30 de julho de 2014

Orientação Geral para Registro do Exame Físico

Os alunos de Semiologia Médica geralmente comentam que gostariam de saber como registrar o exame físico dos pacientes nesta fase da graduação em que sua vivência prática ainda é incipiente.
Segue um roteiro que pode ajudá-los neste momento de iniciação à clínica, considerando o exame normal.

EXAME FÍSICO

1- Ectoscopia
Sinais vitais:
P- 88 bpm (normoesfígmico); PA- 120/80 mmHg (normotenso); T- 37oC (afebril); FR- 16 irpm (eupnéico).
Medidas antropométricas:
Peso- 53,4 kg; estatura- 1,60 cm; IMC- 20,8 kg/m2 (estado nutricional normal)                 
Paciente em bom estado geral; consciente e orientado; eupnéico, acianótico, anictérico e afebril; fácies incaracterística; postura indiferente; marcha normal; biotipo normolíneo; mucosas normocoradas e úmidas; pele de turgor e elasticidade conservados, coloração, textura, temperatura e umidade cutâneas normais; ausência de lesões de pele; pêlos em quantidade e distribuição compatíveis com idade e sexo; unhas de forma, brilho, cor, superfície e coloração normais; panículo adiposo conservado e distribuído em padrão compatível com idade e sexo; ausência de edema subcutâneo; linfonodos superficiais não palpáveis; musculatura normotrófica; ausência de deformidades osteoarticulares; linfonodos superficiais não palpáveis; extremidades com coloração, temperatura e perfusão preservadas, sem dilatações de veias superficiais.

2- Cabeça e pescoço
Cabeça em posição ortostática, sem movimentos anormais, ausência de abaulamentos ou depressões, couro cabeludo sem lesões, cabelos de implantação, quantidade e distribuição normais, ausência de pontos dolorosos. Face simétrica, expressão fisionômica aparentemente tranquila. Exame das estruturas externas do olho sem alterações, ouvido externo sem evidência de lesões ou secreção local, nariz sem deformidades ou secreções, ausência de dor à palpação dos seios da face. Lábios sem alterações, mucosa oral, orofaringe, língua e gengivas sem lesões, dentes em bom estado de conservação.
Pescoço com forma e posição normais, movimentação preservada, sem adenomegalias ou outras tumorações, tiroide não palpável.
3- Exame do tórax
Cardiovascular
Inspeção: Ausência de turgência jugular e batimentos arteriais anormais na região cervical; ausência de abaulamentos ou retrações precordiais; íctus cordis (visível?, não-visível?)
Palpação: precórdio sem frêmitos ou bulhas palpáveis; ictus cordis (não palpável? Palpável? Se palpável: registrar - quinto espaço intercostal esquerdo, linha hemiclavicular, ocupando uma polpa digital, com amplitude e mobilidade normais). Pulsos periféricos (carotídeos, axilares, braquiais, radiais, femorais, poplíteos, tibiais e pediosos) palpáveis e simétricos.
Ausculta: ritmo cardíaco regular (em 2 tempos); bulhas normofonéticas; ausência de sopros; FC=80bpm.
Ausência de sopros carotídeos.
Respiratório
Inspeção: tórax de conformação normal, sem abaulamentos e retrações; ausência de circulação colateral e cicatrizes; tipo respiratório tóraco-abdominal; ritmo regular; ausência de tiragens; expansibilidade torácica conservada.
Palpação: ausência de pontos dolorosos no tórax; sem frêmitos anormais (pleural e brônquico); expansibilidade conservada bilateralmente em projeção de ápices e bases; frêmito toracovocal normal e simétrico.
Percussão: som claro pulmonar.
Ausculta: murmúrio vesicular presente e simétrico, ausência de ruídos adventícios.
4- Exame do abdome
Inspeção: abdome plano e simétrico; ausência de cicatrizes, circulação colateral, pulsações anormais e movimentos peristáticos visíveis; cicatriz umbilical mediana e retraída.
Ausculta: ruídos hidroaéreos presentes e normoativos; ausência de sopro abdominais.
Palpação: abdome flácido e indolor à palpação superficial e profunda; ausência de tumorações de parede abdominal; ausência de tumorações intra-abdominais, fígado e baço não palpáveis; sinais de Murphy e Blumberg negativos.
Percussão: timpanismo abdominal difusamente distribuído; espaço de Traube timpânico; sinal de piparote e macicez móvel ausentes (pesquisar em caso de abdome de formato globoso na prática clínica, mas aqui em Semiologia assinalar em todos os exames do abdome), percussão limitante do fígado evidencia macicez de 6 cm (linha axilar média).
Exame Urinário
Inspeção: ausência de abaulamentos no abdome superior, hipogástrio e região lombar bilateralmente.
Palpação: rins não palpáveis. Bexiga não palpável.
Punho-percussão lombar: Sinal de Giordano negativo bilateralmente.
Ausculta: Ausência de sopros em abdome superior e posterior correspondente à projeção dos rins.

