11 de abril de 2011

Relatório do I Seminário de MHB 3 em 2011.1: Grandes Pestes


“Já houve tantas pestes quanto guerras na história da humanidade; entretanto, as guerras bem como as pestes sempre pegam a população de surpresa.”
(Albert Camus, "A Peste")

Realizou-se hoje o primeiro seminário de MHB3 de 2011.1, com 49 alunos da turma (94,5% desta), apresentado pelo grupo formado por Laíse, Rebecca, Bruno Carreiro, Bruno Felipe e Sarah. 

Laíse iniciou a apresentação mencionando a luta secular da humanidade contra as epidemias e definindo o termo "epidemia", com a participação de Débora. Laise continuou ressaltando o conceito de contágio e discorrendo sobre a velocidade de evolução de uma epidemia. Por outro lado, salientou a concepção de exalação de humores corrompidos (miasmas) como causa de doenças infecciosas e da relação das doenças com a influência demoníaca. Estas eram concepções de mecanismos de doença vigentes na Antiguidade Clássica e Idade Média, e que perduraram até o século XVI.

Laise comentou também as consequências sociais das epidemias e o surgimento do termo "quarentena", terminando com a menção da obra do escritor português José Saramago, "Ensaio sobre a Cegueira", como ilustração do tratamento imposto aos pacientes vítimas de doenças transmissíveis epidêmicas.

Rebecca indicou que o seminário seria apresentado considerando-se a tradicional periodização da História da Humanidade, mencionando, então, as Pestes ocorridas na Antiguidade, a partir de relatos da Bíblia e de obras literárias, como a "História da Guerra do Peloponeso", do historiador grego Tucídides.

Bruno Carreiro continuou a apresentação, mostrando as grandes epidemias ocorridas na Idade Média, destacando a Hanseníase e a Peste Negra. Ressaltou o teocentrismo deste período da história e sua influência no modo de ver as doenças. Apresentou ainda, de forma consequente,  as tentativas de explicação para as doenças naquela época, tais como os maus ares, os astros, Castigo divino, assim como os modos de transmissão relacionados a estas patogenias. Ficou evidente o drama da Peste Negra na idade Média.

Os apresentadores Bruno Carreiro e Laíse exibiram a dramatização de um dos aspectos relatados na história da Peste Bubônica medieval, em que o médico com a peculiar máscara de bico de pássaro evitava aproximar-se do enfermo, prescrevendo à distância e lancetando os seus bubões com varas de até 1,80 m. Terminou a apresentação individual com a menção às contribuições da Peste para a Medicina, como a ideia de transmissão de doenças entre seres humanos e o conceito de quarentena.

Laíse relatou as epidemias da Idade Moderna, começando pela varíola, à qual deu destaque, mencionando a dizimação da população indígena americana pela doença trazida pelos europeus e  relatou as peculiaridades da varíola no Brasil. Relatou ainda o processo de variolização, em que os médicos intencionalmente infectavam pessoas saudáveis com varíola na esperança de que as infecções resultantes fossem menos sérias do que as que eram naturalmente transmitidas e que poderiam conferir imunidade. Fez também referência à obra de Jorge Amado como ilustração literária da varíola no Brasil, citando trechos do livro "Capitães de Areia".

Laíse mencionou ainda a "Revolta da Vacina", conflito popular que aconteceu 1904 no Rio de Janeiro, quando o governo impôs a obrigatoriedade da vacinação em massa da população, seguindo-se outro momento de encenação no seminário, com uma representação rápida de uma ação vacinal à qual uma paciente (Sarah) resiste resolutamente.

Continuou Laíse a apresentar outras doenças, dando ênfase à epidemia da tuberculose, que causou grande impacto na humanidade e foi chamada de "Peste Branca" ou "Tísica". Mostrou também crenças antigas sobre a doença, como sua associação com a genialidade, uma representação social bastante difundida na época (séculos XVII e XVIII), em que a concepção da doença seria própria de pessoas de sensibilidade romântica, típica entre intelectuais e artistas.

Sarah continuou, apresentando as epidemias importantes da Idade Contemporânea, como a própria tuberculose que, afetando sobretudo a classe operária, não despertou atenção do poder público inicialmente. Comentou ainda aspectos sobre a febre amarela, dengue e  Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Salientou a importância da Aids e sua suposta origem, assim como a perplexidade pelo surgimento da infecção no início dos anos 1980, quando os médicos passaram a conviver com sentimentos de angústia e impotência diante da letal doença emergente ocorrendo em escala global.

Bruno Felipe continuou a apresentação, versando sobre  a Gripe Espanhola, a maior epidemia da história da humanidade. Explicou a origem do nome da epidemia, as causas concebidas no início do século XX para a doença e a compreensão atual da sua etiologia e transmissão. Apresentou ainda aspectos históricos da chamada Gripe Suína (pandemia H1N1, 2009) e da dengue.

Por fim, Sarah voltou para apresentar questões contemporâneas de saúde, que alguns autores chegam a rotular como "epidemias contemporâneas", como depressão, transtorno do pânico, obesidade, transtornos alimentares e doenças cardiovasculares. Mencionou o processo chamado de "medicalização" da sociedade e a valorização pela mídia da imagem corporal ideal, além do problema do alcoolismo, tabagismo, drogadição e sedentarismo e sua importância no perfil epidemiológico da população de países desenvolvidos, e também do Brasil, mais recentemente.

Após o encerramento da apresentação, que durou 51 minutos, deu-se início à discussão com a turma, que fez questionamentos espontâneos e estimulados, assim como comentários sobre a apresentação dos colegas. Participaram da discussão Mayara, Marise, Ernesto, José Jeymesson, Ádilla, Ingrid e Alysson. As perguntas foram a respeito do uso generalizado do termo "peste" para todas as
epidemias, sobre a origem da quarentena, o papel dos médicos no enfrentamento da Peste Negra, entre outras.

Uma última pergunta ficou ainda por ser respondida, embora se tenham levantado hipóteses de explicação: por que a origem de muitas das epidemias graves, como a Peste Bubônica, a Pandemia H1N1 e a cólera, é atribuída aos povos do Oriente?

Pesquisando mais detidamente agora, percebo que parece não haver uma explicação precisa para isso. Pensa-se que seja por causa da associação da terra com orientações mágico-religiosas milenares típicas da cultura oriental; segundo cronistas, a peste, de origem oriental, chegou com a ocorrência de terremotos no Oriente e com a proliferação de roedores. Estima-se que 80% das gripes apareceram no sul da China, particularmente na província de Guangdong, onde há milhões se patos, galinhas, porcos e outros animais [
Fonte: Tim Appenzeller, National Geographic, outubro de 2005].

A avaliação do seminário foi positiva, verificando-se, de modo geral, clareza na apresentação, satisfatória revisão bibliográfica, ótimas respostas aos questionamentos finais da turma e sobretudo, criatividade e versatilidade demonstradas nas cenas de dramatização, realizadas como recurso para motivar os colegas e dinamizar a apresentação.

