professor no contexto regulador da sua prática pedagógica e, consequentemente, perturbam o processo normal de ensino-aprendizagem. Ainda de acordo com o autor a que recorremos, um dos níveis da indisciplina “conflitos da relação professor-alunos”, inclui os comportamentos que, de algum modo, põem em causa a autoridade e o estatuto do professor.
Muitas vezes a informalidade excessiva, a licenciosidade, a falta de educação que grassa entre alguns jovens universitários, certamente são nocivos ao convívio entre alunos e professores. É muito salutar a troca de idéias, mas é preciso rejeitar veementemente a inversão de valores que atinge nosso sistema educacional, onde o professor é muitas vezes tratado com muita informalidade, às vezes até com licenciosidade, e este, por sua vez, trata os alunos de igual maneira. Bem, ele é um modelo, e seu comportamento se reflete no comportamento do aluno.
Contudo, o problema não está na informalidade em si, mas na falta de respeito entre as pessoas. Respeito é o principal fundamento existencial, independente das diferenciações hierárquica ou etária. É preciso recuperar a civilidade, respeito e dignidade na relação professor-aluno. E a disciplina é um caminho. Isso é uma prática de liberdade, como diz uma canção de Renato Russo, "disciplina é liberdade".
Falar em disciplina como sinônimo de liberdade pode ser visto como algo fascista. Como associar disciplina à liberdade? Pensando na sua completa oposição. A idéia de liberdade associada ao "tudo pode, pode tudo", determinada pela volatilidade dos desejos seria uma situação de anarquia. O anarquista é visto como um sujeito que não tem nenhum método, nenhum compromisso com o que faz e deve apenas “deixar tudo acontecer naturalmente, ao acaso.
Existem coisas chatas na disciplina para o jovem estudante universitário: ter compromisso, responsabilidade, pontualidade, trabalho, determinação, força de vontade, método, coerência... Constância, diligência. Isto tudo é disciplina. Não se trata de um quartel-general. Está longe disso o que se considera como respeito à disciplina nas relações professor-aluno na universidade. Para isso, recorremos aos escritos pedagógicos de Immanuel Kant.
Um dos pontos fundamentais da pedagogia de Kant é, sem dúvida, essa questão da disciplina na educação. Não por acaso, em um de seus textos sobre a pedagogia, Kant afirma que é através da disciplina que o homem transforma a animalidade em humanidade. Para ele, a disciplina exerce um papel fundamental no processo educacional (KANT, 2005a).
Segundo a visão kantiana, desde a primeira infância, a pessoa deve se acostumar a seguir determinadas regras. No início, essas regras dizem respeito basicamente ao horário de comer, de dormir, de brincar e, assim por diante. Por outro lado, a educação deve mostrar ao homem que ele é um ser destinado a viver em sociedade juntamente com outros homens (KANT, 2005b).
A racionalidade (no comportamento humano) deve manifestar-se em todas os atos intencionais. Por meio da educação, o ser humano, segundo Kant, deve tornar-se disciplinado (disciplinar-se é pôr freio na natureza selvagem ou animal), tornar-se culto (a cultura compreende a instrução em geral), tornar-se prudente e, por fim, deve visar fundar a moralidade. Disciplinar não é submeter o aluno à escravidão ou à passividade (KANT, 2005a).
O termo disciplina significa treinamento, auto-controle, hábitos de obediência, controle da mente e do caráter. Neste sentido, está a questão da insolência expressa por muitos alunos jovens e impulsivos no início do curso universitário. Será que insolência faz parte do processo de aprendizado, ao revelar que o aluno tem espírito crítico? Obviamente isso não é o mesmo que arrogância. Muitas vezes pode ser somente uma tentativa de o aluno ensaiar a própria autonomia de pensamento.
Mas apenas respondendo a seus instintos mais imediatos, o aluno não reflete, e não refletindo, não propicia o bom desenvolvimento da razão, único meio possível para o esclarecimento.
É por isso que a disciplina deve levar o aluno, num primeiro momento, a restringir seus impulsos imediatos. Não se trata de coação, mas de uma ação que não cumpre a tarefa de limitar a liberdade em sentido moral, porém de limitar a liberdade anárquica, instintiva e irresponsável. Kant nos ensina, desse modo, que a finalidade última da educação é a formação moral dos indivíduos e a possibilidade de seu esclarecimento.
Assim a disciplina possui um caráter determinante e fundamental em todo o processo educacional. Com ela podemos esperar um caminho possível, e talvez o único caminho possível, para o esclarecimento. Não há limites ao desenvolvimento para o aluno inteligente e disciplinado. E este sabe se expressar e sabe respeitar o outro, seja seu colega ou seu professor.
É nesse sentido que primar pela disciplina não é a opressão do aluno. Para o próprio Paulo Freire (2003) o educador, que em sua prática busca promover a autonomia dos educandos, deve estar atento a essa relação autoridade-liberdade. Para que haja a necessária disciplina sem haver autoritarismo ou licenciosidade, o equilíbrio entre ambas é necessário.
"O autoritarismo é a ruptura em favor da autoridade contra a liberdade, e a licenciosidade, a ruptura em favor da liberdade contra a autoridade" (FREIRE, 2003). Assim o autoritarismo não é mais autoridade, mas abuso de autoridade, enquanto a licenciosidade não é mais liberdade, mas deturpação da liberdade. Ambos são nocivos.
Assim, a construção respeitosa da disciplina deve incluir a educação da vontade. A vontade só se torna autêntica em sujeitos que assumem seus limites (FREIRE, 2003). Por isso a disciplina da vontade é uma prática difícil mas necessária, é por meio dela que se constitui a autoridade interna, a partir da introjeção da autoridade externa, o que permitirá que a liberdade viva plenamente suas possibilidades, as quais incluem a construção da própria autonomia.
A vivência da tensão dialética entre liberdade e autoridade nos mostra que elas podem não ser antagônicas necessariamente uma da outra. Ainda segundo Paulo Freire, a autonomia do aluno é conquistada gradualmente, pois este é um processo que consiste no amadurecimento do ser para si mesmo, por isso a educação deve possibilitar experiências que estimulem as decisões e a responsabilidade.
Portanto, Immanuel Kant e Paulo Freire, em suas respectivas épocas, espaços e culturas, formularam concepções peculiares de disciplina e autonomia. Depois de repassar alguns conceitos destes dois pensadores, temos que defender a educação como formação do ser humano que se dá como processo de gestação da autonomia do pensamento, da ação e da palavra.
A autonomia do pensamento se dá na medida em que leva o aluno a pensar por si mesmo de acordo com princípios racionais, e da ação e da palavra, na medida em que na nossa sociedade existimos pela palavra, por isso, para que alguém seja autônomo precisa aprender a dizer a sua palavra. Então, caros alunos, aprendam a dizer a sua palavra. Mas sem licenciosidade.
Referências ESTRELA, M. T. Relação pedagógica, disciplina e indisciplina na aula. Porto: Porto Editora, 1992. FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 2003 KANT, I. Crítica da faculdade do juízo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005a. KANT, I. Que significa orientar-se no pensamento? In: Textos Seletos. Petrópolis: Vozes, 2005b. Crédito da imagem: A figura desta postegem foi retirada de: http://pt.dreamstime.com/pensador-image633169

19 de maio de 2009

O Paciente Hospitalizado

Por Antônio Edilton Rolim Filho
Estudante de Medicina da UFPB, extensionista do Projeto Continuum (PROBEX/UFPB)


O processo de adoecimento que leva o paciente à hospitalização exige grande capacidade de adaptação deste, alterando até seu equilíbrio, levando-o ao sentimento de desamparo e medo, ou ao surgimento de fantasias sobre sua doença, e tais fatores podem levá-lo a sério comprometimento psicológico. O tratamento do paciente, entendido estritamente em termos dos sintomas manifestos, é comprometido pela insuficiência desta visão que não permite aos profissionais de saúde compreendê-lo.
A observação atenta dessas dinâmicas revela a disparidade existente entre a compreensão do médico das queixas do paciente e a experiência da doença e da dor vividas por esse paciente. A equipe de saúde tem entre suas principais funções a minimização do sofrimento vivenciado pelo paciente pela hospitalização e pela sua sua doença, e também buscar o favorecimento dos recursos pessoais deste paciente para esta adaptação, visando a uma mobilização para sua cura. Durante o atendimento do paciente no contexto hospitalar, deve-se considerar que o fato de muitas vezes o paciente ter poucas informações sobre sua própria doença e de seu quadro clínico provoca sentimentos e dúvidas que os desestabilizam emocionalmente, interferindo negativamente no processo de resolução do seu problema clínico.
Cabe à equipe médica reconhecer que é direito do paciente saber sobre sua doença, entender seu tratamento, conhecer seu diagnóstico e saber de suas possibilidades de recuperação. Isto deve ser participado principalmente pelo médico e demais membros da equipe.
É preciso trabalhar também os conteúdos emocionais (negação, ira, barganha, depressão e aceitação) que emergem, as fantasias, os medos, as dúvidas, assim como dar assistência aos familiares do paciente.