5- Exame Osteoarticular
- Exame de articulações periféricas
Inspeção: pequenas e grandes articulações homólogas sem assimetrias; ausência de edema, eritema e deformidades articulares
Palpação: ausência de calor e dor; ausência de crepitação à movimentação articular
Movimentação ativa e passiva: ausência de limitações funcionais e dor à movimentação de ombros (abdução, adução, flexão, retropulsão, rotações interna e externa), antebraços (prono-supinação), cotovelos (flexão e extensão), punhos (flexão dorsal e palmar), mãos (flexão e hiperextensão de metacarpofalangeanas, interfalangeanas proximais e distais), coxofemorais (Manobra de Fabere), joelhos (flexão e extensão), tornozelos (flexão dorsal e plantar, eversão e inversão), pés (flexão e extensão das metatarsofalangeanas e pododáctilos).
     - Exame da coluna vertebral:
Inspeção: Ausência de desvios patológicos à inspeção lateral e posterior da coluna, incluindo inspeção com a manobra de Adams; altura dos ombros simétrica e ausência de proeminência das escápulas;
Palpação: Ausência de pontos dolorosos à palpação das apófises espinhosas e da musculatura paravertebral das regiões cervical, dorsal e lombar;
Avaliação dos movimentos: ausência de limitações funcionais à movimentação ativa (extensão, flexão, movimentos de lateralização e rotação);
Manobra de Lasègue negativa. 

24 de julho de 2014

Sinais e Sintomas Demenciais - Parte 2

Por Daniel Idelfonso Dantas
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
Os sinais e sintomas demenciais fazem parte de uma síndrome clínica caracterizada por comprometimento progressivo dos processos psíquicos, cognitivos e afetivos, e com interferência nas atividades sociais e ocupacionais. Acomete principalmente pessoas idosas, que apresentam perda da memória, confusão mental, dificuldade em aprender novas informações, insônia, irritabilidade e alterações do comportamento. Contudo, estes sintomas e sinais demenciais não fazem parte do envelhecimento normal. Os sintomas demenciais iniciais variam, mas a perda de memória em curto prazo costuma ser a característica fundamental e a que traz o paciente ou sua família à consulta médica. A causa mais comum da sintomatologia demencial é a demência do tipo Alzheimer, que apresenta progressão gradual.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer. Transtornos da Memória. Sinais e Sintomas.

O termo "demencial" refere-se a demência que, etimologicamente, deriva da palavra dementia, “privação da mente”. Trata-se de uma síndrome clínica caracterizada pelo comprometimento das habilidades intelectuais, com interferência nas atividades sociais e ocupacionais. Há um empobrecimento e uma simplificação progressiva dos processos psíquicos, cognitivos e afetivos. As funções cognitivas prejudicadas incluem a inteligência geral, a percepção, a atenção e a concentração, o julgamento, as habilidades sociais e, em certos casos, a personalidade. A doença chega à fase terminal depois de um período de dois a dez anos de evolução (SADOCK, 2007).
Os sinais e sintomas demenciais acometem geralmente pessoas idosas, porém não fazem parte do envelhecimento normal. A maioria dos idosos não fica demente. A prevalência  cresce exponencialmente de 2% entre pessoas com 65 anos de idade para 20 a 40% entre aqueles com 80 anos ou mais (JACOBSON, 1997). O tipo mais comum é a demência do tipo Alzheimer que apresenta progressão gradual, mas estável. Os fatores de risco incluem ser do sexo feminino, ter parente em primeiro grau com o transtorno e apresentar história de lesão na cabeça. O segundo tipo mais comum de demência é a vascular, que tem relação causal com doenças cerebrovasculares. A hipertensão predispõe a pessoa à síndrome, e explica de 15 a 30% de todos os casos de demência, sendo mais comum em indivíduos entre as idades de 60 e 70 anos, com maior recorrência entre homens do que entre mulheres. Outras causas comuns da demência, cada uma representando de 1 a 5% de todos os casos, incluem traumatismo craniano, demências relacionadas ao álcool, deficiências vitamínicas, infecções do sistema nervoso central, endocrinopatias e causas metabólicas, além de serem associadas a transtornos do movimento, como na coréia de Huntington e na doença de Parkinson (DALGALARRONDO, 2000).
Déficits de memória estão sempre presentes entre pacientes com demência. Dificuldades para aprender novas informações são particularmente proeminentes e podem ser a alteração mais óbvia em casos leves. Em consequência, o indivíduo passa a ter problemas para lembrar-se de onde deixou certos objetos (por exemplo, carteira com documentos e dinheiro) e a repetir perguntas ou contar a mesma história inúmeras vezes. Com a progressão da doença, memórias mais antigas (por exemplo, eventos ocorridos no passado) podem desaparecer, e a pessoa apresenta dificuldades para reconhecer familiares e, por vezes, a si mesma.
O envelhecimento não está necessariamente associado a declínio cognitivo significativo, mas podem ocorrer problemas menores de memória como parte do envelhecimento normal. Essas ocorrências, às vezes, são chamadas de esquecimento benigno senescente ou perda de memória associada à idade. Ambos são distinguidos da demência por sua menor gravidade e pelo fato de que não interferem de forma tão insidiosa no comportamento social ou ocupacional da pessoa (BUSSE, 1992). Os sintomas demenciais iniciais variam, mas a perda de memória em curto prazo costuma ser a característica fundamental e que traz o paciente ou sua família à consulta médica. Perguntas cuidadosas aos pacientes e aos seus familiares podem ajudar a determinar a natureza do comprometimento cognitivo.
Os sintomas das funções corticais superiores incluem uma série de alterações de linguagem (afasia), percepção (agnosia), atividade motora (apraxia), organização e planejamento (funções executivas), além de habilidades visoespaciais. Entretanto, as dificuldades de pacientes com demência não se limitam aos déficits cognitivos. Alterações do comportamento estão presentes em até 80% dos casos e são uma fonte importante de estresse para o paciente e seus cuidadores.  Sinais e sintomas como confusão mental, insônia, depressão, problemas em trabalhar com números (como fazer um cálculo simples), mau humor, irritabilidade, ansiedade, problemas em controlar as emoções e alterações do comportamento como discutir, agredir ou gritar podem também estar presentes (NUNES FILHO, 1996).
É importante salientar que o diagnóstico dos quadros compostos por sintomas demenciais baseia-se fundamentalmente na avaliação clínica, assim como em testes neuropsicológicos e cognitivos padronizados.