Por fim, vale salientar ainda, pela importância no contexto da História da Medicina, que faltou mencionar a cólera na apresentação de todo o seminário. É importante lembrar que o termo cólera foi usado já por Hipócrates, para designar o quadro de diarréia intensa, vômitos e desidratação. Foram descritas sete pandemias de cólera desde 1817. Durante a sétima pandemia, a cólera voltou a atingir o Brasil, em 1991, como uma infecção reemergente. Em 2001, foram confirmados no Brasil sete casos de cólera, todos na Região Nordeste.

Imagem acima:
Obra "O Triunfo da Morte", pintura em óleo sobre tela do artista flamengo do século XVI, Pieter Bruegel, “O Velho”, em 1562; esta obra retrata o horror que a Peste Negra causou na Europa no século XIV; vê-se o simbólico "exército da morte" avançando, exterminando tudo, deixando apenas uma paisagem de destruição e desolação.

4 de abril de 2011

Relatório da I Discussão em Grupo de MCO3 em 2011.1


Introdução

O artigo objeto de leitura crítica discutido em grupo na última aula de MCO3 foi sobre a ocorrência de sintomas em idosos no seu último ano de vida. Esta temática foi escolhida em virtude da relevância do rápido processo de envelhecimento da população brasileira, o que constitui hoje um problema de saúde pública. 

Nesse sentido, na formação profissional em Medicina, destaca-se atualmente a implantação das novas diretrizes curriculares para a graduação e a educação permanente no preparo de recursos humanos para a atenção básica, com conteúdos e competências orientados para as especificidades do processo de envelhecimento.

A incorporação do conceito de competência na aprendizagem revaloriza o lugar da prática pela exposição dos alunos a situações diversas, consolidando esquemas de mobilização de recursos cognitivos e afetivos. Sua incorporação trará consequências para o ensino, para as práticas e para a pesquisa.

No artigo selecionado, os autores tratam da ocorrência, detecção e tratamento de sintomas em idosos de uma comunidade de baixa renda de São Paulo (SP, Brasil) em seu último ano de vida, a a partir das informações verbais de seus cuidadores.

Objetivo da Discussão em Grupo

Propôs-se esta técnica como uma metodologia ativa de aprendizagem, em que a análise crítica do estudo pelos alunos constitui um exercício didático e de estímulo à sua formação científica.

Método da Prática Pedagógica Empregada

No grupo de discussão do módulo de MCO3, é feita uma análise crítica do estudo escolhido, considerando-se aspectos metodológicos, de estilo e de apresentação do artigo, com o intuito de exercitar o espírito analítico dos alunos em metodologia científica.

Todos os alunos da turma leram previamente o artigo selecionado para a discussão e que foi enviado por e-mail uma semana antes.

Encerrada a discussão, uma providência ex-post faz-se necessária: a divulgação dos resultados e a contribuição de cada um dos participantes. Para Ferreira (1994), esta é uma parte importante em qualquer discussão em grupo ou seminário. Todas as observações levantadas pelos alunos são relatadas, focalizando os aspectos que mais se destacaram na discussão.

A ordem de participações foi definida pela listagem de alunos matriculados em ordem alfabética, embora tenha sido facultada também participações espontâneas.

Discussão com a Turma

Iniciou-se a discussão com Alisson, que considerou o título elucidativo, adequado, refletindo o conteúdo do artigo, além de incluir também o modelo do estudo, o que trouxe mais informação àquele.

Nesse sentido, Antônio considerou que o título pareceu-lhe extenso, ainda que contivesse subtítulo. Concordei que o título foi adequado, embora pudesse excluir a palavra "frequência", uma vez que não foi avaliada apenas a frequência de sintomas, mas também a sua detecção e tratamento pela equipe de saúde. Por outro lado, o termo "frequência" poderia ser suprimido do título sem prejuízo nenhum deste.

Artur Nóbrega opinou, por sua vez, que o desenho do estudo foi bem delineado, mas faltou um aspecto importante: o cálculo do tamanho da amostra. Afirma-se apenas na seção de Métodos: "Almejou-se realizar entre 80 a 100 entrevistas". Artur ponderou ainda que outros estudos citados no artigo em questão e que abordaram problemas de pesquisa semelhantes continham amostras de tamanho muito maior.

Arthur Trindade enfocou a Introdução do artigo, considerando que os autores aprtiram do contexto geral da temática para o problema específico, embora não o tenham formulado explicitamente. Contestou a ausência de fundamentação para a escolha dos sintomas incluídos na investigação, questionando se aqueles eram realmente as manifestações clínicas mais comuns entre os idosos de baixa renda no Brasil. Os sintomas escolhidos foram baseados em estudos com idosos americanos e ingleses.

Beatriz chamou atenção para a relevância do tema e para o fato de ser inédito no Brasil o estudo do problema investigado. Ela completou sua participação salientando a contribuição para a prática clínica dos resultados, sobretudo a alta frequência de falta de detecção de sintomas na amostra estudada.

Bruno iniciou sua participação comentando que, embora se tenha realizado o confronto dos resultados do estudo com os de outras publicações de trabalhos semelhantes, esta comparação não foi suficientemente clara. Contudo, considerou apropriada e necessária a exposição das limitações do estudo que foi apresentada pelos autores na seção de Discussão.

Reginaldo interveio indicando que os autores não fundamentaram por que realizaram uma avaliação dos cuidadores após três meses da morte dos idosos. Questionou se esta fase seria uma etapa importante do luto. Consideramos que há fases no luto normal e que os rituais tradicionais como a missa de sétimo dia, de um mês e de um ano constituem marcos nesse processo de luto normal. Apesar de o luto ser aparentemente um mecanismo universal, cada indivíduo tem uma forma única de o realizar e o processo varia não só de pessoa para pessoa, como também existem diferenças entre faixas de idade e gênero. Concordamos que não foi fundamentada esta escolha temporal para abordagem dos sujeitos.

Mathews participou comentando que os autores não consideraram como processo de inclusão a aceitação dos sujeitos da pesquisa e sua assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Camilla ressaltou a abordagem "póstuma" dos sujeitos em relação à morte dos idosos, o que não constitui uma abordagem comum, e por isso, considerou inovador este aspecto da técnica de entrevista dos sujeitos. Questionou ainda, como Artur Trindade anteriormente, se os sintomas incluídos no formulário de coleta de dados da pesquisa eram os mais frequentes na população estudada. Ponderamos que alguns sintomas são comuns a idosos de todos os níveis econômicos, porém faltou a inclusão de aspectos relacionados à capacidade funcional do idoso, como por exemplo, a capacidade de execeção de atividades básicas da vida diária.

Daniel, por sua vez, comentou que a revisão teórica foi muito extensa na Introdução, com o que concordamos, pois muitos trabalhos relatados com detalhes, um a um, poderiam ter sido inseridos na Discussão do artigo, realizando-se, mais convenientemente, uma abordagem concisa na Introdução. Daniel percebeu ainda que não são propostas hipóteses nesta seção, e se isso constituiria uma falha metodológica. Respondemos que, como se trata de um estudo descritivo e exploratório, não há a necessidade formal de proposição de hipóteses.