14 de maio de 2009

Nossos Monitores de MCO2

Os Monitores selecionados para o Módulo de Pesquisa Aplicada à Medicina (MCO2) foram Gilson Fernandes Filho e Tâmata Soares de Sousa, ambos do terceiro período do Curso de Medicina da UFPB.

As atividades a serem desenvolvidas por eles são: auxílio na resolução de listas semanais de exercícios de bioestatística e metodologia da pesquisa; plantões de revisão previamente agendados e fixos com os alunos; participação dos seminários didáticos do módulo como secretário e anotador; elaboração dos relatórios dos seminários; divulgação dos relatórios dos seminários em mídia eletrônica; e realização de coleta de dados para trabalho de pesquisa na área de metodologia científica.
Sejam bem-vindos!

13 de maio de 2009

Nossos Monitores de Semiologia

Monitoria de Semiologia Médica 2009

Os novos Monitores de Semiologia Médica são Bruno Melo Fernandes, Fernando Roberto Gondim Cabral de Vasconcelos, Charles Saraiva Gadelha e Joyce Freire Gonçalves de Melo.
Expressamos as boas-vindas aos novos colaboradores e esperamos que realizemos um trabalho significativo no contexto do projeto pedagógico do curso, para uma maior integração discente, o favorecimento da aquisição de raciocínio crítico pelos nossos alunos e uma otimização do complexo ensino-aprendizagem no módulo de Semiologia.

Nesta oportunidade
, queremos agradecer aos oito Monitores que trabalharam conosco em 2008, Daniel Ronconi, Bruno Melo Fernandes, Camila Ramalho, Ana Paula Freitas, Mara de Andrade Rufino, Gabriel Clemente Pereira, Guilherme Augusto Athayde e João Guilherme Vinagre, por sua participação responsável e motivada, demonstrando constante busca de aperfeiçoamento acadêmico e pessoal.

No que se refere a estes monitores de 2008, podemos dizer que a importância da Monitoria extrapolou o caráter de obtenção de um título. Sua importância foi mais além, seja no aspecto pessoal de ganho intelectual do Monitor, seja na contribuição dada por eles aos alunos assistidos e, principalmente, na relação de troca de conhecimentos durante o programa, com esta professora que, sem dúvida, aprendeu com eles. Queremos chamar atenção também para a integração do grupo e a harmonia da convivência neste ano. Por fim, ressaltamos a potencialidade de todos eles, a inteligência e o interesse acadêmico.

10 de maio de 2009

Projeto Continuum: Seleção 2009

INFORMAÇÕES SOBRE A SELEÇÃO 2009 PARA O PROJETO DE EXTENSÃO "CONTINUUM"Projeto Continuum (Ambulatório de Egressos de Internação da Clínica Médica do HULW/UFPB: Continuidade da Assistência ao paciente com Doença Crônica)
1- Inscrições: As inscrições para o projeto de extensão “Ambulatório de Egressos de Internação da Clínica Médica do HULW/UFPB: Continuidade da Assistência ao paciente com Doença Crônica” devem ser feitas na Assessoria de Extensão do Centro de Ciências Médicas da UFPB entre os dias 11 e 20 de maio de 2009.

2- Pré-requisito para inscrição:
Estudante cursando sétimo período ou mais da Graduação em Medicina da UFPB, campus I; os alunos extensionistas deste projeto em 2008 e que pretendem continuar também devem se inscrever no período acima.

3- Cronograma de provas e entrevista: As etapas da seleção serão realizadas nos dias 22, 26 e 27 de maio de 2009 conforme o seguinte cronograma:
a) Primeira fase: eliminatória - Prova 1 - escrita, de conhecimentos em Extensão Universitária e com base no o projeto Continuum (prova dissertativa) - Dia 22/05/2009 - 8h00 - Sala de Multimídia, quinto andar do HULW - será classificado um aluno
b) Segunda fase: classificatória - Prova 2 - escrita, de conhecimentos em clínica médica, objetiva (conteúdo descrito a seguir) - Dia 26/05/2009, a partir das 8h00 – serão classificados dois bolsistas
c) Terceira fase: classificatória - entrevista - Dia 27/05/2009, a partir das 8h00 – Sala de aula de Semiologia, quinto andar do HULW

4- Classificação:
- Eliminar-se-á o candidato que não obtiver nota igual ou superior a 7,0 (sete) na prova escrita 1;
- Entre os candidados novos aprovados, será convocado para a entrevista apenas o candidato classificado (uma vaga);
- Em caso de desistência do candidato classificado na prova 1, será chamado o candidato seguinte pela ordem de classificação, porém se esta vacância ocorrer após o dia 27 (turno da manhã), este novo aluno não poderá concorrer às bolsas, uma vez que a prova 2 já terá sido realizada.
- Em caso de empate, classifica-se o candidato que estiver cursando o período mais avançado na graduação;
- Durante a entrevista, verificar-se-á a disponibilidade de tempo do candidato para exercer a função no turno e horário; os bolsistas e os voluntários devem cumprir carga horária de 12 horas semanais no exercício da atividade extensionista, desenvolvidas, obrigatoriamente, em turno diverso daquele no qual o aluno estiver matriculado.
5- Programa para a prova escrita 2 (objetiva) para seleção dos bolsistas:- Hipertensão arterial sistêmica
- Diabetes mellitus
- Síndrome metabólica
- Doença renal crônica
- Tratamento da doença crônica
- Bases do atendimento ambulatorial
- Tratamento da doença crônica
6- Vagas:- Há uma vaga para novos extensionistas;
- A continuidade do extensionista no projeto pode ser revista para o semestre seguinte, desde que apresente desempenho satisfatório de acordo com as diretrizes institucionais;
- Cinco alunos participantes do projeto continuarão em atividade, e participarão da seleção para concorrer às duas bolsas do PROBEX, juntamente com o novo aluno classificado na prova 1.
Bibliografia sugerida:ADELMAN, A. M.; DALY, M. P.; WEISS, B. D. Geriatria: 20 problemas mais comuns. Rio de Janeiro: Revinter, 2004
BARROS, E. et al. Nefrologia: rotinas, diagnóstico e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2007
GOLDMAN, L. et al. CECIL: Tratado de Medicina Interna. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005
HARRISON, T. R.; FAUCI, A. HARRISON: Medicina Interna. Rio de Janeiro: Mc Graw Hill, 2008
DUNCAN, B.; SCHIMIDT, M. I.; GIUGLIANI, R. J. Medicina Ambulatorial: Conduta clínica em Atenção Primária. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004
LOPES, A. C.; WARD, L. S.; GUARIENTO, M. E. Medicina Ambulatorial. São Paulo: Atheneu, 2006
SCHOR, N.; AJZEN, H. Guia de Nefrologia. São Paulo: Manole, 2005

8 de maio de 2009

Seleção de Monitores para MCO2

INFORMAÇÕES SOBRE A SELEÇÃO 2009 PARA MONITORIA DE PESQUISA APLICADA À MEDICINA (MÓDULO MCO2)
1- Cronograma de provas: As provas de seleção para os candidatos inscritos para a monitoria de MCO2 serão realizadas no dia 13 de maio de 2009 conforme o seguinte cronograma: a) Prova escrita de conhecimentos em Bioestatística (prova de múltipla escolha) - Dia 13/05/2009 - 9h00 - Sala de Multimídia, quinto andar do HULW; b) Entrevista - Dia 13/05/2009, a partir das 14h00 – Sala de aula de Semiologia, quinto andar do HULW. 2- Pontuação e classificação: A pontuação será feita nas seguintes proporções, de acordo com a Resolução Nº 02/1996 (Programa de Monitoria para os Cursos de Graduação da UFPB):
- A classificação dos candidatos, até o limite do número de vagas do Módulo, será realizada de acordo com a ordem decrescente da média ponderada (M) entre a nota obtida na(s) prova(s) de seleção (N1), a nota obtida na disciplina (N2) e o Coeficiente de Rendimento Escolar (C), com pesos 3, 2 e 1 respectivamente, calculada conforme a seguinte expressão: M = 3N1 + 2N2 + C / 6 - Eliminar-se-á o candidato que não obtiver nota N1 igual ou superior a 7,0 (sete) na prova escrita; portanto, serão convocados para a entrevista apenas os candidatos que obtiverem nota igual ou superior a 7,0 (sete) nesta prova - Em caso de empate, classifica-se o candidato que obtiver a maior nota na prova escrita (N1); persistindo empate, a classificação será pela maior nota na disciplina; ainda se persistir empate, classifica-se o candidato que estiver cursando o período mais avançado na graduação.
3- Programa para a prova escrita: Modelos de pesquisa clínica. Problema de pesquisa e hipóteses. Teoria da amostragem. Análise descritiva dos dados. Curva normal e curva normal reduzida. Teste de Hipóteses. Sensibilidade, especificidade e curva ROC. Odds ratio e risco relativo. Análise crítica de trabalhos científicos 4- Vagas: duas vagas (um bolsista e um voluntário). 5- Bibliografia sugerida BERQUÓ, E. S.; SOUSA, J. M. P.; GOTLIEB, S. L. D. Bioestatística. São Paulo: EPU, 1981 COSTA, S. F. Introdução Ilustrada à Estatística. São Paulo: Harbra, 1998. CALEGARI-JACQUES, S.M. Bioestatística: princípios e aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003 DÓRIA-FILHO, U. Introdução à Bioestatística para simples mortais. São Paulo: Elsevier, 1999. FRIEDLANDER, M. R.; ARBUES-MOREIRA, M. T. Análise de um trabalho científico: um exercício. Rev. bras. enferm. 60 (5): 573-578, 2007 . JEKEL, J. F.; ELMORE, J. G.; KATZ, D. L. Epidemiologia, Bioestatística e Medicina Preventiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. Silva Filho, A. L. Como ler artigos científicos. Femina. 36 (4):199-200, 2008 SZCLO, M. Quality of scientific articles. Rev Saude Publica. 40 Spec no.:30-5, 2006 VAN WAY, C. W. Writing a scientific paper. Nutr Clin Pract. 22 (6): 636-40, 2007. VIEIRA, S.; WADA, R. Estatística: Introdução Ilustrada. São Paulo: Atlas, 1986