Referências
BUSSE, E. W.; BLAZER, D. G. Psiquiatria geriátrica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2000.
JACOBSON, J. L.; JACOBSON, A. M. Segredos em Psiquiatria: Respostas necessárias ao dia-a-dia: em rounds, na clínica, em exames orais e escritos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
NUNES FILHO, E. P.; BUENO, J. R; NARDI, A. E. Psiquiatria e Saúde Mental: conceitos clínicos e terapêuticos fundamentais; São Paulo: Ateneu, 1996.
SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A. Compêndio de Psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artmed, 2007.

Neste blog, leia “Sinais e Sintomas Demenciais – Parte 1” em: http://semiologiamedica.blogspot.com.br/2009/07/sinais-e-sintomas-de-demencia.html

Imagem: http://www.healthline.com

23 de julho de 2014

Hoje no GESME: Satisfação do Aluno de Medicina no Hospital Universitário

O projeto de pesquisa apresentado hoje no GESME, “Satisfação do Aluno de Medicina no Hospital Universitário: Fatores Pedagógicos e Contextuais Envolvendo Aulas Práticas”, por Marina Moura Toscano e Victória Albino, tem como objetivo avaliar a apreciação do estudante de Medicina da Universidade Federal da Paraíba sobre a dimensão prática das disciplinas clínicas e cirúrgicas no Hospital Universitário Lauro Wanderley, considerando o seu grau de satisfação, a quantidade de aulas práticas, o treinamento de habilidades clínicas, os pontos positivos e negativos dos cenários de ambulatório e enfermaria, as condições físicas do hospital para o aluno em suas práticas, os espaços de estudo e a vivência de situações de risco na realização de atividades práticas.

16 de julho de 2014

Hoje no GESME: Acurácia da Percussão Limitante do Fígado

Daniel Uchoa, Flávia Bastos e Ana Tereza Pereira apresentaram hoje o projeto "Acurácia e Reprodutibilidade da Percussão Limitante do Fígado", com o objetivo de avaliar o valor semiológico da percussão digito-digital tendo como padrão-ouro a hepatimetria ultrassonográfica em pacientes atendidos no Serviço de Radiologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley, UFPB.

12 de julho de 2014

8 de julho de 2014

A Importância da História Ocupacional na Anamnese

Por Daniel Idelfonso Dantas
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
A anamnese ocupacional faz parte da entrevista médica e serve para orientar o raciocínio clínico quanto à contribuição do trabalho, atual ou anterior, na determinação, na evolução ou agravamento da doença. Quando bem colhida, torna-se útil na investigação das relações de causa-efeito entre a doença e profissão, assim como auxilia a descartar qualquer hipótese de associação entre o trabalho e a enfermidade. Quando se evidencia uma estreita associação com a exposição ambiental ou ocupacional, torna-se imprescindível o detalhamento do risco.

Palavras-chave: Saúde do Trabalhador. Anamnese. Medicina do Trabalho.