Danielle apontou a existência de referências antigas, como várias da década de 1990. Considerou ainda que na seção de Resultados há redundância de descrição de dados no texto e nas tabelas. Nesse sentido, apontou ainda a falta de concisão na página 78, oitavo parágrafo, com o que concordamos.

Eduardo Jorge indicou a ausência de formulação explícita do problema de pesquisa, além de comentar uma das grandes limitações do estudo, ou seja, o viés de memória, já que os respondentes foram entrevistados retrospectivamente em relação à morte dos idosos. Tal limitação foi mencionada pelos autores na seção de Discussão.

Vanessa questionou se os sintomas pesqusiados não deveriam estar dispostos mais apropriadamente em um quadro na seção de Métodos. Ponderamos que no texto, embora tenham ocupado mais espaço, foi necessário explicar a terminologia mais acessível que foi apresentada aos respondentes, como por exemplo, dispnéia ("falta de ar"), fadiga ("perda de energia"), entre outros.

Mariana afirmou que considerava mais adequado que se tivesse sido critério de inclusão dos participantes da pesquisa apenas aqueles cuidadores principais dos idosos, isso teria provavelemnte minimizado vieses de informação, uma vez que, na seção de Resultados, verifica-se que 15% dos cuidadores entrevistados não eram os cuidadores principais dos idosos.


Geísa apontou para a existência de diferenças entre o conteúdo do Resumo do artigo em relação ao seu texto principal, como por exemplo, os locais de recrutamento dos sujeitos. Comentou ainda o provável viés de informação em dois aspectos importantes, tais como a informação sobre o sintoma dor, que é uma variável subjetiva e que só o próprio idoso poderia caracterizar adequadamente, assim como a variável depressão, que não poderia ser avaliada apenas com a pergunta referente à presença de "desânimo" ou "baixo astral". Depressão pode ser um sintoma, uma síndrome ou uma doença. Essa variável deveria ser adequadamente avaliada através de escalas padronizadas de sintomas depressivos, sobretudo porque estes são atípicos no idoso.


Para Gilson, o grande problema do delineamento foi a coleta de informações a partir dos cuidadores. A obtenção dessas informações poderia ter sido realizada mais acuradamente através da revisãos e prontuários médicos. Contudo, lembramos o fato de que o objetivo do estudo era também avaliar se os sintomas apresentados pelos idosos eram detectados pela equipe de saúde. Por outro lado, na ausência do paciente, o informante mais próximo é o seu cuidador principal.


Gilson ainda questionou a validade externa do estudo, cujos resultados não poderiam ser generalizados para a população geral. Entretanto, o objetivo do estudo foi avaliar os sintomas dos idosos de baixa renda no seu último ano de vida e, portanto, a aplicabilidade dos resultados do estudo restinge-se apenas a esta parcela da população.


Na sua vez, Gustavo salientou a relevância do estudo no sentido de sua contribuição para melhorar a qualidade de vida da população-alvo da pesquisa, por demonstrar a existência de negligência da equipe de saúde em detectar e tratar problemas que esses idosos apresentavam em sua fase terminal de vida. Por outro lado, comenta ainda a falta de menção a treinamento dos pesquisadores que realizaram a coleta de dados. Nesse sentido, Mariana lembrou que houve apenas um pesquisador na coleta dos dados, e esse fato foi favorável à obtenção de maior homogeneidade desta.


Luiz Alberto afirmou que poderia ter sido investigada também a causa primária de óbito dos idosos. Esta informação seria, então, correlacionada aos sintomas apresentados. Concordamos que essa medida enriqueceria o trabalho, porém não foi esse o objetivo do estudo, e sim, a determinação dos sintomas apresentados e sua detecção e tratamento no último ano de vida.


Mathews apontou outra uma inconsistência entre Resumo e texto principal do artigo, no que concerne ao número de sintomas investigados. Além disso, comentou que o problema de pesquisa não foi apresentado explicitamente na Introdução. Questionamos, então, qual seria o problema de pesquisa da investigação, colocado de forma explícita. Opinamos que o problema seria: "É alta a frequência, duração e ausência de tratamento de sintomas no último ano de vida de idosos de baixa renda de São Paulo?"


Murilo apontou para a falta de menção clara aos critérios de elegibilidade dos participantes do estudo, ressaltando o fato de que a partir de 205 indivíduos, foram selecionados apenas 81. Complementamos esta crítica com a existência de omissão de informações sobre os motivos de exclusão do grande número de sujeitos que não foram envolvidos na pesquisa.


Renan afirmou que poderiam ter sido investigados os hábitos de vida dos idosos através dos cuidadores respondentes, como questões referentes ao estilo de vida, tabagismo, alcoolismo, alimentação. Ponderamos, entretanto, que não é possível abranger todas as variáveis de uma situação, e em certa medida, é preciso eleger as que serão focalizadas, excluindo outras, em virtude da delimitação do problema de pesquisa.


Rodrigo também ressaltou a relevância da temática e a implicação prática dos resultados, pois se percebe que a medicina em particular, e o sistema de saúde, em geral, não está preparada para atender esse grande contingente de idosos da atualidade e do futuro próximo.


Thays salientou a restrita validade interna do estudo, uma vez que a acurácia das informações obtidas a partir dos cuidadores é limitada, em virtude do viés de memória, da baixa capacidade deses informantes de caracterizarem sintomas subjetivos, e até do viés representado pela influência emocional de perda relativamente recente do familiar. Concordamos com esta opinião, no entanto, consideramos que estas limitações de validade interna não chegam a invalidar o estudo. Todavia, é importante que se tenha em mente a existência de tais limitações na interpretação das evidências apresentadas no artigo.


Vanessa considerou que a conclusão foi concisa e clara, mas apontou a falta de uniformidade referente ao uso simultâneo do estilo impessoal mesclado com o uso da terceira pessoa do plural em várias seções do artigo.


Reginaldo fez críticas ao estilo do texto. Aproveitamos a oportunidade para denunciar a existência no texto do artigo de vícios de linguagem inaceitáveis na redação científica, tais como o eufemismo ("falecidos") e de gerundismo ("precisa estar enfrentando").

Por fim, Mariana perguntou se não teria sido necessário definir "Cuidados Paliativos" na Introdução do artigo. Respondemos que o objetivo do estudo não estava fundamentado nessa área, porém acabou culminando com uma recomndação relacionada a este tipo de atenção clínica.  Aproveitamos esta ocasião para ressaltar a importância desse conceito, que é relativamente recente, e que abrange uma atenção aplicada desde os estágios iniciais de uma doença progressiva, crônica e provavelmente fatal em curso.  No Brasil, com o número de pessoas com doenças crônico-evolutivas cada vez maior, sobretudo idosos com doença em fase avançada, torna-se crucial a preparação de profissionais e serviços de saúde para essa realidade.