Seleção de Monitores de Semiologia Médica

INFORMAÇÕES SOBRE A SELEÇÃO 2009 PARA MONITORIA DE SEMIOLOGIA MÉDICA (MÓDULO MIV21)
1- Cronograma de provas: As provas de seleção para os candidatos inscritos para a monitoria de Semiologia Médica serão realizadas no dia 13 de maio de 2009 conforme o seguinte cronograma: a) Prova escrita de conhecimentos em Semiologia Médica (prova de múltipla escolha) - Dia 13/05/2009 - 9h00 - Sala de Multimídia, quinto andar do HULW; b) Entrevista e análise de currículo - Dia 13/05/2009, a partir das 14h00 – Sala de aula de Semiologia, quinto andar do HULW. 2- Pontuação e classificação: A pontuação será feita nas seguintes proporções, de acordo com a Resolução Nº 02/1996 (Programa de Monitoria para os Cursos de Graduação da UFPB): - A classificação dos candidatos, até o limite do número de vagas do Módulo, será realizada de acordo com a ordem decrescente da média ponderada (M) entre a nota obtida na(s) prova(s) de seleção (N1), a nota obtida na disciplina (N2) e o Coeficiente de Rendimento Escolar (C), com pesos 3, 2 e 1 respectivamente, calculada conforme a seguinte expressão: M = 3N1 + 2N2 + C / 6 - Eliminar-se-á o candidato que não obtiver nota N1 igual ou superior a 7,0 (sete) na prova escrita; portanto, serão convocados para a entrevista apenas os candidatos que obtiverem nota igual ou superior a 7,0 (sete) nesta prova - Em caso de empate, classifica-se o candidato que obtiver a maior nota na prova escrita (N1); persistindo empate, a classificação será pela maior nota na disciplina; ainda se persistir empate, classifica-se o candidato que estiver cursando o período mais avançado na graduação. 3- Programa para a prova escrita: será baseado no conteúdo programático do plano de ensino do módulo de Semiologia MIV21 (novo currículo). 4- Vagas: oito vagas (um bolsista e sete voluntários). 5- Entrevista: a entrevista será feita com a avaliação do curriculum vitae documentado revelando o interesse acadêmico do interessado e a verificação da disponibilidade de tempo para as atividades de monitoria do módulo; a pontuação do currículo será feita de acordo com os seguintes critérios: Monitoria em Semiologia Médica (oficial ou voluntária).............3,0 pontos/ano, máximo de 6,0 Monitoria em outras disciplinas (oficial ou voluntária)...............0,5 ponto/ano, máximo de 2,5 Iniciação Científica (PIBIC OU PIVIC).........................................1,0 ponto/ano, máximo de 3,0 Programa de Educação Tutorial (PET).........................................1,0 ponto/ano, máximo de 3,0 Extensão (bolsista ou voluntário)................................................1,0 ponto/ano, máximo de 3,0 Apresentação de trabalho em congresso.....................................0,2 ponto/cada, máximo de 2,0 Curso de curta duração (≥40 horas)............................................0,2 ponto/cada, máximo de 2,0 Estágio supervisionado fora da UFPB (CH 30 h/sem)/ano...........0,2 ponto/cada, máximo de 4,0 Resumos em congressos de iniciação à docência (ENID).............0,5 ponto/cada, máximo de 4,0 Resumos em congressos locais...................................................0,4 ponto/cada, máximo de 2,0 Resumos em congressos nacionais.............................................0,5 ponto/cada, máximo de 2,5 Resumos em congressos internacionais......................................1,5 ponto/cada, máximo de 3,0 Trabalhos completos em periódicos de circulação Nacional.......1,0 ponto/cada, sem limite Trabalho completo em periódico de circulação Internacional....2,0 ponto/cada, sem limite Premiação local..........................................................................0,5 ponto/cada, máximo de 2,0 Premiação nacional ou internacional..........................................1,0 ponto/cada, máximo de 2,0 6- Comissão de seleção: Participarão do processo de seleção dois professores do MIV21. 7- Bibliografia sugerida: BICKLEY, L. S, HOEKELMAN R. A. Bates: Propedêutica médica. 8a. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2005. EPSTEIN, O. et al. Exame clínico. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. LÓPEZ, M.; LAURENTYS-MEDEIROS, J. Semiologia Médica: as bases do diagnóstico clínico. 5a. ed. Rio de Janeiro: Livraria Atheneu Editora, 2004 PORTO, C. C. Semiologia médica. 4.ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2009. RAMOS JÚNIOR, J. Semiotécnica da Observação Clínica. 8a. ed, Rio de Janeiro: Ed. Sarvier, 2009. SWARTZ, M. H. Tratado de Semiologia Médica. 5ª Ed., Elsevier, 2004