A palavra anamnese origina-se de aná = "trazer de novo" e mnesis = "memória". Anamnese significa, portanto, trazer de volta à memória todos os fatos relacionados à doença e à pessoa doente. É mais do que isso, é o núcleo do qual se desenvolve a relação médico-paciente (PORTO, 2011). 
A anamnese ocupacional faz parte da entrevista médica e compreende a historia clínica atual, a investigação sobre os diversos sistemas ou aparelhos, os antecedentes pessoais e familiares, a história ocupacional, hábito e estilo de vida, o exame físico e a propedêutica complementar.
O principal instrumento para a investigação das relações saúde-trabalho-doença e, portanto, para o diagnóstico correto do dano para a saúde e da relação etiológica com o trabalho, é representado pela anamnese ocupacional. Esta é a ferramenta padrão para saber se a doença do trabalhador tem alguma relação com a atividade que exerce.
Pode-se confirmar a relação de causa-efeito entre a doença e profissão, seu agravamento, ou ainda descartar qualquer hipótese que relacione o trabalho com a enfermidade. Além disso, serve para identificar padrões epidemiológicos, já que abrange perguntas relacionadas não apenas ao paciente em questão, mas o estado de saúde de seus colegas de trabalho (MENDES, 2003).
Apesar dos avanços e da sofisticação das técnicas para o estudo dos ambientes e condições de trabalho, muitas vezes, apenas os trabalhadores sabem descrever as reais condições, circunstâncias e imprevistos que ocorrem no cotidiano e são capazes de explicar o adoecimento (MENDES, 1995).
Estima-se que até 20%das doenças intersticiais e das vias aéreas são decorrentes dessas exposições. Por outro lado, raramente encontramos nas anamneses rotineiras informações sobre eventuais exposições ambientais ou sobre o trabalho/ocupação/função dos pacientes (MENDES, 1988). 
Qual é o seu trabalho/ocupação/atividade principal e há quanto tempo vem exercendo? Quais outras ocupações exercidas e há quanto tempo? Seus sintomas relacionam-se com suas atividades no trabalho, na sua casa, no ambiente em geral, ou nas atividades paralelas, como "bicos" ou hobby? Você já esteve exposto a poeiras, fumos, gases ou vapores? Estas são perguntas que não podem faltar na anamnese. É preciso verificar a cronologia das ocupações/trabalhos, com descrição detalhada da ocupação principal e de outras ocupações mesmo que ocasionais. Quando se evidencia uma estreita associação com a exposição ambiental ou ocupacional, torna-se imprescindível o detalhamento do risco.
De forma sistemática, a realização da anamnese ocupacional deve estar incorporada à entrevista clinica e seguir uma sistematização para que nenhum aspecto relevante seja omitido, por meio de perguntas básicas (BRASIL, 2001):
- O que faz? Definir qual a ocupação do paciente; tem como objetivo saber exatamente qual é a rotina do trabalhador, para ter uma ideia de quais são as características da função que exerce.
- Como faz? Procurar saber como é realizado o trabalho, quais as posições adotadas, ou seja, o que mais é exigido do corpo.
- Com que faz?  Saber quais os instrumentos e produtos que o paciente manipula. Muitas alergias surgem de produtos químicos manipulados no trabalho, por exemplo.
- Com quem faz? Avaliar o risco em outros trabalhadores expostos aos mecanismos de aparecimento da doença, caso haja relação com o trabalho.
- Onde faz? Ter uma descrição do posto ou local de trabalho, o ambiente e seus detalhes específicos: espaço físico, condições de iluminação e ventilação.
- Quanto tempo faz? Algumas doenças têm caráter crônico e podem estar silenciosas desde o início das atividades.
- E antes disso?... Investigar as ocupações anteriores, dada a variabilidade dos períodos de latência requeridos para o surgimento de uma patologia relacionada ao trabalho: de algumas horas, como no caso de uma conjuntivite por exposição a irritantes químicos e a períodos superiores a 20 anos, como no caso da silicose e de alguns tipos de câncer. Porém, não são consideradas doenças ocupacionais, as doenças degenerativas, doenças endêmicas, doenças inerentes a grupo etário e doenças que não produzam incapacidade laborativa.
Ainda que não seja possível fazer um diagnóstico de certeza, a história ocupacional adequadamente colhida do trabalhador servirá para orientar o raciocínio clinico quanto à contribuição do trabalho, atual ou anterior, na determinação, na evolução ou agravamento da doença. Em alguns casos, a história ocupacional pode desvelar a exposição a uma situação ou fator de risco para a saúde presente no trabalho que, mesmo na ausência de qualquer manifestação clínica e laboratorial, indica a necessidade de monitoramento ou vigilância (DIAS, 1994).
Portanto, da mesma forma que uma boa anamnese é fundamental para o diagnóstico em geral, a história de exposição ambiental e ocupacional é informação basilar para o entendimento e detecção das doenças respiratórias ocupacionais.

Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. A investigação das relações saúde- trabalho, o estabelecimento do nexo causal da doença com o trabalho e as ações decorrentes. In: Manual de doenças relacionadas ao trabalho. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. p. 27-36.
DIAS, E. C. A atenção à saúde dos trabalhadores no setor saúde (SUS), no Brasil: realidade, fantasia ou utopia? Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1994.
MENDES, R. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 2003.
MENDES, V. G.; BAHIA, G. O. M. A demanda de um serviço de Saúde do Trabalhador, no Estado de Minas Gerais no ano de 1994-1995. Belo Horizonte: Escola de Saúde de Minas Gerais, 1995.
MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde de trabalhadores: I. Morbidade. Rev. Saúde Pública. 22 (4): 311-326, 1988.
PORTO, C. C. Semiologia Médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Imagem: http://www.europeanlung.org

2 de julho de 2014

Palestra "Modelos de Engenharia de Tecidos"

PALESTRA "Modelos de Engenharia de Tecidos"
Palestrante: Prof. Dr. Showan N. Nazhat
Associate Professor and Gerald Hatch Faculty Fellow, Department of Mining and Materials Engineering, Faculty of Engineering; Associate Member, Department of Bioengineering and Faculty of DentistryMcGill University, CANADÁ.
Dia 09/07/14, 10h30; Auditório do CCM/UFPB, Campus I, João Pessoa - PB.