Referência empregada no Relatório

FERREIRA, L. G. Redação Científica: Como escrever artigos, monografias, dissertações e teses. Fortaleza: Edições UFC, 1994.

Fonte da Imagem:
acpinternist.org

3 de abril de 2011

Alopecia

Por Gilson Mauro Fernandes Filho
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo

A alopecia é sinal e sintoma de afecções caracterizadas pela diminuição excessiva ou ausência de cabelos e/ou pelos. Existem vários tipos de alopecia e entre as mais conhecidas estão a androgenética, relacionada a fatores genéticos e hormonais, e a areata, que tem causa auto-provavelmente imune e predisposição genética. Há variadas outras causas de alopecia, desde situações de estresse, infecções, uso de medicamentos, tratamentos cosméticos, anemia, hipotireoidismo, até traumatismo por tração exagerada e tricotilomania.

Palavras-chave: Alopecia. Cabelo. Doenças do Cabelo.


Alopecia é a diminuição excessiva de pelos no corpo com causas e padrões que variam. É tanto um sinal quanto um sintoma de doença, interna, na maioria das vezes, ou externa, que se manifesta de diferentes maneiras e acomete diferentes tipos de pacientes, abrangendo todas as faixas etárias (CITTON JÚNIOR et al., 2008).

A perda de cabelos, ou alopecia, é uma consequência de anormalidades do folículo piloso. Se as alterações da matriz capilar forem transitórias e não destrutivas, ocorre um novo crescimento. Se as alterações provocarem a destruição da matriz, resultando na formação de escaras ou atrofia, acaba por produzir alopecia permanente.

Estima-se que o couro cabeludo tenha cerca de 100.000 a 150.000 fios de cabelo e que o crescimento deles se faça em torno de 10 mm por mês, havendo uma queda normal de 60 a 100 fios por dia, o que se denomina "eflúvio telógeno" (AZULAY, 2004).

Alopecia Androgenética

A alopecia androgenética afeta entre 50% e 80% dos homens caucasianos. Em geral, 30% dos homens em sua quarta década têm alopecia androgenética, 40% na quinta década, e assim por diante, até 80% serem afetados quando têm 80 anos ou mais. Diferentes origens étnicas têm diferentes níveis de suscetibilidade para o desenvolvimento de alopecia androgenética (CAMPOS, 2004). Sugere-se que a alopecia androgenética esteja presente na população feminina em uma taxa entre 20% e 40% (KEALEY et al., 2002).

No sexo masculino, a alopecia androgenética inicia-se entre os 20 e 30 anos, sendo sua progressão lenta. Observa-se o prolongamento dos recessos frontais e fronto-parietais (entradas) e o afinamento de pelos do vértex. Alguns casos podem evoluir com ausência total de pêlos (AZULAY, 2004).

Na alopecia androgenética ocorre a substituição dos terminais de cabelo por outros mais finos, curtos e sem pigmento. Este processo pode começar em qualquer idade após a puberdade e pode se tornar clinicamente aparente ao redor dos 17 anos nos homens e dos 25 a 30 anos nas mulheres neuroendocrinologicamente normais (ROGERS; ESPINOZA, 2008).

Quanto à embriogênese, existem diferenças na origem dos cabelos da região fronto-parietal e os da região occipito-temporal. A derme fronto-parietal é derivada da crista neural, enquanto a da occipito-temporal, do mesoderma. Essa diferença embriológica determina as diferentes respostas dos folículos pilosos nessas regiões (CHONG, 2002).

A alopecia androgenética resulta de um encurtamento progressivo de sucessivos ciclos na fase anágena provocado pelos androgênios, e os folículos geneticamente predispostos são gradualmente miniaturizados e os pêlos terminais do couro cabeludo são substituídos por pêlos velares (KEALEY et al., 2002).
Acredita-se que sua etiopatogenia seja multifatorial, envolvendo fatores de ordem genética e hormonal. (KEDE; SABATOVICH, 2004).

A enzima CYP 19 (citocromo P450 aromatase) converte testosterona e androstenediona em estradiol causando uma diminuição da quantidade de testosterona e dihidrotestosterona dentro da célula e protegendo o folículo piloso contra a miniaturização. Nos homens, os folículos pilosos da região frontal do couro cabeludo têm metade da quantidade de CYP 19 (aromatase), quando comparado com os folículos pilosos da região occipital (MONTAGNA, 2000).

A enzima 3 b-HSD converte dehidroepiandrosterona em delta 4 androstenediona, assim como, transforma androstenediona em testosterona; esta enzima tem intensa atividade dentro das glândulas sebáceas humanas e sua atividade é mais intensa dentro do folículo piloso terminal alopécico. Na pele normal da fronte 90% da atividade da 3 b-HSD está localizada dentro da glândula sebácea (PLOUFFE, 2000).

No sexo feminino a alopecia androgenética é mais difusa, sendo classificada em 3 graus. No grau I é visível apenas uma leve rarefação do cabelo. No grau II a densidade dos cabelos diminui de tal forma que é possível enxergar o couro cabeludo. No grau III encontram-se os casos avançados com a calvície já instalada (FIEDLER, 1990).

Para o diagnóstico de alopecia androgenética e para se tentar estabelecer uma causa é necessário uma história detalhada, um exame físico completo e uma investigação laboratorial minuciosa (PEREIRA, 2001).

O tricograma é um exame que estabelece a proporção entre as fases dos fios: anágenos, catágenos e telógenos. Os fios telógenos estão aumentados até 95% nas áreas de maior atividade da AAG (KEDE; SABATOVICH, 2004).

A biópsia pode ser necessária fazer o diagnóstico diferencial de várias alopecias, especialmente as cicatriciais (CHARTIER et al., 2002).

Alopecia Areata

A alopecia areata é uma doença auto-imune que se caracteriza pela queda repentina dos pêlos formando placas circulares de alopecia, sem alteração da pele no local, que se apresenta sem qualquer sinal inflamatório. Pode atingir o couro cabeludo e também outras regiões como a área da barba, supercílios, cílios ou qualquer outra região pilosa. Geralmente tem início antes dos 20 anos de idade.

A placa da alopecia areata pode ter remissão espontânea ou tornar-se crônica, com o surgimento de novas lesões e evolução para a alopecia total, que atinge todo o couro cabeludo e até mesmo para a alopecia universal, quando caem todos os pêlos do corpo. Estes casos são de controle mais difícil.

Outras causas de alopecia

Outra causa importante de alopecia é a cicatricial, por perda dos folículos pilosos. Esta é causa de perda permanente do cabelo. As formas mais frequentes de alopecia cicatricial são lupus eritematoso cutâneo, alopecia cicatricial central centrífuga e infecções fúngicas.