Exercício de Anamnese na Enfermaria

Por Juliete Melo Diniz
Estudante de Semiologia Médica, quarto período de graduação em Medicina da UFPB
IDENTIFICACÃO: J. D. J. S., 49 anos, feminino, parda, casada, aposentada, nascida, residente e procedente de João Pessoa. QUEIXA PRINCIPAL: Dor na barriga há um mês. HISTÓRIA DA DOENCA ATUAL
Paciente relata que há cerca de três anos e seis meses começou a sentir uma dor associada a um tremor, ambos de baixa intensidade no hipocôndrio direito que se irradiava principalmente para o flanco direito, região epigástrica e hipocôndrio esquerdo.
Refere que o sintoma começou de forma gradual, de baixa frequência diária, sem apresentar nenhuma causa desencadeante aparente, sem periodicidade, e ocorrendo várias vezes ao dia ou nenhuma vez. Conta que com o aparecimento do sintoma recorreu ao PSF (paciente não lembra o nome), no entanto não foi encaminhada para um sistema de maior complexidade, nem foi estabelecida nenhuma medida terapêutica. Relata que após seis meses do aparecimento do sintoma mencionado também começou a sentir uma dor em queimação, intensa no hipocôndrio direito que se irradiava para região dorsal, tendo então recorrido ao Hospital Samaritano, onde foi internada e teve sua vesícula biliar operada (paciente não sabe o diagnóstico da patologia nem detalhes do procedimento realizado). Conta que após a cirurgia mencionada, continuou sentindo a dor associada a tremor, em crises, com maior freqüência, iniciadas de forma súbita ou por compressão, principalmente no hipocôndrio direito. Paciente não refere fatores de melhora e afirmou piora do sintoma quando fica sem evacuar durante vários dias decorrente a prisão de ventre (vide interrogatório sintomatológico). Nega outros sinais e sintomas associados. Relata que apesar da recorrência do sintoma, só buscou assistência médica porque a dor e o tremor aumentaram muito de intensidade e passou a ser associada a febre vespertina e calafrio noturno, há um mês, e icterícia há quinze dias, sendo então internada neste hospital no dia 30 de abril de 2009. A paciente permanece internada, queixando-se ainda de dor abdominal associada a tremor, no entanto os episódios febris e calafrios desapareceram e a icterícia reduziu. Relata não saber o diagnóstico, nem quais os exames foram realizados. Refere ansiar seu retorno para casa. INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO: · Sintomas Gerais: Refere ocorrência de febre vespertina, calafrios e sudorese noturnos, antes da internação neste hospital. Nega anorexia. Refere alteração de peso passando de 86kg para 72kg em um ano, afirmando ser decorrente da dieta que precisou ser modificada após as cirurgias que realizou (vide passado patológico). Queixa-se de cãibras nos membros inferiores. · Pele e fâneros: Refere prurido intenso em toda superfície corporal, iniciada após admissão hospitalar, e aparecimento subseqüente de lesões. Queixa-se de alteração na coloração (amarelada-icterícia) da pele, bem como de ressecamento da mesma. Refere que as unhas são de consistência mole e quebram-se constantemente. Contou que já apresentou alopecia (vide antepassados fisiológicos). · Cabeça e pescoço: Nega cefaléias, bem como dor, tumoração e limitação da movimentação do pescoço. · Olho: Nega dor ocular, diplopia, escotomas e secreção conjuntival. Queixou-se de diminuição da acuidade visual (miopia; ambos os olhos), fotofobia, lacrimejamento e eventualmente, visão turva. · Ouvido: Nega otalgia, otorréia e zumbidos. · Nariz, seios da face: Nega rinorréia, epistaxe, espirros freqüentes e algias faciais. Conta que possui sinusite não tratada. · Cavidade oral: Nega odinofagia, queimação e alteração de coloração da língua, odontalgia. Relata que há seis meses dois dentes tornaram-se enfraquecidos, e a mesma os extraiu ( com a mão), desencadeando uma gengivorragia e refere que o seu dentista afirmou que a raiz de um dos dentes ficou retida e precisa ser removida. Queixa-se que a mucosa oral está ressecada e nega ulcerações na mesma. · Mamas: Nega mastalgia, presença de nódulo palpáveis e eliminação de secreções. · Sistema cardiovascular: Nega ocorrência de palpitações, infarto, precordialgia, dispnéia e cianose. · Sistema respiratório: Nega dor torácica, chiado no tórax, rouquidão, hemoptise, tosse e expectoração. · Sistema Gastrintestinal: Nega disfagia, pirose, gastrite, hematêmese, cólica, intolerância alimentar, náusea e vômito. Refere empachamento freqüente e prisão de ventre iniciada há mais de cinco anos (não lembra quando), acompanhada de dor intensa e difusa no abdome, que piora com a alimentação.Afirmou que chega a ficar sem evacuar durante seis dias e sente dor durante o processo. Refere que normalmente as fezes são duras, de coloração marrom e em duas ocasiões, nos últimos quatro meses, foi acompanhada de sangue. Nega fezes com pus.Afirma prurido retal. · Sistema genito-urinário: Nega disúria, estrangúria, nictúria, polaciúria, incontinência urinária. Refere que o odor da urina é fétido e que apresentava logo quando foi admitida aqui neste serviço urina escura, que após medicação (não sabe qual) tornou-se amarela clara. Nega corrimento genital, mas refere prurido vaginal iniciado após admissão hospitalar e aparecimento subsequente de lesões. · Sistema musculoesquelético: Nega artralgia, rigidez matinal, deformidades. Refere lombalgia na porção lombar da coluna vertebral. Queixa-se de edema nos membros inferiores, associado a leve dificuldade de movimentação. · Sistema Hematopoiético: Nega palidez, tendências hemorrágicas e linfadenomegalia. · Metabolismo: Nega polidpsia, polifagia. Refere intolerância ao calor e nega ao frio. · Sistema Nervoso: Nega ocorrência de paresias, paralisias, parestesias, convulsões, tremores, ausências e perturbação da memória. · Psiquismo: Nega irritabilidade aumentada, perda de interesse no trabalho, sentimento de culpa, adinamia. Nega insônia, ansiedade e choro freqüente. ANTECEDENTES PESSOAIS FISIOLÓGICOS Relata que mãe não fez pré-natal, nem teve acompanhamento obstétrico. Afirma ter nascido à termo de parto eutócico, realizado em casa, sem complicações. Não recorda a época em que apareceu sua primeira e segunda dentições ou quando começou a falar, deambular e a controlar os esfíncteres. Afirma que sempre teve bom aproveitamento escolar. Refere não saber se durante a infância foi realizada vacinação (BCG, DPT e Anti-pólio) e nega realização de imunização na fase adulta (anti-tetânica, hepatite viral e gripe). Refere ter entrado na puberdade por volta dos 11 anos e ocorrência da menarca aos 12. Conta que o primeiro contato sexual foi aos 13 anos e que teve três parceiros.Nega uso de códon. Refere uma libido diminuída desde que fez a cirurgia da vesícula biliar (vide antepassados patológicos). Não disse a frequência com que tem relações sexuais e nega dispareunia. Conta que já esteve gestante cinco vezes, tendo quatro partos normais e o último cesáreo, tendo sido realizada laqueadura durante este. Nega abortamentos. Refere que durante o climatério teve sensação de calor extremo, irritação, ressecamento vaginal e alopecia. Afirma que teve a menopausa aos 47 anos. Não recorda como era seu ciclo menstrual anteriormente. ANTECEDENTES PESSOAIS PATOLÓGICOS Paciente refere que teve durante a infância sarampo e nega varicela, parotidite infecciosa, rubéola e coqueluche. Na fase adulta, nega ocorrência de tuberculose, febre reumática, cardiopatias e doenças sexualmente transmissíveis e refere ser portadora de diabetes mellitus, hipertensão arterial, asma brônquica e ter sido acometida por hepatite viral. Relata que há seis anos apresentava insônia, choro frequente e melancolia devido ao desaparecimento de um de seus filhos, e que melhorou com uso contínuo de antidepressivo. Nega hemotransfusões e alergias alimentares,ambientais e medicamentosas. Refere realização das seguintes cirurgias: remoção da vesícula biliar, em outro hospital há três anos; apendicectomia, no Hospital Samaritano (não lembra quando); remoção de cisto de ovário (não lembra quando, nem onde). Conta que já foi atropelada, caiu de ônibus em movimento e esteve envolvida em acidente motociclístico, sendo todas as vezes levada a um pronto socorro (não lembra as datas dos acidentes), onde refere ter ficado internada em todas as ocasiões, não sabendo, no entanto, os procedimentos realizados. Nega ocorrência de fraturas. Refere tomar bromazepam e imipramina, devido a depressão, há seis anos;insulina injetável duas ou três vezes por dia, desde que foi internada neste serviço, em substituição da metiformina que tomava há quatro anos, duas vezes por dia, devido a diabetes; uso de pomada para as lesões na pele, desde que foi internada; refere que faz uso de outras medicações, no entanto, não sabe quais são, nem sua posologia. ANTECEDENTES FAMILIARES Relata que a mãe faleceu aos 54 anos de idade e era portadora de diabetes e hipertensão arterial e o pai faleceu aos 76 anos de idade e era portador de hipertensão arterial. Refere possuir doze irmãos legítimos e não sabe se apresentam alguma patologia. Conta que teve cinco filhos, sendo que dois faleceram, um aos dois meses devido a problema gastrointestinal e outro aos 13 anos devido a aneurisma; tem uma filha de 16 anos que possui asma brônquica, um filho (não sabe a idade) desaparecido há seis anos com histórico de etilismo e uso de drogas e um filho de 32 anos sobre o qual não sabe informar a respeito de doenças. Também não sabe acerca de patologias apresentadas pelos avós paternos e maternos e netos. Nega ocorrência de acidente vascular encefálico, doenças coronarianas, morte súbita, câncer, tuberculose e problema mental na família. ANTECEDENTES SOCIAIS Refere morar em casa de alvenaria, com cinco cômodos, com mais uma pessoa.Relata presença fossa séptica, coleta de lixo e água tratada. Conta que já morou em casa de taipa e queixou-se que ambos os locais eram sujos. Afirma ter ensino médio completo e ter feito curso de auxiliar de enfermagem. Conta que começou a trabalhar aos treze anos em uma indústria de gazes, ainda enquanto estudava.Já trabalhou como auxiliar de enfermagem, mas foi afastada após as cirurgias.Atualmente é cantora evangélica e está aposentada. Refere que a renda mensal familiar é em torno de R$ 700,00. Conta que apresenta uma dieta rígida, evitando comer gordura,fritura e carboidratos em excesso, devido a diabetes,hipertensão e a cirurgia da vesícula biliar. Conta que dorme cerca de sete horas diariamente e parou de fazer exercícios físicos depois das operações. Refere ter boas relações interpessoais, e como lazer gosta de ir à Igreja Evangélica, assistir televisão e ouvir música. Nega contato com animais domésticos, triatomíneos e conta que costumava tomar banho em um rio próximo a sua casa, há três anos. Relata tabagismo, tendo começado a fumar aos oito anos e parado há sete anos, e fumava cerca de três carteiras de cigarro diariamente. Refere etilismo tendo começado a beber aos dezessete anos e parado há sete anos; bebia todos os tipos de bebida alcoólica, diariamente e não lembra a quantidade.

6 de maio de 2009

A comunicação não-verbal do paciente

Por Rodolfo Augusto Bacelar de Athayde Estudante do sétimo período de Medicina da UFPB, extensionista do Projeto Continuum (PROBEX/UFPB)
A comunicação humana é uma área de investigação muito complexa. Ela é processada através de dois níveis: o verbal e o não-verbal.