19 de junho de 2014

Prova Prática do Internato em Clínica Médica da UFPB - I Edição de 2014

No dia 07 de junho de 2014, 41 alunos do nono ao décimo segundo períodos do Internato em Clínica Médica do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) cumpriram sua avaliação prática de medicina interna. 
Foram nove alunos do nono período (P9), 11 do décimo (P10), 10 do décimo primeiro (P11) e 11 do décimo segundo período (P12). Faltaram cinco alunos, tendo apenas um deles justificado e agendado sua avaliação para a próxima prova prática, em agosto. Um aluno chegou atrasado e não pôde realizar a prova. Cinco alunos eram da Universidade Federal de Campina Grande, cumprindo o internato em Clínica Médica no HULW.
Um aluno do sétimo período (P7) do curso também foi submetido à avaliação, para fins de comparação.
A avaliação começou às 8h00 e terminou às 12h30, com tempo cronometrado de seis minutos para cada aluno em cada uma das estações. Houve três estações.

ESTAÇÃO 1

ENUNCIADO: M. S, 46 anos, portador de câncer de pâncreas e em tratamento paliativo, é trazido desacordado ao Pronto-Atendimento. O vizinho não sabe dizer o que houve, mas refere que há cerca de 90 minutos ele estava aparentemente bem, mas o encontrou caído na rua há 20 minutos, quando acionou o SAMU. O exame físico revela paciente com Glasgow 6 (AO 1, R  2, RM 3), FR=6 irpm, PA=110/70mmHg, FC=88 bpm, Sat O2=93%, com cateter de oxigênio 5L/mim. AR e ACV sem alterações. Abdome distendido, timpânico à percussão, com RHA diminuídos, porém presentes. Peso estimado em 40 kg. A avaliação da pupila encontra-se exposta na imagem (achado bilateral e simétrico) (Figura 1). 

Figura 1

INSTRUÇÕES:
(1) Qual o provável diagnóstico?
(2) Faça a prescrição das medicações essenciais para correção, em ordem de prioridade, com dose e vias de administração.

ESTAÇÃO 2

ENUNCIADO: O. S., masculino, 52 anos, alcoolista há 30 anos, apresentando, há cerca de 2 meses, lesões eritematosas no dorso das mãos, membros superiores, membros inferiores e no V do decote, tipo queimadura, que progressivamente evoluíram para lesões eritêmato-violáceas e bolhosas (ver Imagens - Figuras 2 e 3). Associados a este quadro, foram relatados diarreia, hiporexia e confusão mental. Ao exame clínico, apresenta lesões simétricas, crostosas sobre base exulcerada nos membros superiores e inferiores, além de máculas eritêmato-violáceas bem delimitadas na face anterior do tórax (“V” do decote). 

Figuras 2 e 3 - As fotos foram enviadas pela Dra. Leandra Carneiro

INSTRUÇÕES:
(1) Escreva sua hipótese diagnóstica.
(2) Faça a prescrição medicamentosa e não medicamentosa deste paciente que está internado na enfermaria 704-1 da clínica médica do Hospital Universitário Lauro Wanderley, com base na sua hipótese diagnóstica.

ESTAÇÃO 3

ENUNCIADO: A. M., 27 anos, com história de tireoidectomia total eletiva por bócio multinodular tóxico há cinco dias, chega à unidade de pronto atendimento (UPA) Oceania com parestesia ao redor da boca, mãos e pés, mialgia, taquicardia, letargia, irritabilidade e cólicas abdominais. A cirurgia não teve intercorrências segundo o paciente, que recebeu alta hospitalar há dois dias. Seu cirurgião não foi localizado e, então, ele veio à UPA por causa dos sintomas.

INSTRUÇÕES: 
(1) Escreva sua hipótese diagnóstica e faça uma pergunta ao paciente para auxiliar a esclareça-la.
Hipótese:
Pergunta: 
(2) Realize uma manobra semiológica (clínica) no paciente na tentativa de reforçar sua hipótese diagnóstica. (Realizar no paciente simulado)


Na Estação 1, os alunos deveriam reconhecer uma possível intoxicação opioide e prescrever naloxone primeiro e carvão ativado em seguida. 
Na Estação 2, o diagnóstico correto era pelagra e a prescrição, nicotinamida 300 a 500 mg/dia, via oral, em doses divididas, podendo associar riboflavina e piridoxina, além de dieta hipercalórica e hiperproteica.
Na Estação 3, a hipótese diagnóstica deveria ser hipocalcemia pós-tireoidectomia com tetania latente; esperava-se que os alunos perguntassem ao paciente sobre uso de suplementação de cálcio oral associada ou não à vitamina D no pós-operatório, e realizar a pesquisa dos sinais de Trousseau ou de Chvostek, que permitem demonstrar a existência de tetania latente (valia uma das duas pesquisas). 