Várias outras causas estão implicadas na alopecia incluindo as seguintes, que serão apenas citadas:
• Situações de estresse 
◦ Estresse emocional;
◦Deficiências de vitaminas ou nutrientes;
◦Febre prolongada;
◦Parto;
•Problemas hormonais
◦Glândula tireoide hipofuncionante;
•Medicamentos;
◦Medicamentos para a gota;
◦Quimioterapia como tratamento para o câncer;
◦Vitamina A;
◦Anticonceptivos por via oral;
◦Antidepressivos;
•Infecções
◦Infecções por fungos;
◦Sífilis;
◦HIV;
◦Herpes simples e zoster;
•Lupus eritematoso discóide e sistêmico
•Anemia
• Traumatismo por tração exagerada dos fios:
◦ Tranças africanas;
◦ Cabelos presos sob tensão excessiva.
•Tratamentos cosméticos com produtos químicos e físicos;
•Tricotilomania.


Referências
AZULAY, R. D.; AZULAY, D. R. Dermatologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
CAMPOS, S. Alopécia androgenética. Disponível em: < http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias.php?noticiaid=13071&assunto=Dermatologia/Pele
CHARTIER, M.B.; HOSS, D.M.; GRANT-KELS, J.M. Approach to the adult female patient with diffuse nonscarring alopécia. J Am Acad Dermatol, v. 47, n. 6, p. 809-18, 2002.
CHONG, A.H.; SINCLAIR, R. Loose anagen syndrome: a prospective study three families. Australas J Dermatol, v. 43, n. 2, p. 120-4, 2002.
CITTON JÚNIOR, R. A.; POLETTO, G. Z. C.; CAMPOS, L. C. et al. Alopecia. Acta Med Porto Alegre, 29: 250-265, 2008.
FIEDLER, V.C.; WENDROW, A.; SZUNAR, G.J.; METZLER, C.; DeVILLEZ, R.L. Treatment-resistant alopecia areata. Arch Dermatol, v. 126, n. 5, p. 756-759, 1990.
HALMAI, O.; AROSEMENA, R. El efecto de las drogas sobre el crecimiento y caracteres del pelo. Dermatol. Venez, v. 29, n. 3, p. 110-3, 2001.
KEALEY, T.; PHILPOTT, M.; GUY, R. The regulatory biology of the human pilosebaceous unit. Baillieres Clin Obstet Gynaecol, v. 11, n. 2, p. 205-227, 2002.
KEDE, M.P.V.; SABATOVICH, O. Dermatologia estética. São Paulo: Atheneu, 2004.
MONTAGNA, W. Hair growth and hair regeneration. Ann NY Acad Sci, v. 83, n. 23, p. 362-364, 2000.
PAIVA, L, M, G; BOGGIO, R, F; PRADO, J, C; CARLUCCI, A, R. Protocolo para tratamento da alopecia androgenética. Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino-IBRAPE, São Paulo, Brasil.
PEREIRA, J. M. Propedêutica das doenças dos cabelos e do couro cabeludo. São Paulo: Atheneu, 2001.
PLOUFFE, Jr. Disorders of excessive hair growth in the adolescent. Obstet Gynecol Clin North Am, v. 27, n. 1, p. 79-99, 2000.

Fonte da imagem:
http://hairforlifeaz.com/  

1 de abril de 2011

Carta ao Semioblog: Sobre Comentário Anônimo por E-mail de Turma


Caros Colegas e Professora,

Infelizmente esta, que é uma atitude individual, ganha dimensões coletivas de negatividade para a nossa turma.

Foi por situações assim que fizemos o e-mail de grupo, como Camila Burity comentou anteriormente. Creio que este não seja um problema apenas da nossa turma, mas parece que nela está muito mais evidente; este indivíduo oportunista não sabe os limites do bom-senso e acaba prejudicando a imagem de pessoas que encaram este curso com seriedade, que estão batalhando por crescimento pessoal e acadêmico nesta instituição, e um futuro profissional promissor na Medicina.

Um dos princípios fundamentais para a convivência humana é a ética, que na nossa área de atuação é ainda mais valorizada e necessária. Pessoas com este tipo de comportamento deveriam se envergonhar de suas atitudes enquanto é tempo, pois em breve não terão mais um e-mail de turma para se esconder e as consequências não mais serão adevertências de colegas e professores.

Como parte da turma de medicina 2009.1, peço desculpas à professora Rilva e aos leitores do Blog pela inútil participação grosseira, em forma de comentário, deste indivíduo não identificado. Como uma das representantes, sinto-me na incubência de conversar com a turma, e com a outra representante, para que busquemos uma outra solução (espero que, agora, definitiva) para que situações assim não mais se repitam.

Atenciosamente,
Pollyanna Carla - Turma de Medicina 2009.1

31 de março de 2011

Novos Monitores de Semiologia - 2011/2012


Novos monitores de Semiologia Médica - DMI/CCM/UFPB:
Geyhsy E. da S. Rocha
Bruno Braz Garcia
Cícero F. Ferreira
Ezemir D. Fernandes
Larissa Lima do Vale
Divany de B. Nascimento


30 de março de 2011

Prova de Seleção para Monitoria de Semiologia Médica em 2011


Hoje realizou-se a prova de seleção de Monitoria de Semiologia Médica do Departamento de Medicina Interna / UFPB para preenchimento de seis vagas para monitores.
As referências empregadas na elaboração dos 20 quesitos foram as seguintes:
(1) BICKLEY, L. S, HOEKELMAN R. A. Bates: Propedêutica Médica. 8a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005; (2) LÓPEZ, M.; LAURENTYS-MEDEIROS, J. Semiologia Médica: As bases do diagnóstico clínico. 5a. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2004; (3) PORTO, C. C. Exame Clínico: Bases Para a Prática Médica. 5.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005; (4) SOUSA-MUÑOZ, R. L. (Org). Iniciação ao Exame Clínico: Guia para o Estudante de Medicina. João Pessoa: Ed. Universitária, 2010; e (5) SWARTZ, M. H. Tratado de Semiologia Médica. 5ª Ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 

25 de março de 2011

Seleção 2011 para Monitores de Semiologia Médica / DMI / CCM / UFPB

1- Prova de Seleção:
- Prova escrita de Semiologia Médica (múltipla escolha; 20 quesitos);
- Data: Dia 30/03/2010; 10h00-12h00;
- Local: Sala 1 do quinto andar do Hospital Universitário Lauro Wanderley.
2- Pontuação e Classificação
- A pontuação será feita nas seguintes proporções, de acordo com a Resolução 02/1996 (Programa de Monitoria para os Cursos de Graduação da UFPB);
- A classificação dos candidatos, até o limite do número de vagas do Módulo, será realizada de acordo com a ordem decrescente da média ponderada (M) entre a nota obtida na prova escrita (N1), a nota obtida na disciplina (N2) e o Coeficiente de Rendimento Escolar (C), com pesos 3, 2 e 1 respectivamente, calculada conforme a seguinte expressão: M = 3N1 + 2N2 + C / 6.
- O candidato que não obtiver nota N1 igual ou superior a 7,0 (sete) na prova escrita será eliminado.
3- Programa para a Prova Escrita:
- Anamnese;
- Ectoscopia (Exame Físico Geral ou Inspeção Geral);
- Técnicas de Exame;
- Exame da Pele;
- Sintomas/Sinais e Exame Físico dos Sistemas Respiratório, Cardiovascular, Digestório e Urinário;
- Síndromes Clínicas Relacionadas aos Sistemas Respiratório, Cardiovascular, Digestório e Urinário;
- Respostas (reações) do Paciente;
- Bases do Raciocínio Clínico.