A comunicação não-verbal é a forma não discursiva que pode ser transmitida através do corpo. A comunicação verbal exterioriza o ser social, e a não-verbal, o ser psicológico, sendo sua principal função a demonstração dos sentimentos. Pode-se acreditar então que a importância das palavras em uma interação entre pessoas é apenas indireta e que as relações interpessoais são mais influenciadas por canais de comunicação não-verbais do que verbais.
Fica, então, evidente, que na relação médico-paciente os sinais não-verbais são de capital importância, principalmente, na medida em que contribuem de forma relevante para melhor percepção da situação daquele que procura ajuda. Dentre todas as vertentes de comunicação não verbal, destacamos a Cinésica (linguagem do corpo), que descreve as posições e a movimentação do corpo humano, e que possui significado na comunicação interpessoal em diferentes culturas.
A análise cinésica incide sobre todas as partes do corpo, ressaltando-se que a expressão facial e é bastante utilizada para demonstrar sentimentos. Neste contexto, a Cinésica faz parte da Semiótica, que significa a doutrina dos signos verbais ou não, corpóreos, histórico-culturais, humanos e naturais. Logo, aplicada à associação entre Cinésica e Semiologia na prática médica, esta linguagem interessa à Semiótica médica. Pode-se exemplificar como decodificações da linguagem cinésica do paciente as seguintes dimensões: (a) Distância corporal: É ao mesmo tempo espelho e mecanismo de regulação da relação médico-doente. Numa relação de confiança mútua é mais fácil aproximar-se de um paciente ou tocar nele. Uma aproximação significa um sinal para intensificação da relação. O médico deve averiguar se o doente aceita a aproximação. ou se ela está de acordo com a situação. (b) Postura: Certas posições do corpo, como o cruzamento das pernas ou dos braços, podem significar resistência ou defesa. Se não identificar a sua causa, o médico perderá informações importantes e é menos provável que o doente siga os seus conselhos. (c) Mímica: Muitos doentes avaliam a atenção que o médico lhes dá pela sua expressão facial. Então o médico deve ter muito cuidado com a sua mímica, que deve ser adaptada às necessidades de comunicação com o paciente. Pode-se detectar na mímica do paciente o seu desespero e insegurança. (d) Contato visual: Através do contato visual o médico pode informar o doente que está seguindo atentamente as suas explanações. No entanto, em certas situações o doente pode não suportar o contato visual, devido à excessiva proximidade que ele exige. O médico deve estar atento às tentativas de contato visual do paciente e deve também respeitar os momentos em que ele não o deseja. A interpretação dos silêncios e pausas também tem muito valor. No doente, a mudança de tema é sempre reconhecida por uma pausa, que deve ser respeitada pelo médico, a menos que seja exageradamente prolongada. Há silêncios que traduzem embaraço ou vergonha. Há também o silêncio do desinteresse agressivo e ostensivo e o que resulta de obstáculos à intervenção.
O oposto, o não saber ouvir, é um problema sério na comunicação. Ouvir atentamente requer uma concentração intensa na expressão do doente em todas as suas manifestações e nuances, procurando ler o significado de qualquer gesto ou movimento. Do exposto acima, depreende-se que não se deve esquecer que a abertura de uma canal de comunicação repercute nos dois lados, podendo haver um fenômeno de “espelhamento”, onde o paciente é um espelho do que recebe do médico, ou até mesmo situações consideradas iatrogênicas, quebrando o raciocínio de que no contexto da assistência à saúde do outro, toda comunicação verbal e não-verbal deve ser benéfica, efetiva e, se possível, terapêutica.
Portanto, é necessário que o médico treine sua capacidade de percepção, uma vez que a rotina e os pequenos problemas do dia a dia fazem com que o mesmo “olhe sem ver, escute sem ouvir e toque sem sentir”.
Para finalizar, seguem dois exemplos de situações onde a linguagem cinésica pode ser iatrogênica:
(a) Uma aluna da área de saúde, que estava acompanhando um estágio e foi fazer um curativo de paciente idosa que fraturou a cabeça do fêmur e colocou uma prótese. O local da lesão estava bastante edemaciado e avermelhado. Ao levantar-se o lençol expondo a ferida operatória, a aluna olhou para a ferida e fez uma cara de espanto evidente, o que levou a senhora a dizer: “Mas o que está acontecendo? Por que você está olhando desse jeito?” Ficou evidente que esta ficou com medo da aluna e da sua situação, ficando extremamente nervosa. [...] O não-verbal da aluna “falou tudo”: o quão grave estava aquela cicatrização, que não estava “bonita”. (b) Uma auxiliar de enfermagem foi realizar higiene íntima em uma paciente acamada, mas consciente, que havia evacuado. A expressão da auxiliar estava péssima, de descontentamento, asco, causando grande constrangimento na paciente. Com isso, a paciente se inibiu para pedir ajuda para sua higiene íntima, proporcionando o aparecimento de úlceras de decúbito, além do evidente prejuízo psicológico, com a diminuição da sua auto-estima.
Referências RODRIGUES, J.G. Obstáculos à comunicação médico-paciente. In: Parte I – Relação, Comunicação e Consulta - Relação e comunicação médico-paciente e médico-família, MGF, 2000. Acesso: 05 mai 2009. ARAUJO, M.M.T.; SILVA, M.J.P.; PUGGINA, A.C.G. A comunicação não-verbal enquanto fator iatrogênico. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, 41 (3): 419-425, 2007 .
CASTRO, R.B.R.; SILVA, M.J.P. A comunicação não-verbal nas interações enfermeiro-usuário em atendimentos de saúde mental. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, 9 (1): 80-87, 2001 .
SILVA, L.M.G. et al . Comunicação não-verbal: reflexões acerca da linguagem corporal. Rev. Latino-Am. Enfermagem , Ribeirão Preto, 8 (4): 52-58, 2000.
Crédito da imagem: a figura desta postagem foi retirada de http://www.selfhelpdevelopment.com/html/site/neuro_linguistic_programming.htm