O resultado mostrou que a maioria das notas ficou marcadamente abaixo do esperado: Tabela 1 (notas das médias das três estações, que representam as notas finais desta avaliação prática), Tabela 2 (notas da Estação 1), Tabela 3 (notas da Estação 2) e Tabela 4 (notas da Estação 3).

Tabela 1- Notas finais (médias das três estações) dos 41 alunos dos períodos 9, 10, 11 e 12 do Curso de Graduação em Medicina da UFPB, avaliados na prova tipo Osce realizada no Centro de Ciências Médicas em 07 de junho de 2014

Tabela 2- Notas da Estação 1 dos 41 alunos divididos em períodos 9, 10, 11 e 12 do Curso de Graduação em Medicina da UFPB, avaliados na prova tipo Osce realizada no Centro de Ciências Médicas em 07 de junho de 2014

Tabela 3- Notas da Estação 2 dos 41 alunos divididos em períodos 9, 10, 11 e 12 do Curso de Graduação em Medicina da UFPB, avaliados na prova tipo Osce realizada no Centro de Ciências Médicas em 07 de junho de 2014

Tabela 4- Notas da Estação 3 dos 41 alunos divididos em períodos 9, 10, 11 e 12 do Curso de Graduação em Medicina da UFPB, avaliados na prova tipo Osce realizada no Centro de Ciências Médicas em 07 de junho de 2014

Na Estação 1, 10 (24,4%) alunos responderam que sua hipótese era intoxicação opioide, e nove deles prescreveram naloxone, um prescreveu carvão ativado; os demais apresentaram as seguintes hipóteses: coma (5), hipoglicemia (5), acidente vascular encefálico (3), abdome agudo (3), encefalopatia hepática (3), hipertensão intracraniana (1), crise convulsiva (1), tromboembolismo pulmonar (1), insuficiência pancreática (1), intoxicação medicamentosa (1, foi considerado), insuficiência respiratória (1), parada cardiorrespiratória (1), ruptura tumoral (1); quatro não responderam.
Na Estação 2, 13 (31,7%) alunos acertaram sua hipótese e seis  prescreveram niacina (sem a posologia); os demais prescreveram complexo B, tiamina, piridoxina ou não prescreveram vitaminas. Observou-se que 17 alunos levantaram a hipótese de erisipela bolhosa; outras hipóteses foram psoríase, pênfigo bolhoso, epidermólise bolhosa, dermatite alcoólica, cirrose; dois não responderam.
Na Estação 3, 12 (29,3%) levantaram a hipótese de hipocalcemia por hipoparatireoidismo após retirada acidental das paratireoides por ocasião da tireoidectomia, sete deles realizaram uma manobra clínica para detecção de tetania latente, ou as duas. Outras hipóteses foram: hipertireoidismo (13/34,1%) por excesso da dose de reposição de levotiroxina, hipotireoidismo (12/29,3%) por subdosagem desta reposição, além das hipóteses de distúrbio neurovegetativo, acidente vascular encefálico, lesão neurológica, retirada incompleta da tireoide; três não responderam. 
Na Estação 3, um dos alunos obteve a pontuação conferida à terceira pergunta (4,0) porque o esfigmomanômetro começou a falhar durante sua prova. 
As notas do aluno do sétimo período estão demonstradas na Tabela 5.

Tabela 5- Notas do aluno do período 7 do Curso de Graduação em Medicina da UFPB na prova tipo Osce realizada no Centro de Ciências Médicas em 07 de junho de 2014

Aplicaram a avaliação os professores Luiz Fábio Botelho, José Luiz Simões Maroja, Mônica Henriques e Rilva Lopes de Sousa Muñoz.

Agradecimentos
- Aos dois alunos do sétimo período, que atuaram irrepreensivelmente como paciente simulado e como "aluno controle" nesta avaliação;
- Aos funcionários Jane, Eduardo e Hugo pela ajuda na operacionalização do processo de avaliação;
- À Profa. Cristianne Alexandre pelo notável empenho na organização do Internato do Curso de Medicina da UFPB;
- Ao Prof. Eduardo Sérgio Soares Sousa pelo apoio e pelas prontas providências de logística para que a avaliação pudesse ser realizada.