4- Vagas:
Há seis vagas. Quatro vagas para bolsista e duas para voluntários.
5- Comissão de seleção: Participarão do processo de seleção dois professores do Módulo.
6- Bibliografia
6.1- BICKLEY, L. S, HOEKELMAN R. A. Bates: Propedêutica médica. 8a. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2005.
6.2- LÓPEZ, M.; LAURENTYS-MEDEIROS, J. Semiologia Médica: As bases do diagnóstico clínico. 5a. ed. Rio de Janeiro: Atheneu Ed., 2004.
6.3- PORTO, C. C. Exame Clínico: Bases Para a Prática Médica. 5.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
6.4- SOUSA-MUÑOZ, R. L. (Org.). Iniciação ao Exame Clínico: Guia para o Estudante de Medicina. João Pessoa: Ed. Universitária, 2010.
6.5- SWARTZ, M. H. Tratado de Semiologia Médica. 5ª Ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
7- Considerações Finais
- Estes informes também estão disponíveis no Departamento de Medicina Interna.
João Pessoa, 25 de março de 2011.
Postagem reformulada (item 4: vagas) em 29 de março de 2011.
Profa. Rilva Sousa-Muñoz
Prof. José Luiz Maroja

23 de março de 2011

Seminários de MHB3 em 2011.1: Cronograma, Temas, Apresentação

SEMINÁRIO 1 - 11.04.11
Tema: As Grandes Pestes Apresentação: Bruno Felipe, Bruno Oliveira, Sarah, Laise e Rebecca
Coordenação: Profa. Rilva
SEMINÁRIO 2: 18.04.11
Tema: Teoria Miasmática das Doenças
Apresentação: Klícia, Juliana, Duana, Luís Eduardo, Luiz Gonzaga e Igor
Coordenação: Profa. Rilva
SEMINÁRIO 3: 25.04.11
Tema: O Desenvolvimento da Teoria Microbiana das Doenças
Apresentação: Renan, Hygor, Isaac, Arthur e Elon
Coordenação: Profa. Rilva
SEMINÁRIO 4: 02.05.11
Tema: História da Medicina no Brasil
Apresentação: Gutemberg, Matheus, João Lincoln, Luiz Paulo e Luís Tércio
Coordenação: Prof. Josias
SEMINÁRIO 5: 09.05.11
Tema: História da Medicina no Século XX
Apresentação: Ingrid, Izabelle, Marise, Raíssa e Ernesto
Coordenação: Profa. Rilva
SEMINÁRIO 6: 05.05.11
Tema: História da Cirurgia Apresentação: Jeymesson, Rafael, Rodrigo, Diego, Lucas e Gregório
Coordenação: Prof. Josias
SEMINÁRIO 7: 23.05.11
Tema: História da Psiquiatria Apresentação: Rafaella, Mayara, Naísa, Saul, Gleison e Luciano
Coordenação: Profa. Rilva
SEMINÁRIO 8: 30.05.11
Tema: História e Evolução dos Hospitais Apresentação: Ádilla, Palomma, Aline, Wilwana e Maísa
Coordenação: Prof. Josias
SEMINÁRIO 9: 06.06.11
Tema: História da Oncologia Apresentação: Karina, Glauber, Suellen, Élida e Augusto
Coordenação: Prof. Josias
SEMINÁRIO 10: 13.06.11
Tema: História da Bioética
Apresentação: Aluiziane, Alana, Maíze, Nathália e Alysson
Coordenação: Profa. Rilva

22 de março de 2011

Avaliação clínica de lesões de nervos periféricos

Por Bruno Melo Fernandes
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB
Resumo

As lesões de nervos periféricos estão entre as desordens neurológicas mais comuns. De etiologias traumáticas e não-traumáticas, as neuropatias periféricas podem se manifestar clinicamente com uma significativa variedade de sintomas: sensação de formigamento, dormência, queimação, dor, hiperestesia, redução da força muscular, atrofias, hipotensão postural, disfunção erétil, anidrose, incontinência esfincteriana, entre otros sintomas e sinais. É importante que o médico conheça as funções, e os mecanismos de lesão, dos principais nervos periféricos para que, assim, possa diagnosticar neuropatias a partir de achados puramente clínicos.