2 de maio de 2009

Gripe Suína, ou melhor Influenza H1N1

Imagem de microscopia eletrônica do vírus da Influenza A: subtipo H1N1 (foto extraída de http://www.sciam.com/)
A influenza é conhecida do homem desde a Antiguidade. Relatos históricos indicam a incidência de doenças cujas características correspondem ao que agora se identifica como uma epidemia de gripe: aparecimento súbito de sintomas respiratórios altos, doença altamente contagiosa, e que dura alguns dias. Em resposta a sucessivas pandemias de gripe, vários cientistas passaram a estudar a etiologia da infecção já no século 19, tentando explicar a sua natureza.
A atual epidemia gripe suína (que esta semana passou a se chamar Gripe A ou Influenza H1N1) é uma forma de gripe aviária. Embora seja normalmente virulento apenas em suínos, pensa-se que o vírus Influenzae A H1N1 tenha sofrido mutações, com transmissão cruzada para o homem na primeira parte do século 20, causando a pandemia de Gripe Espanhola, com taxa de mortalidade mundial estimada em 50 milhões de pessoas.
Acredita-se que que estas mutações devem-se à recombinação do vírus influenza a partir de diferentes fontes. Um caso de gripe suína teria sido misturado com uma gripe que afeta seres humanos que, por sua vez, poderá criar uma nova cepa de vírus. Supõe-se que uma mudança antigênica geralmente ocorre após vários anos, após a população ter adquirido imunidade à cepa anterior. É comum um grande surto ocorrer após uma dessas mudanças, sendo ainda mais provável depois de uma dupla mutação porque os anticorpos na população seriam inúteis contra estas novas formas da doença (ENSERINK, 2005). Portanto, como todos os vírus influenza, o vírus muda constantemente e, ao longo dos anos diferentes variações do vírus da gripe suína têm surgido.
Os sintomas da Influenza H1N1 são como os de uma gripe comum, incluindo febre alta, tosse, dor de garganta, mialgias, cefaléia, calafrios e fadiga, e eventualmente, diarréia e vômitos BRAMMER et al., 2002). Tais sintomas definem um caso suspeito de influenza A (H1N1) quando ocorrem até 10 dias após o indivíduo sair de área afetada pela influenza A ou ter tido contato próximo nos últimos dez dias com pessoa classificada como caso suspeito de infecção humana pelo novo subtipo de influenza A.
O que se sabe sobre o H1N1? A Virologia é uma das disciplinas da área biológica que mais tem avançado. Sabe-se que os vírus influenza A são classificados de acordo com duas proteínas na superfície exterior do vírus - hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Foram descritos 146 tipos de vírus influenza. De todos estes, o H1N1 permanece o mais agressivo. Com o seu sequenciamento genético, foi possível determinar que ele passou diretamente de seu hospedeiro natural (as aves) para os seres humanos. O outro único tipo de influenza com essa característica é o H5N1, causador da gripe aviária, que em 2003, expressou-se como a Síndrome Respiratória Aguda Grave, causando cerca de 774 mortes em todo o mundo.
Não existe ainda muita informação disponível sobre os fatores genéticos e composição antigênica do vírus, mas para o Center of Disease Control (CDC, EUA), este contém material genético de suínos da América do Norte e os vírus da gripe aviária, vírus encontrados na Ásia e na Europa.
O vírus que está assustando todo o mundo é do subtipo H1. Mas um dos vírus influenza humana que circulam atualmente também é do subtipo H1 - o vírus H1N1 humano. Apesar de o vírus H1N1 suíno ser antigenicamente diferente do H1N1 humano, é possível que aqueles que foram infectados com a cepa humana poderiam estar parcialmente protegidos das cepa suína (COKER, 2009). Ou seja, essas pessoas poderiam apresentar um quadro menos grave da doença do que aquelas sem memória imunológica de um vírus H1. Mas não há evidências imunológicas que permitam avaliar esta possibilidade ainda.
Ainda como recorte histórico, na época da Gripe Espanhola, equívocos foram cometidos na tentativa de identificar o agente causador da pandemia. Segundo Souza (2008), em 22 de outubro de 1918, a primeira página do jornal Baiano "O Imparcial" (foto abaixo) relatou que o médico italiano R. Ciauri tinha descoberto o micróbio da gripe aviária. Após um inquérito realizado com pacientes portadores da doença, este pesquisador conseguiu isolar um bacilo bipolar que ele acreditava ser o agente específico da doença. À semelhança de outros investigadores, Ciauri pensava ter descoberto uma bactéria, e não um vírus. Imediatamente após a publicação desta notícia, o Diário da Bahia (23 de Outubro de 1918, p. 2) transcreveu um artigo do Dr. Nicolau Ciancio, que apontou os pontos fracos nessa descoberta, destacando a pequena quantidade de tempo em que Ciauri tinha levado para descobrir o agente específico da doença, tendo em conta as dificuldades inerentes a um processo de investigação neste âmbito.
Foto publicada no artigo de Souza (2008) enfocando o erro inicial de uma descoberta da suposta etiologia da Gripe Espanhola
Referências
BRAMMER, T. L. et al. Surveillance for influenza - United States, 1997-98, 1998-99, and 1999-00 seasons. MMWR Surveill Summ. 51 (7): 1-10, 2002.
COKER, R. Swine flu BMJ. 338: b1791, 2009.
ENSERINK, N. Infectious diseases. Experts dismiss pig flu scare as nonsense. Science. 307(5714): 1392, 2005. SOUZA, C. M. C. The Spanish flu epidemic: a challenge to Bahian medicine. Hist. cienc. saude-Manguinhos, 15 (4): 945-972, 2008.

29 de abril de 2009

Artigo científico: original x revisão

O estudo de Metodologia Científica é fundamental para o desenvolvimento do estudante de Medicina e, portanto, a compreensão do processo de pesquisa precisa fazer parte de sua formação. Um dos meios reconhecidos para aperfeiçoar o conhecimentos em pesquisa é a leitura crítica de artigos científicos.
No início deste semestre 2009.1, após a discussão sobre "Modelos de Pesquisa", a prática do Módulo de Pesquisa Aplicada à Medicina (MCO2) consistiu na busca pelos alunos de artigos científicos originais em bases de dados eletrônicas, escolhendo livremente uma das publicações de trabalhos de abordagem quantitativa, dentro dos modelos de pesquisa clínica e epidemiológica discutidos em sala.

O resultado desta busca por 42 dos 45 lunos da turma revelou a escolha das publicações, apresentadas na tabela abaixo (tabela 1) e classificadas de acordo com o tipo de trabalho publicado.

Tabela 1- Publicações científicas selecionadas sob a categoria de artigos originais de pesquisa clínica na busca realizada pelos alunos do módulo complementar obrigatório (MCO2) no semestre 2009.1 (n= 42) / CCM / UFPB

Verifica-se na tabela que 85,8% dos alunos selecionaram artigos originais de pesquisas quantitativas conforme solicitado no enunciado do exercício, indicando terem assimilado este conceito. Uma minoria escolheu artigos que não se enquadravam nesta categorização, ao selecionar artigos de revisão narrativa (3), pesquisas qualitativas (2), assim como um artigo de pesquisa pré-clínica. Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em sua NBR 6022/ 2003, artigo cientifico é "aquele que apresenta resultados de uma pesquisa, discute idéias, métodos, técnicas, relatos de experiência, estudos de caso etc.", e artigo original "relata trabalhos originais que envolvem abordagens teórico-práticas referentes a pesquisas, indicando resultados conclusivos e significativos".
Ainda conforme a ABNT, artigo de revisão "constitui um relato sobre o conhecimento explícito, disponível a respeito de determinado tema, mediante análise e interpretação da produção científica existente de informações já publicadas. Já o relato de caso clínico "divulga o conhecimento referente aos aspectos clínico-patológicos de um tema específico, bem como novas técnicas, terapias, diagnósticos, patologias".
Portanto, artigos originais e artigos de revisão são considerados artigos científicos.
Contudo, o estilo de uma revisão é menos padronizado, enquanto um artigo cientifíco original é bastante formulado, com a maioria das publicações seguindo o padrão sequencial convencional de Introdução-Métodos-Resultados-Discussão.
Em resumo, há dois tipos fundamentais de artigo científico: (a) Artigo original: utilizado para o relatório de pesquisa ou estudo de caso, de acordo com as diretrizes metodológicas da pesquisa científica - de forma interpretativa, argumentativa, dissertativa e apreciativa
(b) Artigo de revisão: um estudo sobre o determinado tema, resumindo informações já publicadas, com o propósito de estabelecer um debate entre os autores pesquisados e deles com o autor do artigo, para a identificação das posturas acadêmicas, assim como o quadro teórico, principalmente por meio de publicações periódicas científicas e especializadas, objetivando identificar o grau de profundidade dos estudos desenvolvidos até o mesmo sobre o assunto (ABNT, NBR 6022, 2003).
Portanto, os artigos originais contem pesquisas primárias, em que seus resultados são originados a partir da análise direta dos indivíduos estudados. São classificados de acordo com a categoria em pesquisas sobre: etiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção, prognóstico, fatores de risco. Os principais modelos de pesquisa correspondentes serão, respectivamente, coorte, transversal de acurácia, experimental, caso-controle.
É importante salientar que as revisões podem ser de dois tipos. As revisões sistemáticas e as revisões narrativas. As revisões sistemáticas constituem artigos com dados secundários, que agrupam os resultados de estudos primários para sua análise, e tem a capacidade de avaliar os estudos primários e podem chegar a resultados que os estudos individualmente não conseguiram alcançar. Alguns consideram que os trabalhos de revisão sistemática são trabalhos originais, pois, além de utilizar como fonte dados a literatura sobre determinado tema, são elaborados com rigor metodológico (ROTHER, 2007). Desse modo, a revisão sistemática, ao utilizar uma metodologia reprodutível, portanto, científica, diferindo da revisão narrativa, deveria ser considerada como um trabalho original. Contudo, levando em conta que os dados da revisão sistemática são secundários, este tipo de publicação constitui ainda um artigo de revisão, embora seja uma evidência científica muito valorizada.
Um artigo de revisão narrativa é constituído de introdução, desenvolvimento (texto dividido em seções definidas pelo autor com títulos e subtítulos de acordo com as abordagens do assunto), comentários e referências. Este tipo de revisão é considerado tendencioso e inconclusivo, e o método de busca bibliográfica utilizado e seleção dos estudos não são padronizados e explicitados (SANTOS et al., 2007). Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e Documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. ROTHER, E. T. Revisão sistemática X revisão narrativa. Acta paul. enferm. 20 (2): v-vi, 2007 . SANTOS, C. M.; PIMENTA, C.; NOBRE, M. R. A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 15 (3): 508-511, 2007.

28 de abril de 2009

Primeira Anamnese, Ótimo Começo

Primeira anamnese realizada por Stephanie Galiza Dantas, estudante do quarto período de Medicina do Centro de Ciências Médicas da UFPB: Um ótimo começo!