4 de junho de 2014

Projeto do GESME sobre a Síndrome do Pôr do Sol em Idosos Hospitalizados

 
Hoje no Grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME), Marcello Weynes, aluno do sétimo período do curso de graduação em medicina da UFPB, apresentou o Plano de Trabalho "Avaliação Psicométrica de Confusão Mental e Sintomatologia Depressivo-Ansiosa em Idosos Hospitalizados", do Projeto de Pesquisa "Síndrome do Pôr do Sol e Sintomatologia Depressivo-Ansiosa em Idosos Hospitalizados", submetido à seleção do Programa Institucional de Voluntários de Iniciação Científica.
Marcello fundamentou o projeto de pesquisa mostrando que no contexto de enfermarias de hospitais universitários podem ser encontrados pacientes idosos com comprometimento cognitivo que passam despercebidos à atenção clínica. Este déficit pode ser tanto agudo, como no delirium,  pela falta de estimulação luminosa ou pelo uso de medicamentos, ou crônico, como na depressão ou na demência. Além disso, pacientes que possuem quadros crônicos podem ter agudizações que afetam ainda mais o seu desempenho cognitivo.
A síndrome do pôr do sol apresenta-se tanto sob a forma de súbito agravamento de sintomas comportamentais e confusão mental aguda associados ao início de quadros de demência no período da tarde e à noite, quanto também em idosos sem este tipo de comprometimento, mas com déficits sensoriais. Trata-se de um dos transtornos cognitivos mais importantes do idoso, por sua implicação prognóstica, podendo ser a primeira manifestação de deterioração cognitiva e associar-se a maior morbimortalidade e sintomatologia depressivo-ansiosa.
Após a fundamentação teórica, apresentou como objetivos da sua investigação, verificar a prevalência da síndrome do pôr do sol em idosos internados em enfermarias de um hospital universitário e avaliar sua relação com sintomatologia depressivo-ansiosa, uso de medicamentos, curva térmica, déficit cognitivo crônico e sensorial.
Estavam presentes 25 integrantes discentes do GESME e três docentes, contando ainda com a valiosa presença do Prof. Américo Augusto Nogueira Vieira, da UFPR, com doutorado na área de Lógica e Teoria do Conhecimento.

21 de maio de 2014

Projeto de Pesquisa sobre Itinerários Terapêuticos no GESME

Hoje na reunião semanal do GESME, nossos alunos Daniel Idelfonso Dantas e Ana Elisa Fernandes apresentaram de forma excelente o projeto de pesquisa intitulado “Itinerários terapêuticos da Pessoa com síndrome de fibromialgia no sistema de saúde de João Pessoa, Paraíba”, com foco na narrativa dos pacientes através de metodologia qualitativa. 
Mostraram que é fundamental reconhecer a centralidade das narrativas dos doentes com problemas crônicos que cursam com dor de evolução prolongada e considerada como “síndrome funcional”. Como eles percorrem o caminho desde o aparecimento dos sintomas até a chegada a um serviço de saúde onde conseguem ter suas demandas atendidas (ou não)? É neste contexto que o conceito de “itinerário terapêutico” é aplicado. 
Eles comentaram a definição de "itinerário terapêutico", indicando que as estratégias de enfrentamento da enfermidade elaboradas pelas pessoas nem sempre seguem uma sequência similar de ações, pois existem diversos modos de interpretar a doença. Isso ocorre porque as escolhas dos pacientes e sua adesão a determinadas formas de tratamento estão diretamente relacionadas ao contexto sociocultural no qual estão inseridos. 
Originária dos campos da antropologia médica, a coleta de narrativas sobre o processo saúde-doença tem sido objeto de estudos contemporâneos do campo da saúde e mostram que as relações sociais definem a forma como a doença é compreendida e vivida pelas pessoas. Informa também sobre como os tratamentos propostos são experimentados, aceitos ou abandonados, revelando a importância da mudança do olhar dos profissionais sobre a participação dos usuários no processo de produção do cuidado.
O objetivo deste estudo será descrever os itinerários terapêuticos construídos por pessoas com diagnóstico de fibromialgia e compreender a sua experiência da enfermidade ao percorrer o sistema de cuidado à saúde de João Pessoa, Paraíba, até chegar a um centro de reabilitação.
Compareceram à reunião 26 membros discentes do GESME e quatro docentes.

16 de maio de 2014

Imagem Semiológica: Síndrome de Cushing

Cushing Syndrome and Cushing Disease FREE

Ryszard M. Pluta, MD, PhD, Writer; Alison E. Burke, MA, Illustrator; Robert M. Golub, MD, Editor
JAMA. 2011;306(24):2742

14 de maio de 2014

Lançamento da Revista Medicina & Pesquisa / CCM / UFPB - Entrevista

Entrevista da Profa. Rilva Sousa Muñoz a Gabriela Neves, do Curso de Comunicação Social da UFPB

Quando surgiu a ideia de criar uma revista de medicina na UFPB? (quais professores e/ou alunos envolvidos no desenvolvimento da revista?)
A ideia de criar esta revista científica no Centro de Ciências Médicas (CCM) parece existir desde que este centro foi criado em 2007, e já vinha sendo discutida pela gestão passada, mas não chegou a ser materializada antes. Quando o Prof. Eduardo Sérgio Soares Sousa assumiu recentemente a diretoria do centro, em outubro de 2013, elegeu como uma de suas importantes metas o incentivo à pesquisa científica no CCM, e a concretização do lançamento da Revista Medicina & Pesquisa (RM&P) é uma das medidas assumidas para alcançar esta finalidade.
O Comitê de Política Editorial da revista está composto por 17 professores doutores do CCM, enquanto o Conselho Científico externo está formado por 14 professores de universidades brasileiras de vários estados. Os editores da RM&P são os professores Cláudio Sérgio Medeiros Paiva e Eduardo Sérgio Soares Sousa. O trabalho é gerenciado pelo CCM, através de sua Assessoria de Publicações, sob nosso encargo neste momento. Temos a fundamental contribuição de funcionários do centro, Clóvis Luiz de Amorim Filho (Técnico de Tecnologia de Informação) e Alexandro Carlos de Borges Souza (Editor de Publicações). Tivemos também o apoio indispensável do Prof. Guilherme Ataíde Dias, ex-coordenador do Portal de Periódicos Científicos Eletrônicos da UFPB.