Palavras-chave: Nervos Periféricos. Neuropatia Periférica. Técnicas de Diagnóstico Neurológico. O sistema nervoso periférico é composto por todos os nervos que estão fora do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal): raízes, gânglios, plexos, fibras nervosas. Estes elementos neurais são extensões do sistema nervoso central responsáveis pela integração das atividades nervosas não axiais, tanto sensitivas quanto motoras. Portanto, esses nervos são uma linha de condução que leva informações sensoriais da pele, músculos e outros órgãos ao sistema nervoso central (SNC) e informações motoras do SNC para os músculos somáticos e órgãos efetores controlados pelo sistema nervoso autônomo. As lesões de nervos periféricos, traumáticas ou não, acarretam perdas parciais ou totais de numerosas funções orgânicas, devido à parada da transmissão de impulsos nervosos e à desorganização funcional dos tecidos acometidos (MATTAR JÚNIOR; AZZE, 2008). Em relação à clínica médica, as lesões de nervos periféricos formam um quadro de afecções extremamente diverso, com manifestações clínicas e etiologias múltiplas, sendo muito comumente encontradas na prática médica. Em geral, dividem-se as lesões de nervos periféricos em traumáticas e não-traumáticas, diferença esta facilmente identificada na avaliação clínica dos pacientes (KARPARIAN; RUSSEL, 2007). As neuropatias periféricas podem se manifestar clinicamente com uma significativa variedade de sintomas: sensação de formigamento, dormência, queimação, dor, hiperestesia, redução da força muscular, atrofias, hipotensão postural, disfunção erétil, anidrose, incontinência esfincteriana, entre otros sintomas e sinais. O primeiro passo na abordagem clínica de lesões de nervos periféricos é a anamnese. O médico deve atentar para os sintomas referidos pelo paciente, seu tempo e curso de evolução e, principalmente, tentar encontrar algum evento desencadeador do problema, como um hábito de vida, um trauma, uma doença hereditária, ou um antecedente pessoal patológico, entre outras causas. Em geral, as lesões de nervos periféricos acarretam distúrbios focais das funções motora, sensitiva e autonômica e, às vezes, dor. O quadro clínico de uma neuropatia varia de acordo com os tipos de fibras danificados no nervo envolvido e com a fisiopatologia da lesão. As lesões podem ser agudas ou de apresentação insidiosa e ainda podem acarretar sintomas intermitentes, como no caso de isquemia nervosa transitória de origem mecânica, ou constantes, como no caso de ruptura de axônios (Ibid). Acredita-se que as fibras sensitivas são mais suscetíveis a lesões que as motoras localizadas ao lado delas. Logo, é comum que os primeiros sintomas de uma mononeuropatia sejam sensitivos. Os pacientes podem se queixar de perda de sensibilidade ou anestesia, “dormência”, parestesias, sensação de inchaço, ou sensações anormais tipo queimação, hipersensibilidade e prurido (MARGLESS; RUSSEL, 2007).
EM sua modalidade de polineuropatia, afetan vários nervos de forma simultânea, con sinais simétricos distais e participação de pares cranianos ou não. São anormalidades neurológicas frequentes e sua gravidade varia desde anormalidades sensoriais leves até transtornos paralíticos graves, como a Síndrome de Guillain Barré (CASTAÑEDA-FERNANDÉZ et al., 2003). A avaliação da neuropatia diabética, por sua vez, é um desafio. Esta complicação é geralmente avaliada de maneira subjetiva (sintomas inespecíficos) e não padronizada. Em alguns casos, a presença de alterações nos reflexos e na sensibilidade pode facilitar o diagnóstico. Estes sinais, contudo, não estão presentes em todos os pacientes. O método mais comum de avaliação da avaliação da neuropatia diabética é o uso do teste do monofilamento, exame que avalia a sensibilidade tátil nos pés e pododáctilos dos pacientes (MEULENBELT et al., 2009). Os outros métodos recomendados são complexos e de mais difícil aplicação na prática clínica. É importante perceber que a avaliação sensitiva à beira do leito, isto é, o exame físico, é menos sensível e confiável que a percepção própria do paciente, esta denotada pela anamnese. Em muitos casos, é mais fácil definir a anatomia exata de uma área de sensibilidade alterada pedindo-se ao paciente para desenhar a região afetada sobre o corpo. Esses achados são mais confiáveis que os do exame físico, caso estes sejam diferentes. Em quadros mais tardios, os sintomas sensitivos podem se juntar a sintomas motores, em especial, a paresia, acompanhada ou não de atrofia. Deve-se atentar para o fato de que nem todos os músculos distais a uma lesão nervosa são afetados, pois não necessariamente todas as fibras do nervo lesionado estão disfuncionantes. A avaliação clínica de uma lesão de nervo periférico deve então priorizar a busca por sintomas referidos pelo paciente que possam demonstrar déficits clínicos específicos à distribuição de nervos ou segmentos nervosos. Tais suspeitas podem ou não serem confirmadas através de estudo eletroneuromiográfico, a depender da dúvida quanto ao diagnóstico. Além disso, deve-se buscar uma etiologia para o processo, como a história de trauma ou um hábito de vida (como tocar violino ou jogar boliche), ou seja, atividades ligadas a determinadas neuropatias específicas. É importante salientar que quanto à etiologia traumática, estima-se em 10% a 20% a prevalência de lesões do sistema nervoso periférico envolvem o plexo braquial. Os mecanismos de tração/estiramento foram os principais responsáveis por lesão do plaxo braquial. Os traumas de plexo braquial provocam disfunção tanto por lesão neurológica quanto por desenvolvimento de dor no membro afetado. A dor, nesses casos, pode ocorrer por três mecanismos: dor neuropática em lesões pós-ganglionares; dor devido a avulsão radicular; ou dor simpático-mediada (FLORES, 2006). O diagnóstico precoce é imperativo para uma abordagem terapêutica eficaz, que passam por mudanças em hábitos de vida, como posturas ou atividades, uso de suportes ou coletes específicos, sessões de fisioterapia e, em alguns casos, abordagens cirúrgicas específicas. Referências CASTAÑEDA-FERNANDÉZ, J. A; CORRA-GARCÍA, J. Neuropatías periféricas. Medisan, 7 (4), s. p., 2003. Disponível em: http://bvs.sld.cu/revistas/san/vol7_4_03/san07403.htm. Acesso em 22 mar. 2011. FLORES, L. P. Estudo epidemiológico das lesões traumáticas de plexo braquial em adultos. Arq Neuropsiquiatr, 64(1):88-94, 2006. KASPARYAN G.N., RUSSEL J. A. Aspectos Gerais das Momoneuropatias. In: HOYDEN JONES JR, H. et al. (Ed.) Neurologia de Netter. Porto Alegre: Artmed, 2007. Cap 83. MARGLES S.W., RUSSEL J. A. Mononeuropatias que apresentam sintomas nos membros superiores. In: HOYDEN JONES JR, H. et al. (Ed.) Neurologia de Netter. Porto Alegre: Artmed, 2007. Cap 83. MATTAR JÚNIOR, R.; AZZE, R. J. Lesões dos nervos periféricos. Atualização em Traumatologia do Aparelho Locomotor. 2008. Disponível em: http://www.ronaldoazze.com.br/fasciculo/fasciculo3.PDF. Acesso em: 22 mar. 2011. MEULENBELT, M. et al. Determinants of skin problems of the stump in lower-limb amputees. Arch Phys Med Rehabil, 90 (1):74-81, 2009.

16 de março de 2011

Melanoníquia Estriada

Santos e Malucelli (2011) relatam o caso de um homem saudável de 23 anos, afro-brasileiro, que procurou atenção médica por causa de uma linha escura, de 1 mm de largura, ocupando longitudinalmente no leito de seu polegar direito (painéis A e B, figura acima).
Ele observou a presença dessa linha dois anos antes e não houve mudanças no seu aspecto. A linha originava-se na lúnula e estendia-se até a sua extremidade distal, no eixo do crescimento normal, com uma aparência compatível com melanoníquia estriada. A linha não se estendia até a cutícula. Não houve distrofia ungueal superposta, nem histórico de trauma, história familiar de melanoma. Não havia envolvimento de outras unhas. É difícil descartar a possibilidade de melanoma subungueal apenas com a observação clínica, e esta hipótese continuou a ser uma consideração importante para o diagnóstico, apesar de várias características tranquilizadoras estarem presentes. Entretanto, o paciente estava preocupado com a possibilidade de cicatrizes distróficas na unha com a realização da biópsia do leito ungueal, e recusou o procedimento. Após dois anos, a linha escura permanece inalterada, e o paciente não relata novos problemas.
A hipótese diagnóstica sindrômica é melanoníquia estriada. De acordo com Hirata et al. (2001), melanoníquia estriada é o termo utilizado para designar qualquer hipercromia linear marrom ou enegrecida do leito ungueal. É causada por depósito de melanina na lâmina ungueal, sendo mimetizada pela presença de sangue ou cromógenos. Pode ser de origem neoplásica (nevos melanocíticos e melanoma) ou não-neoplásica (constitucional, medicamentos, onicomicose, entre outras).
Saida e Oshima (1989) propõem os seguintes sinais como sugestivos do diagnóstico de melanoma no caso de melanoníquia estriada: 1. A melanoníquia estriada do melanoma aparece durante a meia idade; 2. Faixa de pigmentação em geral maior que 6 mm de largura; 3. Pigmentação em diversos tons de marrom e negro; 4. Pigmentação da dobra ungueal é frequentemente observada (sinal de Hutchinson); 5. Pode haver pequeno grau de deformidade ungueal.
Além disso, o melanoma subungueal afeta apenas uma unha, e a faixa muda na aparência, podendo tornar-se mais larga ou mais escura ao longo do tempo A pigmentação também pode afetar a pele ao redor (da prega ungueal).
O melanoma do aparelho ungueal é apresentação rara dessa neoplasia (0,7% a 3,5% de todos os casos de melanoma). A apresentação clínica mais comum é uma mancha marrom ou negra com pouco tempo de evolução. Portanto, onicomicose, hematoma subungueal, melanoníquia estriada e nevo juncional podem simular este tipo de neoplasia e devem entrar no diagnóstico diferencial. Segundo Mendonça et al. (2004), o derrame de pigmentar melânico nas bordas proximal e lateral da lâmina (referido anteriormente neste texto como sinal de Hutchinson) é indicativo de doença avançada. 