1. IDENTIFICAÇÃO: A. L. S., feminina, parda, 44 anos, casada, natural e procedente de João Pessoa-PB, empregada doméstica, internada em um hospital universitário. 
2. QUEIXA PRINCIPAL E DURAÇÃO: Dor nas costas há 2 meses. 
3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL: Paciente refere que, há dois meses, sente dor nas costas (região vertebral), na altura das vértebras torácicas, que se irradia para a região interescapulovertebral, escapular e infra-escapular de ambos os lados, até o tórax, anteriormente, de início insidioso, sem estar relacionada a nenhum fator desencadeante específico, de curso contínuo. A dor piora com o movimento, na posição deitada e sentada, sendo aliviada na posição em pé. A paciente caracteriza a dor como uma “dor muscular” e de forte intensidade, tendo uma vez passado dois dias sentada, impossibilitada de se erguer do assento devido à intensidade da dor. Associada à dor, relata tosse, inicialmente seca e tornando-se produtiva posteriormente.
Fez uso de xarope expectorante durante alguns dias (não soube especificar quantos), com melhora sintomática da tosse, e azitromicina 500 mg, durante sete dias, sem melhora do quadro sintomático, e nistatina para tratamento de ulcerações na mucosa oral, além de vários analgésicos, com remissão parcial da dor.
A paciente relata que, desde sua internação, a dor nas costas vem melhorando devido ao uso de analgésicos, porém sem remissão completa e permanecendo no mesmo local, com igual intensidade e caráter, tão logo passam os efeitos das medicações.
Relata que a dor não teve interferência na sua alimentação, embora tenha prejudicado: seu sono, tendo reduzido a quantidade de horas diárias; seu trabalho, por estar impossibilitada de exercer sua profissão; seu lazer e atividades sociais, pois é obrigada a ficar em repouso.
A paciente refere tristeza pela impossibilidade de exercer suas atividades habituais, contudo demonstra estado anímico satisfatório, sem sintomas depressivos.
Na ocasião de sua internação, foram solicitados exames de raios-X de tórax, hemograma, urocultura, ecocardiograma e tomografia computadorizada. Até o presente momento, os resultados destes exames não foram recebidos. Há menos de dois meses realizou ultra-sonografia do tórax, raios-X de pulmão, da coluna e da face, todos com resultados normais.
4. INTERROGATÓRIO SISTEMÁTICO: 
4.1- Sintomas Gerais: Paciente refere perda de peso há cerca de um ano, embora não se queixe de inapetência. Relata ter tido febre há duas semanas, durante 3 dias, devido a um resfriado. Nega calafrios, sudorese noturna e anorexia, porém refere astenia (não soube determinar a duração, mas afirma que teve início antes da dor nas costas). 
4.2- Pele e fâneros: Refere prurido no corpo inteiro há dois anos, de ocorrência esporádica e origem medicamentosa; refere alopecia e manchas no rosto, devido ao uso de medicamentos (que medicamentos?), e icterícia leve; nega lesões cutâneas e anormalidades dos pêlos. 
4.3- Cabeça e pescoço: nega cervicalgia, cefaleia, limitações da movimentação do pescoço e tumorações cervicais. 
4.4- Olhos: Refere diminuição da acuidade visual desde que iniciou tratamento com Azatioprina; fotofobia; lacrimejamento esporádico; visão turva. Nega dor ocular, diplopia, secreção conjuntival e escotomas visuais. 
4.5- Ouvido, Nariz e Seios da Face: Refere ter ouvido zumbidos, após a descoberta de anemia hemolítica, por duas vezes, a última delas há alguns dias, e estando relacionado a momentos de acentuada debilidade física; um episódio de epistaxe há 2 meses; obstrução nasal esporádica devido à sinusite; gota pós nasal, desde o início da tosse; teve algias faciais há alguns dias, relacionada à sinusite. Nega otalgia, otorréia, rinorréia, espirros frequentes e congestão periorbitária. 
4.6- Cavidade Oral: Nega odontalgia, gengivorragia, queimação ou ardência na língua e odinofagia. Refere ulcerações na mucosa, cujo último episódio ocorreu há alguns dias e está sendo tratado (vide HDA). 
4.7- Mamas: Nega mastalgia, descarga mamilar e nódulos palpáveis. 
4.8- Respiratório: Refere tosse há 2 meses; expectoração amarelada, em pequena quantidade, há 2 meses, com dor torácica e chiado no tórax (quando da expectoração). Nega rouquidão e hemoptise. 
4.9- Cardiovascular: Refere palpitações e dispnéia associada às palpitações; edema periorbitário e de extremidades; cianose de extremidades; veias varicosas nos membros inferiores e pés, em pequena quantidade; claudicação intermitente esporádica (não soube informar especificamente há quanto tempo tem os referidos sintomas, mas sugeriu que os mesmos ocorrem há alguns anos). Nega precordialgia, síncope e úlceras de perna. 
4.10- Gastrintestinal: Refere epigastralgia há 2 meses; icterícia (devido à anemia hemolítica); dor e prurido retal há 2 meses. Nega disfagia, pirose, intolerância alimentar, dor abdominal, eructações, empachamento, cólicas, náuseas e vômitos, hematêmese, tenesmo evacuatório e enterorragia. Intestino lento, evacua de 2 em 2 ou de 3 em 3 dias, porém é bastante variável, podendo ocorrer evacuações em intervalos maiores. Fezes de cor e consistências normais, sem presença de sangue, muco e/ou pus. 
4.11- Urinário: Relata polaciúria e nictúria (duração duvidosa, mas sugeriu sugeriu que ocorrem há alguns anos), mas nega disúria, estrangúria, oligúria, poliúria, alterações de cor e odor da urina, incontinência urinária de esforço e eliminação de cálculos durante a micção.
4.12- Genital:Refere leucorréia prurido vulvovaginal, tendo realizado tratamentos para ambos no início do ano; relata dor pélvica esporádica do lado direito. Nega sangramento intermenstrual e dispareunia. 
4.13- Osteoarticular: Refere artralgias, rigidez matinal, edema articular, todos com início desde que começou a tratar-se de anemia hemolítica, em 1997. Relata ter sentido lombalgia há alguns meses. Nega deformidades articulares. 
4.14- Hematopoiético: Relata palidez desde quando iniciou o tratamento de anemia hemolítica, em 1997. Refere um episódio hemorrágico há 3 meses. Nega linfadenomegalias. 4.15- Endócrino: Afirma sentir polifagia e polidipsia há alguns anos. Nega intolerância ao calor, poliúria e hirsutismo. 
4.16- Nervoso: Refere parestesias nas extremidades (não soube determinar há quanto tempo), tremores e perturbação de memória há alguns meses. Nega paresias, paralisias, atrofias musculares, convulsões e ausências. 
4.17- Psiquismo: Afirma ter insônia que se agravou há 2 meses, desde o início da “dor nas costas”; relata nervosismo, estresse, ansiedade, perda de interesse e prazer no trabalho e no lazer e prostração, todos com duração aproximada de 2 meses. 
5- ANTECEDENTES PESSOAIS FISIOLÓGICOS: Paciente cuja gestação transcorreu sem anormalidades, sem pré-natal, nascida de parto eutócico, transvaginal, a termo e sem assistência obstétrica. Desenvolvimento neuropsicomotor dentro da normalidade. Relata que sua escolaridade teve início em 2000 (supletivo). Paciente não sabe determinar se realizou as imunizações na infância. Na idade adulta, refere haver tomado vacina anti-tetânica, mas nega hepatite viral e gripe. Refere menarca aos 14 anos e primeiro contato sexual aos 16 anos. Teve 3 parceiros sexuais, não tem relações sexuais no momento, ausência de libido, afirma ter usado preservativo na maioria de suas relações sexuais. Período menstrual 8/30; refere um episódio de menorragia há 3 meses; última menstruação em 06/04/2009; Para 5 gesta 5, 4 normais e 1 cesáreo. Afirma fazer Papanicolaou e auto-exame mensal das mamas. Entretanto, nunca fez mamografia. 
 6- ANTECEDENTES PESSOAIS PATOLÓGICOS: Doenças da infância: refere sarampo aos 2 anos e coqueluche aos 6 meses. Nega varicela, parotidite infecciosa e rubéola. Doenças na fase adulta: nega tuberculose, DST, AIDS, hepatite viral, epilepsia, Diabetes mellitus, hipertensão arterial, cardiopatias, febre reumática, asma brônquica e abortamentos. Relata alergia apenas à poeira (sinusite). Afirma ter realizado colecistectomia em 1997, no Hospital Edson Ramalho, que, segundo a paciente, resultou num quadro de anemia hemolítica. Refere, também, um parto cesáreo, em 1988. Foi hospitalizada por 2 vezes: a primeira em 1996, no Hospital Edson Ramalho, devido à “crise de vesícula”; a segunda em 2005, no mesmo hospital, em decorrência de complicações da anemia hemolítica, ocasião em que foi submetida a uma hemotransfusão. Medicações de uso contínuo: vide HDA. 
 7- ANTECEDENTES FAMILIARES: Possui quatro filhos, o mais velho com 25 anos e o mais novo com 20 anos, todos saudáveis, exceto um deles, que possui epilepsia. Cônjuge de 64 anos possui cardiopatia chagásica crônica, apresentando cardiomegalia. Paciente afirma que o nervosismo do marido, devido à doença, interfere no seu estado emocional. Nega alguma tendência familiar para doenças específicas. Irmão possui HAS, mãe faleceu de câncer de útero, etilismo em vários membros da família (mãe, irmã, irmão). Nega casos na família de diabetes mellitus, acidente vascular encefálico, doenças coronarianas, morte súbita, tuberculose, asma brônquica e doenças mentais. 
 8- ANTECEDENTES SOCIAIS: Reside em casa de alvenaria, com cinco cômodos, onde moram outras 3 pessoas. Há saneamento básico, tratamento da água e coleta de lixo. Nega ter morado em locais prejudiciais à saúde. Relata ter uma alimentação equilibrada com ingestão de carne, leite, ovos, cereais, hortaliças e frutas. Adota uma dieta rica em ferro, conforme orientação médica. Ingere vários copos de água por dia, mas não soube especificar quantos. Possui ensino fundamental completo em curso supletivo; sempre trabalhou como empregada doméstica (diarista), sem horário de trabalho fixo; afirma ter um bom ajustamento profissional. Católica, sem problemas de relacionamento familiares, possui muitos amigos, no entanto relata sentir solidão algumas vezes desde o inicio da alteração do seu estado de saúde. Nega qualquer tipo de ressentimento. Sua maior preocupação atual consiste em obter a cura completa da sua doença e restabelecer sua saúde. Refere que a dor é o motivo que lhe causava, e ainda causa, maior grau de estresse desde antes de sua internação no HU. Nega algum fator estressante agudo ou crônico na sua família ou no seu meio; nega perdas importantes; revela sentir-se completamente realizada; nega qualquer expectativa frustrada. Foi tabagista por vários anos, tendo parado de fumar há 10 anos, consumia, juntamente com o marido, cerca de três carteiras por dia. Nega etilismo, uso de drogas, contato com o triatomíneo, contato com animais domésticos recente. É sedentária, tem sono comprometido devido à “dor nas costas”, dorme cerca de 2 ou 3 horas por dia.
Seu lazer é vender guloseimas em um “fiteiro” que possui em frente à sua casa.
Nega viagens a zonas endêmicas.