Qual é o objetivo de vocês? Qual o foco da revista?
A RM&P tem o objetivo de divulgar os melhores trabalhos de conclusão dos cursos de graduação em Medicina e de outros cursos da grande área da Saúde, tanto da UFPB quanto de outras universidades, assim como de publicar  trabalhos de iniciação científica. Portanto, trata-se de uma revista voltada à publicação de trabalhos de pesquisa científica de alunos da graduação, com seu professor orientador e outros alunos e professores colaboradores do trabalho. Seu público-alvo é constituído por estudantes de graduação e pós-graduação em Medicina, médicos residentes e docentes do sistema médico-universitário.

Qual a importância da revista para a universidade, CCM, estudantes, professores e claro, para a medicina?
O lançamento de uma revista científica é sempre um acontecimento esperado com entusiasmo pela comunidade acadêmica, ainda que seus primeiros anos tendam a ser mais difíceis, até que se obtenha um alicerce consistente e a indexação esperada. A RM&P, em particular, dá um grande passo para a valorização dos trabalhos dos discentes.Este lançamento marca um momento expressivo para o desenvolvimento da pesquisa científica no CCM, além de representar uma das poucas revistas nacionais voltadas para a publicação de trabalhos de estudantes de graduação na área da Saúde. Nesse sentido, o Comitê Editorial da Revista está consciente de que a atividade de pesquisa na graduação é uma estratégia pedagógica de considerável valor educativo. É necessário estimular a produção científica e despertar a vocação para o campo da pesquisa  ainda na universidade, na graduação, onde o estudante está em formação, sendo esta uma medida estratégica extraordinária para seu desenvolvimento acadêmico. A pesquisa prepara melhor o estudante de graduação para o exercício futuro da profissão, à luz da pedagogia construtivista do “aprender a aprender”, e não há outra maneira de adquirir habilidades em pesquisa que não seja praticando e publicando seus trabalhos após a avaliação editorial. Esta é uma das funções da universidade, ao possibilitar uma postura crítica dos alunos em relação ao conhecimento, tornando-os mais capacitados a responder aos desafios da atualidade.

Quais os requisitos para se publicar na revista?
O requisito primário é de que se trate de um trabalho de pesquisa realizado por estudantes de graduação da área da saúde, sob orientação de um professor. Podem ser trabalhos de conclusão de curso e pesquisas de Iniciação Científica, vinculados ou não ao Programa PIBIC/PIVIC. Além disso, os manuscritos submetidos devem se enquadrar em uma das categorias de trabalhos da revista (artigo original, relato de casos e revisão sistemática) e seguir as normas de publicação e a política editorial do periódico. Este terá uma versão eletrônica, hospedada no Portal de Periódicos Científicos Eletrônicos da UFPB, e também uma versão impressa. Estão publicadas, na página da revista neste Portal, a política editorial, as normas de publicação, regras e procedimentos, assim como as diretrizes de avaliação dos manuscritos pela revista. A submissão dos artigos deverá ser feita eletronicamente na página http://www.ccm.ufpb.br/rmp/, e o processo poderá ser acompanhado no próprio site pelo autor cadastrado no sistema.

Quando sairá a primeira edição? (e qual será o intervalo entre cada publicação?)
A revista terá seu primeiro número publicado possivelmente entre os meses de maio e junho deste ano de 2014, após ter encerrado sua primeira chamada para submissões no último dia 28 de fevereiro. Posteriormente, a RM&P aceitará artigos para as suas próximas edições, que terão periodicidade semestral. Assim, convidamos todos os alunos pesquisadores interessados e com trabalhos na área para enviar artigos para publicação nas próximas chamadas.

Quais são as suas considerações finais?
Todos nós sabemos que o trabalho científico não se conclui até que seus resultados sejam publicados e compartilhados com a comunidade científica. Neste sentido, a singularidade deste novo periódico consiste no apoio e incentivo ao estudante de graduação da área da saúde para que publique seus trabalhos de pesquisa e desenvolva o que aprendeu ao longo do curso sobre a redação científica e os princípios da metodologia científica.
Por outro lado, o lançamento desta revista representa também um passo fundamental para o incremento da atividade de pesquisa no CCM, onde estão sendo desenvolvidos esforços consistentes rumo à aquisição de uma pós-graduação stricto sensu. A iniciativa de lançamento da RM&P, voltada para a graduação, será seguida pela criação da “Revista Pesquisas em Ciências Médicas”, que se voltará para a pós-graduação, e prevista para ser lançada no início de 2015. Desse modo, o CCM busca entrar na esfera do compromisso da UFPB com o desenvolvimento da pesquisa, da capacidade de produção e da articulação de conhecimentos.