Referências
HIRATA, S. H.; YAMADA, S.; ALMEIDA, F. A. Melanoníquia estriada e melanoma subungueal. Melanoma: Boletim Informativo do GPM, 4 (14), s. p., 2001. Disponível em: http://www.gbm.org.br/gbm/boletim/Edicao14.pdf. Acesso em: 17 mar. 2011.
MENDONÇA, I. R. S. M.; SPINELLI, S. P.; KAC, B. K. et al. Melanoma do aparelho ungueal. An bras Dermatol, 79 (5): 575-580, 2004. SAIDA, T.; OSHIMA, Y. Clinical and histopathoiogic characteristics of early lesions of subungual malignant melanoma. Cancer, 63:556-560, 1989. SANTOS, M. A.; MALUCELLI, T. O. Melanonychia Striata . N Engl J Med, 364: e22, 2011.

Imagem: Santos e Malucelli (2011), referência no texto.

Início do Módulo de Semiologia Médica (CCM/UFPB) no Semestre 2011.1



O Módulo de Semiologia Médica do Adulto (CCM/UFPB) terá início amanhã, 17.03.2011, às 7h00.

13 de março de 2011

Início do Módulo de História da Medicina e da Bioética (CCM/UFPB) no Semestre 2011.1

O Módulo de "História da Medicina e da Bioética" terá início amanhã, dia 14.03.2011, às 7h00.

Relembrando a produção de vídeos pelos alunos do módulo no semestre passado.

Cronograma de atividades do módulo para 2011.1.

7 de março de 2011

A História da Medicina contada de forma lúdica no Carnaval 2011



A fantástica História da Medicina foi o tema da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense, que mostrou a origem e o desenvolvimento desta magnífica ciência-arte no desfile carnavalesco na noite de ontem no Rio de Janeiro.
No desfile, foram mostrados vários momentos e aspectos importantes da evolução da Medicina, desde a fase mágico-religiosa até a medicina contemporânea.
A Medicina na Antiguidade, na Idade Média, os rituais e magias empregados na cura dos doentes, o deus grego Asclépio, o "Pai da Medicina" Hipócrates, os estudos anatômicos de Leonardo da Vinci, a alquimia, as grandes epidemias que assolaram o mundo, como a Peste Negra, até as atuais doenças infecciosas epidêmicas como a Gripe Aviária, o H1N1, a "doença da vaca louca", a AIDS, assim como a descoberta dos antibióticos e novos medicamentos, a homeopatia, a descoberta da estrutura do DNA, a clonagem, a imunização, a fertilização in vitro.
Foram homenageados grandes vultos da Medicina brasileira, como Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Vital Brasil.
A bateria apresentou-se fantasiada como os médicos medievais que combatiam a Peste Negra, portando os típicos trajes com bico de pássaro.
Homenageou-se também a organização de artistas que trabalham como "Doutores da Alegria".
Guardadas as devidas proporções, foi uma "aula" panorâmica mostrando de forma lúdica a evolução da Medicina, com a beleza, a alegria e o luxo que caracterizam os desfiles do espetáculo do Carnaval carioca.

6 de março de 2011

Feriado Semiofolia: Refletindo com Mafalda

Há 46 anos, uma menina argentina irreverente e questionadora apareceu fazendo suas ponderações. As tirinhas de Mafalda, em sua maioria, trazem um conteúdo crítico. É uma pena que não tenham sido escritos novos quadrinhos.

1 de março de 2011

Contribuição da Extensão Ambulatorial na Formação Médica

Por Francisco José Sousa de Ataíde
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

A atual formação dos profissionais de saúde demanda uma adequação a um modelo assistencial que tem como pressupostos principais a humanização do atendimento, a integralidade do ser humano, a promoção da saúde e a necessidade da interlocução com outros saberes, inclusive o saber popular.
O fato de que essas propostas de mudança estejam anunciadas nas diretrizes curriculares nacionais e nos programas assistenciais não assegura que elas ocorram, a menos que sejam debatidas e vivenciadas entre os profissionais (RIBEIRO, 2005). O curso médico é desenvolvido em tempo integral, com enorme quantidade de conteúdos teórico-práticos e, na maior parte das escolas médicas do Brasil, com poucas disciplinas optativas e exígua disponibilidade de tempo para atividades extracurriculares.
Além disso, em regra, os conteúdos são ministrados de modo pouco integrado entre as disciplinas e com insuficiente integração também entre teoria e prática, o que tende a tornar o processo ensino-aprendizagem pouco significativo e menos produtivo (FEUERWERKER, 2005). Por isso, a procura por atividades extracurriculares contribui para a formação médica. Através do trabalho extensionista no ambulatório do Projeto Continuum de Extensão (PROBEX/UFPB), pude vivenciar atividades práticas que foram pouco experimentadas durante o cumprimento do currículo do curso de graduação em medicina.
Outro ponto importante é o papel da instituição pública com a responsabilidade social, como o dos hospitais universitários. À medida que proporciona um campo prático para o aprendizado do estudante, também exerce ações que contribuem para a melhora da qualidade de vida da sociedade. Além de ser um excelente campo para o desenvolvimento de pesquisas. A participação em atividades extensionistas contribuiu diretamente para a minha formação médica, no sentido de me fazer entender, na prática ambulatorial, que é importante perceber e acolher o paciente em sua complexa integralidade. É preciso ser capaz de trabalhar, respeitosa e construtivamente, em equipe multidisciplinar. É importante cultivar a disposição de buscar ativa e permanentemente o conhecimento. 

Referências 
RIBEIRO, K. S. Q. A contribuição da extensão comunitária para a formação acadêmica em fisioterapia. Fisioterapia e pesquisa; 12 (3): 22-9, 2005. 
FEUERWERKER, L. Modelos tecno-assistenciais, gestão e organização do trabalho em saúde: nada é indiferente no processo de luta para a consolidação do SUS. Interface: Comunic., Saúde, Educ., 9 (18): 489-506, 2005.