Crédito da imagem: A figura desta postagem foi copiada de www.pain-free.eu/Back%20Pain

24 de abril de 2009

Estudantes Extensionistas avaliam o Projeto Continuum

Projeto Continuum de Extensão (PROBEX/UFPB) em 2008

O Projeto de Extensão Continuum (PROBEX/UFPB) resultou da busca para superar a ausência de um programa de continuidade de assistência clínica ao paciente portador de doença crônica egresso da internação nas enfermarias de clínica médica do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). Esses pacientes necessitam de continuidade dos cuidados clínicos após a hospitalização, o que constitui um aspecto geralmente negligenciado na prática hospitalar de muitas instituições.

Nesse sentido, em virtude da elevada prevalência de doenças crônicas nas enfermarias de clínica médica, sobretudo hipertensão arterial, diabetes mellitus e doença renal crônica, e do alto índice de novas internações dos pacientes afetados, a principal meta do Projeto foi a redução da morbimortalidade dos pacientes afetados. Evidentemente esta meta só poderá ser conseguida em longo prazo. Em curto prazo, o alvo desse trabalho é a melhora do atendimento e a obtenção de um adequado controle clínico desses pacientes e, em médio prazo, a redução da incidência de reinternações e de complicações da enfermidade crônica.

As principais ações deste Projeto consistem no desenvolvimento de processos assistenciais e metodologias de trabalho que permitam reavaliar periodicamente os pacientes egressos de internações clínicas do HULW, visando à redução de novas internações, assim como à adequação do seu controle terapêutico. Paralelamente, executa-se um processo educativo sobre o manejo domiciliar cotidiano das doenças crônicas (sobretudo hipertensão, diabetes mellitus e doença renal crônica), de forma integrada ao atendimento ambulatorial, por meio de orientações sistemáticas aos pacientes pelos estudantes extensionistas.

Ao final da vigência da primeira fase, os sete estudantes extensionistas que participaram desta primeira edição do Projeto preencheram um questionário elaborado para coleta de dados sobre o funcionamento e cumprimento dos objetivos e metas durante a sua execução entre junho e dezembro de 2008, assim como responderam a questões auto-avaliativas.

Os resultados da avaliação pelos estudantes extensionistas encontram-se nas tabelas 1 e 2. A tabela 1 mostra os dados da auto-avaliação dos estudantes. A tabela 2 demonstra a avaliação que os estudantes fizeram do projeto ao final da sua primeira edição.

Tabela 1- Auto-avaliação dos estudantes extensionistas na primeira fase do Projeto Continuum(n=7)

Tabela 2- Avaliação da execução do Projeto Continuum pelos estudantes extensionistas na primeira fase (n=7)

Observando a tabela 1, evidencia-se que a grande maioria dos estudantes considerou que não possuía a formação necessária (clínica) para o acompanhamento das atividades do projeto. Isso deve ter decorrido do fato de que apenas dois dos extensionistas cursavam fases mais avançadas da graduação, mas o pré-requisito para ingressar no Projeto nesta primeira fase foi ter cumprido o quarto período de Medicina (Semiologia Médica).

Contudo, de modo geral, a maioria avaliou positivamente sua participação quanto ao cumprimento de suas funções no trabalho e a contribuição do projeto no seu desenvolvimento, indicando o esforço para acompanhar o andamento do trabalho. Este aspecto, entretanto, deve ser revisto na próxima seleção do Projeto, estipulando-se um momento mais adiantado na graduação como requisito para ingresso.

Esses resultados indicam que essa auto-avaliação constituiu-se numa autocrítica pelos estudantes quanto ao seu próprio desempenho, centrando-se numa reflexão em que constou a contextualização do Projeto, às suas condições de produção e de seu desenvolvimento, assim como da própria condução do projeto nesse processo, devendo servir para diagnosticar o momento analisado e estimular a participação dos extensionistas na condução de novos sentidos para a continuidade do Projeto.

Os resultados da tabela 2 demostram que os estudantes conheciam os objetivos do projeto, tomaram conhecimento do plano de trabalho a cumprir, assim como que os objetivos do projeto foram alcançados. Verificou-se que os estudantes perceberam que os pacientes atendidos foram beneficiados e que o projeto atingiu o público que pretendia. Eles consideraram que o gerenciamento do projeto foi satisfatório.

Por outro lado, os estudantes consideraram que infra-estrutura do atendimento ambulatorial foi inadequada. Este aspecto deve-se à falta de um local próprio para o funcionamento do ambulatório, uma vez que se utilizam duas salas do setor do Ambulatório de Endocrinologia do HULW.

Cerca de metade os estudantes considerou que o projeto teve uma interdisciplinaridade “parcial” em sua execução e que este gerou produtos “parcialmente”. Contudo, havia participação de duas especialistas em diferentes áreas (Nefrologia e Endocrinologia) e de uma assistente social. Pode-se interpretar este achado como a opinião de que houve multidisciplinaridade (embora de poucos profissionais de diferentes áreas), porém não chegou a haver uma troca suficiente de informações e de integração de ações dos diferentes campos.

Em uma atividade de extensão com vistas na atividade interdisciplinar espera-se que esta integração ocorra por parte de todos os envolvidos (professores e alunos), mas não é tão simples como parece, porque há uma certa dificuldade em se trabalhar desta forma, como por exemplo, o não entendimento de uma proposta interdisciplinar parece ser uma das barreiras, já que existem definições teóricas conceituais sobre inter e multidisciplinaridade com variações sutis, mas com relevantes distorções na prática (BATISTA, 2006).

Quanto à geração de produtos, verificou-se que quase 50% dos estudantes não consideraram suficientes os produtos gerados pelo projeto. Publicou-se um artigo e elaboraram-se outros dois a serem submetidos brevemente à publicação. Elaboraram-se também quatro protocolos clínicos de
conduta, entre outros produtos, o que será objeto de outra postagem oportunamente.

O acompanhamento ambulatorial contínuo neste Projeto alcançou seus objetivos em curto prazo, mantendo os pacientes compensados clinicamente por meio de medidas educativas e farmacológicas. A
gora, programam-se as metas a serem atingidas em médio prazo, com a solicitação de renovação do projeto submetida em 22 de abril último.

A dimensão do ensino em relação aos alunos participantes do Projeto Continuum também representou um componente positivo. Nesse processo de compreensão da condição crônica, os alunos extensionistas tiveram oportunidade de reconhecer o diabetes mellitus, a hipertensão arterial e a doença renal crônica como um problema de saúde pública no contexto das doenças crônicas e ampliar sua compreensão da atenção a esses pacientes.

Foi possível verificar que os alunos tiveram a oportunidade de perceber que para cuidar de pessoas com doenças crônicas é necessário mais do que conhecimentos sobre os aspectos biomédicos, destacando-se a importância de compreender como a doença crônica afeta a vida dessas pessoas.

Referências
BATISTA, S. H. S. A interdisciplinaridade no ensino médico. Rev. bras. educ. med. 30 (1): 39-46, 2006.